My First Love
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Depois dos quarenta minutos da aula de Biologia, sentado ao lado de Sherlock, John chegou à conclusão que o menino era extremamente tímido. Talvez, ele não tivesse gostado dele. Mas então o loiro se lembrou da expressão no rosto do menino, quando ele salvou a abelha no início da aula, e descartou essa ideia.
Mas o que tinha realmente preocupado John foi à aula, que ainda por cima acontecia em um laboratório. Ele estava na sexta série, e nas suas escolas antigas, as coisas não eram tão avançadas a ponto de mandarem crianças da sexta série, experimentar o microscópio.
O professor era um dos melhores que ele já tivera, explicava muito bem, e lembrou a todos que não precisavam se apavorar, ia acabar parecendo tudo fácil, depois que já tivessem pegado o jeito. Pelo ao menos, ele não foi o único que pareceu achar a matéria difícil. Na verdade, todos pareciam estar tão apavorados quanto ele.
Exceto Sherlock.
Quando a aula terminou, e John fez um comentário reclamando do quanto teria que estudar, se quisesse passar de ano, o menino limitou-se por responder que tudo era “Incrivelmente fácil e bobo” e, como ele não via a hora “de começarem a aprender experimentos de verdade no laboratório.”
“Você é nerd, não é?” John perguntou, enquanto os dois andavam pelo corredor. A sua próxima aula era só depois do intervalo, então ele decidiu tirar aquele tempo para conhecer mais sobre Sherlock. “Assim, porque só um nerd ia conseguir entender aquela matéria, na primeira aula”
“Eu acho que depende da sua definição de nerd” este respondeu, dando os ombros. “Se com ‘nerd’ você quer dizer, imensamente inteligente, então sim, eu sou”
“Já sei para quem eu vou pedir ajuda com meus deveres de cara” o loiro brincou, mas o outro não entendeu a piada. “Fala mais um pouco de você”
“O que você quer saber?”
“Qualquer coisa, a sua idade, o que você gosta de fazer... Como é a sua família?”
“Eu tenho dez anos, e gosto de brincar de pirata e deduções. A minha família é muito comum, e eu tenho um irmão mais velho que só é legal 10% do tempo, quando está jogando comigo”
“Dez anos?” John estava surpreso. “Você está dois anos adiantado!”
“Eu disse que era inteligente”
...
Os dois andaram até o pátio, se sentaram em um dos banquinhos, e quando John abriu a mochila para pegar o sanduíche que a Sra. Hudson tinha preparado, Mary surgiu do seu lado, na companhia de duas meninas, que estavam sorrindo e cochichando uma com a outra.
“Oi, Mary”
“John, ainda bem que eu te encontrei” ela disse, ignorando completamente a presença de Sherlock. “Essas são Ana e Sarah” ela indicou para a ruiva e morena ao seu lado.
“Oi” ele disse timidamente.
“Oooi, John” elas responderam em coro.
“O que você está achando do seu primeiro dia de aula?”
“Bem legal”
“Ouvimos dizer que você foi o herói da turma, e matou a abelha que estava assustando todo mundo”
“Na verdade, eu não matei, e sim, coloquei-a para fora, pela janela”
“Continua sendo herói para mim” ela sorriu, e cutucou Sarah com o braço. “Não é, meninas?”
John tentou sorrir, mas ele tinha achado muito exagero ser chamado de herói só por ter tirado a abelha da sala. Pelo jeito, o ocorrido já tinha se espalhado pela escola, e de maneira errada, ele nunca ia matar a pobrezinha da abelha.
“Vem, John” ela segurou a mão do menino. “Nosso lugar é na mesa dos populares, e você pode vim sentar com a gente”
“Hã, Mary, muito obrigado pelo convite, mas...” ele olhou para o Sherlock, que esperava o momento que a garota ia convencê-lo a ir com ela. “Eu acho que vou ficar aqui com o Sherlock”
“Ah, tudo bem” ela concordou, tristemente. “A gente se vê pro aí?”
“Claro” ele sorriu, tentando animar mais a menina. “Adorei te conhecer, Mary”
Funcionou, ela sorriu em resposta. John não queria que ela ficasse com raiva, ele não estava tentando ser rude ou algo do tipo, mas Mary tinha duas amigas para andar e conversar com ela, e Sherlock ainda não tinha falado com ninguém. Ele não ia deixar o menino sozinho... E, depois, ele podia ser diferente, mas era mais interessante.
...
As meninas saíram, e John começou a comer o sanduíche, enquanto tentava fazer com que Sherlock conversasse com ele.
“Você podia ter ido com elas” disse o moreno.
“Você ia ficar sozinho”
“Eu ia ficar lendo”
“Você quer que eu vá?”
“Tanto faz” este tentou parecer indiferente, mas a verdade era que ele não achava que John ia continuar tão interessado em saber mais sobre ele, depois que o conhecesse.
“Eu vou ficar” ele disse, tomando um gole do suco de uva. “Você quer?”
“Não, obrigado”
“Nem o sanduíche? Tem dois”
Sherlock negou com a cabeça.
“Não vai comer nada?”
“Comer é chato, me deixa lento”
“Você é que sabe”
Em silêncio, John terminou o lanche, enquanto Sherlock olhava para a mochila. Ele queria desesperadamente pegar o livro para ler, mas não queria ser grosseiro. Afinal, ele podia ainda não gostar de John, mas o menino, mesmo sem o conhecer, tinha preferido ficar com ele, ao invés de ir sentar com os “populares”. Era algo, certo?
...
A próxima aula de John era matemática, e a de Sherlock era inglês, então eles seguiram caminhos diferentes depois do intervalo. O moreno levantou a gola do casaco, e continuou andando pelo corredor, pensando no loirinho.
John parecia uma pessoa legal, não achava Sherlock irritante (por enquanto), e não se incomodou quando ele preferiu ficar em silêncio, ao invés de tagarelando, enquanto o outro lanchava. Seria bom que ele continuasse sentando com Sherlock durante os próximos dias, mas ele sabia que John era um menino simpático, ia fazer conhecer outras crianças, que iam influenciá-lo a se afastar do esquisito ali.
“Sherlock!” uma voz fina conhecida gritou, e o fez parar na mesma hora.
Ele se virou, e viu a pequena Molly andando atrapalhada por causa da quantidade de livros que estava carregando, vindo em sua direção.
“Olá, Molly” ele deu um sorrisinho, tentando ser educado.
“Você vai para aula de inglês agora?”
Ele concordou, revirando os olhos.
Molly já sabia que ele tinha aula de inglês agora, todos os dias que eles tinham alguma aula juntos, ela surgia do nada, e se oferecia para ir com ele até a sala.
“Eu também!” ela disse, animada. “Vamos?”
Ela tentou puxar conversa, mas esse não era um dos seus talentos, e Sherlock não tinha interesse algum em bater-papo, então se limitou por responder as perguntas e comentários da menina com “sim” e “não”, ou sorrisinhos educados.
...
Quando saiu da sala, Sherlock ficou surpreso ao ver John esperando por ele ao lado da porta, e tinha sido ótimo ter uma desculpa para não ter ir andando com Molly até o estacionamento.
“Quem era?” John perguntou, quando viu Molly se afastando.
“Ninguém”
Sherlock percebeu que devia falar algo, então resolveu perguntar algo comum e social.
“Você vai para casa?”
“Finalmente!” ele disse animado, com a deixa que o moreno tinha dado para que ele começasse a tagarelar. “Essa escola é bem puxada, foi o primeiro dia de aula mais cansativo da minha vida, e olha que eu já estudei em várias escolas. Ah, eu tenho que ir à secretária levar isso...” ele disse, tirando um papel do bolso. “A diretora tem que assinar, porque é o primeiro dia de aula, e blá, blá blá... Você quer vir comigo?”
Sherlock queria era ir para casa, mas como já tinha decidido que John não era tão idiota quanto o resto do mundo, ele foi com o menino até a secretária.
“Então, é a sua vez, certo?” disse o loirinho.
“Minha vez do que?”
“Eu fiz um monte de perguntas, sobre você, sua família, seus gostos... Você pode perguntar coisas sobre mim”
“Não foram tantas perguntas assim”
“Bom, mas você pode perguntar, mesmo assim”
“Não preciso, eu já sei muita coisa sobre você, John”
“Sabe, é?” este levantou a sobrancelha, curioso.
“Sim. Você é filho de militar, e é por isso que você costumava mudar com freqüência de escola. Você tem um irmão chamado Harry, que é bem problemático. O seu celular era dele, inclusive. E, a sua avó cuida de você agora, ainda não sei o motivo, mas ela claramente se importa muito com você”
“Uau... Mas... Como?”
“Você disse que já estudou em muitas escolas, e como não tem muitos colégios na cidade, você deve ser se mudado muito. E, os mil bottoms, e seu caderno das forças armadas indicam que você tem um parente militar. Pai, obviamente, por isso que você se muda tanto. Seus sapatos estão gastos, e o celular muito arranhado, você é um menino cuidadoso, teria mais cuidado com as suas coisas, então elas pertenceram à outra pessoa antes. Seu irmão, Harry, tem o nome gravado no celular”
“Como você sabe que eu moro com a minha avó?”
“Eu simplesmente sei”
“Isso foi muito...”
“Estranho, eu sei”
“Incrível. Muito estranho, sim, mas incrível” John disse, completamente impressionado ao ouvir as deduções do menino pela primeira vez.
“Você acha mesmo?”
“Com certeza”
Sherlock o observou por um momento, e finalmente perguntou.
“Eu errei alguma coisa?”
“Hã?”
“Sobre você. Errei alguma coisa?”
“Eu vim morar com a minha avó tem quatro meses, depois que os meus pais morreram em um acidente de carro. Meu pai era do exército, nós nos mudávamos duas, três vezes por ano por causa disso. Harry tem problemas com bebida, e a Sra. Hudson, minha avó cuida da gente agora”
“Hm, incrível, eu não esperava acertar tudo”
“Harry é diminutivo para Harriet”
“Harry é sua irmã?”
“Aham”
“Irmã!” ele disse, um pouco decepcionado consigo mesmo. “Sempre tem alguma coisa”
“Sherlock” disse a diretora se aproximando. “O seu irmão está do lado de fora, esperando por você” ela falava em tom de desaprovação. “Eu já ia ter que mandar o inspetor procurar pelo Senhor”
“Desculpa, diretora. Eu só estava trazendo o John até a secretária”
Ela olhou para o menino mais baixo, e sorriu.
“Ah, sim. Bom, entre John. E Sherlock, seu irmão está esperando”
“Certo” ele se virou para andar, mas John o chamou.
“Sherlock?”
“Sim?”
“Você vai vim amanhã?”
“Eu guardo o seu lugar na aula de biologia, John”
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