My Foolish Heart
16 Capítulo 16
Notas iniciais

Eu estava em meu quarto, pesquisando sobre Katherine, suas manias e seu modo de agir. Sim, eu ainda precisava saber mais sobre ela. Me assustei quando ouvi a porta bater e fechei bruscamente o computador.
Ao ver Damon, imaginei o que ele queria comigo.
— O que está fazendo aqui, Damon? — Perguntei e vi a chave do quarto na mão dele — O que está fazendo com a chave?
— Preciso conversar com você — respondeu.
— Devolva a chave do meu quarto.
— Esse quarto tecnicamente não lhe pertence. E eu preciso falar com você.
— O único problema é que eu não quero falar com você. Não importa se o quarto não é meu, mas é minha privacidade. Devolva — falei indignada. Claro que não gostava de falar assim com Damon, mas era a única maneira de mantê-lo longe.
— Hmm... Não — respondeu simplesmente.
— Damon, por favor, não torne isso difícil. Devolva a chave, agora.
— Não antes de falar com você.
Avancei nele tentando pegar a chave, mas o estúpido jogou pela janela.
— Olha o que você fez! — Apontei para janela. — Agora estamos presos!
— Não seja por isso — ele disse e pulou a janela.
— Damon! — Eu disse e pulei também por algum motivo desconhecido por mim. Talvez tivesse sido só a força do momento. Ou não.
Ele pegou a chave e saiu correndo, deixando-me estupefata. Bufei começando a correr atrás dele. Damon corria em direção ao lago... Ele ia pular?!
— Damon, quanto anos será que você tem? Cinco? — gritei, já cansada daquela criancice.
Ele pareceu não me escutar, jogando-se no lago. Boçal!
— Elena, não sabe como a água está boa! — exclamou rindo.
— Idiota! — disse jogando-me no lago. Damon nadou para longe de mim... Como eu podia sequer acompanhar o ritmo dele? Eu mal sabia nadar; além da água estar congelando até minha alma — Acéfalo, estúpido... Energúmeno!
— Você acha que está me xingando com esses palavrões de velha? Minha avó usava isso quando ficava com raiva de mim! E Olha que era toda hora.
— Tem certeza de que queria, realmente, se desculpar? — perguntei sarcástica.
— Sim, mas você tornou tudo mais difícil! — explicou, como se estivesse com a razão — Pode me escutar agora ou não?
— Vai me dar a chave do quarto?
—... Vou. Mas depois que me ouvir — eu bufei e assenti com a cabeça, saindo do lago.
Assim que vi Damon sair, entrei na casa e procurei uma toalha, que achei no banheiro principal. Ao me secar, esperei ele entrar para poder me sentar no sofá.
— Estava muito gelado. Também acha? — perguntou irônico, secando os cabelos com a toalha.
— Sério que estava gelado? Nem percebi.
— Deixando seu comentário desnecessário de lado, minha camisa está molhada demais, e eu preciso me trocar. Com licença.
— Vai, pode ir. Talvez, quando você voltar, eu já não esteja mais aqui.
— Esqueceu que eu tenho a chave do quarto?
— Filho da...
— Epa! Minha mãe é uma ótima pessoa! Você sabe disso.
— Vai logo, Damon.
Ele sorriu e saiu; entrando em seu quarto em seguida. Fui pegar um chocolate quente, já que eu estava congelando. Quando passei perto da cozinha, a porta do quarto dele se abriu e Damon saiu de lá, esbarrando em mim. Detalhe: sem camisa.
— Minha camisa está em cima do sofá... — disse olhando para mim. E, eu ainda não havia percebido que estava perto demais...
— C-claro — concordei. Ele se afastou aos poucos e saiu, me deixando um pouco... Desnorteada. Assim, continuei andando em direção a cozinha. Sem deixar de respirar fundo. Bem, bem fundo.
Peguei meu chocolate quente e sentei-me na mesa.
— Pode começar a falar, Damon — eu disse. Provavelmente corada.
— Certo... — suspirou — Eu quero pedir desculpas.
— Você pegou a chave do meu quarto, nos trancou, jogou-a pela janela, me fez andar pelo telhado, pular dentro de um lago e... Ver... Você sem camisa... Pra isso?!
— Eu sei que você provavelmente não queria que fosse assim. Diz que quer que nós sejamos amigos, quando sei que é mentira. Eu não consigo ser somente o seu amigo! — ele disse — O seu jeito de antes, era... Bem, não era exatamente o de agora. Você mudou para melhor. E, eu estou perdidamente, incondicionalmente...
— Damon, por favor... Uísque! — pedi e ele me olhou com uma cara de: “Eu não sou bartender”. Mas eu não queria ouvir. Não com o nome Katherine, não com um nome que não fosse o meu saindo dos seus lábios diante de sua declaração — Poderia pegar para mim?
— Claro... — respondeu, ainda não entendendo nada. Ele foi para o balcão, pegando o mais forte uísque e levando para a mesa — Com gelo?
— Puro — disse convicta. Eu nunca havia bebido uísque puro; principalmente o mais forte. Se eu desmaiasse, a culpa seria de Damon. Ele colocou em um copo e me entregou. Virei o copo, tomando tudo de uma vez só. Sentindo o líquido queimar a minha garganta, fiz uma careta. Que foi cômica, pois Damon ria descontroladamente — Não sabia que ardia tanto.
— Mais?
— Com certeza.
Depois de um tempo Damon juntou-se a mim. A noite foi passando e nós não dizíamos uma única palavra. O que fazíamos era: beber. Somente.
— Você gosta de batata doce? — Damon perguntou.
— Claro. Talvez. Não sei. Eu estou muito bêbada — falei e ele me seguiu até o sofá, onde o silêncio parecia se alastrar ainda mais.
— Eu também — nós nos olhamos e começamos a gargalhar como loucos, enquanto eu me estirava no sofá.
A porta se abriu e nós continuamos rindo, gargalhando e nos debatendo. Caroline passou pela porta e olhou para nós com uma careta.
— O que está acontecendo aqui? — Perguntou olhando para nós — Isso é sério? Eu vim aqui dizer que estou noiva e vocês estão bêbados?! — disse apontando para aliança na mão.
— Então vamos deixar o casal ter seu momento lua de mel e vamos rir lá fora — disse enquanto Damon pegava o uísque e eu os copos, indo na direção do jardim. — Bye, Care.
Caroline nos olhou com uma cara assustada e assentiu, fechando a porta.
Seguimos andando desnorteadamente até uma área que não tinha muitas árvores e deitamos na grama para ver as estrelas. E de repente voltamos a rir.
— Alguém tira o uísque de mim, por favor — Damon pediu.
— Então pode deixar pra mim, porque eu estou muuito feliz — o respondi rindo.
Levantei e comecei a rodopiar enquanto Damon fazia uma tentativa falha de cantar, até que as estrelas começaram a parecer um borrão.
— A lua deveria estar tão clara assim? — Perguntei, pouco antes de cair no chão e entrar em sono profundo.
[...]
— Katherine? — Ouvi alguém chamar. Katherine... Quem será que era Katherine?
Abri os olhos com certa dificuldade e me assustei quando percebi que eu não me encontrava na minha cama. Eu estava deitada na grama. Espera... Eu dormi no jardim?! O que estava acontecendo?
— Katherine? — a voz repetiu e eu observei melhor o que estava ao meu redor e lembrei, fazendo uma lista mental. Meu nome é Elena. E eu estou me passando por Katherine Pierce. Acréscimo: e minha cabeça está doendo muito.
— O que aconteceu? — Perguntei para Stefan, que se encontrava na minha frente e provavelmente era a pessoa que estava me chamando.
— Eu não faço idéia. Vocês estavam dormindo no jardim — disse apontando para o lado, onde vi Damon sentado com uma garrafa de uísque vazia ao lado — E eu vim ver se estava tudo bem.
— Não olhem para mim, também não faço a mínima idéia — disse Damon.
— Bom, agora que já acordei vocês, meu trabalho por aqui está feito. Se resolvam. Ah, e se vocês se importam, eu estou noivo — Stefan falou logo antes de sair andando para algum lugar.
Forcei-me e tentei lembrar o que havia acontecido. E de repente tudo voltou à minha mente. Chave, lago, Damon, bebidas... Argh! Eu sou uma idiota. E Damon também é por tudo aquilo.
Percebi que ele já estava de pé, estendendo a mão para mim. Que eu ignorei levantando-se sozinha, é claro.
— Tudo bem — ele disse rendendo as mãos.
— Você é um idiota, sabia? Não acredito que nós fizemos isso — falei andando em direção à casa, mas acabei batendo o pé em uma pedra grande — Mas que droga! — Gritei.
— Você está bem? — Damon perguntou se aproximando e olhando o meu pé.
— Sim, eu estou bem. Será que dá para sair do meu caminho agora, por favor?
— Está sendo ridícula, Katherine. Você pode ter se machucado, deixe-me ajudar! — disse impaciente — Por que tanta raiva? Parece até que você me odeia só por odiar. Eu sou tão péssimo assim?! — Disse e eu parei de caminhar.
— Não é nada disso, Damon — falei um pouco mais calma — Mas eu não posso. Não agora. Acha que pode apenas pedir desculpas e vai ficar tudo bem? — falei voltando a andar, mas senti que ele me seguia — Além do mais, você tem uma maneira bem estranha de pedir desculpas. Agora eu vou entrar, tomar um bom banho, comer alguma coisa e descansar, já que amanhã voltamos para casa. Tchau.
— Fique à vontade. Pode ir. Mas, nós ainda não conversamos. Você sabe que eu não vou deixar isso de lado, certo? — o ouvi gritar já um pouco distante de mim. Suspirei e entrei na casa, batendo a porta. Sim, eu sabia que ele não iria deixar de lado. E eu não poderia fugir para sempre.
Mas, o que seria mais perigoso? Afastar-se ou aproximar-se de Damon?
Eu teria que tomar uma decisão uma hora ou outra.
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