My Guardian Angel.

1 Sempre ao seu lado - Capítulo Único.


Notas iniciais
Fic de prenda de anos bem triste :'(

Miki tinha muitos medos. Tinha medo de perder a sua família, de perder os seus amigos, mas tinha medo, sobretudo, de perder a sua melhor amiga e confidente, Claudine. A mais velha entrara no seu coração e na sua vida sem ela perceber, como se tivesse estado lá desde que nascera. Mas na verdade, elas só se conheceram em crianças, quando queriam jogar futebol com uns garotos. Cada vez que se lembrava desse momento, dava ainda mais razão ao Tenma e ao Endou quando diziam que o futebol unia as pessoas. Sem dúvida que elas eram como duas irmãs inseparáveis, mas quem disse que a vida não as podia separar?

*~*~*

Era uma tarde de sábado, e todos os garotos do clube de futebol da Raimon decidiram fazer um piquenique no campo de futebol ao pé do lago, para se divertirem e socializarem. Todos andavam juntos, rindo e conversando, mas havia algumas exceções: Tsurugi, Minamisawa, Kurama, Claudine e Miki iam mais atrás. Chegou a altura de passar para o outro lado da rua, e todos o que estavam mais á frente passaram, enquanto Miki decidiu afastar-se do grupo. Começou a atravessar a rua sem se preocupar. Afinal, o sinal da passagem de carros estava vermelho.

Mas ninguém esperava por aquilo.

Miki ia a atravessar distraída, até que notou um carro descontrolado a alta velocidade indo na sua direção. Foi quando tudo ficou em câmara lenta para ela. O carro foi se aproximando dela, que fechou os olhos esperando o doloroso impacto.

Mas sentiu um empurrão.

Enquanto caia em câmara lenta para o chão, viu quem lhe tinha empurrado cair no asfalto, enquanto uma poça de sangue se formava no chão envolta do corpo. Observou quem era aquele ser que lhe tinha salvo, e era…

…Claudine?

Não conseguiu pensar por muito tempo, pois caiu no duro asfalto e bateu com a cabeça.

E tudo ficou escuro.

*~*~*

Uns minutos depois, Miki acordou numa cama. Bem, pelo menos ela pensava que tinha passado uns minutos, pois não temos bem consciência do tempo quando dormimos.

Mas… quando é que ela tinha adormecido?

Olhou em volta, avaliando o quarto com paredes brancas e com a luz entrando pela janela, iluminado o local. Ela percebeu que se encontrava num quarto de hospital. Mas porque é que estava ali? E porque Claudine não estava ao seu lado, como sempre ficava quando Miki ia ao hospital?

Mal sabia ela o que a esperava…

Ouviu a porta do quarto ser aberta, e quando olhou para descobrir quem tinha entrado, viu Taiyou com os olhos arregalados e a boca semiaberta, fazendo uma expressão de clara surpresa. Correu até Miki, abraçando a mesma. Numa outra situação ela tinha retribuído ao abraço, mas estava ocupada de mais a pensar na mais baixa.

—Miki, eu estava tão preocupado com você! Você ficou desmaiada durante 3 horas, e o choque da sua cabeça foi tão grande que os médicos pensavam que não ia acordar hoje! –a cabeça dela ficou ainda mais confusa. O que se passava, afinal?

—Taiyou, onde está a Claudine? –decidiu fazer a pergunta que ocupava a sua cabeça desde que acordara, separando-se do abraço.

—M-Miki… v-você não se lembra? –perguntou, olhando assustado para a mais baixa.

—Não me lembro do quê Taiyou?! –o desespero já começava a tomá-la por dentro.

E tinha razões para isso.

Taiyou se afastou dela, abaixando a sua cabeça, encarando o chão.

—Miki… enquanto você atravessava a rua, um carro em alta velocidade veio ao seu encontro. A-aparentemente, o condutor estava bêbado. A Claudine empurrou você e foi atropelada no seu lugar. O-Os médicos fizeram de tudo, m-mas ela não aguentou e… -ao levantar a cabeça para finalmente olhar nos olhos da albina, percebeu que não seria necessário falar mais nada. Os olhos arregalados e as lágrimas que escorriam por eles já diziam tudo.

—N-Não pode ser…

—Miki, a Claudine foi muito corajosa, e tenho a certeza que ela tentou sobreviv-

—NÃO, VOCÊ ESTÁ MENTINDO!

E saiu para fora do quarto, ouvindo Taiyou chamá-la.

Mas ele não estava mentindo.

Correu pelos corredores, com a vista sendo embaçada pelas lágrimas. As memórias do acidente vieram como flashes, mas ela ainda não queria acreditar.

Mas ela devia acreditar.

De repente, várias memórias dos tempos que passaram juntas vieram á sua mente. Os sorrisos, as lágrimas, as alegrias, as tristezas, os abraços e as discussões. Não podiam ter sido em vão certo?

Não, Não, NÃO!

Miki não podia ceder aos pensamentos ruins. Ela tinha a certeza que Claudine ia ficar bem, e que isto tinha sido apenas um grande susto, algo para se esquecer.

Mas ela não podia esquecer.

Passou por vários corredores, tentando achar uma placa com o nome da inglesa. Um nome invulgar como o da morena seria fácil de achar. Subiu as escadas, olhando sempre de um lado para o outro, tentando achar a placa que procurava. Foi quando parou de frente para uma porta.

Claudine Sophia Crystal Endou.

Abriu a porta com força, assustando as pessoas que estavam lá dentro. Uns choravam, outros tentavam conter as lágrimas, e outros tinham os olhos vermelhos e inchados. Kurama foi o primeiro a desviar o rosto, as lágrimas escorrendo.

Mas se até Kurama estava chorando, isso significava que…

NÃO, NÃO, NÃO!

Aproximou-se da cama que todos cercavam, vendo a sua amiga ali, com uma expressão serena no rosto, e o olho esquerdo descoberto. Levou as mãos trêmulas ao rosto da mais baixa, sentindo a sua temperatura corporal.

Fria.

As lágrimas aumentaram.

Como se isso fosse possível.

—A culpa foi minha… -a voz estava baixa e rouca, sendo abafada pelos soluços que o choro lhe provocava.

—A culpa não foi sua Miki. –Kidou falou, a voz triste e desanimada, mas não dava para ver se ele tinha chorado ou não.

—A CULPA FOI MINHA SIM! SE EU TIVESSE SAIDO DA FRENTE, A CLAUDINE ESTARIA VIVA! –ela não costumava gritar, e claro que isso trouxe surpresa para todos, até mesmo para Taiyou, que acabara de aparecer na porta do quarto.

—Miki, se não tivesse sido você, a Claudine iria sacrificar-se por outro! –mesmo querendo ficar irritado, Kidou tinha que entender o lado de Miki. Afinal, ela acabara de perder uma amiga.

Amiga? Não, irmã.

Não aguentando mais aquilo, Miki saiu correndo do quarto, indo até ao pátio que ficava no topo do hospital. Mais recordações invadiam a sua cabeça, fazendo a sua culpa aumentar.

Ao chegar no topo, Miki caiu na grama, sussurrando pedidos de desculpas constantes.

—Porque está pedindo desculpas?

Aquela voz fez com que ela se assustasse, olhando para cima. A visão era surpreendente. Claudine estava ali. O sorriso no rosto, os olhos brilhantes, o brilho em volta dela, e um grande par de asas brancas e brilhantes faziam a menina mais bonita do que já era.

—Estas asas são bem legais né? Até eu me surpreendo por ter ido para o céu! Eu até queria ir ter com aquela velhinha que me odeia e que sempre disse que eu iria para o Inferno, mas eu acho que ia fazer com que ela tivesse um ataque cardíaco kkkkk. –olhou para a mais nova, vendo a mesma com os olhos arregalados.- O que foi?

—N-Não pode ser verdade. V-Você é apenas uma alucinação!

—E quem queria ter uma alucinação comigo. –perguntou de forma divertida, levantando uma sobrancelha e dando um sorriso de canto.

—É-É mesmo você Claudine?

—Eu mesma! –um sorriso gentil apareceu no rosto dela, mudando logo para uma expressão séria.- Oiça-me bem agora Miki. Antes de ir para o céu, eu tenho um assunto inacabado para resolver. Eu tenho que convencer você a não se sentir culpada pela minha morte.

—MAS ISSO É IMPOSSÍVEL CLAUDINE! A CULPA FOI MINHA! –ela tinha passado o seu recorde de gritos, e a garganta já lhe doía.

—OIÇA-ME BEM MIKI! –ela puxou Miki pelo colarinho, o que surpreendeu as duas por ser capaz de tocar na mais nova. –EU FIZ ISTO PORQUE EU QUIS, E NÃO PORQUE ME OBRIGARAM! VOCÊ ACHA QUE EU QUERO FICAR NA TERRA PARA O RESTO DA MINHA IMORTALIDADE, VENDO VOCÊ SE CULPAR?! NÃO, EU NÃO QUERO! ENTÃO DEIXA DE SER EGOÍSTA TÁ?! –e soltou a mesma, baixando o tom. –Desculpe, eu me exaltei. Um anjo não devia gritar. –e deu um sorriso envergonhado, que se desmanchou ao ver a amiga voltando a chorar.

—O que vai ser de mim sem você? Eu sou uma inútil sem você…

Agora, Claudine se irritou de verdade. Agachou-se ao lado dela, e tentou regular a sua raiva.

—Nunca diga que é inútil, e nunca deixe ninguém dizer o mesmo. Você é linda, engraçada, inteligente, alegre e divertida. E eu vou estar para sempre do seu lado. –pousou as mãos nos ombros da mais alta, obrigando a mesma a encará-la.

—Eu vou ter tantas saudades de você… -abraçou a sua amiga, tentando sentir um pouco do calor dela.

—Eu também Miki, eu também… -retribuiu o abraço, sentindo pela última vez o calor da vida. –Prometa-me uma coisa. –acabou com o abraço, encarando calma a amiga, que acenou a cabeça, como se a mandasse continuar. –Prometa-me que não vai deixar os outros fazerem loucuras, e que vai ajudar todos a suportar a dor.

—Eu prometo. –falou com confiança na sua voz, e aos poucos, ela foi pondo na sua cabeça que não era a culpada daquilo.

Claudine se afastou, e um brilho ainda mais intenso que o dela apareceu no céu, puxando a mesma. Sorriu para Miki, que retribuiu. Antes de desaparecer, falou algo que ficou na cabeça da dona dos cabelos brancos.

—Obrigada por ser você, Miki.

E desapareceu.

—Não Claudine… obrigada eu. –suspirou no meio do sussurro, quando ouviu passos atrás de si.

Olhou para trás, e viu Taiyou encarando-a aliviado.

—Miki, finalmente encontrei você! Eu estava muito preocupado.

Miki então entendeu uma coisa. Ela tinha que viver a vida e aproveitar as oportunidades, porque nunca sabemos quando tudo irá acabar. E a melhor maneira de recomeçar, é com uma promessa.

—Taiyou, você promete que ficará comigo para sempre? –a pergunta era um tanto arriscada, mas isso já não importava mais.

—Miki… -o ruivo parecia surpreso, mas rapidamente sorriu.- Eu prometo.

*~*~*

A mulher dos cabelos brancos acordou com a voz da sua filha mais velha.

—Mamãe, eu e o Ayato podemos jogar futebol no jardim?

A mulher sorriu para as duas crianças á sua frente. A menina, com os seus cabelos laranjas claro e olhos azuis claros (evidentes misturas dos olhos e cabelos dos pais), apontava para um menino com olhos iguais aos da mãe e com os cabelos iguais aos da irmã, sendo mais baixo que ela, dando a perceber que a garotinha era a mais velha. Miki era muito orgulhosa ao saber que tinha filhos tão bonitos e gentis.

—Mas é claro que sim, Claudine.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim :3 Sei que está meio cedo, mas não me aguentei :'3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!