My Fallen Angel

1 My Fallen Angel


Notas iniciais
É um Oneshot romântico e um pouco dramático. Espero que gostem.

Ele levantou a marreta para o alto e logo em seguida voltou a desferir outro golpe no metal quente, largou a marreta no balcão de mármore de tom escuro, pegou com a outra mão a lâmina de metal, enfiando-a sem hesitar no barril e o choque do metal fervente com a água fria resultou em um chiado alto, o borbulhar e a onda de vapor veio diretamente em sua face.

Seus cabelos negros, quase azul índigo, lisos e longos, abaixo dos ombros quase chegando ao quadril, parte presos em uma trança frouxa, parte soltos, pendiam emoldurando sua face bélica. A franja caía-lhe sobre os olhos que pareciam abrigar buracos negros de tão penumbrosos. Seu peito nu exibia seu tórax e bíceps invejáveis, ele era demoníacamente belo.

Morlon! – Chamou Kenko. – Venha logo! Se não se apressar vai perder a diversão. – Gargalhou perversamente o Djinn corpulento, de estatura baixa, cabelos verdes curtos, arrepiados e olhos roxos.

Morlon apenas acenou e Kenko logo saiu do aposento deixando Morlon sozinho novamente. Este retirou o metal da água e deslumbrou-o com apreciação. Era uma magnífica espada longa, seu tom era prata um tanto azulado. Colocou-a para refrescar em cima do balcão, retirou as luvas de couro pousando-as sobre a mesa e saiu da serralheria. Morlon amava seu ofício, forjar o aço era quase um hobby que ele cumpria com gosto. Muitas das armas do inferno eram feitas por ele. Um demônio de poucas palavras, misterioso em seu jeito reservado. Poucos mexiam com ele e os que se atreviam eram eliminados.

Andou calmamente até o tumulto de demônios a sua frente e abriu caminho facilmente sobre a multidão. Em meio ao populacho dois demônios brigavam no ar, era um Saarecai contra uma Succubus, ele desferia golpes inúteis contra a Succubus que se desviava com habilidade e destreza, ao mesmo tempo persuadindo o demônio inofensivo. Vendo que não valia a pena assistir a tal cena, Morlon voltou pelo caminho de onde veio, parou de repente no meio do nada e com a expressão serena abriu suas enormes asas de penas negras e alçou voo.

Ao redor o cenário desolado e o “céu” alaranjado, a baixo, rios de lava assomavam a paisagem desértica. Inclinou as asas e desceu atravessando a passagem do mundo inferior. Ao adentrar o mundo dos humanos, sobrevoou os céus limpos de nuvens brancas, sentindo o calor do sol na face. Apesar de viver no inferno por opção própria, ele sentia falta do tempo em que não era um anjo caído. Desceu em queda livre, apreciando o vento balançando seus cabelos, respirou aquele ar puro... Após alguns instantes, finalmente pousou em terra firme.

Encontrava-se em um campo de batalha na Somália, guerreavam contra Islã. Guerras... Lutas... Mortes... Ele também gostava disso! Seguiu calmamente para o lado de um homem que comandava um canhão, logo a frente um rapaz do outro país andava cambaleante com a perna machucada, aglomerado de um grande grupo de outros homens que lutavam ao seu redor. Morlon tocou levemente o homem que estava no comando do canhão e este antes hesitante, soltou a alavanca... A bola de fogo estourou pra fora atingindo o local onde antes estavam o rapaz e seus companheiros. Um sorriso sádico escapou dos lábios do demônio. Ele caminhou pra frente e continuou seu ofício pelo restante do dia.

O pôr do sol se estendia pelo horizonte, uma nuvem de fumaça cinza pairava sobre o local. Morlon estava conduzindo outra marionete de seu espetáculo, quando a sua frente surgiu uma forte luz ofuscante, ele se afastou cobrindo a face com as mãos para o alto. Abriu as asas em uma atitude defensiva, se encasulando dentro delas. A luz feria seus olhos, ele a conhecia, mas à muito tempo não era mais portador dela. Quando enfim a intensidade baixou, ele pôde ver a silhueta de uma anja, aos poucos ele pôde ver em detalhes seus cabelos longos encaracolados de tom caramelo arruivado, os olhos azuis vivos da guardiã perfuravam sua defesa, ele se sentia estranhamente impotente diante daquele poder, mas ao mesmo tempo atraído. A beleza dela era inegável. Suas vestes finas flutuavam ao sabor do vento. Suas asas de um branco virginal.

Ela veio em direção de um jovem ferido que parecia perdido de seu grupo e já sem esperanças de sobreviver. Ela abriu o caminho sutilmente entre a multidão iluminando a passagem para o rapaz e este viu seus companheiros do outro lado e seguiu para juntar-se a eles novamente, nada ciente da presença da anja. Morlon deu um passo adiante involuntariamente, mas o poder da luz era forte de mais, se afastou novamente. Ela deve ter notado sua presença, então se virou para ele. Morlon estava paralisado, não sabia o que estava acontecendo com ele, normalmente quando se deparava com algum anjo, seus poderes eram tão fortes que qualquer demônio recuava imediatamente para o inferno antes que o poder da luz os consumisse.

Mas ela... O atraía para si, emanava tanta pureza, tanto amor... Por um momento Morlon deixou que seu coração se aquecesse com aquele sentimento que ele já havia esquecido há tanto tempo. Os dois ficaram ali se encarando, sem se falar, nem se mover, apenas a troca de olhares. Ela também parecia observá-lo com atração, porém a luz que a cobria voltou a iluminar forte, ele recuou novamente e quando voltou a olhar, ela tinha ido embora.

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Marretava furiosamente o metal rebelde. Morlon não sabia por que, mas nada do que ele tentava produzir hoje, estava dando certo. A tal anjo, não saía de sua cabeça e algo o dizia que ele precisava encontrá-la de novo. – Mas que raios! – ele cuspiu a palavra furiosamente. Por que isso estava acontecendo com ele? Por que não podia simplesmente esquecer aquela criatura? Ouviu um barulho próximo e virou-se com a marreta na mão e o rosto contorcido de pura fúria, pronto para matar quem aparecesse em sua frente.

— Calma aí, sou eu! – Kenko levantou as mãos pro alto em um gesto de rendição. – Que bicho te mordeu hoje?

— Não me enche Kenko! Vá embora! – berrou Morlon.

— Tá bem. Tá bem. Eu só vim informar que Boldor pediu pra você passar no edifício Zrin, parece que ele está querendo encomendar novas armas com você. – Kenko saiu do aposento sem esperar pela resposta do ranzinza ferreiro.

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Semanas se passaram sem que Morlon nem sequer descesse para Terra. Porém a sensação estranha continuava lá. Ele precisava rever aquela anja e era isso que ele faria! Ia acabar de uma vez por todas com aquilo. Saiu resignado a procurar a maldita anja e descobrir de uma vez por todas por que a simples presença dela, o desorientou tanto. Ele falaria com ela, nem que tivesse que sofrer a segunda morte para isso.

Sobrevoando novamente os céus, ele não sabia exatamente como a encontraria, porém continuou em sua busca obstinada. Quando estava muito tarde e o sol enfim tinha se posto, suas expectativas de encontrá-la naquele dia já estavam extinguidas. Desceu desanimado para qualquer área perdida do mapa. Perambulava por um beco escuro, observando ao redor cenas de pessoas se drogando... Fazendo sexo sem o menor pudor... Mais a frente um desafortunado foi acuado por um bando de ladrões que seguravam facas, alguns até com revólveres na mão. Morlon ficou parado observando os demônios por trás das pessoas, os conduzindo a cometer tais atos.

Estava preste a dar de costas pra cena e continuar andando, quando notou aquela luz familiar aparecer novamente. Seus olhos se arregalaram ao reconhecer a anjo que vira naquele dia da guerra, a qual estava à procura o dia todo... novamente à sua frente. Ele não prestou atenção no que aconteceu para que os bandidos se dispersassem. Notou vagamente os demônios também indo embora e aquela pessoa que antes estava acuada, correndo para sair daquele lugar e salvar a própria vida. Mas o verdadeiro foco de Morlon, era a anja. Por um momento este ficou paralisado, apenas admirando aquele ser magnífico, como da outra vez.

Porém quando notou que esta ia embora novamente, ele correu o mais rápido que pôde, abrindo parcialmente suas asas para ganhar velocidade, flutuando até ela. Ele segurou o punho dela impedindo-a de partir e esta voltou o olhar interrogativo para ele. O que um demônio estava fazendo afinal, ao ousar se aproximar tanto de um anjo? A luz começou a queimar a pele do demônio, mas este continuou a segurá-la até que ela desistisse de partir, voltando a pousar os pés no chão. Seus rostos estavam tão próximos... Mas aquilo o estava consumindo, era muito para ele. Morlon finalmente soltou o pulso dela se afastando alguns passos para traz, encolhendo-se devido a exposição a tanto poder.

Agachou-se com os braços pra frente protegendo a face, seu corpo ardia e lágrimas involuntárias de dor escaparam-lhe dos olhos. Sentiu a aproximação da anjo e uma mão sedosa tocando sua face, secando suas lágrimas enquanto parecia cobri-lo com suas asas com uma luz muito forte que o cercava. “É o meu fim”, Morlon pensou. Mas a luz parecia mais branda. Não estava ali para feri-lo e sim protegê-lo, foi o que ele sentiu, uma sensação confortável de proteção... Aconchego. Ele levantou a cabeça e ela o abraçava de forma tão sutil que ele nem sentiu quando esta o envolveu. Quando ela se afastou, Morlon levantou o olhar para encará-la, ela devolvia um olhar penetrante porém suave.

A anja estendeu a mão para ele e sorriu ternamente. Morlon ficou sem reação, não sabia se a tocava novamente, no entanto ela parecia tão segura de si, como se garantisse que se ele a tocasse novamente, dessa vez ele não iria se ferir. O demônio seguiu o instinto e segurou a mão dela que o ajudou a se levantar, o toque realmente não causou reação alguma se não uma onda de paz que o anestesiou. Ela soltou sua mão e virou de costas, começando a caminhar, após alguns passos, parou e olhou pra trás, encarando-o.

— Vai vir ou não? – Ela sorriu travessa. Sua voz doce lembrava o som de água fluída em córrego. Seu sorriso iluminava ainda mais seu rosto. Ele obrigou suas pernas a se moverem e foi atrás dela; Passaram horas que pareceram minutos para os dois, conversando e caminhando distraidamente por onde quer que suas pernas o conduzissem. Ao nascer do sol, os dois se encontravam sentados à sombra de uma árvore, vendo o amanhecer.

— O que você fez comigo naquela hora, para que eu não fosse mais afetado pela sua presença? – indagou Morlon. – Ficar próximo a você, até mesmo tocá-la não me fere mais. — ele falou lembrando quando a anjo o abraçou sem receios há poucas horas antes, e desde então a energia que fluía dela não causava nenhum dano à ele.

— É um dom que nós (anjos) temos. – ela explicou. — Podemos anular o efeito ácido que nossa luz causa em vocês (demônios).

— Isso quer dizer que vocês nos fazem sofrer por que querem? – Morlon estava indignado.

— Não! – ela franziu o cenho, espantada com a conclusão dele. – Claro que não! Vocês (demônios) escolheram o caminho contrário da luz, por isso esta os faz mal. Mas não é por opção nossa que ferimos vocês. Acontece que, para que o nosso poder não os fira, precisamos tocar em vocês, só assim podemos mudar suas células, fazendo-as aceitar novamente o que no fundo é a essência do que vocês um dia foram também. Mas como Lúcifer e seus seguidores, insistem em continuar pertencendo ao mundo inferior, nós não podemos agir contra suas vontades. Cada ser existente tem seu livre-arbítrio para fazer suas próprias escolhas e Deus não negaria o direito de aprendizagem a seus filhos. Você não negou a luz, não fugiu, nem lutou contra, você estava receptivo, por isso eu o mudei!

— Mudou... Como assim? Eu não sou mais um demônio? – Morlon olhou para suas próprias asas ainda negras.

— Não é isso. – ela riu com sua dedução. A face iluminou-se ainda mais. – Transformá-los completamente só o Senhor pode fazer. Mas digamos que agora você tem um acesso mais aberto ao caminho da verdade. Seus olhos não estão mais vendados para a luz.

Hummm. – Morlon ainda não tinha compreendido com clareza, mas algo o dizia que ele teria todo o tempo que fosse necessário pra tal. Virou-se para a anja com o olhar inquisitivo — Qual o seu nome?

— Ariel – ela respondeu.

— Ariel... Belo nome. – mais do que isso... O nome parecia perfeito para ela, sua beleza esplendorosa parecia traduzida naquela única palavra! – O meu é Mor...

— Morlon. Eu sei! – ela o olhou com uma certa ousadia no olhar.

— Como você sabe o meu nome? – ele perguntou espantado.

— Ah mais coisas entre o céu e a terra do que você pode imaginar. – Ela sorriu travessa novamente, estendeu a mão para acariciar o rosto dele. Seu toque de veludo aquecia o coração do demônio. Ele pôs a própria mão sobre a dela. Seus rostos tão próximos que podiam sentir a respiração um do outro. Os olhos azuis profundos de Ariel o chamavam para desvendar os mistérios que aquela doce anja possuía. Morlon avançou sem notar e ela também se aproximou, seus lábios a centímetros de distância, e cada milímetro era atingido com a aproximação de ambos.

Morlon retirou sua mão de cima da dela que ainda permanecia em sua face, e caminhou com os dedos sobre a pele macia dela, chegando em seu cangote, eles se aproximaram e cobriram a pouca distância, beijando-se calorosamente. Ele puxou o rosto dela para si, sentindo o gosto da boca dela na tua. Perambulou com as mãos sobre o corpo quente dela, contornando suas curvas, deitando-a... Seu corpo musculoso sobre o dela. Arremataram o ato diante daquele belo amanhecer.

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— Se eles descobrirem, o que acontecerá com nós? – ele perguntou.

— Certamente estaremos perdidos. – Ela sabia o que ele queria dizer com aquela pergunta. Morlon estava se questionando o que aconteceria com os dois se os superiores deles soubessem que anjo e demônio haviam se misturado. — Provavelmente sofreremos a segunda morte. — Ariel estava deitada sobre o peito nu de Morlon. Fazia movimentos circulares com a ponta dos dedos em seu tórax.

— Nós dois sabemos que isso um dia vai acontecer! – ele sussurrou roucamente. Agora temente ao que poderia acontecer ao seu anjo.

— O que quer que aconteça, vamos enfrentar juntos! – ela se levantou, encarando-o por alguns instantes e depois o beijando. – Dilectos meus (Meu amado – latim).

— Bem, como dizem os humanos. Tudo que é proibido é mais gostoso! – ele devolveu o olhar para ela, procurando achar um motivo para ele merecer tal presente dos céus. Ela ultrapassava a barreira de seus sonhos mais impossíveis, ela era mais do que ele merecia. Seu diamante precioso. Enviada para cruzar seu caminho e mudar seu destino.

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Quase todos os dias, os dois se encontravam, ele saía furtivamente do inferno para encontrá-la nos lugares mais variados na Terra. Semanas... Meses... Quatro meses se passaram... Até que o sonho acabou; Os dois estavam juntos, em meio a um campo de tulipas violetas, abaixo de uma árvore de Acássia. Os dois enamorados estavam abraçados observando a paisagem calma. Poderia ter sido outro de seus dias perfeitos, quando uma forte energia negra começou a envolvê-los, Morlon notou primeiro, sobressaltando, ele conhecia aquilo, sabia o que significava. Lúcifer descobriu!

Morlon tentou afastar sua amada para que não fosse puxada com ele, mas Ariel não soltou-o, apenas seu olhar já dizia tudo: Ela não o abandonaria nessa hora! De repente o cenário ao seu redor mudou completamente, do campo de tulipas, os dois foram transportados diretamente para boca do inferno... O tribunal. O barulho alto de uma multidão de demônios, ocupava os arredores do local. Todos berravam palavras difamatórias. Estavam loucos por sangue derramado, por morte!

— MORLON – soou alta a voz de Lúcifer pelo salão de caveiras. — FILHO DE HAMGRETH. FERREIRO DO REINO DO HADES. CONDENADO POR TRAIÇÃO A SUA PRÓPRA RAÇA!!! COMO FORMA DE PENITÊNCIA POR SUA FALTA DE LEALDADE... SOFRERÁ A SEGUNDA MORTE!!!

O alvoroço ficou ainda maior quando estas palavras foram ditas. Os demônios pareciam fora de si, agora sem controle algum.

— E QUE SEJA DADO O INÍCIO... PARA O MASSACRE!

Os demônios enfurecidos saíram de seus lugares, agora incontidos, partiram para atacar ao casal. Morlon puxou sua amada para mais perto de si, mas ela levantou suas asas na vam tentativa de proteger aos dois. A princípio a luz poderosa fez os demônios recuarem, porém na presença de Lúcifer, o poder da escuridão era forte de mais, Ariel suportou até onde pôde, mas no fim os demônios voltaram a avançar para os dois. Neste momento, porém uma forte luz vindo dos céus, atravessou a escuridão em direção de Ariele esta começou a ser sugada para o alto.

Não! Seu amado ficaria, ele seria morto e ela jamais o veria novamente, Ariel não suportaria isso! Contudo o poder de luz que a sugava era forte demais, ela não tinha forças para impedir. Morlon puxo-a e beijou os lábios macios de seu precioso anjo uma última vez antes desta ser completamente puxada para cima. Ele agora podia ficar em paz, seu anjo não iria sofrer, não iria ter o mesmo fim que ele. Morlon simplesmente fechou os olhos e entregou seu corpo para os demônios dilacerarem.

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Ela é transportada para uma sala de parto, os berros da mulher deitada na maca tomavam a sala. O médico sorriu quando a cabeça da criança saiu e logo em seguida seu corpo inteiro, a criança ensanguentada pendia nos braços do doutor. Ariel havia sido enviada para ser a guardiã da nova criança que estava nascendo. Após perder seu amado, nada mais fazia sentido em sua existência, sentia-se vazia, metade de seu coração tinha ido embora junto com Morlon. Passou longos dias chorando a perda dele, até que lhe foi incumbido esta missão na Terra.

Quando Ariel se aproximou para tocar seu pequenino protegido, um calor percorreu seu corpo e um choque de reconhecimento tomou-lhe. Era Morlon! Seu amor havia reencarnado como humano. A mãozinha do bebê se estendeu para ela e um sorriso sereno brotou de seus lábios. Como toda criança, ele também possuía o dom de vê-la; Mais tarde no berçário, ela o tomou nos braços, Morlon certamente não carregava a lembrança de que foi um demônio, nessa vida ele começava um novo ciclo, deixando todo seu passado para o esquecimento.

Ele agora dormia serenamente acolhido em seus braços. De repente uma lágrima cristalina brotou de seus olhos e escorreu pela face do anjo. Seu amado agora era seu protegido e ela iria cumprir sua missão com um prazer inestimável até o dia que ele voltasse plenamente para ao lado dela.

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Era doloroso vê-lo morrer mais uma vez, porém dessa vez era para voltar definitivamente para ela. Desprendendo-se do corpo, ele se levantou, ainda se acostumando a não carregar o fardo pesado de um corpo humano. Quando ele levantou o olhar, ela estava lá é claro, a poucos metros de distância o esperava com a face serena. Ele caminhou até ela, ainda confuso, afinal apenas o que lhe restava eram as lembranças da última vida. Quando este se aproximou, ela estendeu a mão para ele e ainda hesitante ele a tocou. Um calor familiar emanou das mãos dela para o corpo dele e um choque de realidade o tomou quando todas as lembranças voltaram para ele.

Sua fisionomia voltou a original, os cabelos negros caindo-lhe sobre os ombros, porém seus olhos agora possuíam um tom caramelo, não mais escuros. Ele se deu conta de que havia recuperado suas asas e quando as abriu, porém ao invés de penas negras, elas eram completamente brancas... Puras... Imaculadas. Ele sorriu, ela por sua vez também, pois agora sabia que seu amado era plenamente dela. Os dois entrelaçaram seus dedos, em um gesto de carinho, era delicioso para ambos poder se tocar novamente. Ele avançou, tocando seus lábios no dela e o tempo parecia ter parado para os dois no momento em que se beijaram. Abraçaram-se ternamente, não era preciso palavras...

— Pai... – ele virou-se com o cenho franzido e a expressão confusa. Vindo em sua direção caminhava uma bela jovem de cabelos cacheados como os de Ariel, porem escuros lembrando Morlon e os olhos castanhos claro. O ar escapou dos lábios dele quando entendeu rapidamente o que significava. Olhou para Ariel e esta acenou com a cabeça.

— Quando você morreu, pouco tempo depois descobri que estava grávida! — Ele voltou a olhar para a bela anja, uma luz sutil iluminava sua face angulosa. Morlon sorriu, seu coração pulsante, era um sonho... Era mais do que ele acreditava merecer. Abriu os braços, receptivo e sua filha veio apressadamente abraçá-lo. Ariel do seu lado tinha lágrimas de felicidade que escorriam por sua face. Ele a puxou para si abraçando os dois seres mais importantes da sua nova existência.

Notas finais
Reviews? o/
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