My Fallen Angel

25 One last time..


Notas iniciais
Boa leitura *u* ♥

..my fallen angel..

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.O cenário todos conhecem… Ele não mudou... Continua o mesmo...


As ondas azuis anis do mar indo beijar a areia branca da praia... O vento suave, como meus traços favoritos, deslizando como em um carinho pela cútis daquela pessoa que pode acelerar seu coração... Os pássaros... Os pássaros esvoaçando suas asas de plumas coloridas pelo céu...


Ah, o céu...


Já não havia mais manhãs pra mim... Não manhãs de lindas nuvens colorindo-se nas cores do arco-íris com o despontar do sol no horizonte... Não mais... Nunca mais... Eu me via proibindo a mim mesmo... Não podia...


E mesmo não podendo, todo o resto continuava igual... E permaneceria assim, imutável, por todo o resto da minha vida...


Apenas aguardando... Aguardando pela chama de uma vela que oscilou tanto... Me pergunto se ela havia conseguido ter momentos de felicidade... Se eu pude ser sua fonte de calor por, pelo menos, alguns instantes...


Queria ter me doado tão mais! Queria ter sido tão mais!


Mas agora... me restam suas migalhas...


Muitos me perguntam por que eu não deixo essas memórias morrerem em mim, para que eu siga em frente... Posso ser sincero?


Impossível...


Nunca teria coragem o bastante nem para sequer pensar em tentar... Para mim, alguém que o ama com tanto fulgor, isso é completamente ridículo e impossível... Eu o amava, por deus! Ele havia me dado vida! Eu... E eu...? O que havia lhe dado em troca? No final de tudo?


Um pouco de esperança talvez? Momentos bons...?


O mar... Ah, sim... Um sorriso... Nossos primeiros momentos... Nossos braços entrelaçando nossos corpos, nossas vidas... Eu sabia, naquele instante, que não teria mais jeito... Ele havia mexido comigo... Comovido uma parte de mim que nunca havia sido comovida antes...


Ele me tornou humano... Alguém melhor do que eu havia sido até então... Ele... me deu uma razão... Uma não! Milhares! Razão pra sorrir, razão pra esperar, razão para lutar, razão para amparar, razão para aconselhar, razão para escrever e, acima de qualquer coisa, razão para o mais puro amar...


Amar tudo... Amar qualquer coisa... Amar as pessoas... Amar ele... Um anjo... Um anjo caído... Com aquelas suas asas invisíveis... Com aqueles seus sorrisos espetaculares... Com seus olhos luminosos... Com seu carinho natural... Inocência... Pureza...


Meu deus! Tudo seria tão mais fácil se eu conseguisse me desapegar! Se as águas que acarinham meus pés pudessem levar tudo embora! Mas... tudo o que se vai são essas lágrimas...


Mesmo sentado aqui, me deixando molhar completamente pela água salgada... Encarando toda a angústia que permaneceu presa dentro de mim por tanto tempo... Mesmo assim... tudo o que me domina são essas lindas lembranças, lavadas por minhas lágrimas...


E a sensação de perder aos poucos seus sorrisos... Seus trejeitos... Sua essência... Mesmo que eu lutasse... Mesmo eu não permitindo... Eu acabava perdendo-o sem querer... Como se ele estivesse evanescendo lentamente...


Mas seu corpo permanecia... Imóvel naquela cama de hospital... Para quê?! Talvez... para ficar só mais um pouquinho antes de partir de vez... Para me fazer acostumar com o vazio do outro lado da minha cama...


Mas eu sei que tal coisa é impossível! Impossível! Nunca vou conseguir me conformar! Muito menos me acostumar com a falta que ele me fazia!


Meu deus... Tanto que tínhamos visualizado... Pensado... Juntos, separados... Sobre nós... Todos nós... Apenas nós... E agora...? O que havia me restado...? Pedaços de nós dois... Pedaços presos apenas na minha mente e no meu peito que se aperta quando vejo aquele rosto calmo e inanimado...


Tínhamos tudo para dar certo! Tínhamos tanto, mas tão pouco! Tanto para partilhar... Tão pouco tempo... Se eu soubesse! Se eu ao menos soubesse! Se eu pudesse fazer algo! Qualquer coisa! Eu faria... Faria... Sem pensar... Sem hesitar...


Mas...


Mas...


E mas...


Tudo o que ficou... “Mas”...


–Pai? – me vi tão absorto naquele momento que qualquer aproximação me era imperceptível... Não escondi minhas lágrimas... Não queria mais esconder... – Está tudo bem, pai... Pode chorar... – seus dedos carinhosos me tomaram em um abraço sôfrego. Depois de muito tempo... Depois de muito me conter... Desabei... Como uma construção que cede à força do mar... O mar... Sempre o mar...


–Eu não consigo entender... Nunca vou conseguir... Não faz sentido! – ele riu... E seu riso era como o daquele que eu amava... Cristalino, calmante... Mesmo que melancólico...


–Eu sei... As coisas não deviam ter acontecido daquele jeito... Mas... – ele suspirou e eu mesmo suspirei.


“Mas”...


–Pai... Eu prometo não contar pro papai se você chorar, mas só por hoje, tá? Ele... queria que você ficasse bem... E já faz muito tempo que... você não está... – ele acarinhou meus cabelos e eu simplesmente morri em seus braços pequenos e delicados.


Ser confortado por uma criança com meros nove anos? Sim, eu devia criar vergonha na cara... Só que eu não conseguia mais suportar...


Aquela falta, aquele vazio, aquela dor... Eu não conseguia! Havia finalmente encontrado meu limite... E a sensação estava longe de ser boa... Era... sufocante...


Deixei o mar me levar... Levar toda aquela dor...


Por quanto tempo? Eu não sei... Não faço a mínima ideia de quanto tempo passou... Quanto tempo permanecemos apenas abraçados a olhar o horizonte que, agora, ganhava suas cores poentes...


Sei que era bonito... Bonito como meu Kouyou era...


E naquele momento tudo me pareceu como um conto de fadas... Onde meu anjo loiro estava perdido no meio do caminho... Entre o ficar na Terra comigo e o partir para o seu domínio indolor nos céus de nuvens rosadas...


Eu torcia, egoisticamente, para que ele pudesse ficar ali comigo... Nem que como a Bela Adormecida ou a Branca de Neve... Apenas seu corpo descansando... Não importava mais... Desde que eu pudesse velar seu ressonar baixinho todos os dias e tocar seus dedos mornos e macios com os meus...


E bobo, soltando um riso que há muito estava escondido, foi como se pudesse vê-lo ao meu lado acarinhando meus cabelos e beijando meus lábios... Como se estivesse me dizendo que estava tudo bem em... ser feliz... Mesmo sob aquelas condições...


Ser feliz por ele... Com suas lembranças... Delicadas e adoráveis...


O peso que sentia... Não sinto mais...


Por causa dele...


Por mais tolo, irracional e imbecil que seja pensar isso... Sei que pra mim é o bastante... O bastante para sorrir outra vez... Mesmo sem ele completamente presente ali... Mesmo com apenas sua sombra cuidando de mim...


–Vamos comer, crianças? – e outro sorriso surgiu por entre as nuvens... Aquele outro que havia se tornado um dos meus melhores amigos... O sorriso de covinhas...


–Sim, Chef... – pisquei, arrancando-lhe um riso humorado. Segurei a mão pequena que beliscava a minha, uma mania graciosa que ele desenvolveu para me avisar que queria minha atenção – Estamos bem... Todos nós...


–Todos nós... Pai...


E olhando para o nosso céu, eu queria lhe perguntar se ele ainda continuava me amando como havia prometido que faria... Se era possível me amar por detrás da escuridão dos seus olhos...


A resposta...


A resposta era indubitavelmente “sim”.


Como? Eu não sei... Só sei que era daquele jeito... Que enquanto seu coração batesse no peito eu não tinha mais motivos para chorar... Ele ainda estaria ali comigo... Ainda me amaria do seu jeito manso e calado...


Eu só precisava continuar ali... Sem chorar, porque ele não mais sofria... Sem me machucar, porque ele estava dormindo tranquilamente... Feliz, porque ele ainda era meu... Meu Kouyou... Meu anjo caído...


O tempo foi cruel com nós dois... Nos dando pouco dele para aproveitar... O destino ao nos prender em turbulências... A maldade do ser humano ao nos matar aos poucos... E ainda assim... Com tudo o que aconteceu até hoje... aquele amor ainda pulsava forte como se Kouyou me fizesse apaixonar por ele novamente a cada nascer de sol... A cada beijar do mar...


Verdade... Verdade...


A indiscutível e pura verdade...


E eu podia jurar que o que mantinha o preso a nós era esse mesmo tolo e grandioso sentimento... Porque ele sabia que eu não conseguiria ser feliz sem ele... E Gabriel, ele também sabia de Gabriel...


–Quero um bem grande! Desse tamanhão! – Gabriel exclamou exibindo o sorriso de seu pai, nos fazendo rir também. Acompanhar sua alegria parecia tão mais fácil agora... – Posso, pai?! Pai Kou vai gostar!


E ele ainda usava a desculpa de que agradaria Kouyou... Eu soltei um riso... Leve...


–Vão longo antes que chegue a hora do jantar... Vão... – ele vibrou e saiu correndo na frente, enquanto Yutaka tentava alcançá-lo para que parasse com a correria no hospital. Sempre assim... E tão lindo hoje...


–Quer um tempo com ele? – Naoyuki me olhou afetuosamente, sabendo bem da minha relutância durante todos aqueles anos em ficar sozinho com Kouyou. Eu tinha medo de não aguentar... Mas agora...


–É tudo o que mais quero... – sorri-lhe o mais sincero sorriso, que ele retribuiu com gentileza antes de deixar o quarto.


Mordi os lábios. Nervoso... Não sabia o que fazer... Me desculpar? Ele sabia que eu sentia muito... Dizer que o amava? Eu repetia isso todos os dias... Eu... não sabia como me portar diante de seu silêncio suave...


Lentamente, delicadamente, me aproximei... Me sentei... Sorri... Meus dedos, antes que eu percebesse, correram o rosto adormecido... Acarinharam suas bochechas mornas, contornaram seus lábios rosados, se embrenharam em seus cabelos de raízes escuras...


Beijei-lhe a ponta do nariz... Ambas bochechas macias e a testa... Sorri para sua feição delicada e, quase me sentindo como um ladrão, roubei um beijo de seus lábios. E quantas vezes quis isso! Quantas! E quantas vezes me neguei...


Não mais... Nunca mais...


–Eu amo você, Kouyou... Prometo não deixar que esse amor me mate mais... Sei que você não ficaria feliz... Sei que... me bateria... – soltei um riso levemente trêmulo... Repleto de saudade... – Quero ser feliz... Feliz como eu fui quando você estava... acordado... Quando podia me sorrir, me abraçar, me beijar também... Quando... – respirei fundo. Era mais difícil do que pode parecer... continuar ali sem querer chorar... Me afastei... Fui até a janela e de lá eu podia ver o mar... Ver o céu escuro... Nosso céu, nosso mar... Nosso mundo... – Desculpe... por sofrer por tanto tempo... Eu só... amo você demais pra suportar ficar sem sua presença constante... Mas agora eu entendi... Você sempre esteve aqui... não é...?


–Sempre...


Silêncio...


Silêncio calmo... Silêncio explicativo... Silêncio... novo...


–Kouyou?!


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Notas finais
Bom... Aqui estou eu... Postando as últimas linhas de My Fallen Angel... Uma fic que representa TANTO pra mim e que significa muito mais do que qualquer um poderá entender...
Com ela me despeço do Nyah!... Foram MUITAS alegrias, MUITAS lembranças, MUITA satisfação... E fico feliz por ter todos vocês ao meu lado... Vocês que comentaram, que partilharam sentimentos, que sofreram e riram... Vocês que sempre me despertavam essa vontade louca de continuar a fazer o que eu amo... Hoje será o nosso último encontro aqui e espero que tenha feito valer à pena... ♥
Vou continuar, claro... Lentamente como sempre e, provavelmente, sumida por um tempo... Mas onde as outras escritoras e vocês, leitores, estiverem, eu também estarei... Sempre partilhando um pouco mais de mim...
Obrigada por todos esses anos, sinceramente! E que deixem haver muitos outros!! ♥
Nos vemos no LJ? *u* Akita está por aqui -> http://a-kita.livejournal.com/
Até logo, meus lindos! E adeus, minha querida MFA ♥
2O12, SETEMBRO 21 @__bloody_hell
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!