My Great Ballerina
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Annie olhava ansiosa para o relógio, iria acabar o primeiro horário de visitas. Helena não havia aparecido e era estranho já que não tirava os pés do hospital, talvez tivesse dormido demais, Anelise torcia para ela ter dormido demais, Helena não dormia desde que ela pôs os pés no hospital, isso a deixava preocupada.
Adorava ver Helena em seu sono profundo, tão pacífica, sem preocupações ou qualquer sensação ruim, só via essa feição quando ela dançava, parecia que tudo sumia e só existia ela e sua musica.
Anelise se sentia deprimida, atribuía isso ao quarto totalmente branco e melancólico, a vista pela janela — que continha cortinas brancas — era totalmente monótona, carros e pessoas passando para lá e cá apressadas em sua vida, cidades pequenas não mudavam em nada das grandes afinal.
Escutou passos no corredor e fitou a porta pensando ser Lena atrasada, mas era apenas a enfermeira com seu café da manhã e um coquetel de remédios.
–Sua amiga não veio hoje? Ela está por aqui sempre desde cedo.
– Infelizmente não pôde vir.
– Entendo, não fique triste — diz ela passando a mão nos cabelos de Anelise — ainda há mais dois horários.
Anelise sorri e toma seu coquetel de remédios, a enfermeira sai avisando que voltava depois para buscar a mesinha de café da manhã. Não havia nada para fazer antes de Helena chegar, se ela viesse se sentia apreensiva por ela não estar ali. "Quero ir para casa" suspirou.
As horas passavam lentamente, a pequena TV não parava de chiar não importasse o canal que estava, acabara de voltar de mais um exame de sangue, a veia em seu pálido pulso doía pela agulha e apresentava um roxo na pele. Às vezes passava algum enfermeiro, mas o local era tedioso. Talvez devesse pedir um livro a Helena quando esta aparecesse.
Olhou o relógio de esguelha, faltavam alguns minutos para o segundo horário de visita. Pegou-se pensando que era melhor Lena não vir neste também, preferia saber que ela dormiu o dia inteiro depois á vê-la triste e decaída, acabou dormindo pensando sobre isso.
Acordou com um peso em cima de si, abriu os olhos e viu uma moita de cabelos castanhos em seu colo, tentou levantar e a criança levantou seus olhos marejados e a olharam com tristeza e com raiva, mordia o lábio inferior com força em um claro sinal de uma tentativa frustrada de não chorar.
– Sarah, o que faz... — não conseguiu terminar a frase, a garotinha pulou em seu pescoço assim que terminou de se sentar na cama.
– Por que não ligou? — sua voz mostrava profunda frustração. — Eu estava preocupada Anelise! Poxa!
As lágrimas escorriam sem cessar.
– Desculpe Sarah, não queria te preocupar — disse baixinho afagando os cabelos de sua irmã tentando não chorar.
– Anne, melhora logo, te quero em casa.
– Eu vou tentar ta? O mais rápido que posso baixinha. — Quem a trouxe Sarah?
– Sua namorada, ela ta lá fora.
Anelise sorrio, por isso tamanha demora.
– Estou atrapalhando algo? — Pergunta Helena encostada no batente da porta de braços cruzados sobre a negra camisa estampada.
– Pensei que não viria hoje, não acredito que trouxe minha irmã, obrigada.
Helena sorri em resposta, o brilho no olhar de Anne a deixava tão bem. Conversaram até o fim do horário de visitas sem parar, Sarah contava sobre a escola e a avó, Helena teve que prometer que a traria de novo se Anelise demorasse a sair.
– Pode esperar lá fora um instante Sarah? Já te levo em casa.
– Mas já?
– Infelizmente.
Sarah abraçou a irmã com um muxoxo e foi para a sala de espera.
– Como está minha bailarina?
– Feliz- diz Anne sorrindo — e você não me parece triste.
– Se está feliz eu estou bem, mas vou indo antes que me expulsem, volto à noite amor. — diz beijando a testa de Anelise.
– O.K. — Helena já estava para sair quando a chamou novamente — Me traga livros por favor.
– Para que? Eu te conto histórias se é isso que quer.
Anelise ri com o comentário de Helena.
Helena e Sarah já estavam no elevador quando a menor pergunta fitando o espelho na parede.
– Ela ta muito mal mesmo não é?
– Por aí. — responde Helena se recostando na parede do elevador. — Mas vai melhorar.
– Espero que sim, vai me trazer de novo mesmo não é?
– Da próxima vez espero que seja para buscá-la.
Helena bagunça o cabelo de Sarah quando saiam do elevador. Não houve conversas na viagem de volta.
Notas finais
Até.
Fale com o autor