My Foolish Heart
17 Capítulo 17
Notas iniciais

Peguei minhas malas e sai da casa, parando perto do carro de Damon. Stefan e Caroline haviam ido embora na noite anterior. Não acreditei naquilo. Eles estavam noivos e queriam ficar um pouco a sós e em “paz”, já que segundo eles eu e Damon estávamos transmitindo muita energia negativa. Agora eu viajaria sozinha com o Salvatore… Ótimo, já poderiam encomendar meu caixão.
— Katherine, me dê essas malas aqui — Damon pediu e eu assenti, entregando-lhe as malas. Ele suspirou e colocou-as no porta-malas — Vamos?
— Claro. — Entrei no carro enquanto ele fechava o porta-malas e ia em direção ao banco do motorista.
Damon ligou o carro e nós seguimos para a saída. Ele até agora não havia tocado no assunto da nossa “conversa”. Será que ele tinha desistido?
Apesar de doer bastante, eu esperava que sim. Tinha pensando muito na noite anterior e decidi que não iria seguir com isso. Eu não poderia ficar com Damon sendo “Katherine”. Já vai ser ruim o suficiente quando ele descobrir quem eu realmente sou. Nós dois vamos sair machucados, não queria tornar tudo ainda pior.
— Para onde estamos indo? — perguntei confusa após ver Damon dobrando na direção oposta à cidade. No mesmo momento ele freou na frente de uma casa enorme, fazendo o carro parar brutalmente. O que, é claro, me fez voar para frente e quase bater a cabeça porque estava sem cinto. Idiota, me xinguei mentalmente. Damon perguntou se eu estava bem e eu assenti, mas acrescentei nunca esquecer de usar cinto na minha lista de coisas para nunca se fazer na vida.
— Preciso deixar a chave reserva da casa de campo em segurança, caso ela seja necessária. Nós sempre guardamos na casa dos Mikaelson. Só um segundo, eu já volto — ele sussurrou. Acho que com “nós” ele se referia à família.
— E por que está sussurrando? — indaguei no mesmo tom de voz. É automático. Alguém sussurra, você sussurra, certo?
Ele pareceu pensar um pouco antes de responder.
— Lembra da festa da empresa? Quando minha mãe falou da minha ex namorada louca? Ela mora aqui. E, acredite, ela tem ouvidos em todos os lugares. Não seria agradável encontrá-la agora.
— Tudo bem, então. — Damon saiu do carro e caminhou até a casa, tocando a campainha. Por incrível que pareça, o clima não estava tenso. Isso era bom. Muito bom.
Mikaelson... Fazia um tempo que eu estava com esse nome na cabeça. Eu sabia que o conhecia de algum lugar, mas não conseguia lembrar-me de onde. Tentei pensar mais um pouco, mas desisti. Talvez eu estivesse ficando paranóica com esse negócio de se passar por Katherine.
Um homem alto e magro abriu a porta para Damon e o cumprimentou. Ele usava terno e luvas. Era realmente necessário ter mordomos vestidos formalmente em uma casa de campo?
Damon entregou a chave a ele e eles conversaram um pouco. Estranhei o fato de ele não ter entrado.
Não demorou muito para Damon se despedir e retornar. Ele entrou no carro e franziu a testa.
— Algum problema comigo?
— O quê? — perguntei sem entender.
— Você está me olhando de um jeito estranho. Tem algo em mim?
E então eu percebi que estava olhando ele fixamente desde a caminhada da casa até o carro e me repreendi. O que eu poderia dizer? “Não é nada, Damon. Só estava observando o deus grego que você é e imaginando como seria a minha vida se eu não tivesse me metido no meio de tudo isso e me apaixonado por você”. Sou uma completa idiota.
— Er... Não é nada. Desculpe. Por que não entregou a chave ao dono da casa? — perguntei distraidamente tentando mudar de assunto. Achei que ele fosse me responder algo do tipo “isso não é da sua conta”, mas me contou.
— Digamos que meu pai e o Senhor Mikaelson não sejam mais tão amigos agora que as empresas estão competindo.
— Entendi — falei por fim. Com certeza não era mais uma amizade agradável.
Damon sorriu. E era impressionante como só aquilo me fez sorrir também. Percebi que ele tentava não olhar muito nos meus olhos. Mas eu não poderia culpá-lo por isso. De jeito nenhum.
Ele ligou o carro e nós continuamos o trajeto. Dessa vez eu me certifiquei de que estava com o cinto, só por precaução.
— Sabe... Eu... — Damon disse depois de um tempo e suspirou — Quero pedir desculpas por ontem. Talvez eu tenha forçado um pouco a barra — ele olhou pra mim e eu levantei as sobrancelhas — O.k, talvez muito — disse voltando a atenção para estrada.
Ontem ele realmente foi um idiota por ter feito aquilo tudo. Jogar a chave pela janela, se jogar no lago... E ele ia se declarar para mim. Não, não para mim. Para Katherine. E eu não permiti. Não poderia deixar. E o que eu fiz para impedir? Deixei-nos bêbados. Com certeza eu não era uma pessoa melhor.
Agora ele achava que eu o odiava. Me sentia culpada por isso, mas não podia me aproximar mais. Seria um desastre. Ele acabou se apaixonando por Katherine. E eu por ele. Era impossível algo dar certo.
— Tudo bem, eu desculpo. Eu te entendo, Damon. De verdade. Mas você também precisa entender que não vai dar...
— Você sempre diz isso — ele me interrompeu —, que não vai dar certo. E eu nunca entendo. Você sabe o que eu sinto por você. Eu sei que pode dar certo, sim. Mas você é muito teimosa, sabia?
Ele olhava para mim esperando alguma resposta, mas continuei calada, sem expressão. Quem dera fosse só teimosia. Eu sei que não pode dar certo. Infelizmente, nunca ele iria me entender sem saber a verdade. Ele respirou fundo e continuou:
— Enfim... Eu decidi que não vou mais forçar isso. Não posso te obrigar a nada, Katherine. Mas, eu sei que você sente algo. Só precisa de tempo para admitir isso para si mesma.
— Isso significa que você desistiu? — perguntei sem saber se ficava triste ou feliz com isso.
— Ah, não mesmo — ele sorriu sarcasticamente e eu bufei. Oh, céus, por quê? — Só vou te dar um tempo para você mudar de idéia. E, aceito sua condição de só amigos — falou revirando os olhos —, por enquanto. Vou pegar menos no seu pé. Mas eu não desisti.
— Eu não vou mudar de idéia, então deveria — falei.
— É o que vamos ver.
— Você vai cansar.
— Não vou — ele sorriu e verificou o celular, que apitou com a chegada de uma mensagem. Ele digitou rapidamente uma resposta e o guardou — Bom, parece que hoje só preciso trabalhar à tarde — sorriu — Que tal uma música? Deixo você escolher o CD.
Eu sorri e remexi nos vários CDs que estavam guardados ali, até que avistei um em especial e o coloquei para tocar. Tenho que admitir, só queria irritar Damon. Mas me surpreendi quando vi ele batucando os dedos no volante ao ritmo da música.
— Sério? Você não está irritado? — perguntei incrédula.
— Por que estaria? Não tenho nada contra Taylor Swift.
— As pessoas sempre se irritam quando eu começo a escutar Taylor Swift. Cada dia você me surpreende mais, Salvatore.
— Essa é a intenção.
Aumentei o som e Damon e eu começamos a cantarolar as músicas enquanto riamos muito. Acabamos escutando o CD inteiro.
— Conheço um restaurante muito bom que fica em um posto de gasolina aqui perto. O que acha de pararmos para comer alguma coisa? Você deve estar faminta, já que não comeu nada hoje — Damon disse. — Não se preocupe. Juro que vou ser um ótimo amigo.
Ri e concordei, pois realmente estava com fome. Ele nos guiou em outra direção até que consegui avistar um posto que ficava na beira da estrada. Aparentava ser um lugar deserto, já que praticamente nada se encontrava ao redor. Ao longe consegui avistar uma mulher sentada com os pés em cima de um balcão enquanto lia um livro. Ela parecia ser a única pessoa presente ali.
Damon estacionou o carro em uma pequena vaga que se encontrava perto e nós andamos até o restaurante, cumprimentando a moça do balcão quando passamos por ela.
Quando entramos, me surpreendi. Ao contrário do que eu pensava, o restaurante estava incrivelmente cheio. Mesas redondas de vidro estavam espalhadas por todo lugar e encostados nas paredes estavam vários sofás. A maioria dos lugares estavam ocupados e vozes vinham de todos os lados. Estátuas e quadros sobre mitos e lendas também estavam por toda parte.
— O que você achou? — perguntou Damon.
— Impressionante — respondi admirada. Damon sorriu.
Escolhemos sentar em uma mesa perto da janela que ficava ao lado oposto da entrada. Pela janela dava para ver um estacionamento enorme cheio de carros que eu não tinha percebido, pois ficava atrás do posto de gasolina. Isso explicava o tanto de gente.
Uma garçonete muito simpática veio nos atender. Ela recomendou o especial da casa e Damon e eu acabamos pedindo o mesmo.
Comecei a observar mais o local. Era realmente incrível como as pessoas pareciam felizes só de estar ali. Estava tão perdida em pensamentos que nem teria percebido uma pessoa se jogando em cima de Damon se ela não estivesse de rosa choque e gritando. Era uma mulher vestida completamente de rosa com os cabelos loiros e que aparentava ter uns quarenta anos, mas mesmo assim muito bonita.
— Damon, docinho, como vai?! — ela perguntou com a voz estridente. Depois de quase esmagá-lo e apertar as bochechas dele a mulher percebeu que eu estava ali. — Quem é essa perfeição em forma humana que temos aqui? Damon, seu energúmeno, como não me contou que estava namorando uma deusa? Pessoal, Afrodite está aqui! — ela gritou e todas as pessoas do restaurante voltaram à atenção para mim. Eu provavelmente estava com a aparência de um tomate.
— De docinho para energúmeno, olha só, que grande evolução — Damon disse sorrindo.
— Não respondeu minha pergunta, estúpido — a mulher retrucou.
— Não... Não estamos namorando — Damon disse, revirando os olhos.
— Ah, mas que pena! Formam um casal tão lindo! — Damon olhou para mim e percebeu minha confusão. Eu com certeza ainda estava corada.
— Essa é Katherine, minha... Amiga e quase sócia, só falta aceitar minha proposta — disse sorrindo de lado para mim. Como eu pude esquecer-me dessa proposta? Eu só estava ali por causa disso. Para despistar Damon até a volta de Katherine e ele não ter que contratar outra pessoa. — Katherine, essa é Olivia Gomery, amiga da minha mãe e minha ex-babá.
— Prazer em conhecê-la, Senhora Gomery — falei estendendo a mão, mas ela recusou e me puxou para um abraço apertado.
— Só Olivia, por favor, querida — ela sorriu — Quer dizer que você é a famosa Katherine Pierce? Você é bem mais linda pessoalmente do que por revistas, devo contar.
— O que acha de nos fazer companhia um pouco, Olivia? — Damon indicou a cadeira e ela acabou sentando conosco.
— Damon, onde está Lily? Como está o menino Stefan? E seu pai? Eu vou quebrar cada osso desse seu lindo corpinho por passar todo esse tempo sem dar notícias. Você sabe que eu estou ficando velha, certo? Não faça isso com uma pobre mulher.
Depois de Damon explicar detalhadamente como estava sua vida, ela se acalmou mais. Mas não deixou de gritar incrédula quando falamos sobre o noivado de Stefan com Caroline. Me contou que depois de deixar o trabalho com os Salvatore, ela e o marido abriram uma rede de salões de beleza pelo país que faz muito sucesso. Após um tempo começou a contar detalhes da infância de Damon, o que nos fez dar altas gargalhadas.
Ela era uma pessoa bem divertida. Talvez meio louca, mas era engraçado como ela falava tudo rapidamente e fazia tudo parecer algo interessante e animado.
Passamos mais um tempo conversando e eu resolvi olhar ao redor um pouco. O que, com certeza, não foi uma boa idéia. A loira em que eu havia derrubado bebida na festa da empresa estava vindo em nossa direção com uma cara não muito contente.
— Cruzes! Chuta que é macumba! — Olivia disse assim que percebeu para onde eu estava olhando, o que fez Damon olhar também.
— Ah, não — ele murmurou colocando a mão na testa. Os dois a conheciam? Isso não era nada bom.
— Olá — ela disse assim que chegou à mesa onde estávamos.
— Rebekah — Damon falou, forçando um sorriso. Rebekah. A ex-namorada dele. Que mundo pequeno, não? Eu precisava de alguma coisa pra tirar essa minha má sorte. Tentei falar alguma coisa depois de perceber o silêncio em que todo mundo estava.
— Hum, olá. Acho que não nos conhecemos apropriadamente naquele dia. Eu sou Kath...
— Eu sei quem você é — me cortou. Ela olhava para mim como se estivesse tentando decifrar de que raça eu sou. Desisti de estender a mão, tinha certeza que ela não iria retribuir o gesto. — Dam, por que não me disse que estava por aqui? Eu teria te visitado. Você tem meu número — ela disse olhando fixamente para ele. Dam. Argh.
— Desculpe, Rebekah. Foi de última hora e muito rápido, não daria tempo.
— Tudo bem — sorriu amarelo —, me liga depois. — Eu não devia estar com uma cara nada boa, porque Olivia resolveu interferir.
— Rebekah, o que está fazendo aqui? — ela perguntou.
— Ah, claro — ela desviou a atenção de Damon — Eu estava exatamente atrás de você, Olivia.
— Senhora Gomery — Olivia corrigiu. — Não te dei esse direito.
— Tanto faz — ela revirou os olhos. — Te procurei por todo lugar, o que veio fazer aqui?
— Ver você com certeza não foi. O que quer comigo?
— Poderia usar um pouco de educação, não acha? — ela disse cruzando os braços e mudando o peso de um pé para o outro.
— Não com najas — ela falou com voz de nojo.
— Não sei por que motivo eu aceitei fazer esse favor — ela pareceu murmurar pra ela mesma. — Enfim, eu estava saindo do salão e o senhor Gomery me pediu para vir atrás de você. E como eu sou uma boa pessoa, é claro, disse que viria com prazer — Olivia levantou as sobrancelhas, mas ela ignorou — O salão está cheio de pessoas e ele disse que precisa de você lá agora para mudar o visual da Valquiria, pois está ocupado.
— E eu lá tenho cara de quem faz milagre?
— Já dei meu recado. Agora, com licença. Tchau, Olivia — ela disse e se voltou para Damon, sorrindo e me ignorando completamente. — Tchau, Dam, nos vemos em breve — ela disse por fim e saiu do restaurante com todos olhando para ela. Não era de se estranhar, ela é uma das mulheres mais lindas que eu já vi. Só o jeito como ela anda a faz parecer que está em um desfile de moda.
— Credo, me desculpem por isso — Olivia suspirou — Acho que tenho que ir agora.
— Foi muito bom te reencontrar, Olivia — Damon disse se levantando para dar um abraço nela e eu fiz o mesmo.
— Digo o mesmo, querido — ela disse sorrindo e o abraçando, mas em meio segundo mudou para uma expressão assassina — Mas se você ficar todo esse tempo sem me dar uma notícia, eu vou te caçar e arrancar seus olhos. Depois irei jogar seu corpo em um vulcão.
— Acho digno — ele disse e sorriu.
— Katherine, meu anjo, foi um prazer te conhecer — ela disse me estendendo um cartão, que eu peguei — Aí estão todos os meus números e endereços. Se precisar, é só ligar — eu assenti, mesmo sabendo que nunca poderia fazer isso. Eu não sou Katherine.
Ela foi embora e eu e Damon nos sentamos. Depois de um tempo, a comida finalmente chegou. A garçonete explicou que vários pedidos estavam na frente, por isso a demora. Mas tenho que dizer que valeu a pena esperar. Nunca comi nada tão incrível na minha vida.
— Você já conhecia Rebekah? — Damon perguntou depois de um tempo.
— Na festa da empresa — ele olhava pra mim esperando uma explicação — Longa história — falei e ele assentiu, como se fosse melhor deixar o assunto pra lá.
— Está preparada para amanhã? — ele questionou.
— O que tem amanhã? — perguntei confusa.
— Você não lembra? A entrevista que você vai dar para um programa de TV.
— Entrevista? Programa de TV? — indaguei assustada.
— Você está brincando, certo? — ele riu — Minha mãe não te avisou?
Não, ela não me avisou.
— Agora me lembro — forcei um sorriso — Ela me avisou, sim.
— Também vou estar lá. Vou ficar te esperando ansiosamente, senhorita Pierce — brincou e sorriu.
Pagamos a conta e seguimos de volta para cidade. Passei o caminho inteiro observando o lado de fora da janela. Verde, verde, e mais verde. As plantas pareciam mais interessantes do que pensar na entrevista. Lily só podia estar ficando louca. Ela precisava urgentemente de um psiquiatra. Eu dando uma entrevista e aparecendo na TV? Não ia conseguir, não mesmo. Quem sabe se eu inventasse uma dor de barriga ou até mesmo fingisse um infarto... É, não tinha como fugir.
Uma coisa era fingir ser Katherine para Damon e algumas pessoas. Outra completamente diferente era fingir ser Katherine para todo o país. Eu tinha que conversar com Lily, não podia fazer isso. E se eu estragasse tudo?
Fechei os olhos e decidi tentar ser otimista pela primeira vez na vida e não imaginar que as coisas podiam estar prestes a ir para o fundo do poço.
Fale com o autor