My Dream

1 Capitulo unico


Pra mim o clima parecia ser bem natural. Meu corpo estava leve como se eu estivesse descansando enquanto eu andava pelos cômodos da casa da minha avó, mas em nenhum momento eu parei pra me perguntar sobre o porque estava tudo tão diferente e o porque eu estava lá.

Desde que a família da minha mãe subiu na vida fazendo vendas pela internet, as coisas na casa da minha avó mudaram da água para o vinho. Viagens, saúde, reforma na casa… Tudo para eles começaram a ir de bom pra melhor, inclusive expandir o enorme quintal pra construir um canto de três andares para servir de escritório, e naquele dia, as coisas pareciam absurdamente prontas, e a única coisa que faltava era uma festa de inauguração.

Toda a minha família estava lá, e muita gente que não era da família tambem o que era muito estranho.

“Da onde está vindo tanta gente desconhecida assim?” Pensei comigo mesma enquanto estava sentada de frente a uma mesa com a palma da mão segurando a cabeça. Meus cabelos pretos estavam presos para trás deixando em evidência um suspiro de tédio que saia de minha boca. Eu precisava admitir… O lugar estava um saco! E minha avó havia percebido isso.

Enquanto a doce senhora colocava uma panela em cima da mesa, eu mexia em meu celular sem ter realmente o que fazer, e ainda por cima eu aguardava infelizmente a vinda do meu atual namorado para participar da festa.

“Estou indo me arrumar. Já já estarei ai!” Disse ele pelo whats app.

Revirei os olhos no mesmo instante. Eu sabia que quando meu namorado falava que estava vindo, era porque ele demoraria uma década para vim, mas o problema não era esse, mas sim o fato de que meus sentimentos não estavam mais sendo o mesmo por ele, e só pelo fato de saber que ele está vindo me dava uma pequena raiva, o que não era uma coisa muito legal de minha parte.

“Quando é que vou ter coragem de falar a verdade pra ele sobre o que eu sinto?” Pensei comigo mesma.

Foi então que meus pensamentos foram cortados por minha avó que já olhava pra minha cara serenamente.

—O Gui está vindo?

Suspirei e torci a boca ao mesmo tempo.

—Está sim.

—Você não me parece muito animada.

—Nem um pouco.

—Por que não termina com ele?

Era ai o problema. Terminar o namoro. Como vou terminar um relacionamento onde a pessoa faz tudo por você? Arrisca sair de fim de semana pra te ver, gasta dinheiro contigo, te elogia, cuida de você… Isso pra mim era o tiro no calcanhar, porque o Gui nunca me deu um motivo oficial pra terminar um relacionamento, e eu sou muito trouxa, talvez o suficiente pra não ter coragem de falar a verdade com medo de magoar os sentimentos dele. Isso é errado… Muito errado…

—Estou esperando a hora certa — Respondi.

—Se eu fosse você eu aproveitava a ausência dele pra subir lá na laje e observar o pôr do sol. O dia está lindo lá fora.

—È, eu acho que vou fazer isso — Sorri me levantando da cadeira — Aqui está um tédio!

—Se quiser eu posso levar alguma coisa pra você comer lá em cima.

—Não precisa vó! Estou sem fome.

—Certeza? Não quer comer nem uma feijoada?

—Não vó! Estou bem, obrigada! — Sorri.

E então, andei em direção as escadas degrau por degrau, e enfim, cheguei na laje da casa da minha avó, e logo estranhei. O clima realmente estava lindo, e o céu alaranjado, mas haviam várias mesas como se aquilo fosse uma lanchonete, e em cada mesa havia um homem sentado nas cadeiras, e todos eles mexiam no celular.

Engoli seco na mesma hora e arregalei meus olhos meio assustada. Era um monte de homem que eu nunca havia visto na visto, e talvez nem minha avó conhecia, e nenhum deles paravam de mexer em seus aparelhos para olhar para mim.

“Menos mal…” Pensei ainda com medo

Procurei um lugar pra sentar, e vi uma mesa próxima a escada. Pensei se seria bom ou não ficar em uma laje cheia de homens, mas bom… Qualquer coisa eu grito né? Espero…

Me sentei em uma cadeira, e olhei então em volta, e estranhei que a quantidade de homem ia diminuindo e agora o lugar não estava mais tão cheio quanto eu havia visto a alguns segundos atrás. Olhei ao redor observando agora a meia dúzia de homens que se encontravam por lá, tudo com 35 anos pra mais, com cara de quem acabará de concluir uma obra de pedreiro e estavam em horário de almoço. Aquilo estava começando a ficar estranho… Muito estranho…

“O que está acontecendo?” Pensei enquanto observava tudo atentamente.

Até que rodando meus olhos em volta do lugar, eu percebi um alguem que me chamou a atenção. Ele era totalmente diferente dos homens que estavam ali. Ele estava sozinho, em uma mesa a parte, mexendo em seu celular tranquilamente como se estivesse pensando na vida. Soltei um leve riso e franzi a testa a perceber imediatamente quem era. Ruivo, olhos azuis com um jeito encantador e um monte de tatuagem nos braços…

“Ed Sheeran?! Aqui?! Como assim?!” Pensei comigo mesma enquanto o olhava para a sua cara.

Foi então que eu comecei a estranhar mais ainda as coisas. Quando acontece festas na casa da minha avó normalmente ela chama só pessoas da família, e naquele dia a casa estava ficando cheia de gente desconhecida, e ainda mais com a presença do Ed Sheeran. Deus, o que está acontecendo?!

Foi então que Ed virou seu olhar para mim, e eu timidamente peguei o meu celular e comecei a mexer para disfarçar. Desbloqueei a tela e comecei a mexer aleatoriamente nas coisas, e logo virei meu olhar para Ed novamente que continuava a mexer no celular. Eu confesso que eu nunca fui uma fã que ficasse babando ovo para o Ed o tempo inteiro, mas naquele dia e naquela hora eu não tinha o que negar. Ver ele mexendo no celular com uma carinha fofa me deixou nas nuvens naquele exato momento.

Minhas bochechas coraram naquele instante, mas mantive meu controle, afinal, meu namorado estava vindo, e não seria legal da minha parte ficar olhando o Ed assim, na maior cara de pau né? Pois é, por isso voltei ao meu celular.

“Estou indo pra ai” — Disse a mensagem do meu namorado me fazendo bufar no mesmo instante.

Foi quando ouviu um pequeno “Psiu” de fundo que me fez olhar em volta.

—Hey! — Disse Ed me fazendo olhar para ele — Oi!

Minhas bochechas coraram mais ainda. Ed dava um sorriso tão lindo e encantador que eu não pude resistir em sorrir de volta para ele.

“Meu Deus! O Ed Sheeran está me chamando e me dando oi?! Como assim?!” Pensei comigo mesma.

—Oi! — Respondi.

—Vem cá!

Ed puxou uma cadeira e trouxe até o lado dele, fazendo gesto pra eu me sentar ali.

Foi ai então que eu pensei: “Vou ou não vou? Se eu for, eu vou estar dando mole pra ele, se eu não for… Meu Deus! È o Ed Sheeran! Acho que vou me arrepender muito se eu não for!”

Mas ai então pensei logo em seguida: “Ah, ele só quer conversar. È CLARO! Por que o Ed Sheeran iria querer algo comigo, hein?!”.

Me arrisquei então e me levantei, indo me sentar do lado dele, e misteriosamente agora só havia eu, o Ed e mais um homem aleatório sentado em outra mesa, mexendo no celular sem ao menos dar importância para nós.

Sentei então de um ângulo onde eu pude ver melhor o rosto do Ed. O sol batia em uma cor alaranjada no rosto dele mostrando cada detalhe de seu rosto que Deus… Que visão maravilhosa… Não! Pera ai! Eu tenho um namorado e ele está vindo pra cá! Eu não posso pensar nessas coisas!

—Tudo bem? — Perguntou Ed olhando para mim.

Sorri para ele naquele momento.

—Estou sim!

—Estava lá sozinha. Por que não veio conversar comigo?

Gaguejei no mesmo instante.

—Porque você é famoso, e famoso gosta de privacidade.

—Mas isso não quer dizer que eu não gosto de fazer amizades, e você me parece ser bem legal.

—Ah, obrigada — Sorri timidamente.

“Deus, estou sentindo borboletas voarem no meu estômago, e isso é muito errado…” Pensei.

—Qual o seu nome?

—Mirela.

—Mirela. Prazer, sou Edward… Me chame de Ed.

—È, eu te conheço — Sorri — Eu gosto das suas músicas, são bem legais.

—Obrigado — Sorriu — Aquela senhora que está lá na cozinha é sua avó?

—Sim.

—Ela é bem adorável.

—Ela é mesmo! Todo mundo gosta dela.

—Ela me recebeu muito bem quando eu cheguei. Na verdade, todo mundo me recebeu bem.

—E ficou sozinho aqui?

—È, achei aqui um lugar bom de ficar, sabe? O pôr do sol aqui é bonito.

—Mesmo que fique no celular o tempo inteiro?

—Ah, eu preciso de uma distração — Disse entre risos — Mas e ai? O que faz da vida?

—Bom, até então eu não faço nada, só procurando serviço pra investir em faculdade.

—È mesmo? E quer fazer faculdade de que?

—Turismo.

—Bacana! Então você gosta de viajar?

—Bastante.

—Interessante.

—E você? O que faz por aqui no Brasil?

—Ah, vim visitar umas pessoas por aqui e acabei conhecendo a sua família. Semana que vem estou de volta para a minha casa pra já começar a rotina de músico.

—Ah, entendi…

Eu não sei por quanto tempo eu fiquei conversando com o Ed, mas eu só sei que a gente foi conversando de um monte de coisa, e até então, nenhum sinal de vida do Gui, e isso estava começando a ficar perigoso, porque a cada olhar do Ed o meu coração amolecia, e isso só começou a ficar pior quando Ed perguntou se eu estava namorando.

—Estou sim — Disse mesmo não querendo dizer.

—E você não parece estar muito feliz com ele né?

—Como sabe?

—Pela maneira que você disse sim. Você está com algum problema.

Era incrível como com pouco tempo de conversa o Ed conseguia entender o meu sentimento. Mas confesso que foi esquisito ele falar assim…

—Sim, estou…

—Você não gosta dele?

Suspirei meio perdida e gaguejei.

—Na verdade, eu gosto, mas não o tanto que eu gostaria, entendeu?

—Você o ama?

Dei uma pausa novamente. Aquele assunto estava começando a me deixar pensativa.

—Não.

—Por que não?

Isso estava ficando cada vez mais estranho. Eu não estava entendendo o porque o Ed estava me fazendo essas perguntas assim sem mais nem menos.

—Eu não sei…

—Está com ele por dó?

—Digamos que sim. Ele faz tudo por mim, mas… Eu não consigo retribuir da mesma forma, entendeu? Não dá…

—Ah, entendi…

—Mas por que a pergunta?

—Por nada. Você me parece triste e eu só queria que você conversasse sobre isso, sabe? Pra se sentir bem!

“Ed, não faz isso… NÃO FAZ ISSO” Pensei enquanto eu olhava em seus olhos azuis.

Foi então que eu senti a cadeira dele se aproximar mais de mim, e logo senti sua mão direita envolver a minha em cima da mesa fazendo com que nossas mãos se laçasse lentamente. Naquela hora eu quase tive um infarto. As borboletas voaram em meu estômago naquele instante me trazendo uma mistura de sentimentos, entre elas a felicidade de estar de mãos dadas com o Ed, o medo do Gui chegar, o medo de alguem ver e a culpa por estar traindo.

Olhei nos olhos de Ed e gaguejei. Eu precisava avisá-lo que o Gui estava chegando.

—Ed, melhor não…

—Por que não?

—O Gui está vindo, e… Se alguem pegar a gente ou até mesmo ele, eu…

—Não tem ninguem aqui Mirela.

Olhei em volta e estranhamente só estava eu e ele no lugar.

“To fudida!” Pensei.

Minhas bochechas esquentaram ainda mais e logo olhei para o Ed novamente sentindo seu rosto quase perto de mim.

—Não precisa se preocupar Mirela, isso é só um sonho!

—Um sonho? — Perguntei.

—Sim. Então não se preocupa, ok? Se você quer algo, então… Faça! Simples assim!

Fiquei arrepiada com a nossa proximidade. Eu estava confusa, mas estava gostando. Será que era só um sonho mesmo? Parecia real demais pra ser um! E se não for e eu fizer algo? Será que eu vou viver o resto da vida com remorso? Mas e se for e eu me arrepender demais? Eu estava sedenta pelos lábios de Ed naquele momento, mas eu pensava no Gui naquele instante. Eu no passado já cometi esse erro uma vez com um ex meu e eu jurei

a mim mesma que eu não iria nunca mais cometer esse crime com mais ninguem caso a pessoa tambem não faça o mesmo comigo, e o Gui até a onde eu sei ele sempre foi fiel a mim e eu naquele momento estava por um triz de quebrar a promessa. Será que eu arrisco a beijar o Ed ou eu dou um fora nele?

—O que você quer fazer Mirela? — Perguntou Ed.

Soltei um leve sorriso, mas sem jeito de dizer para ele o que eu realmente queria.

—O que eu quero é errado… Muito errado…

—Você não quer me beijar por causa do seu namorado?

—Sim. È que eu quero muito sabe, mas… Eu fiz uma promessa para mim e… Eu não posso fazer isso com o Gui, sabe? Mas… Está tão bom ficar aqui, sabe? Ainda mais com esse pôr do sol maravilhoso.

Ed abriu um sorriso olhando para mim se aproximando cada vez mais.

—Ele não vai ficar sabendo se você não contar.

Foi então com seus olhos grudados aos meus, e seu rosto tão próximo que eu não resisti, e lentamente nossos lábios foram se encontrando. Fechei meus olhos conforme sentia sua respiração contra a minha, e logo seus lábios vieram de encontro ao meu. Foi o melhor beijo da minha vida! Não tive palavras para explicar aquele beijo de tão maravilhoso que foi. Suas mãos envolveram em volta do meu corpo me envolvendo em um abraço carinhoso e tranquilo, sem muita pressa e nem desespero, e lentamente nossos lábios se separaram, me deixando com um sorriso bobo no rosto… Ed passou uma mecha do meu cabelo por de trás da minha orelha e sorriu igual, e não disse nada, apenas me deu um selinho atrás do outro até que voltamos a se beijar novamente.

Não foi um beijo sedento e caloroso, mas foi romântico. O céu ainda estava alaranjado e nós ainda continuavamos trocando carinhos e beijos por um bom tempo, até que de repente eu comecei a ouvir uma voz que me parecia familiar. Parei de beijar o Ed no mesmo instante e olhei em direção as escadas sentindo um pressentimento esquisito.

—Meu Deus… — Murmurei.

—O que foi?

—O Gui chegou!

—Ah, sério?!

—Sim. Ele vai acabar subindo!

Olhei para Ed já um pouco decepcionada por ter que sair de perto dele. Estava tão bom…

Ed soltou um suspiro triste.

—Que pena… Estava tão bom ficar aqui contigo…

—È, eu digo a mesma coisa — Suspirei — Você beija bem,

—Você tambem — Sorriu — Vem cá! Me dá mais um beijo… De despedida!

Olhei para Ed e sorri, dando mais um beijo em seus lábios. Era o ultimo, mas era inesquecível demais…

Lentamente a gente foi desgrudando os lábios e lentamente a gente foi se desgrudando.

—Vai lá que ele está subindo! — Disse Ed.

Comecei a ouvir passos na escada e logo me desesperei. O Gui era ciumento, e se ele me visse sozinha com o Ed ele poderia desconfiar de alguma coisa.

Sai correndo então em direção a escada e encontrei então Gui, no meio do caminho sorrindo para mim naquele instante. Retribuiu meu sorriso para ele fingindo que estava feliz em vê-lo, mas por dentro um sentimento de culpa e infelicidade. Culpa por ter beijado outro cara e estar fazendo o Gui de besta naquele exato momento, e infelicidade por estar mentindo e por ter sido obrigada a deixar o Ed lá em cima pra vim beijar o Gui.

Gui então se aproximou de mim e envolveu seu braço em torno da minha cintura e me deu um beijo, mas ao contrário do beijo de Ed, era um beijo estranho, ruim, sem química nenhuma. Me segurei pra não fazer careta naquele momento e sorri forçado para ele que me abraçava sem me fazer sentir química nenhuma.

Logo a minha família se aproximou de nós e todos começaram a conversar comigo, mas os olhares pareciam estranhos. Meus tios, minhas tias, minha mãe… Todo mundo me olhava estranho, talvez como se já tivessem percebendo o que havia acontecido na laje a alguns minutos atrás, e Gui era o único que permanecia tranquilo no ambiente.

Foi então que confusa, minha vista começou a escurecer. foi escurecendo lentamente até que senti meu corpo pesar.

Abri meus olhos e senti minha gata bater a patinha delicadamente no meu rosto. È sempre assim quando ela sente fome de manhã. Me acorda pra colocar ração no potinho dela.

Notas finais
Espero que tenham gostam ^^
Obrigada por ler ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!