Notas iniciais
Olá, capítulo feito pela Lee, leiam agora pessoas, agora mesmo vão vão:

Ao acordar, dou-me conta de que ainda estou na casa de Helena, ela está lá em cima dormindo, vou pegar minhas coisas e ir embora. Sem sair da minha mente o que Lena me disse, continuo a caminhar em direção a minha casa, triste, e em cada passo que dou, as lágrimas caem, deixando rastros no chão de que estive aqui, e a minha tristeza e solidão juntos a mim. Disse a mim mesma que lutarei para ficar com Lena até o fim, mas acho que ela precisa de um tempo para pensar, e necessito de dar esse espaço a ela, só espero que ela saiba que ainda estou aqui para ela.

Cheguei em casa, triste, pensando em como será meus dias daqui para frente, eu deveria estar bem, feliz, por ter saído do hospital, mas queria poder passar meus dias com Lena, será que ela desistiu de mim? Ao obter essa pergunta por enquanto sem resposta, minha irmã querida invadiu a sala, deixando a minha tristeza um pouco de lado.

—Anne. Anne! Onde estava? – Disse minha pequena já segurando minhas mãos.

—Estava na casa de Helena… – Disse eu com um olhar bem triste querendo carinho.

—Vovó não gostará disso, não mesmo.

—Ela não precisa saber!

—Tudo bem, vamos para meu quarto, quero te mostrar minha nova casinha de boneca! – Disse-a muito entusiasmada.

Fomos para seu quarto, brinquei um pouco com ela, e depois fui para meu quarto, deixei minhas coisas e fui tomar banho. No banho, recordo-me de tudo que Lena me dissera, e um turbilhão de pensamentos vem desorganizadamente, deixando-me um pouco paranoica. Lena parecia estar firme com sua decisão “devemos parar de nos ver”, não me pareceu um instinto pensativo, nem uma opinião de brincadeira, pareceu de um jeito que ela ensaiou bastante para isso, teve certo tempo para pensar nisso. Serei eu a culpada? O que estou fazendo de errado? Será mesmo que não existirá mais volta? Debrucei-me a chorar, com a água do chuveiro escorrer sobre meu corpo, eu não sabia o que fazer, o que pensar, tudo que eu mais queria naquele momento era esquecer o que Lena disse, queria poder sair correndo até a casa dela, gritar seu nome, e com um sorriso surpreso, ela abrirá a porta, sairei correndo e a abraçarei, a beijarei e a direi que a amo, e tudo ficará bem, vamos voltar a morar juntas, minha avó aceitará nossa relação, vamos ter almoços em família e tudo ficará perfeito, mas em um piscar de olhos, tive de deixar meu mundo de contos de fadas de lado e desligar o chuveiro, me secar e me vestir.

Ao terminar de me arrumar, peguei minha bolsa, dei um beijo na testa da minha irmãzinha e saí. Precisava esfriar minha cabeça, mas nada do que eu fazia, eu conseguia esquecer ela. Ir a uma loja, em um restaurante, shopping, até mesmo o mercado, ela estava em todo lugar, eu estava definitivamente sem chão. Fui até o centro da cidade, passei ao lado da nossa sorveteria favorita, e mesmo com lágrimas em meus olhos, entrei na sorveteria, e peguei o sorvete preferido dela, o de uva, não sei o porquê, mas ela sempre pedia para o sorveteiro raspar a bolinha do sorvete bem na ponta da caixinha, pois naquela parte, pelo menos o que ela dizia, era mais saborosa e gelada, eu pedi o mesmo que ela, para ao menos, ter um pedaço dela dentro de mim, pois ela levou tudo quando disse que não queria mais me ver. Quando paguei o sorvete, saí daquele lugar imediatamente, se eu ficasse mais, mais pensamentos sobre Lena me viria à cabeça. Andando pela rua, vinha um meigo casal em minha direção, trocando beijos, andando de mãos dadas e sorrindo um para o outro, como eu queria estar assim com ela. Passei por de baixo de uma árvore bem grande e bela, com suas folhas bem verdes, ao abaixar o olhar elas foram ficando cinzas, meu sorvete caiu no chão sem o meu comando, estava me sentindo fraca, tonta, não sentia minhas pernas, quando de repente, meus olhos se fecharam e eu caí, desmaiei. Eu queria levantar, mas não conseguia me levantar, ouvia muitos barulhos, vozes, mas não conseguia me mover. Senti algo gelado escorrer pelo meu rosto e pescoço, consegui abrir meus olhos, quando me dei conta, estava nos braços de um belo homem, que derramou um pouco de água em mim para eu acordar, e com muitas pessoas ao redor olhando para nós.

—Você está bem? – Disse o belo homem me segurando.

—Acho que sim, onde estou? – Respondi me levantando.

—Está na rua, alguém empurrou você ou algo assim?

—Não, acho que desmaiei. Obrigada.

—Não há de que. Para onde a bela moça vai? Posso oferecer uma carona.

—Ah que gentil, mas não obrigada, posso pegar um ônibus.

—Me desculpe, mas não mesmo, quero levá-la para casa, ou para onde a senhorita vai.

—Não estou me sentindo muito bem, pode me levar para casa se puder.

Ele concordou com a cabeça, entrei em seu carro e fomos até minha casa. Pelo caminho, ele me fez algumas perguntas frequentes, como quantos anos eu tenho se tenho namorado, onde moro e se estudo, ah e ele disse o quanto sou bonita, todas as perguntas eu respondi a verdade, menos a pergunta se tenho namorado, para mim a Lena é um passado, passado doloroso, era fim do dia já e ela não me ligou, não mandou mensagem, não veio atrás de mim, e mesmo amando muito ela, decidi ignorá-la e seguir em frente, assim como ela está fazendo, por mais difícil e doloroso que esteja sendo.

—Muito obrigada, mesmo. – Disse a ele, ao estar de pé em frente a minha casa.

—Te vejo amanhã?

—Tudo bem, pode vir me buscar à tarde.

—O.k. bela moça, até amanhã.

—Até amanhã.

Não estando muito certa do que fiz, fui me deitar com um lado contente por saber que amanhã não ficarei o dia todo chorando por ela, e o outro lado triste por Helena não ter ligado e por ter que aprender a viver sem ela, se é que existe como.

No outro dia acordei chorando por Helena, foi assim pela semana toda, pelo mês todo, durante todos esses quatro meses que não a vi e nem falei com ela. Naquele dia que Jason (menino bonito) me convidou para sair, eu fui, mesmo sofrendo por Helena. Comecei a sair com ele constantemente, até que um dia ele me pediu em namoro, eu aceitei, pois a cada dia que eu estava com ele, ele me fazia esquecer-se de Helena, e todos os dias, ia embora de mim cada pedacinho dela. Hoje em dia, Helena é só mais uma página do meu diário.

Dois anos depois, parte de Helena da história:

Passaram-se dois anos e seis meses que eu não falo e não vejo a Annelise, me arrependo amargamente por ter ido embora, por não ter ligado, por não ter ido atrás dela novamente, agora ela deve estar com alguém que a faz muito feliz, muito mais feliz do que eu havia feito, ou então curtindo a vida com suas amigas sem mim, tendo as aventuras que ela sempre sonhou e que eu nunca dei nem um terço disso a ela. Ela foi tudo e mais um pouco para mim, e tudo que eu fiz foi destruir tudo, deixá-la sozinha no mundo, sem saber ir nem vir, tudo que eu mais queria era poder tê-la de volta em meus braços, ligar e pedir desculpas, dizer que eu ainda a amo, tanto quanto antes, me desculpar pela besteira gigante que eu fiz, e ao meu coração saltitar de alegria em ela dizer que sim, eu quero você de volta também, ela voltar a morar comigo, tudo ser perfeito de novo, e a chance de eu conseguir consertar de uma vez por todas as coisas erradas que eu fiz, pra mim, ela ainda é o meu amor, minha vida.

Há dias que eu não saio de casa, só fico aqui pensando nela, planejando nosso futuro juntas, sonhando todos os dias em quando poderei vê-la novamente, em quando poderei abraçá-la, beijá-la, em quando verei aquele sorriso maravilhoso novamente. Ela é cada pedaço de mim, minha estrela mais brilhante, minha luz no fim do túnel, minha vida, meu ar, cada gota de sangue que corre em minhas veias. E mesmo ao sentir tudo isso. Pergunto-me por que fui tão covarde em partir? Em não voltar atrás? Fui fraca e tola, imbecil. Perdi a conta de quantas cartas já a escrevi e não mandei nenhuma, tenho a certeza de que ninguém é tão infeliz quanto eu, eu deixei o tempo passar sem fazer nada, sem tomar nenhuma atitude, deixei meu pássaro fugir e ele não voltou, não voltou porque eu fechei as portas e as janelas, e tudo isso por qual motivo? Por medo, medo de errar, medo de perdê-la novamente, medo de tudo, eu não me apoiei nela, não contei o que estava sentindo e agora tudo se foi. Será que só eu tenho a vontade de voltar ao passado e consertar meus erros? Se eu tivesse ao menos ligado, ao menos uma mensagem, ao menos ALGUMA COISA, nada estaria como está hoje. Por algum milagre, resolvi sair de casa, nunca mais eu tinha visto o sol brilhar, nunca mais tinha visto as pessoas caminharem, nunca mais tinha visto os sorrisos das outras pessoas, o único sorriso que tenho visto foi o dela, nas fotos dela que tenho espalhadas pelo meu quarto.

Ao passar na frente de nossa sorveteria favorita, pensei, será que ela já passou por aqui depois de todo esse tempo? E, se passou sentiu alguma coisa? Eu sinto um aperto enorme, um buraco gigantesco dentro do meu coração que cresce a cada dia mais. Eu vi crianças brincando na pracinha, vi casais andando de mãos dadas, vi famílias tirando fotos, vi até casais brigando, eu vi cachorros correndo livremente pelo parque, eu vi o céu, como é lindo, mas não tão lindo como ela. Sentei-me em um banco perto do lago, nós costumávamos passar por ali, ríamos, rolávamos pela grama, fazíamos de tudo juntas. Mas eu vi algo que me deixou sem fôlego naquele momento, eu fiquei totalmente paralisada, não conseguia me mexer, não podia acreditar no que meus olhos estavam vendo. Eu a vi, ela estava andando de mãos dadas junto a um homem, mais velho que ela por sinal, estavam rindo, pareciam feliz, meu mundo caiu, eu fiquei sem chão. Continuei fitando-a esperando pelo momento que ela me percebesse, quando em um momento inesperado, seu propositalmente namorado se levantou e andou até o bebedouro ali perto, ela olhou para o chão balançando os pés, levantou a cabeça e ficou paralisada olhando em minha direção, eu não tinha certeza se era para mim que ela estava olhando, ou para outra coisa. Eu não podia perder essa oportunidade, tinha que pelo menos acenar, mas eu estava tensa, nervosa, ela estava linda como sempre foi, cortou os cabelos, pintou de um tom ruivo mais escuro, combinou perfeitamente com ela, ela estava a desejar. Algum instinto me disse que eu deveria me levantar e me levantei, comecei a andar na direção dela, sem ter o controle dos meus pés, por dentro, eu queria muito chegar até ela, mas tinha quase certeza de quando eu chegasse perto, dispararia correndo. Ela continuava me olhando, eu estava cinco metros de distância dela, e ela continuava a me olhar e eu o mesmo, percebia a cada passo que dava mais perto dela, que ela estava tremendo, sua boca estava branca, eu estava congelada, por sorte seu namorado estava conversando com um amigo então não iria nos atrapalhar.

Eu parei em sua frente sem dizer alguma palavra, ela se levantou, me olhando, eu estava quase chorando, enquanto ela me olhava seriamente. Eu cheguei mais perto e por mais incrível que pareça, eu tive coragem de abraçá-la. Primeiramente ela não me abraçou, ficou parada, mas depois me abraçou, e meu Deus, que abraço apertado, aquele que poderia curar todas as minhas feridas, eu queria nunca mais soltá-la, mas ela quebrou nossos laços naquele momento, me soltou e sentou-se, olhou para baixo, respirou fundo e mandou-me ir embora, eu disse que dessa vez eu não iria embora, mas ela se levantou do banco e disse: — Mas eu vou. Então pegou a mão do seu namorado e foi embora, sem olhar para trás. Eu fiquei ali parada, senti os pedaços do meu coração se quebrarem e caírem lentamente. Podia até ouvir o barulho deles caindo no chão e se quebrando, quando ela virou as costas os pedaços do meu coração sentiram a falta dela, e tudo que eu queria dizer, era: “eu ainda amo você”.

Notas finais
Agora comentem o que vêm em suas mentes.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.