My Bulletproof Heart

29 28-We're... Best friends?


Notas iniciais
Por que eu estou postando todo dia?
Não sei. Acho que isso faz eu me sentir melhor.
Ou eu sou louca mesmo. Sei lá.
Enfim, enjoy.

Me virei e encontrei ele.

Sim.

Gerard.

-G-Gerard?! S-sai daq-qui!

O rosto dele estava lívido de raiva e parecia me ignorar completamente, os olhos verdes fixos em Markus. Este último sorria com desprezo.

-Ah, quem é esse? Seu namoradinho? Own, que lindo, ele veio te salvar?

Gerard cerrou os punhos. Markus começou a se afastar de mim e ir em direção a ele. Arregalei os olhos e corri até Markus.

-Não encosta nele! – gritei e joguei o para o lado. Markus caiu bem próximo dos trilhos e começou a rir insanamente.

-Pensa que pode me deter, Frank? – disse ele, entre risos – Eu consigo tudo o que quero, lembra?

-Mas não vai conseguir ele. – rosnou Gerard, partindo para cima dele.

Os dois começaram a brigar e a se socar. De repente, Gerard conseguiu jogar Markus para dentro dos trilhos. Ele começou a rir novamente.

-Você acha mesmo que isso vai te ajudar? Aqui não passa mais metrô, seu idiota!

De repente, tive uma ideia. Fui para dentro do túnel, andando na passarela que, supostamente, era só para técnicos e encostei levemente na alavanca que dizia Perigo. Markus arregalou os olhos.

-V-você não faria isso...

-... Faria sim, Markus. Me desculpe. – fechei os olhos e abaixei a alavanca.

Fechar os olhos não adiantou muita coisa, eu deveria é ter tapado os ouvidos para evitar ouvir o grito de dor e a eletricidade queimando cada parte do corpo de Markus. Quando não pude ouvir nenhum grito dele, levantei a alavanca novamente. Abri os olhos e encontrei um Gerard pálido, suado e estático. Corri até ele e abracei seu pescoço.

-Ah, Gerard! Me desculpe, me desculpe, me desculpe...

-Calma Frankie, vai ficar tudo bem. – disse ele, me abraçando de volta – O que foi que deu em você, seu doido? – seu tom era carinhoso e preocupado ao mesmo tempo.

-E-eu... Fiquei com r-raiva e f-fui emb-bora de casa... E vim at-té aqui...

-Mas por que vir para cá?

-F-foi o primeir-ro lugar que m-me veio a mente...

-Você tem ideia do que podia ter acontecido... ?

-Eu sei, eu sei! Me desculpa! – agarrei sua camisa. Meus olhos estavam cheios d’água, mas eu tinha conseguido segurá-las.

-Tudo bem, Frankie. Tudo bem. – ele ergueu meu rosto – Está machucado?

-N-não...

-Então vai ficar tudo bem. Ok?

Eu assenti.

-Quem era ele?

-Eu... Eu comprav-va as drogas c-com ele... – Gerard murmurou algo incompreensível – E... Um d-dia ele deu uma f-festa... E ele me d-drogou sem eu sab-ber... E... Me... E me... M-m-me...

Gerard arfou. Ele tinha entendido exatamente o que tinha acontecido.

-Ah, Frankie... – ele me abraçou ainda mais forte, como se isso pudesse tirar tudo de ruim de dentro de mim – Se eu soubesse, eu teria matado ele muito mais cedo...

Ri sem humor algum.

-G-Gee... Posso te chamar assim?

Ele assentiu.

-Obrigado.

-Pelo quê?

-P-por me salvar... – não aguentei e comecei a chorar. Ele suspirou e afagou minhas costas, deixando eu liberar todas as lágrimas que eu tinha contido até aquele momento.

-Por que você saiu de casa?

-M-minha mãe est-tá namor-rando... E nem m-me cont-tou...

-Ela está feliz assim?

-A-a-acho que sim...

-Então você também deveria estar feliz. Pense bem, ele pode ser melhor que seu pai.

Ele tinha razão. Chorei ainda mais por isso.

-Me desculpe, Gee... Eu não devia ter feito isso... Não devia ter vindo pra cá, eu sou tão burro! Me desculpa!

-Shh, calma Frankie, vai ficar tudo bem...

-Você promet-te?

-Prometo. E, Frank... Você está ensopando a minha camisa.

-Ah, desculpe... – tentei me afastar, mas ele aproximou minha cabeça de seu peito novamente.

-Eu não disse que me importava. – continuei a chorar. Gerard me puxou com cuidado e me fez sentar, encostado na parede. Ele se sentou também e me abraçou carinhosamente.

Fiquei ali, chorando, até não poder mais. Uma hora, acabei dormindo, ouvindo sua doce voz cantando para mim.

-X-

No dia seguinte, acordei com o sol batendo das janelas empoeiradas da estação abandonada. Pisquei um pouco, tentando me acostumar com a claridade. Me mexi, mas senti um corpo ao lado do meu. Foi só aí que me lembrei de Gerard.

Observei-o dormindo. Sua pele pálida era linda quando o sol batia nela. De repente, notei que ele tinha uma mancha roxa. Provavelmente Markus tinha feito isso nele. Olhei para os trilhos e vi o corpo sem vida dele. Fiz uma careta de nojo e voltei para perto de Gerard. Mordi o lábio, observando o machucado. Obviamente, estava inchado. Percorri os olhos por seus braços e encontrei mais duas manchas. Toquei levemente o machucado em seu rosto e, sem querer, acordei-o.

-Frankie... ?

-Está machucado.

-Quem?

-Você. Está doendo? – toquei levemente uma das manchas em seu braço e vi uma careta se formar em seu rosto – Ah meu deus, me desculpe!

-Eu não me importo em ficar machucado por você. – disse ele, automaticamente. Segundos depois, ele arregalou os olhos e se arrependeu do que disse. Fingi não me importar com aquilo, talvez isso o deixasse menos vermelho.

-Ah... Mas mesmo assim, está doendo, não está?

-Um pouco... Mas é sério, eu estou bem.

-Não, não está! – minha voz era um pouco exasperada – Vem, nós vamos comprar um remédio pra você.

Dei graças a deus que tinha levado minha carteira no bolso da calça. Arrastei Gerard, a contragosto deste último, para fora da estação abandonada e fui logo em direção a uma farmácia. Provavelmente, minha aparência não era das melhores, mas não me importei com isso, afinal, Gerard estava machucado e isso era mais importante do que a opinião das pessoas sobre minha aparência.

Comprei uma pomada qualquer e o arrastei, mais uma vez, a contragosto, para fora da farmácia. Levei-o para uma cafeteria qualquer e nos sentamos em uma daquelas poltronas mais afastadas. Abri a pomada e comecei a passar, fazendo leves movimentos circulares em torno dos machucados. Ele mordeu o lábio quando comecei a passar, mas logo relaxou.

-Está se sentindo melhor? – perguntei, ao passar a pomada no último machucado. Ele fez que sim e murmurou:

-Obrigado. Por... Você sabe... Cuidar de mim. Você é o primeiro que faz isso... Fora os meus pais e meu irmão, óbvio.

-Você fez o mesmo por mim. Era o mínimo que eu podia fazer para agradecer. – sorri timidamente.

Ele suspirou e ficamos em silêncio mais uma vez. De repente, ele perguntou:

-Frank, nós somos melhores amigos?

Franzi a testa com a pergunta, limpei minha mão e fechei a tampa da pomada.

-Como assim?

-Você sabe... Eu te protegi... E você cuidou de mim... Isso nos torna melhores amigos?

Franzi a testa novamente.

-Eu... Eu não sei. Acho que sim... Não sei.

Ele mordeu o lábio e comentou, alguns segundos depois:

-Eu gosto de ser seu amigo. Acho que ia gostar mais ainda de ser seu melhor amigo.

Me espantei com aquela confissão.

-Gerard, são nove da manhã e você não dormiu bem. Você está claramente delirando. Vem, eu vou te pagar um café.

-Não, é sério. Eu sinto que nós somos melhores amigos. E... Eu gosto disso.

-Está falando sério? – arqueei as sobrancelhas. Ele fez que sim, timidamente. Ri baixinho e disse:

-Ok... Acho que somos melhores amigos, então. – ri comigo mesmo. Acho que nós dois já sabíamos disso há eras, mas só admitimos agora. Revirei os olhos com esse pensamento.

Até que a minha vida não era, de todo, ruim.

Notas finais
Antes que me perguntem: Não, eu não melhorei. Aliás, acho que eu estou ficando pior. Quem sabe, um dia, eu explique direito o que aconteceu. Por enquanto, só saibam que eu estou meio que com raiva de algumas pessoas porque elas mentiram para mim. Além disso, eu não estou entendendo nada em algumas matérias da escola e tals... É. É muita coisa acontecendo de uma vez. Mas tenho certeza de que tudo vai melhorar...
... Pelo menos eu espero.
Muito obrigada a todos que se preocuparam comigo :)
Beijos.