My First Love
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Duas semanas depois
Sherlock e John estavam completamente inseparáveis. Nas aulas de biologia, no intervalo, o primeiro a chegar sempre guardava o lugar do outro. Isto é, quando um não ficava esperando o amigo na porta da sala. Eles conseguiram ignorar Moriarty e Anderson que pareciam ter se esquecido da existência dos dois. O moreno sabia que isso era só um plano de Jim, mas ele não queria preocupar John... Tudo estava às mil maravilhas, até Sherlock mudar de humor.
Era um daqueles dias, em que o pequeno estava entediado, com raiva da vida e de todos, e simplesmente não queria falar com ninguém. A solução era simples: esperar algumas horas, que tudo passaria e, ele voltaria ser o mesmo de antes. Só que John não sabia disso e acabou ficando muito magoado quando foi cumprimentar o amigo, e recebeu uma resposta mais ignorante do que o normal.
“Aí está você!” John correu até o banquinho, onde o moreno estava sentado, encarando lugar algum. “Não vi você na aula de biologia, aí eu pedi o professor se eu podia vim te procurar”
Nenhuma resposta. Sherlock nem levantou o olhar para o amigo.
“Sherlock, você está bem?” diante da imobilidade do menino, John achou que tudo não se passava de uma brincadeira, e empurrou de leve o braço do amigo. “Ei, você virou uma estátua? Vamos para sala, o professor vai-“
“Eu estou pensando, John. Por favor, não me perturbe!” ele respondeu, impaciente. “Tédio é horrível”
“É, eu sei, escola também me deixa entediado, ás vezes...”
“Não, você não sabe”
“Sherlock, você não me parece bem”
“Não tem nada errado comigo!” ele gritou, assustando o menino, que teve que ir embora por causa do inspetor chamando-o.
John não entendeu nada, e ele estava tentando se convencer que Sherlock devia estar com algum problema sério em casa. Ele sempre mencionava o quanto seu irmão era chato, talvez fosse isso, ele sabia como era brigar com irmãos mais velhos. Mas, poxa, precisava ter gritado desse jeito com ele?!
Para piorar tudo, quando saiu da sala, John encontro duas garotas que sempre perguntavam “Cadê o estranho que está sempre com você?” toda vez que ele passava no corredor sem Sherlock. E ainda tem Mike, um menino gordinho e simpático da aula de inglês, que costuma comentar “Eu não entendo como você consegue ser amigo dele”. John defendia Sherlock, dizia que o amigo só era reservado, tímido, e no fundo, era uma boa pessoa. Mike era o único que parecia acreditar.
Mas naquele dia, depois daquela atitude rude do menino, John começou a pensar que talvez, só talvez, todos estivessem certos. Sherlock era estranho, assim como todos o chamavam, e ele era o errado. Ele tinha defendido Sherlock, sem nem mesmo conhecê-lo direito. Só tinham se passado duas semanas desde que ele entrou na escola, ele não podia ter certeza absoluta que o moreno era uma boa pessoa.
Ele estava deitado na grama do jardim, pensando que ele já tinha uma irmã estranha em casa, e agora era amigo do menino mais estranho da escola. Ele talvez devesse parar de ficar puxando assunto com essas crianças doidas, se não ele ia ficar doido também.
“John?”
Era Sherlock o chamando, um tanto envergonhado.
“Agora você está falando comigo?”
“Desculpa, eu estava entediado”
Dessa vez foi John que não respondeu.
“Quer jogar?”
“Por que você não conversou comigo? Aconteceu alguma coisa?”
“Eu só estava entediado, agora não estou mais” este deu os ombros, em sinal de desculpa. “Vamos jogar, por favor!”
“Ah, que seja...” ele respondeu, se dando vencido pela curiosidade, e sentado de frente para Sherlock.
Durante toda a semana, Sherlock trazia consigo um pedaço de folha de caderno, e fazia o jogo de “Adivinha quem” com John. O menino não sabia, mas essa era a maneira de Sherlock de tentar demonstrar o quanto ele apreciava a companhia dele.
“Eu escrevi o nome de alguém nesse papel. Advinha quem é.” Sherlock explicava o jogo, enquanto colocava o pedaço de papel na testa do amigo.
“Nós já jogamos isso umas 100 vezes” John respondeu, insinuando que ele já estava cansado disso, e que o moreno não tinha que ficar explicando todo dia como era o jogo. “Você não acha que eu devia escrever um nome para você adivinhar também?”
“Não. Eu sou definitivamente muito esperto para esse jogo”
“Tá bom” o loirinho suspirou, e começou. “Eu sou um menino?”
“Sim”
“Eu sou famoso?”
“Sim”
“Eu fiz alguma coisa legal?”
“Sim!”
“Eu sou corajoso”
“Muito”
Sherlock respondia, enquanto o seu rosto se iluminava. Ele sempre ficava animado, com a esperança de que John fosse finalmente descobrir.
“Eu sou... alguém especial?”
“Para algumas pessoas”
“Eu sou inteligente?”
“Eu diria que sim”
John pensou em dizer Sherlock, porém fez mais uma pergunta para confirmar.
“As pessoas gostam de mim?”
“Até demais”
Hm, já não poderia ser mais o Sherlock. Ah, e ele não escrevia o próprio nome no papel, certo?
“Doctor? Eu sou o Doctor?”
“Não”
“Ah. Gandalf?”
“Quem é esse?”
“Papai Noel?”
“Eles são pessoas fictícias, não são? Pessoas reais, John...”
“Ah, qual é, Sherlock. Fala logo!” John respondeu, ele já estava ficando impaciente.
“Continua tentando, você está indo bem”
“Não. Eu desisto!” ele negou com cabeça, e pegou o papel para ver o nome. “Quem é a pessoa idiota que...” e parou ao ver seu nome escrito em uma caligrafia perfeita.
John Watson. No papel estava escrito seu nome. Todas aquelas coisas legais que ele dizia ao tentar adivinhar: inteligente, corajoso, especial... Tudo isso, era o que o Sherlock pensava dele.
Ele ficou encarando o papel por alguns segundos, sem conseguir acreditar. Sherlock nunca tinha sido mal com John, muito pelo contrário, sempre foi mais legal e paciente do que com todos os outros alunos. Ele percebeu que mesmo que o menino não estivesse familiarizado com a palavra “amigo”, ou com o fato de agora ter um amigo, aquele jogo bobo era o jeito dele mostrar o quando gostava de John.
Sherlock achou que o menino estava olhando para o papel por tempo demais, e deduziu que ele se enganou quando pensou que John ia ficar feliz com o jogo, ele já parecia cansado tentando adivinhar, e a expressão de choque na cara dele agora, não era felicidade. Ele levantou, e foi andando para longe, envergonhado.
Quando percebeu que o amigo estava indo embora, John levantou e foi correndo atrás, segurando-o pelo braço. John não precisava perguntar, ele sabia que Sherlock era inseguro, então fez o que lhe pareceu mais apropriado, puxou o moreno para um abraço, fazendo com esse ficasse totalmente surpreso. Sherlock, de sua maneira desajeitada, retribuiu, abraçando John de volta.
Ao se separarem, ambos estavam sorrindo.
“Eu adorei o jogo”
“Sério? Você não pareceu muito animado”
“Você realmente acha que eu sou tudo isso?”
“Claro que sim” ele confirmou, abaixando o olhar.
“Bom, saiba que você também é” John disse, cutucando-o com o braço.
“Então...”
“Nós somos melhores amigos?”
"Sim, melhores amigos!"
Sherlock sorriu. Aquele sorriso sincero que alcançava os olhos. John chegou a conclusão que ele só devia ter acordado com o pé esquerdo para ter gritado com ele, mais cedo. Todo mundo tem dias assim, não é?
John também decidiu que não importa o que aconteça, ou que chamasse Sherlock de estranho, ou qualquer outra coisa. Com ele, Sherlock era diferente, ou era quem os outros não o deixavam ser e, aquele garoto parado na sua frente, envergonhado e feliz, por John ter descoberto que ele era a pessoa cujo nome estava escrito do papel, era alguém que valia a pena ter por perto.
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