My Blood: a Draco Malfoy story
3 Hogwarts
Depois de dois dias de planejamento e inúmeras conversas, finalmente chegara o dia de ida à Hogwarts com Narcisa e Yaxley como os encarregados de levar os adolescentes até a Plataforma 9¾, pois eram os mais prováveis de não receberem olhares desconfiados de terceiros.
Pandora, mestre em esconder emoções, mantinha sua satisfação com relação a companhia do homem para si. Passara poucos dias longe do seu "pai de mentirinha", mas era notável o quanto sentia falta de seu cotidiano e meio familiar que, mesmo sem altas doses expressas de afeto, era repleto de cuidado.
Ao chegar na Plataforma, tudo o que consegue se ver é a fumaça do trem a vapor escarlate e uma placa anunciando que o Expresso de Hogwarts partiria às onze horas.
O local tinha um cheiro bem característico de fumaça e algo adocicado, possivelmente doces. O alvoroço de vozes enchia o lugar e diversas famílias se reuniam para desejar boas aulas aos bruxos menores de idade. Aqui e ali, viam-se pais e mães aos prantos, antecipando a saudade que sentiriam de suas proles. Era fácil dizer qual núcleo familiar ali presente era o mais frio no quesito de tratamento. Mesmo que os olhos da senhora Malfoy insistissem em se encher de lágrimas em alguns momentos.
E era fácil, também, notar muitas cabeças se virando em direção a eles. O que fez a garota se questionar se a razão seria a presença de Narcisa, esposa de um ex-detento de Azkaban ou o fato do Chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia estarem no meio deles.
— Vocês devem ir. O trem parte em cinco minutos! – a mulher os alerta. – Se cuide e seja forte. – diz abraçando Draco com força. – Qualquer necessidade, entre em contato. – ela se volta na direção de Pandora. – Será um ótimo ano, querida. Cuide-se! Estarei ansiosa por notícias.
— Obrigada, senhora Malfoy. – o sorriso da garota não podia ser mais verdadeiro.
Estava plenamente feliz, pois iria fazer parte do mundo que sempre deveria ter sido seu.
Yaxley a chama para um canto um pouco afastado, ao passo que Draco faz menção de pegar o malão de ambos e leva-los para o trem. A garota agradece ao menino e vai na direção de Corban.
— Só queria dizer que minhas expectativas estão altas. Espero que mostre do que é capaz e não se deixe intimidar por ninguém em Hogwarts. – avisa. – Lembre-se de tudo o que aprendeu. Está mais que preparada e... – ele para um momento, contemplando o rosto questionador da garota e, num aparente esforço, diz: — Sei que não é meu papel. Sei que não sou seu pai. Nem mesmo um parente. Mas me afeiçoei a você, Pandora. E gostaria que soubesse que tenho orgulho de ter sido seu tutor e companheiro durante esses anos.
Aquilo pega a menina desprevenida. Não era algo comum eles serem carinhosos um com o outro. Na verdade, nunca falaram sobre sentimentos ou nada do tipo. Em sua relação, por mais que fosse pacífica e por mais que muitas atitudes deixassem visível que ambos tinham um cuidado mútuo, nada era proferido em palavras.
Até agora.
Pandora sorri. – Você foi e é um bom pai de mentirinha, Corban. Sempre serei grata por tudo que fez por mim. Só sou o que sou hoje por sua causa. – e, surpreendendo ambos, abraçou o homem a sua frente. Um abraço que não durou mais que dois segundos, porém. – Bem, isso aqui está parecendo quase um adeus, mas vamos nos ver em breve, certo?
— Iremos. – Yaxley ri. – Agora, vá! O trem já vai partir.
Com passos decididos, a garota vai ao encontro de Draco que a espera.
— Vamos? – ele diz.
Com um aceno direcionado aos seus respectivos responsáveis, eles entram na locomotiva.
*
— Vou para o vagão da Sonserina. Quer ir também? – Draco pergunta e já que ele era a única pessoa que ela conhecia, Pandora o acompanha.
Assim como na noite em que chegou à Mansão Malfoy, todos os olhos das pessoas presentes no vagão se viram na direção da garota assim que chegam ao espaço. Ela estava começando a odiar aquilo.
A sensação de sobriedade era altíssima no vagão, algo estranho para um lugar repleto de adolescentes. Todos arrumados impecavelmente e conversando de forma civilizada. Pandora notou que, até mesmo aqueles que se encontravam deitados no estofado, estavam com uma postura diferenciada.
Era óbvio que a grande maioria ali presente, se não todos, viam de uma linhagem pura. E, mesmo com a tendência de se sentir deslocada, a sensação da garota foi exatamente o contrário: nunca havia se sentido tão pertencente a algo. Não a toa, pois também havia sido criada como uma sangue-puro.
— Draquinho! – os devaneios da Hawking são interrompidos quando uma garota praticamente grita ao vê-los. – Senti sua falta. – ela diz, enquanto abraça Draco. Ficou nítido que aquela seria uma das várias caidinhas por Malfoy. Pandora nem fez questão de segurar a revirada de olhos que a acometeu, temeu apenas ficar cega da força colocada no ato.
— Oi, Pansy. – ele responde sem muita animação.
Ela o puxa pela mão e juntos se sentam numa mesa com dois garotos bem intimidantes pelo seu tamanho e nem um pouco simpáticos. Pandora prefere sentar, no estofado ao lado, junto de uma garota loira que lança um sorriso tímido em sua direção.
— Crabbe, Goyle. Essa é Pandora Hawking. – Draco a apresenta para os garotos mal encarados. – Ela é nova na escola.
Ambos a analisam por completo e o mais baixo, aparentemente, Crabbe, diz: — Ah, olá! Você é bem bonita. – é possível ver uma pessoa revirando os olhos, mas dessa vez quem o faz é Malfoy.
— Obrigada, eu acho! – responde a contragosto, transmitindo um grau de superioridade em sua voz afim de deixar claro para aquele menino que não tomava aquele comentário como um elogio.
Pansy percebe o teor da voz de Pandora e a analisa, o nojo presente em seus olhos. A última nota que ela coloca o braço nos ombros de Draco e ri internamente. Estava diante de uma garota possessiva e insegura. O pacote perfeito!
Por fim ela pergunta, tentando forçar uma falsa simpatia: — Então, qual a razão de você só estar indo para a escola agora? Quero dizer... – ela solta uma risada de deboche. – É óbvio que tem nossa idade, mas nunca foi? Ou é transferida?
— Meus pais preferiram me ensinar por conta própria. Então, me encaixo na primeira definição. – responde com a voz suave. Sabia que lidar com metidos a valentões e gostosonas com ternura era bem pior do que revidar na mesma moeda. Mate-os com delicadeza, afinal! – Acho que atingi um nível que eles não conseguem mais dar conta. – parou e pensou um pouco. – Ou só queriam se livrar de mim por uma boa parte do ano. – brinca, fazendo todos os ouvintes, inclusive a menina sentada a sua mesa e exceto Pansy, rirem.
— Bem, se os seus pais te ensinaram, provavelmente você não deve ser essas coisas todas em magia. – ela afirma.
— Você é? – Pandora questiona, enquanto Pansy a olha em dúvida. – Boa em magia... – esclarece. – Se for, nós podemos duelar e aí podemos dizer qual é melhor: sua educação de Hogwarts ou a minha educação doméstica. – novamente todos os meninos riem e, quando a já sonserina iria responder, eles começam a conversar sobre outro tópico, interrompendo seu direito de resposta.
Depois disso, Pandora se desliga daquela discussão, focando seus olhos na paisagem além da janela do trem. Não passa muito tempo, porém, visto que a menina a sua frente comenta: — Foi bom ter rebatido o comentário da Parkinson. É sempre um ótimo momento quando alguém faz com que ela baixe a bola. – ela estende a mão na direção de Hawking e se apresenta. – Daphne. Daphne Grengrass.
A recém chegada a olha com atenção. Daphne Grengrass era, incontestavelmente, uma bruxa de sangue-puro e extremamente bonita. Seus cabelos loiros e olhos verdes claros a deixavam com uma aparência que os trouxas diriam ser "angelical". Mas Pandora podia apostar que de angelical ela teria quase nada.
Só percebe que a outra menina está com a mão estendida depois de longos segundos e é com grande dificuldade que a aperta. – Pandora.
— É um prazer conhece-la. – ela diz.
— Igualmente.
— Então, seu pai é Corban Yaxley? – ela questiona, enquanto a outra garota só lança um olhar duvidoso, pois não lembrava de ter comentado sobre nenhum familiar. – Vi você e Malfoy na Plataforma. – se explica. – Presumi que fosse a famosa, porém desconhecida, filha dele, já que Draco estava acompanhado da mãe.
— Ah! Sim, sou filha dele. – confirma, lembrando do plano de levar a encenação sobre seus laços sanguíneos adiante.
As garotas continuam a conversar. Falam sobre as expectativas para o ano que começará e seus gostos acadêmicos.
É uma viagem tranquila, exceto por um momento em que todo o vagão fica preto, com uma espécie de fumaça ou pó, impedindo todos de enxergar qualquer coisa a sua frente.
Mais tarde, é possível já ver o imponente castelo. É magnífico! Nada que Pandora tivesse visto se comparava aquilo e uma ansiedade toma conta de seu estômago. Parecia que todos os seus órgãos viraram água e não havia mais nada exceto o balanço dela em sua barriga.
O trem para e todos começam a pegar seus pertences. A garota nota, ao mesmo tempo que os amigos do mesmo, que Draco continua sentado no banco em que passou toda a viagem. Ele os dispensa e a mesma acompanha Daphne para fora da locomotiva.
Ao chegar nos portões da propriedade, observam um homem pegar os pertences dos alunos e os revistar.
— Aparentemente, reforçaram as medidas de segurança esse ano. – ela escuta a Grengrass comentar. – Acho que estão com medo de alguém entrar com algo não permitido, mas devo dizer, contratar aurores para isso me parece um pouco exagerado, não acha? – pergunta.
Pandora reflete. Talvez não fosse exagerado devido a tudo que tem acontecido. Ou que irá acontecer, pensa. Mesmo assim responde: — Provavelmente sim.
O caminho da garota é interceptado por um senhor franzino e de aparência extremamente descuidada. – Você é a novata? – pergunta com a voz ríspida e nem um pouco amigável. Pandora acena afirmativamente. – Venha comigo. O diretor deseja falar com você. – lança um olhar na direção de Daphne e acrescenta: — Sozinho.
A outra menina sorri e diz: — Até mais tarde. Espero que fique em Sonserina.
*
A sensação é de que eles andaram durante um longo tempo, até alcançarem uma gárgula. O homem, que agora ela sabe se chamar Filch, sussurra algo e a estátua se move para mostrar um lance de escadas. – Vá! No final da escadaria, você encontra uma porta. Bata e então entre. O diretor Dumbledore estará lá.
Seguindo as instruções, ao final da escadaria, Pandora se vê numa sala circular larga e bonita, cheia de barulhos engraçados. Curiosos instrumentos de prata em mesas com pernas fusiformes. As paredes cobertas de retratos de antigos diretores da escola, todos olhando em sua direção através de suas molduras.
E, sentado numa cadeira, estava um homem velho.
Bondade estava cravada em todo o seu rosto. E a adolescente não pôde evitar se questionar como conseguiria tramar a morte daquele homem?
— Senhorita Hawking, é bom finalmente conhece-la. — ele diz. — Vou ser bem rápido, não quero atrasá-la. Acredito que já está bastante nervosa.
Mesmo não estando, ela responde: — Com certeza. – ele ri.
— Provavelmente você já sabe que temos Casas aqui. – ele se interrompe, enquanto Pandora acena em resposta. – Ótimo. O Chapéu Seletor vai escolhê-la para alguma delas. Pensei em realizar sua seleção junto aos alunos novatos, mas não faria muito sentido já que está designada ao sexto ano. – ele pega um chapéu velho de cima da mesa e se dirige a cadeira na qual ela está sentada. — Pronta?
— Sim.
Só foi preciso um segundo para que o chapéu criasse vida.
— Ah, interessante... – ele sussurra. – Uma mente nada má, mas uma grande necessidade de se provar. Um senso de autopreservação além da imaginação e ambição... Ah, ambição também. – ele para. – A capacidade e vontade de se proteger e proteger a quem possui apreço estão presentes aqui num nível elevadíssimo! E um passado ou origem, se preferir, que mesmo você não tem ideia do quão problemática é. – por fim, diz: — Deve ser SONSERINA.
Pandora não consegue conter o sorriso e olha para cima, notando o olhar fixo que Dumbledore lhe direciona.
— Muito bem, senhorita. – diz. – Acredito que Sonserina acaba de ter uma adição de valor inestimável. – sorri. – Deve ir agora! Não quer perder o jantar, certo?
— Obrigada, senhor. – responde. – Tenha uma boa noite.
Ao sair dali, mesmo feliz, algo continua reverberando na cabeça de Pandora:
Um passado ou origem, se preferir, que mesmo você não tem ideia do quão problemática é.
Foram as exatas palavras do Chapéu Seletor. O que ele quis dizer com isso? Uma origem problemática? De fato, era muito problemático ser filha de quem era, mas será que era a isso que ele se referia?
Balança a cabeça. Deveria focar em sua tarefa e não em algo que um chapéu velho e caindo aos pedaços havia dito.
Assim que chega ao Salão Principal, se dirige a mesa da Sonserina. Mesmo a distância, Draco a observa e levanta as sobrancelhas ao ver onde a mesma senta. Pandora levanta as mãos em um gesto de indiferença e gesticula a palavra da Casa a qual, agora, pertencia. Recebe um sorriso e um aceno do garoto.
— Sonserina, ein? – Daphne a cumprimenta quando a mesma se senta ao seu lado. – Fico feliz por isso! Considere um livramento não ter ido pra Grifinória, por exemplo. – brinca com um ar de horror em seu rosto.
Pandora não tem tempo de digerir as palavras da garota pois, no momento seguinte, pula de susto ao sentir uma mão em seu ombro. Nossa, ela realmente detestava toques.
Se vira na direção da pessoa que fez aquilo e se depara com um garoto de cabelo preto e traços bonitos, sorrindo para ela. Mesmo a contragosto, ela sorri de volta.
— Oi, eu sou Blásio. Você deve ser a novidade do ano... – se apresenta.
— Oi, Blásio. Sou Pandora. – responde, ignorando o comentário do menino.
— Pandora? Como no mito grego?
— Sim, eu acho. Você é fã de mitologia grega? — brinca.
— Bem, os trouxas tem algumas coisas patéticas e engraçadas. – ele sorri. Um sorriso bem bonito, inclusive. – Então, me diga. Você veio aqui para trazer um pouco de esperança?
— Esperança? – pergunta confusa.
— Sim, esperança. Pandora. A caixa de Pandora. O mito. – ele atesta.
— Não sei se esperança seria a palavra correta, mas talvez dois avisos... – comenta. – Primeiro, eu não gosto de toques, então a menos que queira receber algo não muito agradável, seja físico ou mágico, eu o aconselharia a não repetir o gesto. – diz, tentando ser o mais simpática possível, pois havia gostado do garoto. – E segundo, talvez você deveria se livrar dessa obsessão por mitos. Sabe, não é um hábito muito saudável... – brincou, o fazendo rir.
Ele pisca em sua direção e vai para o lugar que estava sentado. Ao lado de Pansy e Draco, por sinal.
— Blásio é um cara legal. Gosta de flertar demais pro meu gosto, mas não chega a ser desagradável como outros. — Daphne diz. – E, por outros, lê-se Crabbe e Goyle.
— Nossa, e alguém já caiu nos braços deles dois? Me diga que ninguém foi corajosa ou burra o suficiente para isso! – Pandora responde, fazendo ambas rirem. Depois desse momento, ela nota a proximidade extrema entre Malfoy e Parkinson e resolve perguntar a Grengrass sobre. – Agora, me diga uma coisa: qual o lance entre Malfoy e Pansy? Digo, ele nitidamente não gosta da companhia e mesmo assim andam juntos... Praticamente colados.
— Você é bem observadora... – ela responde antes de olhar com desconfiança para Hawking. – E talvez interessada demais em Malfoy. – diz, por fim. – De qualquer forma, ninguém entende muito bem qual o lance dos dois. Definitivamente já rolou algo entre eles e, talvez, ele já tenha tido um real interesse nela, mas acho que hoje é algo totalmente unilateral.
— É nítido! – comenta. – Acho que a única pessoa que não sabe disso é ela.
O jantar avança sem muitas novidades e as meninas aproveitam o tempo para se conhecer mais. A Grengrass, Pandora logo percebe, falava bastante, então em poucos minutos já sabia de muita coisa sobre muita gente.
A coisa mais incomum da noite foi um garoto da Grifinória entrando no Salão Principal com o nariz sangrando, ao qual, percebeu a garota, Draco pareceu bem satisfeito em ver a cena.
Depois de alguns momentos, Dumbledore deu seu discurso, apresentando o corpo docente, desejando boas-vindas aos alunos novos e antigos. Em um ponto de sua fala, ele mencionou Tom Riddle o que causou uma mudança drástica no clima do local. Se tornou mais do que óbvio que ninguém esperava por aquilo. Além disso, esclareceu que as medidas de segurança para o ano que começava foram redobradas, com o objetivo de manter tudo sob controle e na mais perfeita ordem.
Ao final da cerimônia, os sonserinos se dirigiram às masmorras, onde ficava sua Sala Comunal. O caminho até lá foi tranquilo e recheado de conversas entre os alunos eufóricos com o que imaginavam estar a sua frente.
Pandora logo descobriu, através da monitora da Casa, que não teria colegas de quarto, pois como alguém do sexto ano, não poderia dividir o quarto com alguém do primeiro e de outros. Ficou, então, sozinha.
O que não era incômodo. Gostava de manter as coisas do seu jeito e, como estava acostumada a passar boa parte do tempo somente em sua própria companhia, achou aquilo satisfatório.
Estava tão cansada que nenhum sonho chegou a atingi-la naquela noite.
*
Seu segundo dia em Hogwarts foi bem corrido.
A primeira coisa que precisou fazer foi conhecer o diretor de sua Casa, o professor Snape.
— Senhorita Hawking. – ele a cumprimenta assim que a mesma entra em sua sala que, por sinal, estava repleta de molduras representando as mais diversas maldições. Corpos desfigurados, inferis rastejando e pessoas com olhos vazios, provavelmente representando a maldição Imperius, decoravam o lugar. Bem, aconchegante, ela pensou.
— Bom dia, professor. – o cumprimentou.
— Deve estar se perguntando o motivo de tê-la chamado aqui hoje.
— Na verdade, sim. – ela confessa.
Ele a analisa atentamente e diz: — Como diretor de sua Casa devo esclarecer as regras escolares e dizer que espero realmente que a senhorita se prove como uma adição à Sonserina. Há um legado muito forte e detestaria vê-lo machado por alguém. – ela acena em resposta. – Além disso, devo dizer que seus feitos renderão pontos a Casa e suas violações os reduzirão. – Snape se abaixa para pegar um papel dentro de uma gaveta. – Aqui está seu horário. Hoje, suas aulas serão Poções com o professor Slughorn que, a propósito já está para começar; Transfiguração com a professora McGonagall e Defesa Contra as Artes das Trevas, comigo. – ele a entrega o papel. – Também gostaria que viesse me ver no final da semana para tratar de seu futuro.
— Meu futuro? – ela pergunta.
— Você sabe que quando terminar a escola, terá que achar um emprego, certo? – o professor questiona como se a garota fosse a pessoa mais estúpida da face da Terra. Ela decide ignorar isso e acena. – Então é sobre isso que falaremos. Está dispensada. – Quando Pandora se vira para sair, ele adiciona: — E senhorita Hawking! Seja bem-vinda.
*
Após se perder em meio a tantos corredores, a garota finalmente encontra a sala de Poções. Assim que chega ao local, vê dois grifinórios do lado de fora, ambos hesitando.
— Vocês vão para a aula de Slughorn? – pergunta.
— Sim. – um deles responde. — Ei, você é a garota nova, certo?
— É tão óbvio assim? – ela questiona.
— Bem, nunca a vi antes, então... Só presumi. — ele estende sua mão na direção da sonserina. — Rony Weasley.
— Pandora Hawking. – o cumprimenta com um aceno de cabeça, ignorando a mão estendida. — E você é? – pergunta ao outro garoto que só a encara.
— Harry Potter. – ele responde.
Um sinal de alarme toca na cabeça de Pandora. Então aquele era o garoto que o Lorde das Trevas quer matar.
Chega a ser até engraçado como o destino trabalha, ela pensa.
— Prazer em conhece-los. – diz. – Agora, se me derem licença, vou entrar. – com isso, abre a porta da sala tendo suas narinas, instantaneamente, tomadas pelos mais diferentes cheiros.
Alguns estudantes já estavam lá, todos divididos entre grifinórios e sonserinos. Todos os olhares se voltam para os retardatários.
— Ah, senhor Potter, finalmente se juntou a nós! — diz o professor Slughorn, ignorando completamente o fato de que mais dois estudantes estavam parados na entrada de sua sala. Um cara bem imparcial aos olhos de Pandora que se dirige a mesa onde os sonserinos estão parados. Anda até o lado de Blásio que olha para baixo, pois a garota era ao menos uma cabeça menor que ele, e sorri.
Conforme a aula continua, a garota nota pequenas coisas, aqui e ali: por exemplo, uma menina da Grifinória com uma enorme necessidade de se provar; o fato de Slughorn já ter seus estudantes favoritos e o cheiro bom no ar que dava uma sensação de liberdade, como se estivesse ao ar livre.
Lembrava muito o que sentiu nos jardins dos Malfoy.
Em um determinado momento, conseguiu entender que o cheiro vinha de um caldeirão com uma poção chamada Amortência. A poção do amor. Decide ignorar aquilo. Não é como se tivesse sequer tempo ou disposição para romance.
— Para nossa primeira aula, quero que todos vocês, no tempo que ainda nos resta, façam a Poção do Morto-Vivo. — Slughorn diz. – É claro que não espero nada muito elaborado, mas o responsável pela melhor poção receberá isso. – ele levanta um pequeno frasco. – Felix Felicis. Ela traz, para a pessoa que a beber, sorte. Em... Bem... tudo que ele ou ela queira fazer. Até o efeito passar, pelo menos. – ele sorri.
Os olhos de Pandora se dirigem instantaneamente a Draco, pois aquilo poderia ser a resposta aos problemas dos dois. Não que precisassem de uma poção para realizar a missão que os foi concebida, mas toda ajuda era bem-vinda.
Nota que, pelo jeito que ele estava, o pensamento dominante em suas cabeças era o mesmo. Então, quando o professor dá a partida, ambos começam de imediato.
Mesmo não sendo excepcional em Poções, a garota abre o livro na página indicada e começa a ler as instruções. E, já que não era sua área, decide seguir a receita palavra por palavra.
Ingredientes:
Losna.
Raízes de valeriana.
Raiz de asfódelo em pó.
Vagem sudorífera.
Modo de preparo:
Picar as raízes de valeriana e botar no caldeirão, após isso ela deve apresentar-se lisa e de cor groselha, o ideal.
Após feito, deve-se cortar a vagem sudorífera e botar no caldeirão.
Agora mexa no sentido anti-horário, que resulta em uma poção violeta.
Adicione a raiz de asfódelo em pó e a infusão de losna.
Concentrada como estava, Pandora quase não consegue ouvir Malfoy tentando chamar a atenção de Slughorn ao puxar saco para sua linhagem. O professor não poderia ter ligado menos para aquela tentativa.
A garota olha para o menino e pergunta: — Sério? Tentando cair nas graças dos professores? Nunca imaginei que seria um babão, Malfoy.
— Cala a boca. – ele retruca, voltando a atenção a sua própria poção.
A vagem sudorífera se mostrou a parte mais difícil de todo o processo. Parecia completamente impossível de corta-la.
Ao final do tempo, a poção da garota apresentava uma coloração rosada, mas não havia completado toda a receita, pois o tempo que gastara tentando cortar a bendita vagem impossibilitou a realização do último passo. Mesmo assim, de acordo com Slughorn, para alguém que nunca foi à escola, foi um bom trabalho.
No fim, a Felix Felicis ficou com Potter.
Pandora quase não conseguia esconder a decepção enquanto se dirigia ao Salão Principal para o almoço. Ao sentar numa das mesas, não demorou muito até Draco tomar o lugar ao seu lado. Estava, estranhamente, sozinho.
— Bem, não conseguimos, mas não é como se precisássemos, certo? – ele pergunta.
— É, mas ajudaria bastante, até você tem que admitir isso... – responde, ao passo que o mesmo concorda. – Por qual razão está sentado comigo? Você não tem que assumir o fardo de ser guia da garota nova, sabia... – completou.
— Sei disso, mas é triste! – comenta, enquanto leva o copo de suco de abóbora aos lábios. A garota o olha com um claro questionamento em suas íris verdes. Ele dá de ombros. – Você sabe... Ver você para cima e para baixo sozinha. É triste. – ele adiciona com sarcasmo.
— Você devia fazer stand-up, sabia? É realmente engraçado.
Ele ri: — Falando sério agora. Acho que podemos aproveitar esses momentos para falar sobre você-sabe-o-quê. – diz, se aproximando da garota e baixando o tom de voz. Estavam perigosamente próximos e o perfume que ele exalava era, atestava Pandora, bem gostoso. – Quero mostrar uma coisa pra você hoje. Quando todos estiverem no jantar. Tudo bem por você? – ela acena. – Ótimo. Agora coma!
Ela só levanta as sobrancelhas e ignora o último comentário. Começava a perceber que o garoto sentando próximo a si era fã de dar ordens.
*
Enquanto o jantar estava sendo servido, Pandora é levada por Draco ao sétimo andar.
Tomam a esquerda e param em frente a uma parede vazia.
— Fascinante. – ela diz. Malfoy revira os olhos pela fala, mas logo depois os fecha.
A garota continua parada, sem nenhuma pista sobre o que ele estava fazendo e, quando estava prestes a perguntar se ele era doido, uma porta se materializa em sua frente. Ela deixa um assobio de surpresa escapar, fazendo Draco rir e a chamar para adentrar no local.
— Essa é a Sala Precisa ou Sala Vai e Vem. Não é conhecida por muitos o que faz com que seja discreta e um bom esconderijo. É sempre equipada com tudo que precisamos. – apresenta, enquanto Pandora observa com atenção o lugar. Muitos objetos aglomerados, uma verdadeira confusão de velharias.
— Bem, nesse momento, isso precisa de uma limpeza.
Draco começa a andar e ela é obrigada a acompanha-lo. Um objeto não muito distante deles chama sua atenção.
Um armário.
— O que é isso?- pergunta, sua curiosidade alcançando níveis estratosféricos.
— Ah, essa é a razão de estarmos aqui. — Draco responde. – Esse é o Armário Sumidouro. Ele funciona como uma passagem entre dois lugares. Não são muito comuns hoje em dia, soube que a maioria foi destruída depois da Primeira Guerra. – completa. – Mas, se concertarmos este aqui...
— Podemos trazer algo de fora para dentro? – pergunta e, após alguns segundos de raciocínio, acrescenta: — Poderemos trazer os Comensais?
— Você não é tão estúpida quanto pensei que fosse. – ele responde, recebendo uma revirada de olhos em resposta.
— Continue.
— Um par está na Borgin&Burkes. Vão usá-lo como transporte para vir até aqui. – ele para, refletindo. – Não gosto muito dessa ideia, porque talvez isso coloque todos os meus amigos em perigo, mas...
— Não temos escolha. – ela completa. – Como descobriu esse?
— Montague, um garoto da nossa Casa, conseguiu aparatar através disso. Obviamente foi um acidente, ele não usou o armário de forma totalmente consciente ou até mesmo voluntária, mas aconteceu... Perguntei a ele e o mesmo me disse. – esclareceu. – Existe um problema, no entanto. Como eu disse, esse está quebrado e se alguém ou alguma coisa tentar se transferir, vai ficar preso numa espécie de limbo. Então, perguntei a Borgin como e se é possível concertar.
— E? – ela pergunta.
— É possível. Venha cá. – ele a chama, mas não recebe nenhum movimento que indique aproximação. – Eu não mordo. A menos que me peçam... – ele diz a encorajando e piscando em sua direção.
A muito contragosto e hesitação, ela pega sua mão e ele a coloca em sua frente.
Pandora consegue sentir a respiração dele em seu pescoço, mas escolhe por ignorar a sensação de embrulho no estômago que aquilo lhe provocava.
— Vou ensina-la porque penso que seja melhor fazermos turnos. Você sabe, para ninguém suspeitar. Concorda? – ele pergunta, ao passo que ela acena afirmativamente em resposta. – O feitiço que vamos usar é Harmonia Nectere Passus.
— Harmonia Nectere Passus. — repete.
— Isso! – ele a vira em sua direção e, de novo, Hawking percebe a pouca distância entre os dois o que torna quase impossível para ela não sentir o perfume dele. O que ela não imaginava era que o mesmo fato não passava despercebido pelo garoto. – Não vai ser fácil. Borgin me disse que isso vai demandar tudo de nós, porque não é somente sobre recitar o feitiço. Provavelmente, vai requerer um pouco de esforço da nossa parte. Esforço físico. – ele diz.
— Consigo viver com isso. – é a resposta. – Então, quando começamos?
Fale com o autor