My Bulletproof Heart

5 4-It's not from your business


Notas iniciais
Reviews + Tédio = Capítulo novo para vocês. Yaaay o/

Acordei no dia seguinte tarde.

Bem tarde.

-PUTA QUE PARIU, JÁ SÃO SETE E QUARENTA! – pulei da cama, vestindo minha roupa rapidamente. Peguei minha mochila e fui amarrando a gravata enquanto descia as escadas de dois em dois degraus. Notei que minha mãe não estava e vi um bilhete na geladeira:

Frankie, fui trabalhar mais cedo.

Beijos,

Mamãe.

Saí correndo da casa feito um doido. Isso resultou em várias quedas, arranhões e cortes nas minhas pernas, mas não me importei. Apesar de não dar a mínima para as minhas notas, eu sabia que se eu faltasse aula, minha mãe me mataria.

Acabei chegando vinte minutos mais tarde.

-Atrasado, Sr. Iero. – disse a professora de biologia ao me ver entrar na sala.

-É, eu sei, foi mal, perdi a hora.

-Espero que não aconteça de novo.

-É, tanto faz.

Ela estreitou os olhos, mas não disse nada. Olhei em volta e vi que as cadeiras ao lado de Ray já estavam preenchidas. Ele me lançou um olhar de desculpas e eu apenas dei de ombros, como um gesto de “Acontece”. Olhei em volta novamente e vi que o único lugar vazio era um no canto direito.

Bem ao lado do Gerard.

Ah, merda. Que maravilha! Tantos lugares para ficarem vazios e logo esse tinha que ser o único vago. Simplesmente ótimo!

Me arrastei lentamente até a cadeira ao lado dele. Notei que ele logo me olhou com uma cara de “Foda-se, senta aí mas não fala comigo”. Devolvi-lhe o mesmo olhar e joguei minha mochila na mesa.

Simplesmente maravilhoso. Passar um dia inteiro ao lado desse idiota. Muuuuuito legal mesmo.

Enquanto a professora explicava alguma coisa inútil sobre corpo humano, eu olhava para a mesa e rabiscava frases sem sentido.

-Você devia prestar atenção na aula, sabe. – ouvi uma voz rouca ao meu lado dizer.

-Não é da sua conta se eu presto ou não atenção na aula, sabe.

-Só estou dizendo. Não me admira que você esteja pendurado nas notas.

Larguei a lapiseira imediatamente e olhei-o nos olhos.

-Como você sabe?

Ele deu de ombros.

-Adivinhei. Então estou certo.

Bufei baixinho e voltei a rabiscar na mesa.

-Afinal, por que você é tão mal humorado assim? – perguntou ele.

-E por que você se mete tanto na vida dos outros?

-Só perguntei por curiosidade. Não precisa responder. – pude sentir o gelo na voz dele.

-Ah que bom, então não responderei. – respondi no mesmo tom, sem tirar os olhos da mesa.

-Sr. Way e Sr. Iero! Parem de conversar!

-Desculpe, Sra. Fay. – respondemos baixinho. Ela se virou novamente para o quadro branco, enchendo-o de palavras que obviamente não entrariam na minha cabeça de jeito nenhum.

Passamos a aula inteira em silêncio, apenas prestando atenção (ou não) na aula.

A próxima aula era de física, mas nós recebemos uma notícia maravilhosa: A diretora foi lá na sala e disse que a professora tinha faltado e, por isso, teríamos aula vaga. Toda a sala gritou de alegria, inclusive eu. Após a diretora fechar a porta, logo saí daquele inferno de lugar e fui falar com Ray.

-Falaí, palmeira!

-E aí, curtindo a aula juntinho com o seu amor platônico?

-Puta que pariu, Ray, quando você vai parar com isso?

-Quando você começar a namorar com ele! – disse ele piscando os olhos como se estivesse apaixonado.

Revirei os olhos.

-Tá, tá, foda-se. Você sabe por que o Bob tá doente?

Ele deu de ombros.

-Provavelmente porque comeu a comida do refeitório uns três dias atrás.

-É, quem sabe.

-Ai, cara, você nem sabe da última, lembra daquele videogame que eu te falei? Então...

Ray continuou falando, mas minha atenção estava virada para outra pessoa: o novato. Sei lá, ele parecia triste, olhando sempre para a janela, como se esperasse alguém ou alguma coisa.

-Ray... Ray, espera.

Ele franziu a testa, mas parou de falar imediatamente.

-Por que o... O novato sempre fica olhando para a janela ou para a parede, de um jeito infeliz?

-Vou saber, Frank?! Eu mal conheço o menino! Além do mais, por que isso te interessa tanto?

-Eu... Eu não sei, cara. Só me incomoda. Eu sinceramente não sei por que. Eu acho que... Só gostaria de saber por que ele é tão infeliz.

-Repito: Isso é lá da tua conta?

-Talvez você esteja certo... Enfim, o que estava dizendo... ?

-X-

Após nossa aula vaga, veio o terror:

A prova de História.

Dava para sentir o clima tenso na sala, afinal, todos nós sabíamos que aquelas provas eram “meio que” o demônio. Nem o nerd da sala conseguia tirar dez naquela merda, quanto mais os que estavam... “abaixo da média”, como eu.

Minutos depois, o professor entrou na sala, tornando o clima ainda mais tenso.

-Bom dia, meus queridos aluninhos! – disse ele em um tom feliz e sarcástico ao mesmo tempo. Era impressionante como ele só ficava feliz nos dias em que ele podia ferrar o quanto quisesse com a gente: Dia de prova.

Todos murmuraram frases desconexas. Uns xingaram baixinho, outros disseram bom dia, alguns entraram em pânico e mais outros disseram um simples “foda-se”.

-Espero que tenham estudado. Ainda mais algumas... Pessoas... Que não estão na melhor situação possível. – ele direcionou o olhar a mim e eu respondi com um olhar irônico – De qualquer forma, boa sorte a todos vocês!

Ele entregou as provas para todos os alunos e se sentou na sua mesa, provavelmente apreciando o nosso fracasso.

Ver a reação de todos frente às provas de História era engraçado. Alguns mordiam a tampa da caneta ou a borrachinha do lápis, fingindo ou não que estavam pensando. Outros enrolavam, apontando o lápis ou procurando grafite para a lapiseira. Tinham também os que se aproveitavam de um momento de distração do professor e olhavam para os lados, procurando pela resposta de alguma questão. Por último, haviam aqueles que pensavam “Foda-se, já sei que vou tomar bomba mesmo” e simplesmente escreviam qualquer merda nas linhas de resposta.

Eu, particularmente, prefiro fingir que estou pensando.

Direcionei meu olhar ao novato. Ele escrevia tudo rapidamente. Fiquei um pouco chocado, porque, ao contrário de Ray, por exemplo, ele escrevia com convicção. Ele realmente sabia das respostas.

-Como você sabe das respostas? – sussurrei baixinho para ele.

-Não é da sua conta. – ele respondeu no mesmo tom, sem tirar os olhos da folha.

-Mas é só isso que você sabe responder?

-É só isso que você sabe responder.

-Mas aquilo era pessoal. E saber as respostas de uma prova com certeza não é algo pessoal.

-Só me deixa em paz, falou?

-Você não viu a folha de respostas do professor, não é?

-Não! Que horror! – exclamou ele – Agora me deixa em paz!

-Mas...

-Eu não vou te dar cola.

-Eu não quero cola. Só quero saber como você consegue fazer....

-SR. IERO E SR. WAY. O QUE ESTÃO COCHICHANDO AÍ? – disse o professor.

-N-nada... – tentei gaguejar.

-Eu vi muito bem que o senhor estava pegando cola, Sr. Iero. E você, Sr. Way, estava dando as respostas.

-Não estava não! – defendeu-se ele.

-Não interessa. Já para a diretoria vocês dois.

Bufei alto e larguei a caneta na mesa e andei até a porta. Gerard olhou para cima em um gesto de frustração.

-Você não vem não, Way? – perguntei debochadamente.

-Já vou, Iero. – ele respondeu cinicamente, levantando da mesa e me seguindo até a porta.

Notas finais
Sim, eu estou ferrando o Frankie e o Gee. Tadinhos. Mas eles têm um ao outro, não é? *carinha apaixonada*
É, parei. Até o próximo!