Notas iniciais
Olá, meus fãs.
(Que fãs, Adrenaline?! Que fãs?! Acorda pro mundo real -q)
Então... Não sei de onde surgiu essa ideia. Na boa.
Enfim, não foi uma de minhas preferidas mas até que ficou lecau... Eu acho -q
Bom, enjoy!

Quem sou eu?

Um escultor fracassado.

Um sonhador, talvez.

Mas, com certeza, um homem solitário.

Nunca gostei de companhia, a não ser de minhas estátuas, é claro.

Se já tentei fazer outra coisa da vida?

Admito que não. Apesar de não ter muito dinheiro, eu prefiro viver fazendo o que gosto e ser pobre do que viver rico fazendo algo que não gosto. Este é apenas o meu estilo de vida. Viver em um pequeno e simples apartamento, totalmente desarrumado e sujo. Pode parecer um estilo de vida estranho e risível mas eu me sinto bem assim. Não me importo com o que os outros pensam sobre mim. Não me importo com meus vizinhos, que me chamam de “O estranho do segundo andar” ou “Aquele que nunca sai”, ou até mesmo “O vampiro do segundo andar”. Nada disso faz diferença para mim, contanto que eu tenha minhas esculturas.

Alguns dias atrás, eu fiz uma escultura que me pareceu bastante curiosa.

A maioria de minhas esculturas são baseadas em pessoas que vejo na rua ou até conhecidos meus. Porém, essa foi diferente. Eu não conhecia ninguém parecido. Nunca tinha visto ninguém assim. Tentarei descrevê-lo nas linhas a seguir:

Era um homem baixo. Provavelmente um pouco mais ou menos do que 1,60. A franja de seu cabelo, hipoteticamente, caia sobre seus olhos penetrantes. Vestia uma camiseta, uma calça e um tênis. Suas feições eram infantis, mas particularmente bonitas. As maçãs do rosto davam uma impressão de fofura, apesar de ser apenas um boneco de mármore.

Esta descrição foi o máximo que pude fazer, mas a escultura é mil vezes mais bonita e interessante.

Enfim, lembro-me que passei mais de doze horas esculpindo-a e fiquei bastante satisfeito com o resultado.

De onde tirei a ideia?

Sinceramente, não sei.

Sabe quando você está fazendo algo fútil e, do nada, você tem uma ideia maravilhosa? Foi exatamente isso que aconteceu comigo. Eu estava apenas andando pelas ruas até o supermercado quando tive esta ideia fantástica.

De qualquer forma, considero esta estátua uma das melhores que já fiz em toda minha vida e, por alguma razão que desconheço, todos os dias sinto a obrigação de limpá-la, lixá-la um pouco e, vez ou outra, dar alguns retoques. Um dia, eu até decidi dar um nome a ela, e pus o nome de Frank.

Sim...

Frank.

Minha querida estátua.

Confesso que andava desabafando com ele. Sim. Com uma estátua. Eu não tinha muitos amigos e eu tinha me apegado bastante àquela estátua. Quase podia chamá-la de... Amiga.

De qualquer forma, provavelmente me chamariam de louco se me vissem conversando com a estátua de um homem que nunca vi na vida, mas aquilo me fazia bem.

Me fazia muito bem.

Certa noite, enquanto pensava em algo para esculpir, me peguei olhando para a estátua de Frank. Sorri tristemente ao pensar que ele era apenas uma estátua de mármore e nada mais, nunca teria vontades próprias, nunca poderia andar.

Claro que isso tinha um lado bom: Ele nunca fugiria de mim.

Levantei-me da cadeira e acariciei levemente suas feições frias, tocando-as com a ponta de meus dedos. Suspirei de cansaço e sussurrei para mim mesmo:

–Como eu queria que você fosse de verdade... – beijei levemente a face da estátua.

Pude jurar que vi o meio de suas bochechas ficarem um pouco mais coloridas, ganhando pequenas circunferências levemente rosadas. Porém, ignorei isso, pensando que era apenas alucinação minha.

Nos dias que se seguiram, ocorreu a mesma coisa. Beijei levemente a face de Frank e, a cada beijo, o pequeno círculo se alastrava e ficava mais rosado e corado. Lá pelo quinto ou sexto dia, a circunferência alcançou seus lábios, dando-lhes um belo tom avermelhado. Ao alcançar seus olhos, estes últimos mostraram-se ser verdes.

E foi assim durante vários meses, a cada leve beijo que eu dava, cada parte de seu corpo ganhava mais cor. Sua camisa ganhou um tom vermelho, sua calça mostrou ser jeans, seus tênis se transformaram em All stars vermelhos.

No sétimo dia da segunda semana, em um sábado , para ser mais exato, ao dar meu costumeiro “beijo de boa noite” na estátua, me afastei, em direção ao meu quarto. Quando me preparava para deitar, pude ouvir algo se quebrando. Saí correndo em direção ao meu quarto de esculturas e vi Frank. Porém, ele estava diferente em vários aspectos.

Primeiro porque ele respirava. Podia ver seu peito subindo e descendo, denunciando uma respiração arfante.

Segundo porque ele não estava mais paralizado. Suas mãos repousavam ao lado de seu corpo e ele piscava. Seus olhos verdes e lindos estavam direcionados a mim. Sua expressão era de total paciência e serenidade, enquanto eu ainda tentava entender o que havia acontecido.

–F-Frank?!

–Olá, Gerard. – ele abriu um sorriso agradável. Arregalei os olhos.

–Como s-sabe meu n-nome?

–Eu convivo com você, Gerard. Eu tenho que saber seu nome. Afinal, foi você quem me criou, não é?

–A-acho que sim...

–Então pronto. – ele deu de ombros – Por que o espanto?

–E-eu... Q-quer dizer... Você é uma... Uma est-tátua... Por que est-tá falando?

–Você me deu vida. – ele abriu mais um de seus sorrisos encantadores – Foi você quem desejou que eu fosse de verdade. No meio de todas essas estátuas... – ele fez um gesto em direção à minhas outras obras – Você me escolheu. Por que fez isso?

–Eu não sei... – respondi, com sinceridade.

Ele assentiu.

–Obrigado, de qualquer forma.

–Eu que agradeço. Obrigado por ouvir meus problemas e tudo o mais... Você foi uma estátua muito especial para mim.

Um sorriso brincava em seus lábios.

–Posso fazer uma coisa?

Assenti. Ele se aproximou e beijou minha face levemente, como eu fazia com ele todas as noites.

–Muito obrigado, Gerard. – ele transferiu seu beijo para meus lábios. Devo dizer que, pra falar a verdade, eu estava gostando. Ele pediu passagem, que logo cedi, e fiquei ali, apreciando a dança nada silenciosa entre nossas línguas. Ele explorava cada canto de minha boca, enquanto eu passava minha língua levemente entre seus lábios e os mordia levemente.

Tivemos que nos separar pela falta de ar. Ele abriu um sorrisinho timido enquanto eu corava fortemente.

–Frankie... Eu me apeguei muito a você... – murmurei – Você não vai embora, agora que pode se mover... Ou vai?

Ele pareceu pensar por um minuto, até que chegou a uma conclusão:

–Não. Eu não vou fugir de você, Gerard. Eu... Eu quero cuidar de você. Mesmo. Ouvir seus problemas me deu muita pena de você e... Eu quero que você fique bem. Acho que... Passar tanto tempo ouvindo seus problemas e tudo o mais... Fez com que eu ficasse mais próximo de você. Eu não acho que teria coragem de... Você sabe... Fugir. Eu quero ficar aqui, junto a você.

Sorri e me aproximei mais uma vez, beijando-o.

–Eu te amo, minha pequena estátua.

Ele sorriu e abraçou meu pescoço.

Sim... Eu tinha dado vida à melhor estátua que eu já criei em toda minha vida.

Notas finais
Alguém quer pizza? -q
Nossa, eu falo muita coisa inútil aqui.
Enfim... É. Espero que tenham gostado.
Beijo '-'
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!