My Dark Side
11 Risco
Notas iniciais
Estava num beco sem saída. Estava parado no escuro de fora da mansão sem ter o que fazer. Sebastian estava aprontando alguma, e dessa vez era algo muito sério. Fiquei mais um tempo pensando no que eu precisava fazer para impedi-lo e traze-lo de volta para onde ele pertence: à mansão Phantomhive. Cerrei os punhos num ataque de fúria e olhei para o céu, estava estrelado acima de mim com a lua minguante iluminando parte da floresta, mas vinham nuvens escuras no horizonte.
Uma tempestade...?
Antes que pudesse pensar em mais alguma coisa, minha cabeça começou a doer e eu comecei a ver algumas cenas do meu passado...
“Pai! Mãe!”.
...
“Uma vez que tenha rejeitado a fé, é impossível passar pelos portões do paraíso. Mais uma vez te pergunto, é de seu desejo firmar um contrato?”.
“Basta! Firme o contrato e garanta meu desejo!”.
“O que é isso?!” estava tentando fazer isso passar, mas de nada adiantava. Meu olho direito estava doendo assim como minha cabeça.
“Pela chave do contrato que meu Bocchan carrega, eu sou seu leal cachorrinho. Através de sacrifícios e desejos, eu acato o contrato e fico ligado ao meu mestre. Isso em troca de sua alma...”.
...
“Você será meu mordomo por toda a eternidade...”.
Eu escutava as cenas acontecendo na minha cabeça, como se estivessem ecoando lá dentro.
“Yes, my Lord”.
Eu gritei caindo de joelhos no chão e tentando recuperar a postura, parecia que eu ia vomitar. A frase do Sebastian ainda estava como se fosse eco dentro da minha mente.
Levantei apoiando na parede da mansão tentando ficar calmo. Olhei para o meu reflexo na janela e encarei o meu olho direito. O símbolo do contrato estava sumindo e reaparecendo como se estivesse tentando sair, meu olho estava mudando de roxo para azul, de azul para roxo.
“Não vai se livrar de mim tão fácil assim Sebastian!”
Me concentrei e me acalmei, ainda olhando para o meu reflexo, tentei sufocar aquelas mudanças. Finalmente, o símbolo do contrato parou de sumir e ficou estático, mas ainda sem brilho.
“Yes my Lord hêh?! Não será a ultima vez que você falará isso pra mim maldito!”
Quando finalmente consegui me apoiar, soltei da parede e peguei o meu tapa olho do chão. Eu estava mais calmo, mas a raiva que eu sentia dele ainda estava borbulhando dentro de mim. Tentei ignorar isso por enquanto e fui em direção à mansão para aproveitar o resto da festa que Elizabeth tinha preparado pra mim.
Enquanto isso no interior da floresta
Aria continuava a correr e pular sobre as arvores numa velocidade absurda. Seu rosto ainda expressava um vazio, porém seus olhos estavam em um intenso brilho rosa. Ela continuou seu caminho até encontrar uma espécie de fonte no meio da floresta, provavelmente parte da propriedade dos Phantomhive’s ou de alguma outra vizinha. Parou em frente à fonte a qual tinha escultura de anjo no centro e a encarou.
Anjo...
A escultura estava sendo iluminada pela luz fraca que vinha da lua, pelo o que Aria conseguia ver, era apenas uma escultura de anjo qualquer, com asas e as mãos unidas para dar a impressão que estava rezando. Pelo menos foi isso que Aria conseguiu ver antes da lua ser encoberta pelas nuvens da tempestade, olhando pra cima reparou as nuvens se aproximando trazendo o que aparentava ser uma enorme tempestade. Ela olhou para frente novamente vendo a silhueta da estátua na escuridão.
E pensar que eu tinha um fetiche por anjos... E agora sou o contrário deles...
Aria deu um passo à frente, observou a agua calma e viu apenas o brilho de seus olhos.
Sim... definitivamente o contrario...
Enquanto olhava o brilho de seus olhos, uma lágrima escorreu em seu rosto e caiu na fonte, fazendo uma pequena ondulação na água. Esticou uma de suas mãos em direção ao local onde a lágrima havia caído e quando seus dedos estavam a centímetros de toca-la, ela viu mais um par de olhos brilhando na água.
“Leonard...” Disse retornando a mão para cima e passando pelo lado do rosto secando o caminho que a lágrima havia deixado.
“Você não deveria estar em outro local, Aria?” Sua voz era grossa e determinada.
“Desde quando virou minha babá Leonard? Não preciso que vigie cada passo que eu dou!” Ela respondeu virando-se para encara-lo.
Ele era um homem alto, tinha feições de uma pessoa mais velha que Aria, estava impecavelmente muito bem vestido com um terno preto, uma camisa social cinza e uma gravata branca. Seu cabelo era curto com um penteado para cima e seus olhos, quando pararam de brilhar, exibiram uma cor verde-esmeralda.
“Não estou te vigiando. Minhas ordens foram para que te encontrasse”.
“Eu já ouvi minha Mestre me chamar, você não precisava vir me procurar! Já estava indo pra mansão”.
“De qualquer forma, foi bom eu ter vindo. Vejo que você está tendo problemas com... O que os humanos chamam mesmo? Ah, ‘sentimentos’ não é mesmo?”.
“N-Não sei do que está falando”.
“Você acabou de vê-lo, não foi?”.
Aria tremeu, abriu a boca como se fosse falar alguma coisa, mas fechou-a em seguida.
“Sabe do que eu estou falando Aria... Você o tocou?”.
Ela olhou para baixo para não olhar para o rosto de Leonard.
“Você o tocou... Olhou em seus olhos? Viu o símbolo no qual ele está preso? Sentiu algo com isso?”
Aria se enfurecia a cada pergunta que ele fazia. Leonard segurou em seu queixo erguendo seu rosto forçando-a a olhar para ele.
“Olhou nos olhos dele dessa maneira que estou te olhando? Seu coração acelerou quando fez isso? Sentiu vontade de fazer algo?!”.
Aria estava furiosa e não conseguia responder, Leonard soltou seu queixo, mas continuou olhando para os olhos brilhantes dela.
“Responda!”
Ela entrou num colapso de fúria, pegou uma faca de dentro do vestido e tentou atacar Leonard que segurou seu braço em um movimento rápido, fazendo-a soltar a faca.
“Chega de perguntas Leonard!”.
“Você é um Demônio Aria Kurayami! Mesmo que já tenha sido humana, você é um Demônio agora. Controle suas emoções!” Disse apertando o braço da garota.
Ela se concentrou e tentou se acalmar, Leonard soltou seu braço, ela deu um passo pra trás e lentamente seus olhos foram perdendo o brilho voltando a ser castanho-claros.
“Assim está melhor”.
“Leonard eu-“
“Não pode deixar isso acontecer mais Aria, você me ouviu?”
Ela fez que sim com a cabeça em um sinal de entendimento.
“Deve ser difícil para você suponho, mas você tem que se controlar. Lembre-se, você é um Demônio, você serve a filha de meu Mestre, terá de agir de acordo com o que ela mandar. Você não pode se descuidar. Ordens são absolutas”.
“Eu entendi”.
“Ótimo. Agora vamos, nossos Mestres estão nos esperando”.
“Ok”.
Os dois caminharam para frente contornando a fonte, depois de alguns passos, Aria olhou para trás e viu a silhueta do anjo na escuridão, pegou uma faca e atirou de costas por cima de seu ombro acertando uma das asas da estátua fazendo-a cair no chão.
E os dois continuaram seu caminho na escuridão.
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