My First Love
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Deitado em seu quarto, Jim Moriarty, jogava uma pequena bolinha repetidamente para cima, entediado. Ele faria qualquer coisa para parar o tédio, o problema era que isso quase nunca era uma tarefa fácil.
Moriarty gostava de brincar com as pessoas, ficar sentado vendo enquanto o idiota do Anderson fazia o que ele mandava com as outras crianças comuns. Todos eram tão simples, e idiotas. Ele ficava cansado constantemente quando pensava que teria que conviver com essas pessoas pelo resto de sua vida.
Mas, agora ele tinha um novo hobby: planejar coisas ruins contra Sherlock. Bom, na cabeça dele, não eram ruins, eram apenas jogos. E, Sherlock precisava dele, o menino era razoavelmente esperto, mas era chato. Se não fossem as coisas que ele aprontava, fazendo-o pensar e se divertir um pouco, esse talento estaria sendo desperdiçado.
Na verdade, já estava sendo desperdiçado. Quando Sherlock chegou à escola de seu pai, Jim pensou que finalmente tinha encontrado alguém à altura para ser seu amigo, mas o garoto era bom demais. E agora, um idiota loirinho aparece, e acaba roubando a sua diversão. John era imensamente comum, como Sherlock poderia ser amigo de alguém assim? Se ele estivesse ao menos usando o garoto, assim como ele usava Anderson, mas não, eles eram amigos.
Ao menos, isso tinha um lado bom. Sherlock tinha um ponto fraco, alguém com quem ele se importava. E era atrás de John que Moriarty iria.
...
Sherlock comia o seu café da manhã, forçado pela mãe. Ele tinha prova naquele dia, e mesmo que a matéria fosse infinitamente fácil, ele não podia ficar lento. Comer o deixava lento. Mas, infelizmente, sua mãe discordava.
“O café da manhã é a refeição mais importante do dia” ela dizia. “E, desde quando comer deixa as pessoas lentas? Aposto que Mycroft anda colocando essas ideais tolas na sua cabecinha”
“Mycroft é inteligente! Ele não ia colocar idéias tolas na minha cabeça” o menino respondeu, emburrado. “E eu não sou burro para acreditar em coisas bobas”
“Bom, então coloque na sua cabeça que: comer não é dispensável, e você só vai poder brincar de pirata se fizer todas as refeições.” ela disse, bagunçando o cabelo do filho.
Sherlock olhou para o relógio na parede, e pulou da cadeira, quando viu que estava dez minutos atrasado.
“O que foi? Sherlock?”
“Eu estou atrasado!” ele disse, pegando a mochila, e correndo para a porta. Mas, seu pai o parou no caminho.
“Ei, ei... Aonde você tá indo com tanta pressa?”
“Para a escola”
“Desde quando você corre para ir à escola?”
“O John já deve ter chegado. Ele vai achar que eu não vou mais, e vai acabar sentando com a Mary.” ele explicava tão rápido, que se os pais já não tivessem acostumados, não iriam entender uma palavra sequer.
“Quem é John?” perguntou a mãe.
“Meu amigo”
“Oh, você tem um amigo!” ela exclamou, feliz da vida. “Quando você vai trazê-lo aqui? Pode ser esse final de semana que o Mycroft vai trabalhar”
Sherlock odiou o fato dela parecer tão surpresa por ele ter um amigo. Será que nem mesmo seus pais acreditavam que ele era capaz de conseguir um?
“Eu vou falar com ele. Posso ir agora?” ele pediu. “Eu até compro um lanche na hora do recreio” a mãe o olhou desconfiada. “Mãe, o John... o carro está me esperando”
“Tudo bem, menino. Pode ir!”
Seu pai saiu da frente, e ele saiu correndo, tropeçando nos próprios pés, e se xingando mentalmente por ser tão lerdo e ter pedido o horário.
Os pais sorriam felizes, pelo filho ter arranjado um amigo. Eles se preocupavam com o fato de Sherlock sempre parecer sozinho, e nunca ter levado um amiguinho em casa. Exceto o menino Moriarty, uma vez, mas esse era má companhia.
...
Sherlock ficou desapontado, quando chegou e viu que as turmas já tinham ido para a sala. O pior era que John tinha aula de história, e ele de inglês agora, o que significava que ele só veria o loirinho na hora do intervalo.
O menino suspirou, e sentou-se em um canto afastado, abrindo o seu volume de piratas para ler. Quando John não estava presente, era isso que ele fazia. Ou, tentava, quando Molly não ficava perturbando. Hoje não era um desses dias.
“Oi, Sherlock” a menina disse, sentando-se na carteira da sua frente. “Tudo bem?”
“Olá, Molly. Sim, estou bem” ele sorriu, e voltou sua atenção para o livro. E ela ainda continuava lá, o encarando.
“O que você está lendo?”
“Um livro.”
“Ahh, sobre o que é?”
“Piratas”
“Posso ver depois?”
“Quando eu terminar de ler” ele disse, sendo educado, mas sem nenhuma intenção real de emprestar seu livro para a menina.
Nem John podia encostar em seus preciosos se não estivesse com as mãos limpas e secas, até parece que ele deixaria Molly fazer isso.
...
Quarenta minutos entediantes se passaram, e Sherlock correu para a sala de história para falar com John, ignorando os chamados de Molly. Mas, ele só se decepcionou quando todos os alunos saíram da sala, e John não estava entre eles.
“Será que ele tinha ficado doente?” Sherlock pensou, mas resolveu confirmar com alguém. Ele não queria perguntar a Mary e o grupinho chato das garotas, ou muito menos ao professor. Então, foi até o menino Stanford.
“Mike!” ele o chamou, surpreendendo o menino. Sherlock nunca falava com ninguém, nem mesmo quando este tentava puxar assunto.
“Sherlock...” ele cumprimentou, ajeitando a mochila nas costas. “Tudo bem?”
“Você viu o John?”
“O Watson?”
Sherlock revirou os olhos.
“Sim, sim. Você o viu?”
“No pátio, na hora da entrada. Depois disso o Moriarty foi falar com ele, e...”
“O Moriarty foi falar com ele?”
“É, ele e o Anderson. Depois ele sumiu-”
Antes que o menino terminasse de falar, Sherlock já estava correndo apressado pelo corredor atrás de John ou de Moriarty. Então, ele pensou no que Jim sempre fazia com todos os meninos novos, e foi até o armário de John.
O loirinho tinha sido trancado dentro do mesmo, e estava com um corte na boca. Provavelmente, ele tentou resistir quando Anderson o colocou ali, e esse foi o resultado. Sherlock o tirou de lá, preocupado, e morrendo de raiva de Moriarty.
“John? Você está bem?”
John respirava com dificuldade, e colocava a mão no corte, se queixando da dor.
“O Anderson... e o Jim... eles me pegaram, e...” ele tentava explicar, sem muito sucesso. Ele tinha ficado quarenta minutos, ou mais ali, não era de se admirar que o garoto estivesse com dificuldade para respirar.
“John, eu sei, eu sei” Sherlock o tranqüilizou. “Não precisa explicar agora. Só... Você está bem?”
“Não sei” o menino admitiu, envergonhado.
“Vamos, vou te levar para a enfermaria.”
...
A enfermeira fazia os curativos em John, enquanto Sherlock andava de um lado para o outro, se perguntando por que diabos Moriarty não podia deixá-lo em paz?
“Sherlock, eu estou melhor agora” disse John. “Obrigado... por ter me tirado de lá”
“Claro que eu tiraria você de lá, John” ele respondeu, e balançou a cabeça. “Eu vou matar o Moriarty!”
“Hey, meninos. Chega de briga” advertiu a enfermeira.
Sherlock e John ficaram em silêncio, e só continuaram conversando depois de já terem saído da enfermaria. Eles não iriam arriscar que a enfermeira contasse para o diretor que eles estavam planejando se vingar de Moriarty. Bom, Sherlock estava.
“Eu não acredito que ele foi capaz!”
“Sherlock, por favor, eu só quero esquecer, e tentar me concentrar na prova de biologia. Não posso ir mal” John pedia. Tudo que ele não precisava agora era de um Sherlock revoltado, partindo para cima de Moriarty, e acabando machucado também.
“John, ele te prendeu no armário. Trancou você lá dentro, por horas!”
“Não foi tanto tempo assim”
“Por que você não está ligando?” Sherlock perguntou, com raiva. “Quando ele falou mal de mim no corredor, você quase explodiu. Por que você não está ligando que ele fez isso com você?”
“Eu estou preocupado com a minha prova, Sherlock” ele implorava. “Esqueça isso, por favor. Eu só quero tirar uma nota boa, e ir para casa”
É claro que Sherlock não estava acreditando naquela história, ele não era bobo. Mas, John estava realmente exausto, e era verdade que eles tinham uma prova de biologia.
“Tudo bem, mas depois você vai me dizer o que aconteceu?”
“Vou, vou... Vamos para sala agora?”
“Tudo bem”
...
Algumas horas antes
“Tudo bem aí, Johnny Boy?” Moriarty ria, junto com Anderson. Eles tinham acabado de colocar o menino dentro do armário.
“Me deixa sair!” o loiro implorava. “Eu não fiz nada para você”
“Você é bichinho de estimação do Sherlock” disse Jim. “Realmente acha que não fez nada para mim?”
“O Sherlock é meu amigo-”
“Aquela aberração não tem amigos” cuspiu Anderson.
“Shhhh...” Jim olhou para ele. “Eu não pedi a sua opinião”
“Desculpa, Jim... Mo-moriarty”
“Idiota” ele revirou os olhos, e se aproximou dos buraquinhos do armário para ameaçar John. “Se você, ou o Sherlock tentarem vir atrás de mim... Ah, Johnny Boy. O próximo dentro do armário será seu querido amigo. E, eu posso te garantir que ele não vai conseguir sair”
“Não encosta no Sherlock!”
“Então, deixe seu herói salvá-lo, e fique de boca fechada. Entendeu?”
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