Notas iniciais
Desculpem por não postar terça e quinta, é que eu estava ocupada com trabalhos de My School.

P.O.V Mário

Ainda não acredito no que eu fiz. Aquela mulher levou a culpa por uma coisa que eu fiz, e que pra falar a verdade não devia nem ter feito. Deixei a raiva tomar conta de mim. Mesmo que meu pai tenha pedido desculpas quando aquilo aconteceu, e em parte ele não tenha tido toda a culpa, não consegui perdoá-lo. Foi forte demais, doloroso demais.

– ABRAM ESSA PORTA AGORA! – Alguém gritou do lado de fora da casa.

Fui correndo abrir e dei de cara com uma menina.

P.O.V Marcelina

– Quem é você? – O menino perguntou.

Não respondi e logo adentrei a casa.

– Ei! Você não pode... – Ele começou.

– Eu quero falar com o Mário. – O cortei.

– Sou eu.

– ENTÃO FOI VOCÊ QUE DISSE PARA DEMITIREM MINHA MÃE?!

Ele abaixou a cabeça.

– NÃO ADIANTA ABAIXAR A CABEÇA! VOCÊ JÁ FEZ A COISA! VOCÊ AO MENOS PENSOU O QUE IA ACONTECER COM A MINHA MÃE?!

Ele já estava lagrimando.

– VOCÊ JÁ PENSOU SE ISSO ACONTECESSE COM SEU PAI? OU COM A SUA...

– EU NÃO TENHO MÃE! – Ele gritou.

Me espantei.

P.O.V Mário

Comecei a chorar. Naquela hora, eu nem me dei conta de que estava chorando na frente de uma garota. Mas também, dane-se.

Ela veio em minha direção e começou a acariciar meu rosto e limpar minhas lágrimas.

– Tudo bem, vai ficar tudo bem. Shiii, tá bom? – Ela falou e perguntou docemente.

– Tá bom. – Respondi.

Ela me fez sentar no sofá e sentou do meu lado.

– Desculpe por gritar com você. – Ela disse.

– Não tem problema. Afinal, eu fiz uma coisa que não devia. Acusei sua mãe sem provas. E eu sei quem fez “a” coisa.

– Sério? Quem foi?

– Fui eu.

Ela arregalou os olhos.

– Mas, por quê?

– Não sei se quero contar. Vou acabar chorando de novo.

Ela me abraçou.

– Não se preocupe. Vou estar aqui com você.

Sorri.

“Foi a três anos. Meu pai e minha mãe me levaram pra comemorar meu aniversário de treze anos. Era pra ser um dia feliz, minha mãe disse que eu tinha passado da época de criança para a fase de adolescente, e eu ria.

Eles me levaram pra uma pizzaria, mas meu pai não ficou, porque disse que tinha que resolver umas coisas.

Depois que eu e minha mãe terminamos de comer, ela ligou para o meu pai.

Ele disse que não tinha como buscar a gente na pizzaria, porque ele tava muito longe.

Então ele pediu que a gente fosse para um beco que tinha atrás de uma fábrica.

Eu e minha mãe estranhamos, mas fomos.

Quando chegamos lá, dois homens me seguraram pelos braços, e um agarrou minha mãe.

Forcei a vista e percebi que era meu pai.

Gritei.

– Cala a boca, moleque! – Ele estava com os olhos vermelhos.

E, quando eu vi, ele já tinha passado a faca no pescoço da minha mãe”.

– Eu tive que ir a um psiquiatra. Comecei a ter alucinações. Eu fui internado em um manicômio. Depois de um tempo, voltei pra casa, e meu pai disse que estava sob efeito de drogas e acabou matando minha mãe. Eu não consegui perdoá-lo, e pra vingar fiz aquilo, e pra me safar, tive que culpar sua mãe. Me desculpe. – Conclui.

P.O.V Marcelina

Fiquei mais espantada ainda. Eu cheguei gritando com o garoto sem nem perguntar porque ele tinha feito aquilo.

– Prometo que vou fazer de tudo pra sua mãe voltar a trabalhar. — Ele disse.

O abracei bem forte.

– Obrigada. – Foi tudo que eu consegui dizer.