My Destiny

4 ✧CAP 03. Os caminhos do destino.


Notas iniciais
Só para esclarecer, sim, as coisas aqui serão "rápidas" entre eles então não estranhem trocas de carinho vindas do nada okay? ... Essa provavelmente será minha última att desse ano (salvo se eu conseguir arrumar o capítulo do final alternativo de Stay in Dreams) pois preciso reorganizar minhas coisas para voltar a postar o ano que vem. Obrigada pela maravilhosa companhia em 2024 e desde já desejo a vocês um 2025 mil vezes melhor e mais bonito. Boa leitura amores.

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“Aquele que acha que pode interferir no destino alheio apenas é usado por ele como uma peça responsável para que o mesmo se cumpra...

Quem tenta interferir no destino de alguém acaba por se perder pelo caminho, colaborando para que esse apenas aconteça mais depressa...”

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Acordamos no dia seguinte como humanos, o que foi um tanto constrangedor por estarmos ambos desnudos.

Nossa sorte foi que o Kai acordou antes de nós e nos cobriu para evitar maiores constrangimentos.

Não funcionou tanto assim, pois eu estava toda jogada nas costas largas do Chan e aquilo me deixou em completa timidez.

Mas o alfa apenas sorria da situação.


— Se acalme, minha kitty, isso é muito mais comum para mim do que você imagina. O Seungmin e o Jisung também adoram dormir nas minhas costas quando estão em seus fursonas, e o Felix? Ele se esconde na minha juba e quando acordamos, ele está todo pelado na minha cara, é engraçado.

Ele sorria sem parar e eu só buscava me enrolar mais no pano deixado pelo Kai, que notei estar preparando nosso café da manhã.

— Oh, casal felino, fiz o café, mas preciso sair, tenho cliente as nove e preciso passar no ancião do vilarejo, vou deixar um alerta sobre o Thane com ele.

— Ótima ideia essa Kai, acho que vou com você, também quero falar com o ancião, você se importa se eu chamar o Hyunjin para ficar com você, Ha-ru?

— Não me importo não Chan, fico grata, na verdade, eu não ia querer ficar aqui sozinha.

— Certo, como ele é o único que fica em casa de manhã, vou pedir para ele vir para cá.

— Obrigada, alfa, — tentei me levantar sem mostrar demais e o Chan fez que fechava seus olhos para ver demais um fingimento descarado já que um de seus olhos permanecia aberto. — Alfa!

Ele sorria sem parar.

— Desculpe kitty, vá se trocar, querida, vou comer algo e chamar o Jinnie, então se eu não a vir mais hoje, até mais, fique bem sim? — Sem avisos, ele veio até mim e deixou um selar em minha testa. — E qualquer coisa, nos chame, me chame e eu virei correndo.

Fiquei constrangida, mas gostei muito do gesto dele, céus, eu estou enlouquecendo.

Só tive tempo de encarar um Kai com um largo sorriso em seu semblante antes de sair dali.

— Está bem, alfa, obrigada.


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Eu já estava na cozinha sozinha e um pouco apreensiva...

— Ha-runnah posso entrar?

A voz doce do alfa me causou um leve susto e eu, que estava na cozinha lavando a louça do café da manhã, deixei minha caneca favorita cair no chão, fazendo com que o barulho da porcelana se quebrando deixasse o alfa em alerta.

Ele entrou na cozinha às pressas e segurou em minhas mãos com carinho.

— Ah, meu Deus, você se assustou comigo, meu docinho? Acho que sou o que mais assusta você, não é?

O olhei confusa, ele acarinhava minhas mãos e seu toque era macio.

— Por que você diz isso, Hyunjin?

— No bar, tentei fazer carinho em você e te assustei, e você só ficou numa boa comigo quando entrei em minha fursona.

— Um lindo lince... — falei, me lembrando da cena. — Posso?

Olhei para ele e abri meus braços, demonstrando meu interesse em abraçá-lo.

— Claro, meu doce, sempre que quiser e nem precisa perguntar.

Sorrimos juntos e eu o abracei, ele me apertou forte e eu me senti tão...

Protegida.

— Não quero assustar mais você, Ha-runnah me diga como agir e eu farei o melhor para te deixar confortável ao meu lado.

Me afastei do abraço, indo pegar as partes de porcelana no chão e senti o olhar dele sobre meu corpo.

Aquilo já estava ficando intenso demais para mim.

— Hyunjin não se preocupe muito com isso, e-eu... bem, eu estou assustada o tempo todo ultimamente, não é só com você, eu juro...

— O Channie comentou comigo o que aconteceu ontem, eu sinto muito Runnah... — Sorri pela quantidade de apelido que ele estava me dando. — O que foi?

Ele sorriu de volta e começou a me ajudar com os cacos.

— Ha-runnah, Runnah, doce, docinho... você é mesmo todo galante, não é lince?

Vi uma sobrancelha dele se levantar e o sorriso dele se alargar ainda mais.

— Você não gosta? Posso parar...

Colocamos os cacos no lixinho e lavamos as mãos quase que em plena sincronia.

— Não é isso, eu já disse Hyunjin fique à vontade comigo, eu... bom, na verdade, eu só preciso sim me acostumar com tudo isso, mas isso é algo que posso fazer, não é?

— Sim, você pode...

A intensidade dele estava me abalando, eu não era disso e, pelo que entendi dele, o próprio não era exatamente assim com todo mundo.

Eu precisava aliviar aquela tensão toda.

— Você já tomou café lince?

Me virei para pegar uma caneca para ele e, quando voltei a encará-lo, ele mordia os lábios e apertava seus olhos como se estivesse lutando para conter algo.

— Você está bem, Jinnie?

Ele sorriu soprado.

— Jinnie... fica fofo saindo dos seus lábios, mas quando me chama de lince, preciso me concentrar para não ultrapassar os limites, é bom ouvi-la me chamando assim.

Minha ficha caiu, eu estava me conectando até que muito rapidamente com os membros do pack Bang.

Isso era perigoso.

— Certo... — me senti corar. — O café, vai querer?

— Pode ser docinho.

— Okay!

Preparei tudo para ele e, enquanto ele comia, íamos conversando.

— Então, você vai para o hospital agora?

— Sim, estou quase pronta já.

— Ótimo, vou levá-la.

— Hyunjin não preci...

Ele levantou sua mão para me impedir de continuar com a minha fala.

— Nem vem com essa, e mesmo que não precisasse, eu quero te levar, então levarei.

Entendendo que eu já havia perdido para ele, resolvi relaxar.

— Uhhh como ele é determinado.

— Sou, sim, ainda bem que notou!

Ele disse sorrindo ladino.

— Tá certo então, vou pegar minha bolsa, termine de comer e coloque tudo na pia, por favor, não é para lavar nada, o Kai lava mais tarde, ou eu quando chegar.

— Vá pegar sua bolsa, Runnah, te espero na sala.


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Quando desci com minha bolsa e meu jaleco, notei que ele arrumou a cozinha, não era muita coisa, mas mesmo assim...

— Lince, você lavou a louça...

— Claro que lavei gatinha doce, está maluquinha se achava mesmo que eu não lavaria...

— Mas não era preciso, vocês já estão cuidando muito de mim e eu não quero abusar...

— Meu doce, em um pack todo mundo faz tudo, é normal para mim lavar, cozinhar, passar, fazer faxina e essas coisas, sou um alfa, mas quero que se livre desses pensamentos deturpados sobre soberania alfa.

Ele nem me deixou falar nada, mas sim era exatamente aquilo que se passava em minha mente.

— Me desculpe, fui idiota.

— Não foi... mas quero que tente mudar seus pensamentos, está bem?

— Está, sim, obrigada alfa, agora vamos?

Ele acenou que sim e passou por mim sorrindo.

— Até porque, no nosso pack, você e o Lino serão os que menos farão tarefas domésticas, nossos ômegas sempre são mimados por nós, doce gatinha, e não queremos que façam muitas coisas.

Paralisei no lugar com a fala dele e ele saiu porta afora como se nada tivesse acontecido.

— Você vem ou não, Runnah?

Sem querer mais falar naquilo, eu apenas fui atrás dele.


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O Hyunjin me deixou no hospital, depositando um selar lento em minha testa quando foi se despedir de mim e eu não soube reagir àquilo.

Passei o dia inteiro lembrando dele, do Chan e, como graças a Deus, o dia foi tranquilo, eu pude pensar em tudo que quis, e foi em meio a esses pensamentos que me lembrei.

Hoje, o Changbin virá me buscar e vamos jantar juntos...

Que loucura isso...

Trouxe um vestidinho preto leve na minha bolsa para não ter que ir ao jantar toda de uniforme hospitalar, mas mesmo assim eu estava tão nervosa.

Eu queria que o alfa me achasse bonita.


— Querida, você pode dar um pulinho no leito trezentos e dois antes de ir embora?

A voz da enfermeira chefe me chamou de volta ao mundo real.

— O Mika? Ele está bem?

— Está, sim, Ha-ru, mas ele teve uma crise hoje cedo e queria te ver. Ele chamou por você ômega, eu só esqueci de falar antes, espero que ele me perdoe.

— Vou falar para ele que você pediu perdão.

— Obrigada!


Fui até o leito indicado e, quando cheguei lá, o Mika olhava para a porta todo ansioso.


— Titia Dandan!

— Oi, meu amor!

Corri até ele e abracei meu pequerrucho.


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Na recepção.


— A enfermeira Dan está com um paciente agora, senhor, mas ela não se demora.

— Tudo bem, ela pediu que eu a esperasse na recepção, então é o que farei, muito obrigado.

— Um alfa tão gentil... quer saber, vou te dar um presente.

— Como assim?

— Você é o Changbin certo?

— Certo.

— Ela nos avisou que você viria buscá-la e assim, não quero me meter na vida da minha jovem enfermeira, mas senhor, ela é a pessoa mais fofa e doce que conheço, então trate-a bem, okay?

— Okay... essa é a minha verdadeira intenção aqui, acredite.

— Excelente, então vou mesmo te presentear, siga por esse corredor, ela estará na primeira porta à esquerda, leito trezentos e dois, vá e a observe em ação um pouco, tenho certeza de que o senhor vai morrer de amores, eu morro de amores até hoje sempre que a vejo com as crianças.

Sorri brevemente, a enfermeira chefe da Ha-ru era uma figura e tanto.

— Obrigado por isso, enfermeira Joha.

— Me agradeça depois que estiver todo apaixonado.

— Isso se eu já não estiver...

Ela me olhou sorridente.

— Aaah gostei de você, senhor Changbin.

— Obrigado.

— Agora vá de uma vez e tire ela de lá, o turno dela acaba em cinco minutos.

— Farei isso... até mais, Joha.

— Espero te ver sempre por aqui buscando nossa Ha-ru Changbin.

— Também espero por isso.


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Eu segui as instruções da enfermeira Joha e, quando parei na porta indicada, o leito onde a Ha-ru estava foi logo identificado por conta da cena mais linda que eu já vi nessa vida.


— Você é linda tia Dandan!

O rapazinho estava todo aninhado nela e com a mãozinha repousada em seu rosto. Suspirei tentando fazer o mínimo de ruído possível, não queria acabar com o momento.

— E você é o ursinho mais precioso do mundo, Mika.

— Sou seu ursinho tia?

— Sim, amor, meu ursinho lindo.

Eles se abraçaram e a Ha-ru enchia a cabecinha dele de beijinhos.

— Oi titio, quem é você?

O garotinho fofo me viu e sorriu para mim.

— Fui descoberto... me desculpe atrapalhar, mas a Joha me disse para vir.

— Tudo bem, Changbin pode entrar.

Fiz como ela me pediu e logo fui apresentado ao paciente.

— Changbin, esse é o Mika, nosso ursinho fofo.

— Olá, ursinho Mika, muito prazer.

— Você é o novo namorado da titia Dandan?

O ursinho foi apenas o que uma criança é e a Ha-ru arregalou os olhos em surpresa, já eu apenas deixei que o sorriso tomasse meu rosto.

— Você deixa que eu seja Mika?

— Você, eu deixo sim, tio, já o titio Kai não deixo não, ele é só amigo.

— Muito bem, gostei de você, garoto.

— Meu Deus, vocês dois...

— Pode namorar ele tá tia Dandan ele é forte e bonito então eu deixo.

Ela sorriu tímida, mas também pela minha expressão toda garbosa por ter sido elogiado pelo ursinho dela.

— Tudo bem, Mika, se você deixa...

Sorrimos os três e a Ha-ru estava nitidamente envergonhada.

— Hey, — chamei baixinho por ela, que me olhou rapidamente. — Tá tudo bem pequena...

— Desculpe por isso. — Ela sussurrou para mim.

— Relaxa...

— Tia, você já vai?

Ela voltou rapidamente a atenção ao mocinho.

— Sim, meu ursinho, eu preciso ir.

— Amanhã você vem me ver?

— Venho, sim, amor.

— Promete?

— Prometo.

— Tio...

Olhei para ele, achei muito fofo ele me chamar assim.

— Oi ursinho.

— Vem me ver também?

Aquilo me pegou, a criança estava na ala de oncologia, logo eu sabia do que se tratava nele e seu pedido me deixou mexido.

— Venho sim se você quiser, e se as enfermeiras deixarem.

— Vou pedir para a tia Jo, ela vai deixar sim.

— Certo, então faça isso Mika e eu voltarei para te ver.

Ele sorriu largamente com o nosso acordo.

Nos despedimos dele e saímos do quarto.


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— Vou me trocar, é rapidinho, você me espera?

— Claro, pequena.

Ela sorriu para mim, e se antes eu já a achava linda, agora então...

Estou rendido.

— Já volto.

— Não se apresse...


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Ha-ru POV.


Me troquei rapidamente enquanto sorria boba por devanear com as lembranças da despedida do Changbin e do Mika.


“— Adorei te conhecer Mika, até a próxima.

— Tchau, tio Bin!”


— Fofos!

— Olha, só está sorrindo e não em pânico...

— Joha, dá um tempo, você armou para mim.

— E vai dizer que fiz mal? Você está toda boba aí...

— Fez bem lindona, — dei um selar na bochecha da minha chefe. — Você sempre faz bem!

— Vá de uma vez, não deixe o fortão te esperando.

Peguei minha bolsa, olhei no espelho novamente e saí.

— Até amanhã!

— Até lindona.


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Me aproximei do Binnie e ele falava no celular, então fiquei a uma certa distância, não queria parecer enxerida.


[—Tudo bem, Lino, eu vou cuidar dela sim, relaxa...

— Também amo você, meu ômega lindo.

— Beijos.]


Ele desligou já sorrindo para mim.

— Por que está parada aí tão longe?

— Você estava ao telefone... não quis atrapalhar.

— Você nunca atrapalha, pequenina, era o Lino, ele tá doido para te ver de novo, sabia?

Sorri sem jeito.

— Quando voltarmos, posso dar um oi para ele se puder.

— Se puder? Dandan você pode tudo.

Dei um tapinha no ombro dele por usar o apelido que o Mika usa.

Ele fez aquilo de propósito, mas confesso que quase me derreti toda com aquilo.

— Posso, né, Bin?

Ele riu alto, logo colocando a mão na boca para abafar o som da sua risada adorável.

— Vamos para o nosso jantar?

— Vamos.


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Ele acabou me levando ao meu restaurante favorito e, quando contei isso a ele, o fiz sorrir satisfeito e me confessar que lá também era o favorito dele.

Fizemos nosso pedido e agora jantávamos tranquilos.

— Pequena?

— Hun?

— Seus pais, como eles são com você?

— Malucos, estranhos, mas carinhosos, eles acreditam mesmo em demonstrações de afeto...

— Certo, então acredito que quando eles me conheceram, ou ao meu pack, sermos carinhosos com você vai nos ajudar, não é?

— Ah, sim, com certeza vai, se ficarmos tensos o mínimo que seja, eles vão desconfiar.

— E com razão... bom, também teremos que saber mais um do outro, né?

— É isso vai ajudar também...

— Legal, então me diga, qual a sua comida favorita?

— Assim tão depressa?

Falei brincando e ele sorriu largo.

— Estamos jantando juntos, pequena, nada mais justo, não acha?

— Sim, claro que acho, bom, minha comida favorita é katsu curry, e a sua?

— Pasta ao alho e olho.

Algo simples, mas só dele falar olhando em meus olhos, parecia que ele estava me confidenciando algo muito íntimo.

— Eu também gosto de pasta ao alho e olho.

— E eu também amo katsu curry.

Sorrimos feitos bobos e o Changbin segurou em minha mão.

— Nós combinamos, não é pequenina?

Sua fala me fez arrepiar.

— É... acho que combinamos, sim, Bin...


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O jantar foi esplêndido, o Changbin me fez contar a eles muitos detalhes da minha vida, alegando que, como meu namorado, ele precisava me conhecer, e eu, meio boba com tudo aquilo, apenas repetia as mesmas perguntas para ele, que me respondia tudo sempre com riqueza de detalhes.

Rimos muito e nitidamente estávamos cada vez mais curiosos em saber mais um do outro, e se não fosse toda a minha situação adversa, eu diria que estive no melhor encontro da minha vida.

Mas aquilo não era mesmo um encontro, não é?

Ele estava ali apenas me fazendo um favor e nada mais.


Agora, no caminho para a casa, ele me perguntava sobre mais algumas coisas e eu seguia o respondendo com sinceridade.

Eu estava à vontade com sua presença, era fácil me abrir com ele e agora que estávamos quase chegando em casa, ele estava convicto de que nossa farsa colaria.


— Mas pequenina, somos um belo casal, você não acha?

Sorri, tentando disfarçar minha vergonha.

— Não somos mesmo um casal Changbin, não seja tão convicto assim.

— Mas temos que ser convictos, Ha-ru — ele hesitou por um tempo — Você tem medo disso tudo?

— Um pouco...

— Mas você precisa confiar que vai dar certo.

— Eu confio...

— Confia, mas?

Ele tinha razão, havia muitos “mas” na minha mente, eu só não queria falar neles agora.

— Mas eu talvez precise de um tempo sozinha com meus pensamentos...

Ele sorriu como quem tivesse total compreensão da minha situação.

— Certo, você precisa pensar e eu entendo, mas olha, eu quero estar nisso, na verdade, meu pack também quer e muito, então não fique tão nervosa assim e, por favor, não pense tanto, nós vamos ajudá-la, pequena, e tudo ficará bem.

Respirei fundo e sorri para ele.

— Obrigada Changbin.

— De nada pequenina.


Estávamos quase chegando, mais duas ruas e entraríamos na nossa área e, como se fosse algo combinado,, o celular do Changbin e o meu começaram a tocar em sincronia.

— O Chan...

— O Kai...

Falamos nos encarando e o Bin fez sinal para eu atender, mas eu sugeri que ele atendesse seu alfa líder, enquanto eu mandava mensagem para o Kai e assim fizemos.


[— Chan?

— Oi, Bin, vocês já estão voltando?

— Sim, chegamos em poucos min... Minha nossa...]


Eu digitava com o Kai que queria saber o mesmo que o Chan e, quando ouvi a voz do Changbin pesando, eu levantei meu rosto e então eu vi...


— Ai, meu Deus, não!


Meu coração parou, meus olhos se encheram de lágrimas e eu estava em pânico...

— Nossas casas Binnie...

O Changbin colocou uma de suas mãos em minha coxa, apertando-a com firmeza para me passar certa segurança, e eu agradeci intimamente por aquilo.

Eu estava apavorada.

O fogo estava alto e tomava nossas casas, havia policiais e bombeiros tentando apagar o fogo e o Changbin parou com seu carro do outro lado da rua, onde o Kai e todos os membros do pack Bang estavam com seus semblantes nitidamente perdidos.

Descemos do carro e eu corri para abraçar o Kai, mas não me demorei no abraço, com ele correndo instintivamente em seguida até o alfa líder e, quando parei em sua frente, eu desmoronei.

— A culpa disso tudo é minha... me perdoa Chan.

Ele me abraçou forte e me encarou em seguida.

— Não se desculpe, minha querida, o Thane fez isso e já estão atrás dele, ele será pego, minha Kitty e pagará pelo que fez...

Minha cabeça girava, o que farei agora sem ter onde morar?

— Kai... o encarei e aparentemente todos ali já sabiam o que eu diria.

— Não, Dan, — O LeeKnow falou me envolvendo em seus braços e eu só me entreguei ao acolhimento do ômega — Falamos com o Kai e ele concorda.

Encarei o LeeKnow um tanto confusa e ele começou a enxugar minhas lágrimas.

— Ele concorda com o que Lino?

O ômega sorriu pequeno pela forma frágil com que eu o chamei.

— Você virá morar conosco.

— Eu vou o quê? Mas Lino, a casa de vocês...

O Chan se aproximou e eu pude sentir toda a imponência de seu fursona em ação.

— Falei com o ancião hoje cedo, minha Kitty, meu pack, vai voltar para nossa antiga casa no vilarejo da Floresta Serenaria e você vai com a gente, lá vamos poder proteger você.

Minha cabeça girava e girava, todos sabiam das histórias de uma casa antiga bem no fundo da Floresta Serenaria, mas nunca ninguém ia lá.

O ancião, senhor Kurky, sempre falava que a casa pertencia a um pack unido pelo destino por seus ancestrais, e que eles eram fursonas poderosos que um dia voltariam também por puro destino e reivindicariam sua casa.

— Então, vocês são os donos da casa no fundo da floresta?

— Sim, querida.

O LeeKnow deu um selar em minha bochecha e eu notei que ainda estava agarrada a ele.

— E por que querem que eu vá com vocês? Não precisa, o Kai cuidará de mim, eu sei que vai.

Meu amigo se aproximou e segurou uma de minhas mãos.

— Gatinha, vá com o seu pack, eu sempre estarei por perto. O ancião e o Bang me liberaram para acessar o fundo da floresta para visitá-la, então você não vai se livrar de mim.

Soltei o LeeKnow gentilmente e pulei no Kai, que me abraçou com todo seu carinho.

— O que está acontecendo, amigo?

Falei baixinho, mas minha voz estava trêmula pelo medo que eu sentia de tudo aquilo.

— O destino, meu amor, as ações do Thane só ajudaram com que o seu destino se cumprisse mais depressa, minha gatinha linda.

Me separei do meu amigo chorando um pouco mais e voltei o meu olhar para as casas que ainda estavam em chamas e, quando notei, eu estava novamente abraçada ao LeeKnow.

— Agora tudo ficará bem, Dan Ha-runnah, você estará segura com a gente e todo o pack Bang vai proteger você, eu prometo, gatinha.

A voz dele subia em meus ouvidos como o calor das chamas nas casas à nossa frente e só o que fiz foi me apertar ao seu abraço protetor e me esconder em sua clavícula, ficando ali protegida pelo ômega e sentindo seu cheiro doce que me confortava como há muito eu não era.

— Conseguimos salvar algumas coisas tanto dela quanto, nossas, — O Chan falava para o Changbin e eu ouvia tudo no aconchego do abraço do ômega. — Vamos pegar tudo e ir, Bin, essa noite será longa e precisaremos confortar nossa Kitty.

Naquela altura, eu não iria contestar o fato deles estarem me tratando como um membro de seu adorável pack, mas não nego que aquilo me deixava com medo.

Não quero me deixar levar assim...

Mas agora é só o que posso fazer, pois não me restou mais nada.

— Vamos, meus amores, — O líder falou calmamente e eu vi todos voltarem suas atenções para ele. — Vamos para o nosso verdadeiro lar.


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"E naquela noite que parecia ser regada de tragédia aos olhos comuns, os deuses do destino sorriram satisfeitos, vendo que tudo estava acontecendo conforme suas vontades, e o Thane com aquela sua atitude inconsequente, apenas apressou os caminhos de um destino já predestinado."


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Notas finais
É isso, ela agora vai morar com eles, e eles agora morarão "isolados" de todos n fundo da floresta e é aí que o amor deles vai começar a dar as caras com força, assim como alguns conflitos e etc... O Thane não vai deixar de rondar, mas ele terá sua lição. E o "distanciamento" do Kai não mudará a amizade deles em nada mas para o lobo cinzento é algo muito necessário. Espero que tenham curtido, se cuidem bem, aproveitem as festas e até a próxima att. Beijokas! 💙💜 🐾🐾