My Bulletproof Heart

15 14-Now your nightmare comes to life


Notas iniciais
Bom, é, eu disse que não ia postar hoje, mas acabou que eu tive uma ajuda da minha amiga e a inspiração fluiu '------------' então, é.
Ah, e o título é uma parte da música Nightmare, do Avenged Sevenfold.
Bom, enjoy!

Olhei para os lados. Em ambos, só havia paredes sólidas e sujas de poeira. Pisquei os olhos para me acostumar com a escuridão do local. Consegui vislumbrar fracamente um caminho para a direita.

Comecei a correr, desesperado para sair daquele lugar sombrio. Eu não gostava daquele ambiente, era fechado demais e me trazia angústia.

Virei por vários pequenos corredores naquilo que, provavelmente, era um labirinto. Vez ou outra, eu tropeçava em alguma pedra ou galho, ou escorregava no solo lamacento, mas não me importava. Meu foco era sair daquele lugar.

Quando, finalmente, virei a última curva, me deparei com uma cena horrível: O novato, Gerard Way, estava deitado em um caixão lustroso de madeira escura. Ele tinha sangue no rosto, nas mãos e nos braços. Vestia um terno azul marinho, sapatos pretos e uma gravata cor de vinho. Suas vestimentas também estavam respingadas com sangue. Seus cabelos estavam colados no rosto, insinuando que ele estava suado. Suas mãos repousavam gentilmente na barriga e sua expressão era de uma serenidade gélida.

Arregalei os olhos. Quis correr, mas minhas pernas não me obedeciam mais. Quis gritar, mas minhas cordas vocais não funcionavam mais. Porém, andei até o caixão, mas não por vontade própria. Foi como se alguém tivesse me puxado.

Comecei a encarar o cadáver pálido. Sua boca não mostrava nem um sorriso. Nem uma expressão sarcástica. Nada. Olhei para seu belo rosto, maculado pelo sangue ali presente.

De repente, os olhos verde-oliva do Way se abriram e ele olhou em minha direção. Seus olhos demonstravam uma expressão de raiva. Sua boca pálida se abriu e ele proferiu uma frase que me deixou tremendo de medo:

–Você aguenta viver esta vida, Frank Iero?

Acordei suando frio. Apoiei-me em minhas mãos, ofegante. Mas que merda de sonho era aquele?

Suspirei fundo e me levantei para beber um copo d’água para tentar me acalmar. Era óbvio que eu não ia conseguir dormir novamente depois desse pesadelo, mas eu precisava me acalmar mesmo assim.

Andei até a cozinha, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Liguei as luzes da cozinha, fui até a geladeira e peguei o jarro, colocando água no copo. Bebi o líquido, com os braços tremendo violentamente. Só quando o líquido tocou meus lábios foi que eu percebi o tamanho da minha sede. Bebi todo o conteúdo em dois segundos e pus mais água no copo logo em seguida. Fiz isso mais umas duas vezes até ter minha sede saciada.

Pus o copo na bancada de mármore e olhei para o relógio. Quatro horas da manhã. Provavelmente eu teria de me maquiar para ir à escola, afinal, eu estaria com olheiras enormes. Fui até o banheiro para confirmar o fato e, realmente, eu tinha duas olheiras profundas debaixo dos meus olhos verdes, produto das várias noites sem dormir, somadas a esse pesadelo. Resultado: Olheiras.

Bufei e encostei a testa na parede fria e branca do banheiro. Minha vida só piorava, era impressionante.

–Já não está bom o suficiente?! – sussurrei, olhando para cima. Lavei meu rosto, sentindo a água fria entrar em contato com meu rosto, era uma sensação boa, reconfortante. Após secar minha face, me arrastei até meu quarto, fechei a porta e me joguei na cama, encarando o teto. Olhei para o meu pôster do Smashing Pumpkins.

–E aí, Billy Corgan, o que você faria no meu lugar? – murmurei. Olhei tristemente para a figura, afinal, saber que ele não me responderia era um pouco decepcionante. Virei para o lado e tentei dormir novamente. Sem sucesso.

Fiquei me revirando por mais ou menos meia hora, até que finalmente peguei no sono.

–X-

Acordei de novo umas seis e meia, convencido de que não conseguiria dormir de novo de jeito nenhum. Levantei-me, vesti-me e me encaminhei ao banheiro, fazendo minha maquiagem para disfarçar as olheiras roxas. Fui até a cozinha e encontrei minha mãe e Evelyn conversando.

–Bom dia, Sr. Frank. – disse ela timidamente.

–Bom dia... – murmurei baixinho.

–Bom dia, meu bem... Ah, Frankie, você vai assim pra escola, filho? – disse minha mãe, decepcionada, olhando para minha maquiagem.

–Deixe o menino, Linda. – disse a cozinheira.

–Obrigado, Evelyn. – murmurei, abrindo a geladeira, pegando uma caixa de suco e despejando o líquido em um copo.

–Vai comer alguma coisa? – perguntou ela.

–Não estou com fome.

–Eu ouvi você acordar no meio da noite. – disse minha mãe – Aconteceu alguma coisa?

–Não, imagina. – abri um sorriso amarelo – Não se preocupe, não é nada sério.

Ela suspirou, obviamente descrente, mas não fez comentários. Bebi o suco e pus o copo na pia.

–Quer carona? – perguntou minha mãe.

–Pode ser. – dei de ombros, abrindo a porta da cozinha para ela – Até mais tarde, Evelyn.

–Até mais tarde, Sr. Frank.

Eu e minha mãe saímos para o carro. Entramos no automóvel e fomos até a escola em silêncio. Durante o trajeto, fiquei com um pensamento flutuando na minha cabeça:

Por que eu estava tão triste que o novato tivesse morrido? Quer dizer, é claro que eu não desejo que ele morra, mas eu também não iria chorar se ele morresse. Mas o que raios está acontecendo comigo... ?

Olhei tristemente para a paisagem lá fora. O sol fraco era constantemente bloqueado pelos prédios altos de New Jersey e, quando não era bloqueado, acariciava levemente minha face. Isso tudo só ajudava o meu clima melancólico.

–Frank! – disse minha mãe.

–Oi.

–Eu estou te chamando faz horas!

–Ah, desculpe...

–Já chegamos.

Olhei em volta e, realmente, estávamos na frente da escola.

–Ah, obrigado, mãe.

–Frankie, é sério, o que houve? – sua expressão era preocupada.

–Já disse que não é nada.

–É por causa do seu pai?

Putz, você tinha que me lembrar disso, mãe?!

–Ele não falou isso por mal...

–Ele não falou isso por mal?! Mãe, se eu não estivesse ali ouvindo, eu continuaria acreditando que ele me amava! Isso foi a melhor coisa que aconteceu comigo!

Minha mãe olhou tristemente para o volante.

–Tudo bem... Até mais tarde, filho. – ela beijou o topo da minha cabeça.

–Até. – murmurei e saí do carro.

–X-

Ao chegar na sala, vi Bob e Ray fazendo piadinhas, como de costume. Sentei ao lado deles.

–Fala aí, Franks! Meu deus, qual é a da maquiagem?

–Ah, são só umas olheiras. – resmunguei, sem me importar com os cochichos dos meus “colegas” de sala. Era óbvio que eles apontavam para minha maquiagem, mas eu estava pouco ligando para os comentários.

–E por que você está com olheiras?

–Insônia.

Bob franziu a testa, mas não perguntou nada. Porém, Ray disse:

–Insônia por quê?

–Por nada. – menti.

–Você estava preocupado com seu amorzinho, o Gerard? – disse ele, com um sorrisinho zombeteiro.

–Há-há-há. Estou rindo tanto, Ray. – respondi, sem humor algum.

–Gente, antes da aula, a coordenadora tem um aviso para dar a vocês. – disse o professor de história.

A coordenadora baixinha entrou lentamente na sala.

–Eu queria comunicar a vocês que nosso baile de outono está bem próximo e que, este ano, haverá algumas mudanças.

Então, a coordenadora começou a falar sobre todas as mudanças no baile de outono, mas eu nem prestei atenção. Aquela história toda de baile de outono era uma merda: eu não sei dançar, não sou sociável e nunca consigo um par. Resultado: sempre arranjo uma desculpa para não ir.

Não, é sério, é melhor assim. O máximo que eu iria fazer lá seria sentar em um banco e assistir as pessoas se divertindo. Não haveria muito mais o que fazer.

Quando a coordenadora finalmente foi embora, um burburinho percorreu a sala inteira, todos falando sobre quem convidariam, o que vestiriam, etc. Simplesmente revirei os olhos.

–Que idiotice essa coisa de baile, né não? – disse Bob, bufando.

–Ah, jura mesmo? Claro que é idiotice.

–Ah, eu não acho. É a minha chance de conquistar uma garota. – Ray abriu um sorrisinho safado.

–Ah, Ray, vá tomar no cú. – reclamou Bob.

Ri baixinho enquanto o professor de história explicava algum tipo de matéria sem sentido.

–X-

No fim do dia, mais uma vez, fui obrigado a cuidar dos livros da biblioteca e, mais uma vez, fizemos essa tarefa em silêncio. Porém, do nada, o novato despertou-me dos meus devaneios sobre o pesadelo que eu tive.

–Frank?

–Que é? – respondi, de má vontade.

–Você está colocando esse livro na estante errada.

Olhei para o exemplar de Biologia para o 1º ano na minha mão e notei que estava colocando na estante E.

–Ah.

Rapidamente, pus o livro na estante certa.

Mais uma vez, ficamos em silêncio por um longo tempo, até que eu disse, impacientemente:

–Ok, chega.

–Chega do que?

–Eu quero saber por que você está me evitando.

–Eu não estou te evitando.

–Não, imagina. – respondi, ironicamente – Só não está falando comigo. Ah, cai na real, Way!

–Não é nada, Iero.

–Aham, claro que não é nada. É só que você, do nada, diz que se preocupa comigo e, poucas horas depois, está pouco se fodendo para mim. Ah, pelo amor de deus!

Ele corou violentamente, mas não disse nada.

–Vai me ignorar agora?

–Cala a boca, Iero. – replicou ele.

–Não calo, obrigado. Conte-me o que aconteceu.

–Puta que pariu, já disse que NÃO VOU FALAR!

–Sr. Iero e Sr. Way, a biblioteca não é lugar para ficar gritando! – disse a coordenadora, que tinha entrado na biblioteca do nada.

–Desculpe. – dissemos.

–Só por isso, aumentarei a detenção de vocês para mais três dias.

–Mais três dias com essa... Essa coisa?! – fiz um gesto em direção ao Way.

–Me desculpe Sr. Iero. Mas eu preciso fazer isso.

–Você precisa ou você quer?! – sussurrei baixinho, sem que ela ouvisse.

Coisa?! – repetiu ele, indignado, após a coordenadora sair da biblioteca.

–Sim. Prefere animal irracional?

Ele fechou os olhos, como se tentasse se acalmar.

–Eu não vou me rebaixar ao seu nível.

–Ok, foda-se.

–Escuta aqui, seu baixinho de merda. – ele não resistiu – Você acha que é o fodão e que todos gostam de você, mas eu tenho uma notícia bem ruim para você: você não é melhor que ninguém. Aliás, muitas pessoas são melhores que você!

–Sei. Agora me conta uma novidade. – resmunguei.

O novato bufou e começou a organizar os livros de qualquer jeito, com a expressão irritada.

De repente, tive um vislumbre do rosto do novato, mas ele estava diferente. Estava ensangüentado, como no meu sonho. Foi só por um segundo, mas foi o suficiente para fazer meu coração falhar e eu ter que me sentar.

–Ô preguiçoso, levanta a bunda daí e me ajuda. – resmungou ele.

–Com licença, eu tive um pequeno problema aqui. – repliquei, irônico.

Ele revirou os olhos e continuou a arrumar os livros.

Notas finais
Bom, acho que é isso. E não, aquele sonho dele não foi do nada, sejam pacientes que tudo será explicado mais para frente, ok? Essa fic é uma história para ser lida COM PACIÊNCIA, OUVIRAM?! Bom, vou parar de falar aqui se não eu vou começar a falar merda, afinal, são meia noite e meia e eu estou quase dormindo aqui *u* fui o/