My Favorite Wolf

2 1| Reserva Quileute


A viagem foi longa e cansativa, após dois ônibus — um de Seattle à Port Angeles e o outro de Port Angeles à Forks — e quase cinco horas de viagem o ônibus finalmente estaciona na pequena rodoviária. Coloco minha mochila nas costas e pego minha mala no bagageiro em cima do acento, saio puxando-a pelo corredor até o lado de fora do ônibus, vejo assim que desço uma placa enorme de boas-vindas escrita em vermelho.

Procuro por um táxi, e logo encontro uma parada de táxi do outro lado da rodoviária, tem apenas um carro parado, o motorista observa atentamente o celular, quando me aproximo ele ergue o olhar e abre um sorrisinho.

— Boa noite! — ele fala deixando o celular de lado e descendo do carro para me ajudar a guardar a mala.

— Boa noite — respondo, aliás, nem sei que horas são. Pego meu celular do bolso, já eram quase sete horas da noite. O motorista coloca a mala no porta malas enquanto entro no carro me sentando no banco de trás.

— Para onde, senhorita? — o motorista pergunta entrando no carro, abro minha bolsa e tiro o papel com o endereço e entrego ao motorista.

— Reserva Quileute? — questiona.

— Não sei não conheço Forks, mas esse é o endereço. — digo e ele sem muita demora sai dirigindo.

Forks pelo que vi era bem pequena e cercada por uma floresta de pinheiro. Quando percebo que ele estava indo em direção a rodovia WA-110 fico um pouco tensa, mas acabo relaxando quando vejo uma placa indicando a entrada da Reserva Quileute.

Após uns vinte e cinco minutos o motorista estaciona na frente de uma casa rústica de dois andares. A porta é de vidro e tem uma janela enorme de vidro embaixo e outra no segundo andar — o que provavelmente deixa a casa bem clara e iluminada de dia —, uma varanda com algumas plantas. Pago e agradeço o motorista, desço olhando em volta e noto que a casa fica literalmente na entrada da floresta, o que me faz sentir um pouco de medo. Pego minha mala e encaro mais uma vez a casa e noto o táxi ir embora, solto um suspiro — É agora não tem como fugir, terei que encarar esse tal de Samuel. — Começo a andar em direção a varanda puxando a mala de rodinhas onde estão meus livros, chegando bato duas vezes na porta. Um homem de cabelos pretos, pele morena acobreada, alto e forte abre a porta.

— Boa noite? — questiona me olhando confuso. Sua voz é grossa e assustadora, eu fico paralisada, ele é tão alto provavelmente tem quase tem dois metros.

— B-Boa noite — as palavras tropeçam antes de sair.

— Está tarde mocinha, está perdida? — ele fala olhando para os lados para ver se não tem mais ninguém e apenas aceno negativamente.

— Hm… Aqui é a casa de Samuel Uley? — pergunto e ele apenas afirma. — Preciso falar com ele.

— Pode dizer, eu sou Samuel Uley. — fala me encarando ainda confuso.

— Minha mãe me pediu para te procurar e te entregar… espera aí — abro minha bolsa pegando a carta.

— Sua mãe? — ele dá uma risadinha — Quem é sua mãe garota?

— Anastácia Smith — digo entregando a carta, ele arregala os olhos e logo desvia para o envelope em suas mãos.

— Ana! — sussurra ainda paralisado — Por favor entre eu te ajudo com a mala.

Entro na sua casa, as paredes todas são brancas, o chão é todo de madeira clara combinando perfeitamente com todos os móveis rústicos. Entramos direto na cozinha, uma mulher de cabelos pretos e longos está no fogão cozinhando, assim que ela se vira consigo ver cicatrizes do lado direito do seu rosto que vão da raiz do cabelo até seu queixo, já estão cicatrizadas mais ainda estão com um tom avermelhado ainda.

— Gostaria de uma água, um suco ou café? — Samuel questiona ainda surpreso e ao que parece perdido, apenas aceno negativamente.

— Quem é essa? — a mulher questiona Samuel e me olha. — Oh, me desculpe, querida! Não quis parecer rude, sou Emily.

— Minha esposa. — Samuel completa abraçando Emily e dando vários beijos em seu rosto.

— Não se preocupe, Emily. Meu nome é Jade Smith. — falo e logo ela fica surpresa como Samuel e os dois trocam olhares.

— Filha da Ana?! — Emily questiona e apenas afirmo com a cabeça.

— Onde ela está agora? — Samuel pergunta observando ainda o papel que tem em mãos.

— Eu não sei, ela disse que viajaria hoje cedo e quando voltei do colégio encontrei a carta dela me dizendo para vir atrás de você e que me ajudaria. Ela disse que nessa carta explicaria tudo o que está acontecendo. — digo fazendo uma careta de dor, devido à queimadura no pé.

— O que ela falou sobre nós? — Samuel questiona.

— Nada. Eu não sei nada sobre vocês! — solto um riso constrangido. — Eu não acredito que vim para a casa de um total estranho. — murmuro baixinho mais para mim mesma do que para alguém ali.

— Não somos estranhos! — Samuel fala em tom indignado, mas que droga ele ouviu. — Somos seus tios, você não se lembra porque quando sua mãe foi embora daqui você tinha apenas dois anos.

— Eu morava aqui? Espera… Você disse tios? — questiono confusa.

— Sim, querida. Somos seus tios. — Emily disse com ternura. — Conheci sua mãe quando você tinha apenas um ano, nos tornamos amigas logo de cara. Foi através dela que conheci seu tio Sam. Ele namorou minha prima, Leah, antes, mas não cheguei a conhecê-lo quando estavam juntos. Ana foi embora de repente, nunca disse o porquê. Um ano depois, após muita insistência de seu tio Sam eu finalmente aceitei namorar ele. — ela fala sorrindo dando um tapinha em seu ombro. — E bem, estamos juntos há treze anos.

— Então você é irmão da minha mãe? — questiono Samuel, tio? Não ainda não sinto confortável para chamá-lo assim.

— Na verdade, não. Sua mãe era casada com meu falecido irmão. Meio-irmão, somos filhos de pais diferentes. — ele fala e eu abro a boca surpresa. Eu sabia que minha mãe tinha seus segredos, mas nunca entendi porque ela nunca me contava quem era meu pai.

— Então meu pai está morto? — questiono triste e ele afirma. — Eu pelo menos cheguei a conhecê-lo?

— Não. Ele faleceu em um acidente de carro, sua mãe estava grávida de você na época. — ele fala me olhando e eu apenas assinto. Talvez seja por isso que mamãe não gostava quando perguntava sobre ele.

— Será um prazer tê-la aqui querida. Você é tão parecida com Ana. — Emily fala com os olhos focados em meu rosto enquanto seus olhos brilham. — Sua mãe ainda manda notícias de tempos em tempos, mas já faz um ano que não tenho notícias dela. Quero que se sinta em casa! Pode me chamar de Emy ou tia Emy o que preferir. — diz animada o que me faz relaxar um pouco.

— Você pode me chamar de Sam ou tio Sam, detesto Samuel. — Sam diz fazendo uma careta e afirmo, mas não sei se irei chamá-los de tios, acabei de conhecê-los.

— Temos três quartos no andar de cima. Nosso quarto, o escritório e um quarto de hóspedes, mas não tem nada nele. Estávamos reformando-o para Claire, se importa de dividir o quarto com ela? Se não quiser, podemos reformar o escritório e fazer um quarto só para você. — Sam fala rápido meio apreensivo.

— Não tudo bem, não importo de dividir. Ela é filha de vocês? — questiono, treze anos juntos eles devem ter filhos.

— Não, é nossa sobrinha também. — Sam diz olhando Emily.

— Minha irmã e o marido dela estavam viajando a trabalho quando o avião que eles estavam caiu. — Emily diz triste.

— Sinto muito, Emily. — digo e fico pensando como Claire deve estar se sentindo. Péssima, coitada. Nem sei o que faria se perdesse minha mãe.

— Tudo bem, querida. Já faz quatro meses que aconteceu. Claire estava morando com meus pais, mas eles já estão com idade avançada e Claire não está encarando a situação muito bem. E isso já é esperado, tão nova para perder os pais. Ela é da sua idade, espero que possam ser amigas isso a ajudaria bastante.

— Tudo bem, tentarei ser amiga dela. — solto um sorriso fraco.

— Você deve estar cansada. Emy, amor, porque não mostra à Jade onde ela ficará. Ligarei para os garotos, para ver se algum deles tem um colchão para nos emprestar até amanhã. Podem ir, depois levo as malas. — Sam diz e Emy desliga o fogo do fogão e vindo até nós.

— Dylan está ocupado esses dias, Jacob está nos Cullen’s. Seth tem prova amanhã, está em casa estudando. Os únicos que estão de folga são Paul e Embry, liga para eles. — Emily diz e Sam afirma saindo. — Vem, vou levá-la onde será o seu quarto.

Acompanho Emily subindo as escadas ficando de frente a um corredor. As paredes eram iguais o andar debaixo todas, claras, e em tons pasteis. Tinha alguns quadros pendurados na parede, alguns de Emily e Sam, e outros de pinturas — ao que parece sobre a cultura indígena.

— Aqui é o escritório. Tinha somente uma mesa e uma estante com livros, mas Sam comprou uma escrivaninha, computador e mais duas estantes devido a Claire. Mas agora vocês duas podem usar quando forem fazer tarefas e trabalhos do colégio. — Emily diz abrindo a primeira porta à direita para eu ver o lugar. Ficara muito bom.

— Obrigada, Emily! Mas não acredito que eu vá ficar muito tempo. Provavelmente ficarei apenas às duas semanas que ela disse que viajaria. — digo esperançosa.

— Desculpe querida, mas dá última vez que falei com sua mãe, ela dissera que depois que fizesse dezesseis anos, talvez ela precisaria mandar você para cá, e ela só voltaria após resolver tudo que tinha para resolver. Disse que deixaria tudo pronto no colégio e eles me enviariam a transferência por correios, caso isso acontecesse.

— Mas… o que será que está acontecendo para ela sumir assim? — questiono.

— Não sei querida, sua mãe sempre foi cheia de enigmas. Vem, acabarei de lhe mostrar a casa. — Emy fala voltando para o tour. — Aqui é o banheiro. — aponta a primeira porta do lado esquerdo. — Aquele é o meu quarto mais do seu tio. Se precisar de alguma coisa, mesmo que for de madrugada pode bater na porta. — diz apontando a segunda porta à direita no fim do corredor. — E esse será o seu quarto e de Claire. — Ela diz abrindo a última porta, que era a segunda à esquerda, mas não era no fim do corredor como o dela, essa ficava mais no meio. — Ele era maior, mais Sam mandou fazer um banheiro aqui dentro para dar mais conforto e privacidade a Claire. Está mesmo confortável em dividir o quarto com Claire? Ela pode ser difícil às vezes.

— Tudo bem, Emily! Eu não me importo com isso. Se ela não se incomodar, não vejo problema algum em dividir. — comento e ela apenas assente.

— Pintamos uma parede de preto, porque Claire escolheu. — Emy faz careta ao dizer, provavelmente não aprovou a cor escolhida pela sobrinha. — Tentei, fazer ela escolher pelo menos um vermelho, mas não deu muito certo como deve ter percebido. Se quiser podemos pintar a parede onde ficará sua cama da sua cor preferida. Que cor gosta?

— Não precisa pintar está perfeito assim! Gosto de preto. — falo olhando ao redor, não tinha nada como Sam havia dito, mas ele era bem espaçoso, maior que o meu quarto.

— Oh, céus! Cadê as garotas de antigamente que gostavam de cores em tons delicados? Rosa, vermelho, lilás… — questiona em tom de brincadeira e rindo.

— Vermelho eu até gosto, mas prefiro roxo ou preto. — falo e Emily ri em negação.

— Tudo bem, o banheiro é ali. — diz apontando a porta próxima à janela, na parede direita. — Aquela outra porta é o closet. Pode tomar seu banho que logo Sam irá trazer suas malas.

— Aqui estão as malas! Fique à vontade. — Sam aparece de repente deixando as malas no quarto e logo sai.

— Pode ir tomar seu banho querida, já trago uma toalha pra você. — Emily diz com um sorriso no rosto.

Eu agradeço antes dela sair e me deixar sozinha. Arrumo uma roupa confortável e quente para vestir, aqui faz tanto frio que nem dá pra acreditar que estou perto de Seattle.

Entro no banheiro pequeno, porém muito confortável. Deixo a água escorrer até aparecer o vapor tento desviar meu pé da água quente, mas é quase impossível, e a cada gota de água que cai nele é como uma facada. Termino o banho rápido, quando abro a porta noto que Emily deixou uma toalha despendurada na maçaneta.

Pego me enxugando e me visto, coloco um chinelo e vou para o primeiro andar encontrando Sam e Emily se entreolhando chocados e apreensivos o papel, que julgo ser a carta da minha mãe. Sam é o primeiro a me notar, logo tenta disfarçar o choque em seu rosto. Ele me olha com surpresa e preocupação.

— E-Eu... — Sam faz um barulho com a garganta como se tivesse forçando a voz para normalizá-la. — Eu acabei de ler a carta — Sam diz assim que termino de descer as escadas.

— Tem algum problema? Você parece preocupado. Aconteceu algo com minha mãe? — questiono apreensiva.

— Não. Ela não deu detalhes, só nos pediu para cuidar de você. —Sam fala – Um amigo meu irá trazer um colchão. Não sabíamos que viria.

— Amanhã eu ia sair para comprar os móveis, se quiser pode vir junto e ajudar a escolher, será de grande ajuda! Afinal o quarto será seu e de Claire, e parece que o gosto de vocês é bem parecido...

— Tudo bem, eu vou adorar! Agradeço muito por estarem me ajudando, se eu puder fazer alguma coisa para retribuir... é só dizer. — falo e logo escuto um barulho de um carro estacionando.

— Não precisa se preocupar com isso, querida! Aqui é sua casa agora também! — Emily diz me olhando com ternura e Sam sai em direção a porta para atender.

— Sam, Paul tinha uma cama sobrando na casa dele trouxemos ela também. — Um rapaz alto, forte com cabelos pretos e pele morena acobreada, provavelmente ele também era nativo. Entrou trazendo um colchão enrolado.

— Gente, não precisa se preocupar com isso. Eu dormiria até no sofá, não quero atrapalhar. — digo atraindo a atenção do garoto, que de garoto ele só tinha o rosto mesmo.

Ele me encara e por um instante parece que não tem ninguém além de mim e ele ali. O garoto ficou imóvel me olhando de um jeito que me deixou desconfortável me fazendo desviar o olhar sem graça, enquanto outro garoto maior e mais forte também de cabelos pretos e pele morena entrou esbarrando no que estava parado em frente a porta me encarando. Após o esbarrão, o garoto parece voltar a si, acordando de um tipo de hipnose ou sei lá. Eu hein! Manterei distância desse aí. Garoto estranho!