My Dear Secret Admirer
1 Prólogo
Notas iniciais
“Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio. – Shakespeare.”
Irlanda, Dublin
Dois passos à frente. Paro, olho ao redor. Qualquer um que ouse me encarar parece ser culpado.
Amasso o papel em forma de coração em minha mão ainda mais, correio elegante?
Isso é sério? Cadê as câmeras?
Não sou o tipo de garota que recebe bilhetes anônimos. Quem é o otário que ousa brincar comigo assim?
Várias pessoas passam do meu lado e eu observo cada uma delas com cautela, é impossível descobrir o remetente dessa forma.
Era um bilhete com mensagem de Shakespeare, culto demais para ser de James Wilton, o único garoto estranho o suficiente para gostar de mim em todos meus miseráveis dez anos nessa escola.
Quem mais poderia ser?
Estou andando quando de repente esbarro em alguém, estou prestes a gritar com a pessoa ao ponto de assustá-la para sempre, porém, quando me viro é Harry Campbell.
Fico perplexa o encarando, enquanto ele se abaixa educadamente para pegar minhas coisas que caíram pelo chão, não consigo contar por quanto tempo esse garoto é meu crush.
Contudo, até então, ele nunca tinha sequer olhado para mim. E hoje, repentinamente, no mesmo dia que recebo um bilhete de amor, Harry “esbarra em mim acidentalmente", não seria muita coincidência?
AI. MEU. DEUS
Harry Campbell anda me mandando bilhetes de amor. Só pode ser.
— Cuidado por onde anda, Malu. – Ele diz, enquanto entrega minhas coisas, contudo, só consigo ouvir Malu. Malu. Esse é meu nome, mais que isso, meu apelido.
Harry sabe meu apelido? Cada vez isto fica mais interessante.
— Como sabe meu nome? – indago, ainda presa em seus olhos azuis.
— Como assim? Você não sabe o meu? Somos da mesma sala há anos – ele franze o cenho de modo engraçado – Alguém traz minha placa de maior-excluído-perdedor da escola, por favor. – Harry completa, gesticulando mais que o necessário, fazendo-me gargalhar.
É disso que estou falando. Essa não é a história da garota que se apaixona pelo famoso jogador de lacrosse, não tenho nem disposição suficiente para viver um romance clichê desses.
Harry é tão excluído quanto eu. É isso que me atrai nele.
— É claro que sei quem é você. Só acho curioso alguém saber quem eu sou. Não ficou sabendo? Sou a mais excluída dessa escola. – ele sorri para mim, com cumplicidade, ele me entendia, seus olhos demostravam isso.
— Pelo que observo em você, está mais para um desastre ambulante do que excluída, as pessoas notam até demais em você, sofria bullying no sexto ano, não se lembra?
o.k, agora isso está me assustando. Harry lembra de mim no sexto ano?
Harry me observa? Como nunca percebi se sou eu quem sempre o observo por aí?
— Eu preferia não lembrar, na verdade. – comento e ele sorri. – Dia dos namorados, né? Correios elegantes por todo lado... – dou uma gargalhada desnecessária e nervosa. Preciso de uma confirmação. Eu preciso saber quem é o dono do bilhete de shakespeare.
— Acho idiotice isso de correio elegante – ele diz, e não posso evitar me sentir decepcionada.
— Preciso ir – respondo, ao ouvir o sinal tocar – Nos vemos por aí, Harry.
— Com certeza. – confirma, enquanto pisca para mim.
Ando em passos longos para a quadra, por sorte, era horário vago e eu poderia pensar no meu único e suspeito correio elegante.
Estou na arquibancada, afastada de todos, quando ele se aproxima de mim.
Noah.
Esse é o jogador de lacrosse metido a besta que existe em toda boa história e adivinha? É o meu melhor amigo.
Eu sei, eu sei, como você, logo você, Maria Luiza Cooper, consegue ser amiga de um gato como Noah Adams? Eu também não sei.
— Olha se não é a minha garota do momento, um correio elegante? Desde quando se tornou tão popular? – essas são as primeiras palavras de Noah, que arranca o papel de mim.
— Solta esse bilhete, ainda nem deu tempo de emoldurar – brinco e ele gargalha.
— Você gostou? – ele pergunta, enquanto me investiga com os olhos.
— Eu gostei Noah, sabe o que dizem, o primeiro a gente nunca esquece. E você, qual foi o preferido dos trezentos que recebeu? – devolvi a pergunta com ironia, mas ele não parece reparar, deve mesmo ter ganhado trezentos, afinal. Não me surpreenderia.
— O que eu mais gostei foi o que recebi do Jonas. Ficou sabendo? O garoto que está dentro do armário á anos, ele me mandou e todos da escola acabaram descobrindo. – contou, é incrível como ele sempre está envolvido nas maiores confusões dessa escola.
— Coitado – berrei, as pessoas daqui conseguem ser horríveis quando o assunto é bullying. Digo por expêriencia própria.
Antes de conhecer Noah eu sofria constantemente com vários ataques, mas depois que viramos amigos, não aconteceu mais.
Ninguém ousaria encostar em mim sendo a "protegida" dele.
E também, eu perdi uns quilos desde então. Como eu disse, pessoas são crúeis.
— Não, está tudo bem; ele me contou que estava cansado de se esconder. – explicou, dando de ombros.
— E você está se sentindo como com isso? – Noah ama essa pergunta, por isso sempre a faço.
— É disso que estou falando, é incrível ser o motivo que fez alguém se descobrir em algo assim. – ele fala com tanto orgulho que me impressiona, quero dizer, é claro que Noah Adams seria o motivo para alguém sair do armário. Afinal, quem não morreria e mataria para ter seu amor?
Poxa, é o Noah.
O Noah que fica tão feliz por detalhes sórdidos como fazer alguém se assumir, é isso que me faz ter certeza que ele merece mesmo toda essa atenção de todos.
Qualquer outro garoto dessa escola, ficaria bravo por receber um bilhete gay, típico orgulho machista. Menos o Noah.
Ele gosta de ser diferente;
Ele odeia qualquer tipo de preconceito;
Ele também é a melhor pessoa que eu já conheci.
— Acho que Harry Campbell me mandou o bilhete. – solto sem pensar, e Noah começa a rir. – O que foi?
— Harry da nossa sala? Está brincando? – ele está sério agora – Ele não é gay?
— Não – berro, incrédula.
— Sério? Que droga! Tinha prometido para o garoto que me mandou o bilhete de amor que ia arrumar um namoradinho pra ele, já que ainda não estou disposto a explorar meus lados bissexuais. – a cada palavra que ele diz fico mais incrédula, é tão fácil qualquer assunto voltar para ele de alguma maneira.
Ele é tão egoísta.
— Espera, você é bissexual? – pergunto, realmente curiosa. Noah é como uma caixinha de surpresas.
— Talvez eu seja, quer dizer, transaria fácil com Dylan O’brien. Você não? Nunca pensou nisso?
— Em transar com Dylan O’brien? Penso sempre. – respondi, fazendo ele revirar os olhos.
— Você entendeu. Sobre ser bissexual. – explicou-se – Nunca pensou em como os peitos da Demi Lovato devem ser macios?
— É fácil se tornar bissexual assim. – contestei.
— É disso que estou falando. – ele bate as mãos, como se tivesse provado algum ponto.
— Como o assunto tomou esse sentido? – estamos rindo agora.
— Me diz mais sobre sua ideia de que Harry Campbell é apaixonado por você. – não pude deixar de notar seu tom de ironia e isso me incomodou.
— Seria tão inesperado assim? – pergunto, cruzando os braços. – Você fala como se fosse impossível.
— Por que é. Harry não faz seu tipo, ele é tão…
— Excluído? – pergunto – Se não percebeu, eu também sou.
— Que droga Malu – ele revira os olhos – só acho que… ele é pouco demais para você. – toda minha inferioridade some por alguns instantes.
Meu medo de nunca encontrar alguém some também.
Afinal, se Noah me acha demais para Harry Campbell, significa que eu posso tudo, não é?
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