My Hands Are Tied
6 It gets worse here everyday
-E aí, linda. Não vai me cumprimentar? — disse Dave, de um jeito que não pertencia a ele. Dave estava completamente bêbado. Deveria ter ficado descontente com nossa briga. Recuei mais alguns passos, e percebi que ele levantou e começou a se aproximar. Ele riu, e me apavorou. O que ele fazia lá? Estava completamente amedrontada.
-O que está fazendo aqui Dave? — falei, trêmula. Parei e me encostei na parede do pequeno cômodo. Ele chegou perto e conseguia sentir o cheiro de seu hálito, ele claramente havia bebido muito e poderia me machucar.
-O que mais? Vim te ver — falou pausando para mais uma risada e começou a tossir. — senti saudades, você é muito gostosa, Liz.
-Sai de perto de mim, idiota! Não sou sua namorada e nunca mais serei! Sai da minha casa, eu nem sei como entrou! Por favor, me deixe em paz. — eu quase estava chorando. Estava com muito medo.
-Já que não somos namorados, podemos pelo menos brincar disso, não é? Vai ser divertido, eu prometo. E não seja mal educada comigo. — falou, saindo do tom de brincadeira e me dando um tapa na cara tão forte que quase caí no chão. Agora as lágrimas corriam claramente por minha face.
Ele parecia se divertir com meu sofrimento, chegou ainda mais perto e começou a me beijar. Tentei relutar, mas ele era muito forte e estava me empurrando contra a parede. Arrancou minha camiseta e a sua. Tentei chutá-lo, mas ele me prendia. Não tinha nada que eu pudesse fazer, além de tentativas sem resultado de derubá-lo. Me jogou na cama e deitou em cima de mim. Nesse meio tempo consegui gritar por socorro.
-Por favor, Dave. Você não é assim, não vai querer me machucar. — falei, chorando, na tentativa de fazê-lo parar. Ele riu, e começou mais uma série de tossidas que pareciam intermináveis. Nesse tempo consegui sair da cama e pegar um moletom. Ele havia caído no chão, e eu comecei a correr, desesperada. Abri a porta e continuei correndo em direção ao apartamento de meu irmão. Estava frio, e ele corria atrás de mim, gritando. Estava bravo, mas continuava a tossir, e eu estava quase sem fôlego, e usava todas as minhas forças. Finalmente cheguei ao apartamento e subi as escadas, desesperada, bati na porta e Derek atendeu, mas Dave me agarrou pelas costas. Eu estava ofegante, chorando.
-Me ajude, Derek! Chame meu irmão, por favor! — gritei. Dave beijava meu pescoço,e me empurrava para baixo das escadas. Derek gritou para Jack e correu atrás de Dave, dando-lhe um soco na cara. Ele estava muito bêbado e quase caiu desacordado. Dave havia arrancado meu moletom, e eu o peguei do chão e corri para dentro da casa, mas Derek continuava lá. Sua raiva estava a flor da pele. Ele chutou a cara de Dave, que estava no chão, rindo.
-Desgraçado filho da mãe! — gritou, deferindo mais um soco na cara de Dave, que, cambaleando, conseguiu se levantar e devolver o soco. Eu comecei a chorar de novo. Ótimo, os dois iriam se machucar por minha causa! Jack e Tate saíram e Jack chamou a polícia. Derek continuava batendo nele.
-Pare Derek! Vai matar ele desse jeito! Por favor! Ele já está desacordado! — falei, aos prantos. A polícia logo chegou, e contamos o ocorrido. Levaram-o para o hospital e eu entrei no apartamento de meu irmão.
-Liz, o que aconteceu?! — Pediu Jack desesperado. Ele estava realmente preocupado.
Eu ainda chorava, mas abracei-o ternamente, me sentindo muito mais confortável. Eu o amava de qualquer forma, mesmo bebendo, e ele havia me ajudado muito. Ele retribuiu o abraço sem nada dizer. Percebi que estava sem camiseta e coloquei o moletom.
-Ele... Tentou me estuprar! Arrombou minha casa e entrou lá sem eu perceber.
A expressão de Jack havia ódio, de uma maneira aterrorizadora. Ele me protegia até demais, não queria que nada de ruim acontecesse comigo.
-Aquele filho da puta fez isso com você? — falou, apontando para o hematoma em minha face. Não havia percebido. Assenti e a raiva nele aumentou mais ainda. Derek já estava lá dentro, bravo e atormentado, e Tate parecia não entender o que se passava. Jack me abraçou, protetor. Eu adorava aquilo por um lado, ainda ser sua pequena irmã. a quem ele poderia proteger sempre. — quer dormir aqui hoje? — pediu.
-Claro, eu iria adorar. Não volto mais para a minha casa hoje. Me empresta uma camiseta, que eu vou tomar um banho e durmo aqui no sofá mesmo.
-Não precisa! — se pronunciou Derek. — pode ficar no meu quarto.
-Obrigada. — falei. Estava muito assustada e isso transparecia em minha face. Tate pareceu perceber claramente.
-Quer ? — falou Tate, me estendendo um cigarro e um isqueiro, Era tudo que precisava!
-Claro, obrigada. — falei, pegando e acendendo. Depois disso peguei a camisa de Jack e fui para o banheiro. Tomei um banho extremamente relaxante e coloquei a camiseta. Percebi que Derek dormia no sofá com seu travesseiro e fui até seu quarto, deitei na cama espaçosa e após chorar um pouco e repensar o que havia acontecido peguei no sono em menos de dez minutos. Aquela experiência tinha sido com certeza horrível e muito traumatizante e me tomou muitas energias. Não sabia que Dave, mesmo bêbado, era capaz de fazer aquilo comgio. Ele era doce e romântico, e ao menos pensava que ele me amava.
Fale com o autor