Notas iniciais
Boa leitura♥

Diariamente, eu sentia um peso no coração por não poder contar a Damon a verdade. Ele estava sendo bom para mim, e eu só o deixava mais confuso ainda. Certo, eu não queria que nada daquilo tivesse acontecido. Mas, era como um conforto saber que não o envolveria nessa mentira mais ainda. Por mais que quisesse conter meus sentimentos, eles precisavam ficar escondidos dentro de mim. E muito bem escondidos. Ele já havia conquistado meu coração, mas não podia enganá-lo. Talvez, só talvez, se eu não tivesse aceitado a proposta de Lily, nós pudéssemos ter nos conhecido melhor. Ou não. Mas, essas dúvidas em minha cabeça teriam que cessar. E rápido.

Fui para o meu quarto depois de tomar banho. Iria com Bonnie visitar Kol no hospital.

Coloquei minha blusa azul escura que tinha alguns detalhes rendados, calça preta e calcei minhas sapatilhas bege. Suspirei ao pegar o colar que minha mãe me deu em meu aniversário, um ano antes dela falecer. Coloquei-o e fui arrumar o meu cabelo, que estava levemente amassado; por esse motivo, eu o prendi em um rabo de cavalo frouxo. Tentei disfarçar com pó e base as minhas olheiras. Esse estrago foi causado pelo meu choro da noite anterior. Não havia parado de chorar de manhã, mas consegui me conter. Damon já estava mexendo muito comigo e com meus sentimentos; por isso mesmo que eu teria que me afastar dele. Mesmo não querendo. Ele provavelmente não falaria mais comigo como antes, mas para mim já era ótimo saber que ele ficaria livre de mim, de tudo o que eu era. Só de saber que ele não se envolveria demais, já ficava mais calma.

Arrumei a minha cama antes de passar pela porta do quarto, fechando-a em seguida. A casa estava o de sempre. As flores no meio da mesinha da sala lembravam-me de minha mãe. Uma estante velha que existia perto da TV, fazia-me lembrar de meu pai. Ele adorava ler; então todos os livros que comprava, guardava lá. Mas, ninguém necessitaria deles, segundo Johanna. Eu necessitava. Eu necessitava olhar para aqueles objetos todos os dias quando acordasse, porque era isso que me lembrava deles. Era a lembrança mais concreta que eu tinha de meus pais. E não iria me desfazer delas. Não tão cedo.

— Elena. — Caroline disse chegando perto de mim.

— Se quiser alguma coisa, não vou poder ajudar a Lady. — respondi já esperando que ela pedisse alguma coisa. Quer dizer, pedir não. Ordenar.

— Por que não vai me ajudar?

— Porque não é minha obrigação. — sorri e ela fechou a cara. — Eu não tenho medo de cara feia, Caroline. Principalmente da sua, que sou obrigada a ver todo santo dia.

— Mas, meu café? — cruzou os braços.

— O seu eu não sei. Mas o meu... Vou tomá-lo no caminho. Até mais, Care.

— Só meus amigos podem me chamar de Care.

— Pelo o que eu sei, você não tem amigo algum.

— Tenho vários na faculdade.

— Eles devem ser fúteis; exatamente como você. — sorri sarcasticamente. — Até. — eu disse acabando a discussão e saindo de lá imediatamente. Caroline conseguia ser mais do que irritante às vezes. Não sabia por quais motivos ela era daquele jeito. Mas, quem viveu a vida toda ao lado de Johanna, não poderia ser menos.

Passaria no Starbucks para comprar meu café. Havia recebido o salário do mês, então estava ótimo para mim.

Ao chegar lá, uma fila pequena se locomovia. Pessoas indo e vindo, pagando e recebendo... Aquela rotina nunca seria cansativa para as pessoas de Nova Iorque. Afinal, não era todo dia que a fila para o Starbucks era pequena, então tinha que aproveitar o máximo daquilo. Dei uma corrida básica para chegar na fila, e esperei a minha vez chegar. Podia demorar um pouco e, como eu não tinha um celular novo, tinha que me contentar com o meu. Que, provavelmente, não servia nem para fazer uma ligação direito. Nunca conseguiria mandar um SMS para Bonnie que iria me atrasar, mas teria que me contentar.

Avistei uma família sentada no canto da cafeteria. O pai mantinha o bebê no colo, enquanto a mãe dava o cappuccino para a garotinha, que sorria imensamente. Todos riam da forma como o pai segurava o bebê. Ele colocou-o no carrinho e ficou brincando com a garota. Bem, era a imagem que eu teria de uma família perfeita. A minha já havia sido daquele jeito, e eu... Era somente eu naquele momento. E arrependi-me por olhar para eles naquele instante. Eu nunca teria uma família de verdade novamente. A solidão me perseguiria sempre e para sempre. Meu fado era aquele; vagar pela grande Nova Iorque, tendo a esperança de que seria feliz como antes fui.

Quando me dei conta, vi que já era a minha vez.

— Por favor, um cappuccino grande. — eu pedi a atendente, que tinha o cabelo amarrado em um coque mal feito. E que, a meu ver, tinha umas rugas no canto dos olhos. Talvez, já estivesse trabalhando há muito tempo. Poderia estar cansada. É; a vida é justa para uns, mas excruciante para outros. Ela anotou o pedido e levantou os olhos, como se estivesse perguntando “mais alguma coisa?”. Eu neguei com a cabeça e ela foi rapidamente fazer o pedido. Enquanto esperava, eu batia meus dedos seguidamente no balcão. O cappuccino grande custava mais que os outros, claro. Mas ele vinha com um pão de queijo. Era isso ou morrer de fome. Não aguentaria lanchar na cantina do hospital. Só de pensar, ficava com náuseas. Não que a comida fosse ruim, mas imagine você comer enquanto ouve sons de pessoas agoniadas, clamando por ajuda? Não conseguiria aguentar por muito tempo.

— Aqui. — a mulher que anotou o meu pedido disse, chamando minha atenção. — São seis e cinquenta. — avisou o preço. Coloquei a mão em meu bolso, tirando minha carteira. Procurei e achei o dinheiro. Assim, entreguei-o a ela, pegando meu cappuccino e meu pão de queijo e indo embora.

Virei-me, seguindo pelo caminho ao hospital. Levei o copo aos meus lábios, saboreando a delícia que era aquele cappuccino. Com algumas mordidas, comi o pão de queijo rapidamente. Joguei o copo no lixo e continuei a andar. Em poucos minutos chegaria ao hospital.

Cheguei até a frente do hospital; uma enorme construção pintada de branco. Um tanto intimidadora para um hospital. Passei pela enorme porta de vidro, indo para a ala de internados. Vi Bonnie batendo o pé, um tanto que furiosa e ansiosa.

— Bonnie. — chamei-a. Ela virou a cara para mim no mesmo instante.

— Elena! — exclamou. — Por que demorou tanto?

— Desculpe. Tive que passar no Starbucks. E ai a fila estava enorme e...

— Tudo bem, não precisa se explicar. Mas, vamos logo. Queria que o Kol nos visse entrar juntas. Sabe, para confortá-lo.

— Certo. Vamos. — segurei a mão dela e entramos lentamente no quarto. — Kol?

— Meninas. — ele sorriu. Apertou em um botão e a cama em que ele estava subiu, assim ele pôde nos ver melhor.

— Uh, esse negócio e interessante. — eu disse indo mexer nele. Nós rimos.

— Eu fiquei bastante preocupada com você, Kol. — Bonnie contou. — Nós duas.

— Eu sei, meninas. Desculpem-me.

— Não se preocupe, não foi culpa sua. — eu apertei a mão dele.

— Mas, agora está tudo bem. — Bonnie suspirou. — Isso vai prejudicar em alguma coisa na bolsa de estudos?

— Não. Mas... Eu também não sei se sou bom o bastante.

— Claro que você é bom o bastante, Kol! — exclamei. — Se você passou, é porque tem talento.

— E nós vamos apoiá-lo até o fim. — Bonnie completou. Nós três sorrimos.

— Obrigada. — ele sorriu.

— Bem, eu não tenho nada para fazer hoje. Podíamos ficar com você. — comentei.

— Não precisa. Sério. — ele respondeu com um sorriso.

— Olhe, eu vou para casa. — eu disse vendo que Bonnie queria falar a sós com Kol. — Mas, volto depois, ouviu?

— Sim, capitã. — foi a última coisa que ele disse antes de eu ir embora.

Ri sozinha.

Sai do hospital. Não teria Bonnie, muito menos Kol hoje. Bem, não sabia o que faria. Mas, provavelmente iria arrumar a casa. Era isso que havia sobrado. Afinal, eu faria aquilo de todo jeito. Eu estava cansada pelo fato de ter andado mais de oito quarteirões até o centro, só para chegar ao hospital.

Quando virei a esquina, senti um golpe em minha cabeça.

— Me desculpe. — eu disse sentindo-me envergonhada. Levantei a cabeça. Surpreendi-me ao ver que o indivíduo era Stefan. — Stefan? — ele levantou a cabeça e levantou-se.

— Parece que só nos encontramos assim. — ele riu. — Me desculpe também. Devo prestar mais atenção por onde ando.

— Tudo bem. — eu ri. Somente naquele momento, vi que os olhos dele tinham uma cor linda. Uma pura esmeralda.

— Bem... Você estava indo para algum lugar?

— Para a minha casa. — engoli em seco.

— Tem alguma coisa para fazer hoje?

— Ér... Não.

— O que acha de comermos alguma coisa agora?

— Eu... Bem... Certo. — cedi. Estava com fome e aquele pão de queijo não havia melhorado nada.

Ele me acompanhou até uma lanchonete perto da avenida. Era organizada. Mesas de madeiras distribuídas perfeitamente pelo lugar, assim como as cadeiras. Cardápios ocupavam a mesa, juntamente com seus respectivos copos. Vários saquinhos minúsculos de ketchup encontravam-se em uma pequena bacia.

Stefan sentou-se primeiro e eu sentei em seguida, do outro lado da mesa. Ele deu um sorriso singelo para mim, que eu gentilmente retribuo. Stefan era bonito. As maçãs do rosto dele combinavam retangulamente com seu nariz.

Uma mulher veio nos atender. Ela era loira, tinha alguns traços bonitos e segurava um bloco, pronta para anotar o pedido. Apesar disso, o jeito que ela praticamente se “atirava” para Stefan, fazia-a parecer uma vadia. Assim que ela saiu eu ri. Stefan percebeu e olhou para mim.

— Do que está rindo? — ele perguntou divertido.

— Daquela garota, praticamente se atirando em você.

— Percebi. — ele riu. — Mas nunca trairia a confiança de Caroline assim. Ela é gentil, não merece isso. — pelo menos Caroline havia arrumado um namorado decente. — Ah, desculpe. Caroline é minha namorada.

— Ah, parabéns. — eu sorri. Mas, o que eu mais queria, era perguntar a Caroline conseguira um cara daqueles se ela era completamente o contrário.

— Obrigado. — sorriu. — Você trabalha?

— Claro. Trabalho em uma cafeteria perto do centro.

— Você gosta de lá?

— Mais ou menos. Mas, é o que tenho para hoje. — ri.

— Sonha com alguma coisa?

— Bem, sim. Em ser modelo.

— Essa é uma ótima meta para se alcançar. — ele sorriu. Um sorriso tão amigável. Era incrível em como ele me fez sorrir em tão pouco tempo.

— E você? Tem algum?

— Eu aprecio muito a fotografia. Adoraria um dia mostrá-las e sentir orgulho disso. Como um trabalho mesmo. Mas, também estou com problemas. Meu pai anda me pressionando muito na empresa e meu irmão está com raiva de mim. — ele deu um suspiro longo. Damon. Pensei. Ele estava um pouco frustrado mesmo. Mas, não sabia o motivo.

— Ah... — eu iria pedir para vê-las. Mas, pelo visto, a coisa com o pai dele havia o deixado muito frustrado.

— Não me sinto bem quando brigo com meu irmão. O amo. E muito. Mas, meu pai também está sendo duro com ele. — escutei tudo atentamente. — Ah, desculpe. Estou lhe enchendo com meus problemas.

— Não, tudo bem. Eu gosto de ouvir as pessoas. — sorri.

— Obrigada. — ele retribuiu o sorriso.

A mulher foi levar o nosso pedido. Ela ficou com uma enorme cara de tacho ao ver que Stefan não daria a mínima para ela. Humpf! Como se ele fosse levar aquela coisa a sério.

— Stefan, foi um prazer conhecê-lo mais. — eu sorri quando nós íamos nos despedir.

— Eu digo o mesmo, Elena. — ele sorriu. — Até mais. — ele depositou um beijo nas costas da minha mão.

— Até. — sorri.

Conhecer Stefan me fez ver vários eu diferentes nele. Ele gostava de fotografar, era só por diversão. Mas, no fundo, gostaria de exercer aquela profissão. O café da manhã foi ótimo. Nós rimos de coisas idiotas que fazíamos, ou que já fizemos.

Fui para casa. Chegando lá, vi Caroline sentada no sofá assistindo TV.

— Hm, Elenita. Tão cedo? — disse para mim.

— Não tive trabalho hoje. — eu disse e fui rapidamente para o quarto, deixando-a sozinha.

Comecei a mexer no notebook procurando algo novo; mas não havia nada. Iria fazer meu lanche, até que ouvi um grito.

Peguei um taco de baseball que havia no quarto e sai cuidadosamente.

Segurei o taco e pulei na sala.

— Quem estiver aqui, um aviso: Se tentar qualquer coisa eu arranco seus olhos! — gritei. Mas, quando olhei bem, havia uma Caroline quase desmaiada no chão.

— Meu mundo caiu... — ela murmurava com a cabeça no travesseiro.

— O que foi agora? — perguntei indo até ela e bufando. Ela apontou para a TV e eu li a matéria: “Parece que o mais novo dos irmãos Salvatore, está com uma nova namorada. Quem será essa garota misteriosa? ” Havia algumas fotos de hoje de manhã. Meu rosto não estava a mostra, mas em algumas delas dava para perceber que Stefan estava com alguém.

E dessa vez, fui eu quem gritei.

Notas finais
Muito obrigada as pessoas que comentaram no capítulo anterior, vocês nos deixam muito felizes! *-* Acho que vocês notaram que a gente mudou a capa da fanfic, maaaas, nós vamos alterar a capa novamente. Então fiquem ligados sweets! Que tal dar aquele review que nos deixa muito felizes? Um simples "gostei" já faz o nosso dia! Além do mais, precisamos saber o que vocês estão achando da fanfic, então deem suas opiniões, por favor♥ Críticas construtivas também são sempre bem-vindas! E então, vocês tem algum palpite do que ainda vai acontecer com a coitada da Elena? Haha u.u Até logo! ♥