My Fallen Angel
15 Chapter Fifteen
Notas iniciais
..my fallen angel..
Chapter Fifteen
.Admitir que ver a sua ex-esposa e ter ficado feliz com isso era um algo... raro no lugar onde eu vivia. O rancor era algo que predominava na vida de todos os habitantes. Todos, menos um... E eu tive o privilégio único de poder conhecer mais profundamente o ser adorável que era o escolhido. Adorável no modo mais profundo do significar desse vocábulo.
Ele todo... Seu olhar, seu sorrir, sua voz, seu respirar doce, o corar de suas bochechas, seu harmonioso rosto, seu corpo esbelto, seu eu completamente. Principalmente seu interior angelical. Ele todo... Adorável... Simples assim, a-do-rá-vel... Outra palavra para descrevê-lo? São tantas no dicionário que eu não consigo pensar em nenhuma em específico... Aquele “adorável” já me parecia o suficiente para que todos soubessem de sua pureza inigualável. Adorável e inigualável...
E tê-lo perdido em meus braços, era uma dádiva, um prazer... uma honra... Poder acarinhar aquelas mechas douradas, fazendo o xampu deslizar por elas, limpando-as... Poder massagear seus ombros, costas... Poder aspirar seu doce aroma tendo seu rosto parcialmente escondido contra meu pescoço... Era o que mais me enchia de alegria.
Só de ter aquele rosto de um anjo perdido a me encarar, aqueles lábios minuciosamente esculpidos a me sorrir, seus dedos suaves a alisar o meu rosto... Só aquela simplicidade dos nossos dias já era o bastante para me fazer derreter no nosso mundo e me esquecer de todo o resto.
Só que, naquele dia, não só ele estava me enchendo de alegria. Minha ex-mulher, ao contrário de tudo o que eu pensei, estava ali ao nosso lado... Estava nos dando todo o apoio que precisávamos... Ela estava se mostrando mais confiável do que em todos os anos que permanecemos casados. Eu decidi chamá-la de “amiga” dali para frente.
-Yuu... Você ta dormindo de olhos abertos, éh?
-Ah... Me perdi outra vez, anjinho?
-Sim! – ele riu baixinho, apertando minhas bochechas com uma leveza tão ímpar que eu não soube como eu havia sentido seu tocar. Ele me fazia bobo...
-Desculpe, amorzinho... Eu estava pensando em algumas coisas boas que vêm acontecendo...
-Você quer dizer a Asami? – o sorrir dele, enquanto suas mãos brincavam com as pétalas aveludadas das rosas carmins, recheou meu interior com uma sensação relaxante que nem mesmo o mais delicioso incenso conseguiria. Ele era a maior perfeição que poderia vir a existir. Eu me via suspirando...
-Também... Ela me surpreendeu, aceitando nós dois...
-Foi muito bom isso... Saber que uma outra pessoa que você nem conhece está apoiando você... Ela é muito gentil... Ainda que permaneça amando você...
-Do que você está falando, anjo? – e eu me peguei completamente surpreso com as palavras que abandonaram a boquinha sorridente.
-E não é, Yuu? – o anjo loiro selou nossos lábios, alegre, voltando a se ocupar com as pétalas esvoaçando sobre a água límpida da banheira – Parece que ela se arrependeu de ter deixado você escapar... Mas eu não posso fazer nada quanto a isso... Agora sou eu quem pode temer perdê-lo... Não é verdade?
E minha estupefação era tão genuína que me deixou boquiaberto. Eu nunca pude imaginar Kouyou me dizendo tais coisas... Não referente à suposta paixão que voltou a dominar Asami, e sim à sua afirmação de me ter... De temer me perder... Eu havia ficado... admirado com tais doces e acalentadoras palavras. Eu morria feliz naquele instante, afogado em tanta perfeição.
-Você não tem motivos para temer... Eu sou todo seu e sempre serei... Mesmo que você não me queira mais, ainda assim serei seu... – resmunguei, embrenhado naquele entrelaçar de nossas vidas. Aquela teia de sentimentos tão satisfatórios.
-Me responda, Yuu... Quando eu seria idiota o bastante para não querer mais você?
-Sei lá, Kou... Vai que um dia você se cansa de mim... Que entre um alguém mais interessante na sua vida... Tudo pode acontecer...
-Isso é impossível, Yuu... – e as bolitas dele, para minha maior surpresa, estavam brilhando com a mesma vida e intensidade do momento em que nos conhecemos. Ali, tomando aquele banho relaxante junto do meu vizinho loiro, eu percebi estar me apaixonando mais uma vez por aquele ser magistral – Não há possibilidade de outra pessoa me fazer sentir tudo o que você me faz... Eu vou amá-lo para sempre... Até o dia em que eu morrer e além disso, se for possível...
E eu estava inegavelmente encantado com aquele prometer cálido. Encantado, bobo e aquecido... Nada mais me foi possível fazer para retribuir àquele declarar, além de tomar os lábios rosados para mim e mergulhar na profundidade incrível daquele homem. Eu achava estar em um sonho. No mais belo e fantasioso sonhar... Meu verdadeiro conto de fadas particular...
-Você existe mesmo, Kouyou? Ou é somente minha mente me pregando a mais deliciosa peça existente?
-Abra os olhos, Yuu... – e deixar para trás a cegueira para encontrar o sorriso reluzente do meu anjo foi como estar em um paraíso, mesmo eu não sabendo como era estar em tal lugar – Eu estou aqui, não estou?
-Eu não mereço tanto... – relei meus dedos, com calma, naquela tez da mais cara porcelana. E era tão afável quanto um suspirar aquela pele sob meus dígitos quase trêmulos – Os deuses sabem que você fugiu, meu anjo?
-Se eles sabem não parecem interessados em me buscar... E eu agradeço por isso... Lugar nenhum é bom o bastante para mim sem você... Não há lugar nenhum sem você...
-Eu não poderia ser mais feliz, Kouyou... Não poderia...
E me acomodar no calor gostoso daqueles lábios já estava virando uma rotina. A única rotina que eu seria capaz de amar, a minha rotina com ele... E nem “rotina” eu posso chamar... É mais... um dia-a-dia... Um magnífico acumular de lembranças... Eu me perdia naquele apaixonar com tanta força que eu sabia... jamais poderia sair de lá...
-Vamos, Yuu? Eu estou com um pouco de fome...
-Não mandei ficar sem comer nada depois que acordou... – ralhei o mais carinhosamente que consegui, recebendo o mais gentil sorriso do meu vizinho loiro. Ele achava graça na minha forma de brigar com ele, eu sabia.
-Hu? Não é meu celular?
-Onde você deixou, anjo? – pedi, terminando e colocar uma boxer preta para puxar uma camiseta do guarda roupa.
-Acho que vem da sala, não é? – ele enrugou o cenho e eu lhe sorri – Hu... Parou... Deixa lá, depois eu olho...
-Já trago ele para você, pequeno... – beijei-lhe os lábios úmidos, percorrendo os poucos passos até a sala. Não pude deixar de me surpreender.
-É... Faz uns vinte minutos que ele saiu com o meu Yuu... – Asami me deu um sorriso e bateu algumas vezes no sofá, me chamava – Oh, não... Ele é totalmente hetero... O Kou não é?
-Infelizmente para mim, não... – e eu ouvi aquela voz irritante que fazia tanto meu anjo loiro sofrer. Crispei os lábios, emburrado – Eu pensei que ele e o Shiroyama...
-Que eles dois?
-Estavam tendo um caso...
-Oh, não... Eles são apenas bons amigos, Lucy! O Yuu me contou que eles se encontraram e que ambos estavam querendo uma companhia agradável, então... Ele só quer ajudar o Kouyou... Ele sempre teve um bom coração...
-Mesmo sabendo que meu marido é gay?
-Isso não interfere na amizade, sabe? Ter um amigo gay é como ter um amigo hetero pro meu Yuu... Ele nunca se importou com essas diferenças e sim com o que as pessoas realmente são no seu interior... Ele acha que seu marido é um anjo de tão amável e, sabe... eu concordo com ele...
-Mesmo ele sendo gay?
-Mesmo ele sendo gay... Lucy, não acha que deve parar de usar a sexualidade do seu marido como desculpa para a separação? Quando... as pessoas decidem que está na hora de trilhar por um outro caminho, tem que deixar ir... Ou então... você só consegue um inimigo...
-Eu não pensava em me separar dele, Asami... Eu... na verdade eu acho que... ainda amo ele... – e a frase quase sussurrada da ex-mulher do meu vizinho loiro me fez entrar em estado de choque. Eu não cogitava essa ideia, nunca.
-Eu também amo o Yuu, mesmo ele não sendo mais o meu marido... Eu o amo muito, mas... eu precisei deixar ele ir... Ele queria um mundo novo, coisas novas, uma... vida nova... E eu sabia que eu só atrapalhava o que ele precisava no momento... Então... eu precisei abandonar esse amor para trás...
-E você não ficou com raiva?!
-No começo... Mas, sabe... de que adiantava manter o Yuu ao meu lado se aquilo não fazia mais bem a ele? Eu não conseguiria viver sabendo que o homem que eu amo estava infeliz... Eu... Eu pensei no bem dele e estava certa, no fim das contas... Ele está muito, muito, muito melhor aqui... Nesse lugar, com pessoas novas em sua vida... Ele tem... um sorriso, Lucy, que há anos eu não via!! Eu... estou feliz por ele ter conseguido o que mais queria...
-Mas... e você?!
-Eu posso me acostumar com isso... Ele está bem, é o que importa...
-Eu queria ser como você... Mas eu não consigo... Se o Kouyou não pode ser feliz comigo, então não será com mais ninguém! Principalmente com um outro homem!! Isso é ridículo!! Deus fez o homem e a mulher justamente para se completarem!! Ver dois homens é... é... doentio!!
-Não pense uma coisa dessas, Lucy!! Todos merecem a felicidade, nem que ela se encontre em uma pessoa do mesmo sexo!!
-Que seja!! Os outros não me importam!! O problema é o Kouyou ser assim!! Por que ele não podia, simplesmente, me amar?! Eu não sou boa o bastante?! Só por que eu não sou... um homem?!
-Lucy... Não faça isso com você... Com o seu marido... Vocês dois ficarão infelizes...
-Eu não consigo evitar, Asami!! Eu... Eu...!!
-Eu consigo entender você, Lucy... Mas as outras pessoas não... Isso causa impressões erradas, entende? Homofobia não é bonito... Não é uma desculpa que as pessoas possam engolir com facilidade.
-Talvez de onde você vem, Asami... Aqui serve perfeitamente... Sabe... se eu usar isso contra o Kouyou... ele não vai ter mais ninguém ao lado dele... Então ele vai ter que voltar para mim... Implorar por minha ajuda... Pelo meu colo...
-Ele não ia ter... Ele ia voltar... Ele ia implorar...
-Ah, claro... Agora ele tem o seu marido... – e o tom ao sugerir o surgimento da minha pessoa foi repleto do maior repúdio que eu já havia percebido. Ela... me odiava... Não ao Kouyou... A mim! – Isso eu posso resolver...
-Não faça nenhuma besteira, Lucy!! Você quer tanto assim o seu marido de volta?! Causando dor no resto das pessoas?! No seu próprio amor?!
-Não entre em desespero, Asami... Eu só pensei em afastar o seu marido do meu, o que acha? O Yuu voltando para você... O Kou para mim...
E o silêncio frígido que se instalou na sala me fez sentir um gélido frio na espinha. Asami estava pensando naquelas palavras, ponderando... Eu não podia vê-la aceitando tal coisa!! Não podia!! Eu queria poder, simplesmente, desaparecer naquele instante... Da mesma forma quando se acorda de um sonho ruim.
-Você está errada em fazer isso... Eles estão bem juntos, como dois irmãos... Eles criaram uma afeição forte, Lucy... Não faça meu Yuu perder isso... Eu não seria capaz de perdoar você e isso... traria sérias implicações na sua vida... Eu posso ser muito boa, mas muito má também...
-Asami, do que está falando?!
-Não machuque o meu Yuu... Se você o fizer, vai se arrepender... É disso que estou falando! Por mais que eu ame o Yuu e queira ele de volta, ele está melhor aqui! Se ele voltar a sofrer... eu não vou hesitar, Lucy... Não vou, por mais que eu tenha gostado de você...
-Ai, Deus... – a mulher do outro lado da linha soltou um suspiro extenso, cansado. Eu sorri abertamente. Os dedos quentes e suaves de Asami deslizavam sobre os meus, buscando um espaço para se acomodarem, bem vindos. E eu descobri que a amava mais do que nunca... Como minha amiga... – Não faço nada, mas não me peça para desistir do meu Kouyou...
-Com o tempo a gente descobre quem estava certa... Você ou eu... Mas não faça seu Kouyou sofrer, por favor... Isso faz com que o meu Yuu não fique bem...
-Eu não posso prometer... Eu ainda o quero de volta e vou fazer de tudo para isso acontecer!!
-Não pegue pesado... É um conselho de alguém que quer ver você bem...
-Obrigada, Asami... Você é uma boa mulher... Podemos nos encontrar algum dia? Para conversar outra vez?
-Quando você quiser... Eu pego seu número e ligo mais tarde, pode ser?
-Obrigada por tudo, Asami... Agora eu preciso ir... Gabriel está acordando... Diga que ele mandou um beijo para o Kou, ta?
-Eu digo... Até mais tarde...
-Até mais tarde, Asami...
A chamada se encerrou e o visor do celular do meu vizinho loiro ficou negro. Eu pensava em toda aquela conversa, em todo o seu significado... E as coisas me faziam mais sentido agora que eu tinha um pouco do conhecimento do lado de lá. Ainda mais eu desejei separar Kouyou daquele tipo de pessoa. Fazer qualquer coisa sem se importar com os sentimentos alheios... Aquilo sempre me irritou...
-Quer que eu conte o que ela me disser, Yuu?
-Se você achar importante e necessário, Asa... Eu tenho medo do que essa mulher pode vir a ter em mente... Ela é maligna...
-Tente entender o lado dela, Yuu...
-Você sabe que eu não vou conseguir...
-É eu sei... – e a delicadeza com a qual os dígitos dela brincavam com os meus, aqueceu meu coração. Ainda que ela me amasse tão loucamente, ela não poderia fazer nada para machucar outra pessoa. Eu tive tanta sorte por poder conhecê-la...
-Obrigado, Asa... Por tudo... Desde sempre...
-Não agradeça, meu amor... – os fios ruivos relaram em minha bochecha, eu fechei os olhos em um sorrir calmo – Você e o Kouyou merecem...
E aquela mulher... eu nunca poderia vir a não gostar...
Kouyou era meu anjo supremo... Ela... meu anjo da guarda...
Notas finais
Desculpem não postar antes, mas essa semana estive ocupada com minha chibi perfeita, honras que esse nosso Shiroyama-san também teve e o melhor show da vida com Raimundos! *A* ♥
Sobre os reviews... Posso responder outro dia? ;3; Vocês não ficarão chateadas comigo? ;3; Tipo... Estou completamente doente aqui e a cada minuto pior... Uma hora ainda pra poder tomar o remédio e eu sinto como se fosse morrer... Mas vim postar mesmo assim, então não me matem e ;3; ♥ Saibam que li todos e AMEI.. Só não quero responder meia boca pra vocês, okei? ;;
Assim que eu me sentir melhor respondo... Talvez eu consiga responder alguns, mas não prometo, okie? ♥
Bom... Espero que tenham gostado do capítulo nee... *A*
Até o próximo capítulo, limds ♥
2O12, MAIO O6 @___akita
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