My Bulletproof Heart
1 Prólogo
Notas iniciais
Erm...
Enjoy!
Olá. Meu nome é Frank Iero, mas você pode me chamar só de Frank. Moro em New Jersey, tenho 14 anos e não sou o filho que meus pais sempre sonharam: Vivo na coordenação ganhando suspensões, brigo com todo mundo, me meto em confusões, falo palavrão e tiro notas baixas. Meus pais vivem reclamando, dizendo que “Você não devia ficar brincando o dia inteiro, devia estudar e blablabla”, mas eu não dou a mínima. A vida é minha e eu faço o que quiser com ela.
Estudo na New Jersey High School. Nome nada original, não é? A New Jersey High School é uma escola para gente rica e, infelizmente, isso é o que os meus pais são. Por isso, sou forçado à ir todos os dias para essa mesma merda de escola cheia de gente riquinha e falsa. Meus dois únicos amigos são Bob e Ray. Sim, eu só tenho dois amigos, mas é o suficiente para mim, pois eles são os melhores amigos que eu poderia ter: Tem um gosto musical lindo, são engraçados, divertidos... Enfim, são uns caras muito legais.
Todos os dias, sou acordado pela minha delicada mamãe:
-FRANK, ACORDA LOGO!
-Já vaaaaaaai. – eu gritava, com a minha típica voz de sono. Afinal, quem merece acordar as sete da manhã?
Porém, se eu não acordasse em dez minutos, minha mãe ia no meu quarto e gritava:
-FRANK IERO, VOCÊ VAI CHEGAR ATRASADO! LEVANTA LOGO! JÁ SÃO SETE E MEIA! – e tirava minha coberta.
Ah, o amor maternal.
-Tá bom, tá bom! Já estou levantando! – eu sempre respondia.
Hoje, obviamente, não foi diferente. Levantei-me, coçando os olhos e pus o uniforme da minha escola.
Muito tempo atrás, eu cheguei à conclusão de que, na primeira reunião na escola, o diretor da época disse:
Muito bem, vamos envergonhar nossos alunos! Para isso, faremos um uniforme em uma cor ridícula, faremos eles vestirem uma gravata ridícula e sapatos ridículos!
E assim nasceu o uniforme da New Jersey High School.
De qualquer forma, peguei minha mochila e joguei no sofá, olhando para o relógio.
-Mas... Mas são seis e cinquenta ainda, mulher! – eu disse, indignado.
-São. Mas se eu não te chamasse agora, você nunca ia acordar. – murmurou minha mãe.
-Afe! – me joguei no sofá, tentando voltar a dormir. Como eu sabia que isso não ia acontecer, subi para o banheiro e peguei um lápis de olho preto, fazendo um X sobre cada olho meu. Sabia que as pessoas da escola iam me olhar torto por isso.
Foi exatamente por isso que eu o fiz.
-Frank! Você vai sair assim! – lamentou-se a minha mãe.
-Vou. Algum problema?
-Não, querido. Imagina. – suspirou ela. Eu sabia que minha mãe me achava um caso perdido e, por isso, não reclamava mais dos meus hábitos estranhos.
-Cadê o papai?
-Teve que viajar.
Bufei.
-Novidade.
Ela me olhou com pena.
-Me desculpe, meu bem. Ele não queria.
-Mas mãe, faz meses que ele não passa um tempo comigo. Nossas conversas se limitam em “Bom dia”, pois eu só vejo ele de manhã e olhe lá!
-Eu sei, Frankie. Me desculpe.
-A culpa não é sua, mãe. – murmurei e ela deu um sorriso triste. Eu sabia que minha mãe tentava compensar a falta do meu pai, mas quem deveria compensar era ele, afinal, minha mãe é maravilhosa para mim e sempre tem tempo se eu precisar falar com ela.
-Eu sei que não é, mas eu me sinto mal por isso. – ela me deu um beijo no topo da minha cabeça e voltou a arrumar as coisas para o trabalho. Senti cheiro de panquecas vindo da cozinha.
-Não precisa se sentir mal... – sentei-me na poltrona, observando minha mãe correr para lá e para cá.
-Eu sei. Frankie... Só vai tomar o seu café da manhã e vá para a escola, ok, querido?
Assenti, quieto. Fui até a cozinha e chamei:
-Evelyn, cadê o café da manhã?
-Está aqui, Sr. Iero.
-Já disse para me chamar de Frank... – murmurei.
-Desculpe. – ela abaixou a cabeça, entregando-me um prato com panquecas e um copo com suco.
-Sem problemas. – sorri.
Evelyn era a cozinheira da casa. Era uma mulher magrinha e baixinha, bem diferente do estereótipo de cozinheiras. Tinha os cabelos muito negros, iguais aos olhos. Até onde eu sei, devia ter uns 40 anos ou menos. Ela cozinhava muito bem. Nessa manhã, ela tinha feito panquecas com calda de chocolate.
Saí da cozinha, deixando Evelyn com as suas panelas e me sentei na mesa da sala, comendo lentamente minhas panquecas enquanto minha mãe não parava quieta, pegando coisas e colocando no carro.
-Mãe, estou indo. – gritei do outro lado da casa, jogando minha mochila pelo meu ombro.
-Ok, querido! Eu te daria uma carona, mas eu só vou sair mais tarde. – ela deu um sorrisinho de desculpas.
-Não tem problema. Tchau, mãe.
-Tchau, Frankie. Te vejo de noite. – ela me abraçou e eu fechei a porta atrás de mim.
Suspirei fundo.
-Lá vamos nós de novo... – pus meu iPod no bolso e coloquei os fones, ouvindo uma música qualquer enquanto caminhava lentamente até a escola.
-X-
Cheguei na escola e fiz o mesmo tedioso caminho até a sala. Chegando lá, tive a mesma visão de sempre: Aquela sala bagunçada, cheia de alunos brincando e conversando antes do professor chegar. Me dirigi ao fundo da sala, onde Ray e Bob estavam sentados.
-Falaí Frank! – disse Ray, animadamente.
Ray era um garoto estranho, com seu cabelo afro e seu jeito extrovertido.
Um garoto estranho, parecido comigo.
-Oi, Ray. – sorri levemente.
-Hey Frank!
Bob era loiro, com um piercing do lado direito da boca. Era um daqueles caras grandes, mas divertidos e doces.
-Fala, Bob. – sentei-me entre os dois – O que contam de bom?
-Ah, nada! – exclamou Ray – Fez o dever de química?
Nós três nos entreolhamos e caímos na gargalhada. Sabíamos que nenhum de nós três havia feito dever algum.
-Ei, viu aquele aluno novo ali? – disse Bob.
-Quem?
Ele apontou para um garoto de cabelos negros e olhar vago.
-Aquele ali? Quem é ele?
-Ninguém sabe. Chegou aqui, se sentou do lado da janela e ficou olhando para fora durante esse tempo todo.
-Hm. Deve ser mais um nerd. – dei de ombros e não me importei muito com o garoto.
De repente, o professor de história, Sr McKennel, chegou.
-Bom dia, turma! – disse ele, alegremente.
-Bom dia pra você, que não vai ser chateado com uma aula de cinquenta minutos. – murmurou Ray baixinho para que só eu e Bob pudéssemos ouvir. Ri baixinho.
-Hoje temos uma coisa... Diferente. Temos um aluno novo. – ele fez um gesto apontando o menino que olhava pela janela. Pela primeira vez desde que chegou aqui, ele olhou para a sala, com os olhos arregalados – Por que não vem aqui na frente, para se apresentar? – o professor sorriu convidativo. O menino se levantou, resignado, e se arrastou até a frente da sala, tropeçando nos próprios pés no meio do caminho. A sala inteira riu, inclusive eu, e ele ficou vermelho feito um pimentão.
-O-oi... M-meu nome é Gerard Way...
-Você é daqui? – indagou o professor.
Ele simplesmente assentiu.
-Muito bem. Pode sentar, sr. Way.
Ele praticamente correu até o seu lugar e ficou encolhido na carteira. Olhei-o com certa curiosidade. Ele parecia ser meio... Misterioso e atrapalhado ao mesmo tempo, sei lá.
Resolvi tentar deixar isso para lá e continuei minhas brincadeiras com Ray e Bob.
Notas finais
Eu não mordo, viu? *-*
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