My Complicated Life
1 Prólogo - Ano Novo
Notas iniciais
Espero que gostem ^^
Boa Leitura
Às vezes me pergunto qual a razão do meu viver. Depois de tudo que passei. Depois de tudo que vivi...
... Depois de tudo que sofri.
Não sei ao certo se minha existência significa algo para alguém, ou se algum dia já significou, mas não me atrevo a dar fim a minha vida, não tenho coragem. Coragem foi algo que nunca tive. Apenas escondo minha verdadeira personalidade através de uma mascara.
Minha vida é uma mentira.
Desde pequena, fico esperando... Esperando alguém que me dê coragem. Alguém que consiga quebrar essa armadura que me envolve...
... Alguém que ache minha existência importante.
Acho que essa é a razão do meu viver. Achar alguém...
-~-~-
01/12/2003
- Papai, mamãe! Olhem só o que eu fiz na escola hoje – Mostrei a pequena e simples guirlanda de natal feita de saco plástico – Eu e a professora fizemos isso para o natal. A turma toda fez... Não é bonita?
Esperei alguma resposta deles, mas continuaram em silêncio assistindo TV. Abaixei a cabeça e meu sorriso sumiu de meu rosto.
- Cheguei da escola, há algo que querem que eu faça? – Perguntei amargamente.
- Sim Elesis, quero que pegue as latas de cerveja para mim e para minha mulher – Falou meu pai, não tirando os olhos da TV
- Sim Papai... Quer dizer, Sr. Esclud.
Andei em direção a cozinha. Todos os dias eram a mesma coisa, a mesma rotina. Meus pais me tratavam como uma empregada desde os meus cinco anos de idade. Era minha única utilidade para eles. Hoje, com oito anos, as coisas não mudaram muito, ficaram cada vez piores.
- Ande logo garota, ou você quer ir por quarto de novo? – Ouvi a voz de meu pai lá da sala.
Senti arrepios ao me lembrar do quarto. Era um quarto escuro, sem quase nenhuma ventilação, pequeno, vazio. O lugar onde eu era trancada por horas como punição dos meus erros. Lá era tão sombrio...
Peguei rapidamente algumas latas na geladeira e levei até a sala, entregando-as para meu pai e para minha mãe. Logo depois, me retirando, para não incomodá-los. Fui para meu quarto e me joguei em minha velha cama. Dei um suspiro triste. Queria ter uma infância normal. Queria ter pais iguais aos dos meus amigos...
- Quando algo em nossa vida não da certo, é porque Deus nós reserva algo especial que chegará na hora certa... Não é? – Disse olhando para a pequena e única estrela que havia no céu – Sei que tudo vai melhorar...
Com esse pensamento fechei os olhos lentamente para tentar dormir mais cedo. Fiquei imaginando pequenos gatinhos pulando um muro, enquanto contava-os, até que peguei no sono.
Acordei de um salto quando ouvi batidas fortes na minha porta. Meu pai estava gritando furiosamente do outro lado. Eu estava com medo.
- Abra essa porta garota, isso é uma ordem – Ouvi-o gritar, enquanto continuava a bater furiosamente na porta.
Andei com passos leves em direção a porte e olhei pela fechadura. Consegui enxergar a cintura de meu pai, e suas mãos. Sendo que uma deles estava a segurar uma garrafa de vidro quebrada, da qual pingavam gotas de sangue.
- P-Papai... Onde está a mamãe?
- Aquela vadia teve o fim que merecia – Ele falou com divertimento na voz – Ela já não me diverte mais... E agora só me sobrou você...
Arregalei os olhos de pavor. Corri em direção à janela e saltei-a, já que meu quarto ficava no primeiro andar da casa. Parei imediatamente eu lembrar que tinha esquecido meu pequeno gato de pelúcia e pulei para dentro da casa novamente. Enquanto ia em direção ao armário, os socos na porta iam ficando mais fortes. Vasculhei desesperadamente o escuro armário até achar o pequeno bichinho. Abracei-o e corri de volta para a janela, no momento que ia pular, sinto a porta se quebrar e passos apressados virem em minha direção.
- Volte aqui sua desgraçada – Ele me alcançou e segurou meu braço fortemente.
Tentei me soltar, porem, sem sucesso. Como ultima tentativa, mordi sua mão, fazendo com que ele soltasse meu braço por causa da dor, e corri rapidamente para fora dali, enquanto ouvia os berros de meu pai cortar o silencio da madrugada.
Eu estava livre. Lágrimas rolavam pelo meu rosto. O vento frio cortava minha pele. E tudo o que estava em minha mente era apenas a ideia de continuar correndo.
-~-~-
31/12/2011
Oito anos se passaram desde o dia que eu fugi, hoje estou com 16 anos. Várias coisas aconteceram.
Depois que fugi, uma mulher me achou tentando roubar coisas de sua horta, porem, ao invés de me maltratar ela resolveu me acolher. Era uma mulher doce e gentil que tinha longos cabelos loiros e olhos verdes. Depois disso, vivi uma vida muito feliz ao lado de Claire, que era o nome da mulher, e de Lire, que era filha dela que tinha a mesma idade que eu, e que ao longo dos anos, se tornou uma grande amiga.
- Elesis, venha logo, já é quase meia noite – Ouvi a mulher que comecei a chamar de mãe anos atrás.
- Já estou indo – Gritei em resposta.
Olhei mais uma vez para o pequeno gato de pelúcia em cima da minha cama e dei um sorriso fraco. As coisas podiam ter melhorado, mas as dores do passado ainda existiam e mim.
Corri para a sala de jantar e me sentei ao lado de Lire na mesa, que olhava com os olhos brilhantes para as diversas comidas que ali havia. Solte uma risada, fazendo com que ela olhasse para mim emburrada.
- Eu queria poder comer um pouquinho... – Ela disse levando suas mãos sorrateiramente até a travessa de pudim.
- Nada disso – Disse nossa mãe – Esperem até meia noite.
Enquanto esperávamos, conversamos, rimos, relembramos coisas do ano. Até que deu a hora tão esperada, em que Lire atacou as comidas e que eu ficava apenas rindo da loira.
Quem dera eu saber que esse ano seria doloroso, e ao mesmo tempo complicado para mim.
Por essa é minha vida...
... Minha Complicada Vida.
- Feliz Ano novo... Que esse ano seja cheio de lembranças.
Notas finais
Mas a ideia surgiu do nada, e quis compartilha-la ^^
Comentem, critiquem, taquem pedras. Pf *-*
Sayo õ//
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