My Bulletproof Heart
19 18-Don't worry, be happy
Notas iniciais
POV Frank
No dia seguinte, já recebi alta do hospital. Até que não fiquei tanto tempo assim, esperava ficar bem mais. Infelizmente, logo após sair do hospital, fui obrigado a ir para a escola. Como era perto, não me importei muito em chegar atrasado.
Ao chegar lá, logo fui sentando no meio de Bob e Ray, exigindo explicações.
-Ok, me digam, seus putos, por que não foram me visitar?!
-Visitar aonde? E... que porra é essa no seu braço? É uma tipóia? – perguntou Bob, espantado.
-Obrigado, Capitão Óbvio! Não sei o que seria de mim sem você!
-Sério, Frank. O que aconteceu?
-Ah, umas coisas aí.
-Sério, o que houve? – perguntou Ray.
-Eu... Torci o braço. – menti. Os dois me olharam, desconfiados, mas nada disseram. Mudei de assunto – Então, já convidaram alguém para o baile?
-Pff, tá brincando? Nós seremos os últimos a conseguir alguém. Isso se a tia da cantina aceitar ir comigo. – Bob bufou.
-Então boa sorte pra vocês, porque é semana que vem.
-Tá brincando com a minha cara?! – gemeu Ray. Fiz que não com a cabeça.
-Oh merda. Só podia ser comigo mesmo. – reclamou Bob. Revirei os olhos. Era óbvio que eu achava toda essa merda de baile uma... Bem, uma merda.
-Mas e você? Já tem par?
Fiz que não com a cabeça.
-Cara, vocês sabem que todo ano eu dou uma desculpa pra não ir. Esse ano não vai ser diferente mesmo. – dei de ombros.
-Sabe, você deveria tentar ir... – comentou Ray – É divertido.
-Muito divertido dançar no meio de um monte de adolescentes gordos. – resmunguei, de mau humor.
-Nossa, desculpa.
-Ei, Iero. – disse uma voz conhecida. Olhei para cima e vi o novato me encarando timidamente.
-Sim?
-Você faltou ontem e... Nós vamos ter que fazer mais um dia de detenção porque nós tínhamos que fazer isso juntos. – disse ele, ficando extremamente corado debaixo dos olhares indagadores de Bob e Ray.
-Ah, ok. – assenti. Ele andou rápidamente até sua mesa e se sentou, colocando seus fones novamente e se desligando do mundo.
-... Mas... Desde quando vocês conseguem coexistir?!
Dei de ombros.
-Tivemos uma pequena discussão na detenção e acabamos por concordar que deveríamos tentar pelo menos nos comportar perto do outro.
Bob e Ray se entreolharam, desconfiados. Fiquei quieto e sério, tentando parecer o mais convincente o possível, até que os dois deram de ombros e deixaram o assunto de lado. Comecei a observar o Way. Ele parecia tão solitário ali, encostado na parede fria, brincando com um pedacinho de papel.
-Frank? Você está prestando atenção? – disse Bob, estalando os dedos na minha frente.
-Espera... Um minuto. – falei, vagamente, andando até a carteira do Way. O garoto tirou um dos seus fones e olhou para cima.
-O que quer? – perguntou ele. Sua voz não era acusativa e nem ríspida, era pura curiosidade, o que foi meio surpreendente para mim. Eu não estava acostumado com vozes curiosas, principalmente vinda dele.
-Você... Sei lá... Parece meio sozinho. Precisa de companhia?
-Não, obrigado. Já estou acostumado a ficar sozinho.
-Não é um bom costume. – sentei-me ao seu lado.
-Eu sei, mas não foi escolha minha... Bom, na verdade foi, mas eu não quero falar disso. – respondeu ele, evasivamente.
-Sabe, você não vai conseguir esconder isso durante muito tempo. Sugiro que conte a alguém. Não precisa ser para mim, mas para alguém. – dei um meio sorriso muito forçado. Dirigir um sorriso a ele não era algo natural para mim. Me afastei rápidamente, deixando-o perplexo.
POV Gerard
Estava estranhando essa mudança repentina de comportamento dele. Eu sei que ele não ia muito com a minha cara, então, como ele conseguiu passar de um anão insuportável para um baixinho comportado em tão pouco tempo?
É, parece que ele anda tomando uns banhos longos pra relaxar.
De repente, a professora de artes entrou na sala.
-Bom dia alunos! – disse ela, de bom humor e tirando um notebook da bolsa. Mais uma aula de teoria, pensei. Maravilha. Odeio aulas teóricas. Tirei meu caderno de desenhos da mochila e comecei a rabiscar novamente, enquanto a professora tagarelava sobre algum pintor que eu já conhecia. Porém, dessa vez, não desenhei o Iero. Desenhei uma coisa muito estranha:
Era eu mesmo, deitado em um caixão, com respingos de sangue pela minha roupa. Franzi a testa, não era algo comum que eu desenhava. Normalmente eu apenas desenhava meninas bailarinas, super heróis ou, recentemente, o Iero. Mas nunca tinha desenhado algo como... A minha morte. Balancei a cabeça, tentando me livrar desse pensamento, amassei a folha e joguei dentro da minha mochila, esperando nunca mais ver o desenho na minha vida.
Voltei a prestar atenção na aula. Ela continuava falando sobre algum pintor chato. Revirei os olhos e assisti as pessoas passando lá fora, conversando e sorrindo, felizes. De repente, uma cena estranha me apareceu: Dois homens andavam juntos, de mãos dadas, se beijando ocasionalmente. Franzi levemente a testa. Não tinha nada contra gays, mas eu não via um todos os dias. Uma coisa que chamou minha atenção foi o fato de que eles estavam felizes... Tipo, muito felizes, como se nada mais importasse, só o seu parceiro. Sorri tristemente. Era uma cena bonita de se ver. Por um minuto, desejei que eu tivesse toda essa felicidade, nem que tivesse que ser ao lado de um alien.
Meus olhos se desviaram para a figura baixinha na fileira de trás. Ele ria com seus amigos, sem prestar atenção na aula, enquanto escrevia qualquer coisa em seu caderno. Um sorriso involuntário apareceu em meu rosto. Rapidamente, desfiz-o e franzi a testa. Por que esse sorriso?
Uma fração de segundo depois, minha mente me deu a resposta:
Porque, no fundo, você sabe que ele te faz feliz. Você sabe que ele te faz bem. Ao lado dele, você se sente melhor. Você poderia contar qualquer coisa a ele e não se arrependeria depois. Você sabe disso.
É... Eu sei... Mas ele não sabe. E prefiro que continue assim.
-Sr. Way? – chamou a professora.
-Hm? – alguns alunos riram e eu comecei a corar.
-Está tudo bem? Você parece meio pálido...
-Ah, eu estou passando um pouco mal... – não deixava de ser verdade.
-Quer ir a enfermaria? – perguntou ela, preocupada.
-Pode ser... – murmurei e me levantei em direção à porta, debaixo de olhares curiosos. Fechei a mesma atrás de mim, fechei a porta de um dos banheiros e me sentei no chão frio de mármore. Encostei a cabeça na parede gelada, tentando amenizar minha dor de cabeça. Óbvio que não funcionou. Olhei para cima, como se estivesse em busca de ajuda. O que estava acontecendo comigo, afinal?
-Way? – disse alguém do lado de fora, batendo levemente na porta. Reconheci aquela voz rouca e irritante..
-Entra.
Vi aquela figura baixinha fechar a porta atrás de si e se sentar ao meu lado.
-O que está fazendo aqui? – perguntamos na mesma hora. Coramos e ele disse para eu falar primeiro.
-Por que veio até aqui?
-Eu notei que você não estava bem. Não podia ser só porque você estava passando mal. – oh, merda, espero que ele vá para o inferno junto com seu caráter observador!
-Não é nada...
Ele suspirou profundamente.
-Vamos lá, pode ir contando.
Gaguejei um “Não”, mas foram as últimas palavras que proferi durante horas, pois as lágrimas que eu estava detendo até aquele momento começaram a descer.
-Eita, calma, calma. – disse ele, dando tapinhas nas minhas costas. Era visível que ele estava muito desconfortável nessa situação e eu não o culpo.
Ele esperou pacientemente até eu acabar meu pranto, sem fazer nenhum movimento ou dizer palavra alguma. Pode parecer meio insensível mas, sinceramente, foi a melhor coisa que ele já fez. Se ele tentasse demonstrar carinho, eu provavelmente me esquivaria, afinal, não estava acostumado com carinhos dele. Se ele se mostrasse indiferente, provavelmente eu choraria mais ainda. Mas não, ele simplesmente me assistiu, com uma expressão de tristeza estampada no rosto.
Após eu terminar de chorar, ele se pronunciou:
-Já acabou?
-J-já... – solucei.
-Agora por que não me conta o que aconteceu?
-É s-só que... Muitas c-coisas estão acontecendo comigo... E é tud-do de uma vez! E-eu não sei se cons-sigo suportar isso!
Ele suspirou fundo mais uma vez.
-Eu sei que não somos melhores amigos... Não chegamos nem a ser colegas, mas eu quero que saiba que eu quero te ajudar. Não sei por que, mas eu quero te ajudar. – seu tom era sincero, o que fez meu humor melhorar um pouco.
-Muit-to obrigado... Não sei como agrad-decer...
-Não precisa... Gerard. – disse ele por fim. Esbocei um meio sorriso pelo avanço de nosso relacionamento.
Notas finais
Como eu sou uma inútil, eu não vou fazer absolutamente nada nesse carnaval, já que eu odeio bloco, odeio micareta e, acima de tudo, odeio carnaval. Por isso, espero que o capítulo saia mais cedo dessa vez *---------*
Mas não prometo nada, viu? '-'
Pra quem tá com saudades do Mikey, ele aparece no próximo -q
Bom... Yeah. Até o próximo.
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