Notas iniciais
Minha primeira fic aqui no Nyah. Espero que gostem :)

Tudo começou em um dia de verão à alguns anos atrás. Eu e meus irmãos tínhamos acabado de nos separar de nossa mãe e estávamos ansiosos, afinal, toda vez que ouvíamos aquele sininho, um novo rosto sorridente aparecia em nossa visão. E foi um desses rostos que me agradou.

Ele sorria bastante e tinha cheiro de caramelo. Pegou-me com cuidado e então exclamou para uma mulher ao seu lado:

- Eu quero esse.

Foi assim que conheci o meu dono, Leandro. Um garoto sempre alegre, com muita energia que nunca se cansava de brincar comigo. Quando ele chegava da escola, eu saía correndo para dar-lhe as boas vindas. Nós brincávamos um pouco, e depois ele ia estudar no quarto. Mais tarde eu e ele saíamos para passear pelo parque, aqueles dias eram muito divertidos.

Com o passar dos anos, Leandro foi crescendo. Ele ficava mais tempo no quarto estudando, e também saía com uma garota às vezes. Assim, ele passou há ficar menos tempo comigo, mas de noite ainda brincávamos um pouco depois da janta.

Teve um dia, em que ele não chegou em casa. No fim da tarde eu vi o pai dele saindo às pressas em seu carro e não voltou. No outro dia, alguns parentes de Leandro nos visitaram, nenhum com uma boa expressão, pareciam tristes. Uma hora depois, o pai chegou e foi falar com a visita, eu ouvi um pouco da conversa:

- O que ele tem?- um dos parentes perguntou

- Parece que uns garotos do 3º ano foram bater nele, um professor viu e mandou pararem. Então os idiotas soltaram o Lê, e ele bateu a cabeça na quina duma mesa e caiu no chão. Ele está com hemorragia interna e talvez, por causa da batida na cabeça, ele fique paraplégico. Isso, se ele sair do coma...

Eu não podia acreditar, meu querido dono estava com “hemorramina” interna e ia ficar “para-alérgico”, além de estar em coma! Eu não sabia o que essas palavras significavam, mas parecia muito grave. Eu queria muito vê-lo, o mais logo possível, queria brincar com ele de novo, ver aquele sorriso em seu rosto.

Meses se passaram, e o Leandro ainda não tinha voltado, mas eu sempre olhava para o portão de casa, esperando vê-lo ali, pegando suas chaves de casa, e sorrindo ao me ver latindo e correndo em sua direção. Eu queria ouvir mais uma vez sua risada e passear pelo parque com ele.

Um dia, vários familiares vieram em casa, todos vestidos de preto, tristes, alguns chorando. A mãe, vendo que eu estava confuso, veio e me disse:

-O Leandro morreu... Ele foi dessa para melhor — E começou a chorar.

Eu nunca entendi o que ela quis dizer com aquilo, eu não me importava com aonde ele estava, só queria estar com ele onde quer que ele estivesse.

Anos se passaram, eu já estou velho, já não consigo correr mais como antes. Por muito tempo meus dias se resumiram a olhar para o portão, esperando ver o vulto de meu dono. Um vulto que nunca apareceu. Mas eu nunca me esqueci da primeira vez em que entrei em casa. Daquele sorriso em seu rosto, enquanto ele dizia:

-Agora seu nome é Spark.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!