My Fallen Angel
4 Chapter Four
Notas iniciais
..my fallen angel..
Chapter Four
.-Kouyou?
-Hmm?
-Você... Você percebeu que seu filho sabe que você está triste?
-Ele... sabe...?
-Quando eu o levei pra sorveteria hoje de manhã... Ele queria que eu desse sorvete de maracujá pra você... Ele me disse que achava que você estava triste...
-Nem isso eu consigo esconder quando aquela mulher aparece... – ele deixou um suspiro longo escapar por entre seus lábios e eu fiquei apreensivo com relação ao que quer que ele fosse me revelar – Ela quer me tirar tudo o que eu tenho, Yuu... Não que dinheiro seja importante... Nem essa casa... Mas... meu filho... O bebê que eu cuidei por todos esses anos! O meu pequeno motivo para sorrir... – outro suspiro – Ficar nessa... expectativa para vê-lo é tão agonizante! Eu não sei se ele está bem, se está feliz, se... não está precisando de mim...
-E o seu advogado?
-O meu advogado de extrema confiança está abrigando ela e meu filho na casa dele... Se é que me entende...
-Claro... – fixei meu olhar em suas costas, a sombra se refletindo no chão da sala apenas pelo brilho intenso da lua cheia. Eu discutia mentalmente comigo mesmo a respeito do próximo passo que eu decidi dar, mesmo que parecesse errado, mesmo que ele me afastasse... Eu só queria mantê-lo aquecido em meus braços, confortando-o – O que você pensou em fazer?
-Eu sinceramente não sei, Yuu... – ele deixou a cabeça pender sobre meu ombro, os orbes fechados e o cenho enrugado. Apertei mais meu braço direito em sua cintura, a mão esquerda envolvendo-lhe uma das mãos mornas. Concentrei minha mente no movimento de meus dedos em sua pele macia – Eu queria poder dizer que tenho esperanças, Yuu... Que eu confio na lei... Mas eu estaria mentindo descaradamente... Eu não acho que, em alguma hipótese, eu possa conseguir a guarda do meu filho...
-Por que você é homem?
-Por que eu sou gay...
-Você...?! – e sim, minha surpresa quanto àquilo era verdadeira.
-Sensível demais, cuidadoso demais, envergonhado demais, jeitoso demais... E se você quiser sair correndo pela porta, não digo que não me importo, mas eu tento aceitar...
-Eu não sairia... – repousei um beijo quase sofrido em seus dedos longos. Mais uma vez o sorriso agradecido dele obrigou meus lábios a se curvarem. Doce demais, eu acrescentaria à lista pessoal que ele havia me citado – Você pode contar comigo para tudo...
-Obrigado, Yuu... Você é a melhor pessoa que eu já conheci em todo esse mundo... Não tenho como agradecer toda sua gentileza...
-E nem precisa... Eu faço isso por vontade própria, não é como se você fosse ficar me devendo... Quero que isso fique bem claro, okay?
-Sim, obrigado... – ele abafou uma risada com a mão, assim que eu apertei mais seu corpo contra o meu, eu fingia irritação. Seus olhos se abriram, lentos, para encontrar os meus à sua espera contínua. Aquele sorriso puro voltando a adornar os lábios pequenos por um segundo antes que desaparecesse ao ressurgir de sua voz exausta – Ela me pediu a casa e uma quantidade gigantesca de dinheiro em troca da divisão da guarda... Só assim ela disse que não vai usar minha sexualidade contra mim... Fora a pensão que vai ser decidida depois... Eu não sei o que fazer... Vou ficar sem dinheiro até para uma casa decente...
-Você pode ficar lá em casa se quiser... Eu não sou homofóbico, como pôde perceber... – brinquei e ele riu minha risada favorita, seus olhos se fechando mais uma vez.
-Não quero causar incômodo pra você, Yuu... Eu só estou desabafando...
-Não é incômodo, Kouyou... Será um prazer ter você lá em casa junto comigo... Assim eu paro de me preocupar a respeito da sua má alimentação...
-Você se preocupa com minha alimentação? – e eu quase vi uma risada escapando.
-Você emagreceu uns bons cinco quilos desde que nos conhecemos, não foi?
-Você me observa demais...
-Isso é um problema pra você? Eu posso começar a fechar os olhos quando você se aproxima...
-Ah, você não precisa... Às vezes é bom iludir meu ego de que há alguém interessado em mim, só pra variar um bocado...
-Isso significa que não tem ninguém cantando você na rua, Kouyou? Eu jurava que isso era um acontecimento contínuo...
-Eu não sou um tipo de celebridade, feito certo escritor que eu conheço, para ser cantado por onde eu vou...
-Isso me deixa aliviado...
-Aliviado?
-Sinceridade? – sorri para as bolitas curiosas, arrastando meu nariz de leve pela pele cheirosa de seu pescoço – Muito aliviado... Não gosto de concorrência...
-Conco...?
-Exato... – murmurei ao pé de seu ouvido, procurando pela surpresa contida no olhar iluminado. E era de beleza inaceitável a expressão quase derretida que eu encontrei em seu rosto borrado de carmim, eu não queria mais controlar com tanto afinco meus instintos a partir daquele instante.
-Não há ninguém pra concorrer... Nem aqui, nem em lugar algum... Você deve ser sortudo de nascença...
-Devo mesmo... – insinuei meus lábios sobre os seus em um toque quase inexistente, suave, macio. No momento seguinte o silêncio foi quebrado por um gemido baixo que, eu sabia, vinha do sofá de sua enorme sala.
-Pai, tá escuro!
-E-eu estou indo, Gabriel!
-O tio Yuu já foi?
-Estou aqui, pequeno anjo... – respondi à pergunta sonolenta, me aproximando da criança que segurava fortemente na mão de Kouyou. E estava ali meu concorrente. Era uma atenção diferente que exigíamos do loiro, mas ainda assim... E eu sabia que não tinha chance contra o filho dele, mesmo sequer tendo pensado em uma possível competição.
-Você fica um pouquinho com o tio Yuu, Gabriel? O papai vai ir arrumar a cama... está tarde...
-O tio Yuu vai ficar? – e é claro que a pergunta tão inocente me surpreendeu.
-O tio Yuu tem que ir para a casa dele, filhinho...
-Mas... eu quero o tio Yuu também! Fica tio Yuu... Fica!
-Ah, eu... não sei se vai dar hoje, pequeno anjo...
-Mas...!
-Querido, entenda que os adultos têm muitas coisas para fazer, tá anjinho? – os lábios que haviam tocado os meus agora estavam descansando sobre a testa do garotinho manhoso e o sorriso nos lábios dele também não era meu naquele instante – Fica mais um pouquinho com o tio Yuu enquanto eu arrumo a cama pra gente, tá bom? – meu vizinho loiro afundou a mão grande nos cabelos negros do filho, me dando um olhar significativo, antes de deixar a sala.
-Tio Yuu...
-Aqui, pequeno anjo... – sentei no sofá, acolhendo o corpinho quente que me implorava por colo sem usar palavras. Ele fungou baixinho e eu só pude sorrir do seu sentimentalismo infantil – Não fica triste, pequeno anjo... Amanhã eu posso fazer uma visita pra você...
-Amanhã a mamãe vem pegar...
-Ela vem amanhã?
-Uhum... Mas ela não queria que o papai ficasse sabendo! A gente vai viajar com o namorado dela...
-Então você sabe que sua mãe tem outro homem?
-Sim... Mas tudo bem, né? O papai tem você...
-Hum?!
-A mamãe disse que o papai só gosta de homens, por isso ela me levou embora com ela... Ela não gosta do papai...
-Você vai deixar de gostar de seu pai se ele ficar com um homem?
-É como sorvete, né tio Yuu? Cada um gosta de um...
-Você é um garotinho muito inteligente, Gabriel...
-E eu gosto do tio Yuu... Papai fica feliz com você junto... Eu quero ver o papai sorrindo pra mim... Não quero papai triste hoje por você tá longe... Fica, tio Yuu?
-Isso é com seu pai, pequeno anjo...
-Você pode ficar?
-Se seu pai quiser que eu fique...
-‘Brigado... – os bracinhos curtos envolveram meu pescoço com força e eu não consegui esconder um sorriso leviano. A pureza daquela criatura era quase tão grande quanto à do pai... Eu devia ter me metido em uma casa de anjos sem saber – Tio Yuu?
-Fala, pequeno...
-Mamãe diz pra eu chamar o namorado dela de papai... Então... eu posso chamar o tio Yuu de papai também?
-Eu... – para qualquer ser humano era fácil distinguir qual o sentimento que me dominava no momento, mesmo que essa pessoa não fosse nada observadora. Eu estava em um profundo estado de estupefação – ...acho que não tem problema...
-O que não tem problema?
-Eu chamar o tio Yuu de pai também!
-Chamar o...?!
-Ele deixa, pai! A mãe faz eu chamar o namorado dela de pai, então eu também posso chamar o seu de pai, né?!
-A-ah... E-eu...
-Ele deixa, pai!
-Yuu?
-Ele é só uma criança, mas é mais inteligente do que muita gente adulta que eu conheço, Kouyou... – afundei minha mão nos cabelos curtos e o pequeno me exibiu um largo sorriso – Ele quer que eu fique... Você quer? – inclinei minha cabeça para trás, encontrando o rosto abobalhado do loiro me encarando – Eu não me importo de dormir no sofá...
-Não! Papai e papai vão dormir com eu! A cama é grande! Por favooor! – e o tom sofrido que saiu da boca daquele garoto amoleceu meu interior e, se isso aconteceu comigo, eu sabia que Kouyou já havia cedido um espaço de sua cama para mim.
-Tá certo... Mas que isso fique entre nós, hum? Nada de sua mãe saber ou ela me tira o direito de passar um tempinho com você!
-Eu sei, pai... Mamãe disse que era pra eu contar do tio Yuu, mas eu não vou! Eu amo o papai Kouyou e o papai Yuu... Papai Yuu faz o pai sorrir como se fosse sorvete de macarujá!
-Deus, o que eu vou fazer com você quando crescer, criaturinha?! – o loiro pegou o filho risonho nos braços, procurando pela minha mão em seguida. Seu toque gentil me fazendo levantar – Vamos subir...
-Vamos...
E com meus dedos unidos aos dele, eu dei mais um passo adentro na profundeza gigantesca que era a complexidade de sua vida.
Notas finais
Enfim... Deu vontade de postar por causa dos lindos comentários, então lutei contra esse computador maníaco da meia noite e postei /o/ -qqq
UHASDHUIHAIDUHAISDHUIAHUIDHAIUSHUDHIASHD
Queria agradecer a vocês que estão lendo e muito, muito, muuuito obrigada aos que estão comentando o que estão achando da fic! É muito importante pra mim ter o apoio de vocês!! Obrigada do fundo do meu coração, caras! ♥
Vejo vocês no próximo? ♥
2O11, DEZEMBRO O8 @le_akita
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