My Hands Are Tied
13 It's always nothing, all your love
Notas iniciais
-Jack? — perguntei, aflita. Ele abriu os olhos e me encarou.
-Eu fiz besteira, não foi? — perguntou, rindo. Eu estava séria e preocupada, então seu sorriso logo desapareceu.
-Não ria. Sabe o quão séria a sua situação está, não é mesmo? — falei. Era uma pergunta retórica. Ele abaixou a cabeça, estava agora preocupado.
-Me desculpe, Liz. Eu... Não pude evitar. Eu sempre quero mais e mais, e isso acaba muito mal para mim.Me desculpe. — falou, com lágrimas nos olhos. Eu o abracei e comecei a chorar também, Derek só olhava, mas percebi uma pontada de culpa em seus olhos.
-Me promete que vai mudar? — perguntei. Ele afirmou e eu logo saí.
Ele teve alta no outro dia, e eu continuei com Will, compartilhando as novidades sobre a saúde de Jack, que logo após resolveu se internar em uma clínica de reabilitação, o que me orgulhou ao extremo. Era tudo que eu esperava dele. Já era o final de 1985, e eu mal havia percebido o tempo passar.
Mudei-me para a casa de William, que progredia com a banda, já que mudaram o nome para Guns n' roses e se juntaram com outros rapazes. Tudo corria muito bem, perfeito demais para se acreditar.
Comemoramos o natal juntos, com a banda, no frio. Jack estava ainda na reabilitação, e isso fez Derek e Tate encontrarem empregos decentes, já que a banda caía em pedaços. Eu sentia que tudo finalmente ia se consertar, como eu queria. Em um sábado de fevereiro de 1986, Derek veio até minha casa e bateu na porta.
-Lizzy! — falou, animado. Eu não o via há muito tempo.
-Derek! Não acredito! Que ótimo vir me visitar! Há quanto tempo não nos falamos? — perguntei, convidando-o a entrar.
-Quase um ano... — nos sentamos e relembramos os bons tempos. Conversamos por algumas horas, até eu receber um telefonema. Pedi licença para Derek e atendi.
-Alô? — falei.
-Senhorita Elizabeth Hatfell? — perguntou a voz do outro lado da linha, feminina.
-Eu mesma. Quem fala?
-Sou Amelie Montgomery, enfermeira do centro de reabilitação onde seu irmão está internado. Liguei para avisar que ele será liberado na semana que vem, e o tratamento foi muito eficiente. — uma lágrima de emoção escorreu por meu rosto.
-Muito obrigada pela notícia! No dia em que ele for liberado, gostaria que me ligasse novamente para eu buscá-lo.
-Tudo bem, tenha uma boa tarde. — falou Amelie, desligando. Eu estava muito feliz, e Derek notou isso.
- O que foi? — perguntou, curioso, enquanto eu me sentava.
-Jack será liberado na próxima semana. — falei. Ele ficou tão feliz quanto eu. Conversamos mais um pouco até Will chegar e nos cumprimentar.
-Oi Derek. — falou, frio. Não reconheci Will naquele tom de voz. Ele estava com ciúmes, desnecessariamente. — O que faz aqui?
-Viu visitar uma velha amiga. — falou, igualmente frio. Senti o clima ficar tenso, até eu me levantar e encarar Will, como se o pedisse para parar com aquilo. Ele me beijou suavemente e subiu as escadas. — Bem, Lizzy, acho que devo ir.
-Fique mais, por favor! – insisti.
Ele novamente disse que deveria ir e se retirou. Subi as escadas e percebi Will deitado na cama, ouvindo alguma coisa no rádio. Deitei-me a seu lado e olhei em seus olhos, percebi que ele estava chateado. Mas o que eu havia feito? Era proibido ver um amigo? Se ele fosse tão ciumento assim, as coisas não funcionariam entre nós.
-Está triste? – perguntei.
-Por que eu não estaria? – disse ele.
-Por que você é muito talentoso, tem uma banda que faz sucesso, uma namorada que te ama e que você ama também... Precisa de mais alguma coisa?
-Eu ainda duvido do último item. – falou, friamente, o que quase partiu meu coração. Seria apenas por Derek?
-Como assim, Axl? É só por que Derek veio aqui em casa e conversou comigo que está agindo dessa maneira?
-Não é só isso, Lizzie. Eu... Não sei se as coisas vão funcionar entre nós dessa maneira. Você vive em seu mundo e eu em meu, e não combinamos dessa maneira, entende? Eu te amo, mas... Não sei se sou assim correspondido, se estou te fazendo feliz. – eu estava com o peito doendo naquele momento, angustiada ao extremo. Confusa também.
-Eu não te faço feliz, é isso que quer dizer? – agora eu chorava. Ele me abraçou e ficamos daquela maneira até eu pegar no sono, ainda confusa. Ele com certeza não era feliz ao meu lado, e foi isso que ele quis dizer com aquelas palavras duras e frias, que me atingiram de uma forma descomunal. Sonhei em como estávamos juntos, e para mim era algo perfeito, mas não para ele, e isso me deixava mais descontente ainda. Não sabia o que fazer. Não fazia idéia.
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