My Black Unlucky

5 Capitulo 5- Fique comigo... Fique comigo


Notas iniciais
Fortes emoções nessa capitulo meu povo! Beijokas e espero que gostem...

Eu estava realmente cansado de andar.

Annabeth não pegou o metro.

Depois de pensar, o que ela faz muito. Pensou em como sua vida ficaria, como pagaria Dona Rosa? E os remédios de seu pai? A comida? A conta de luz? A água?

Eram coisas de mais pra uma adolescente de 17 anos.

Uma garota normal pensaria em festas, garotos, astros do rock, garotos, sorvete, garotos e assim por diante.

E ela não era definitivamente uma garota normal.

Afinal o que é ser normal?

Ficar sentado em sua varanda com um livro de romance e uma caneca de chocolate quente enquanto vê as ruas movimentadas?

Acordar e saber que vai descer as escadas e encontrar seus pais e seu irmão casula tomando café?

Ou ir a uma lanchonete com seus melhores amigos e depois andar pela rua cantando uma musica qualquer pra qualquer um ouvir?

Isso é ser normal?

Essa não é minha definição de normal.

Ninguém realmente sabe o que é normal.

Só sabemos o que não é normal.

E Annabeth não é.

Agora caminhávamos perdidos pelas ruas de São Francisco.

Uma cidade muito bela realmente. Mas Annie não prestava atenção nisso. Sua cabeça martelava em busca de uma solução.

O Sol escaldante realmente não ajudava. E quando se deu conta estava em frente a sua casa.

Enquanto a mente trabalhava, seu corpo a trouxe pra casa. Não sabia se iria entrar. O que iria acontecer dali pra frente?

Fechou os olhos e deixou uma solitária lagrima cair. Do olho esquerdo. O lado que fica o coração. Seus pensamentos estavam confusos. Sua vida estava confusa.

Decidiu entrar.

Aquilo aconteceria em alguma hora. Teria de enfrentar isso, como enfrentou todo o resto. De cabeça erguida. Sem jamais pensar em desistir.

A casa estava silenciosa, só o ruído do ventilador de teto era ouvido.

–Dona Rosa? Papai?

Chamou e nenhum dos dois respondeu. Foi pra cozinha. Assim que se deparou com a cena um grito agudo saiu de sua boca.

–Papai! –Correu até ele que estava estirado no chão. As lagrimas caiam sem parar por seu rosto agora tomado por desespero.

–O que?! –Dona Rosa apareceu na cozinha com alface nas mãos, assim que viu o que estava acontecendo soltou a alface e levou as mãos à boca.

–Ligue pra ambulância. –Gritou Annabeth, mas Dona Rosa estava em choque. –AGORA!

Aquilo a despertou. Saiu correndo em direção à sala.

–Papai, o senhor não pode me deixar, não me deixe sozinha, por favor, não me deixe sozinha... –Estava com as mãos no rosto do pai, alisando a sua face pálida, o pai por um momento abriu os olhos.

–A-anie.

Disse com dificuldade. Annabeth se assustou, era a primeira vez em um ano que o pai falava.

–Não, n-não faça esforço.

–Me desculpe minha f-filha.

–Shiuuu papai, por favor não diga nada.

–E-eu fui um covarde, devia... Devia ter lutado por por...

Nunca tinha visto Jorge tão debilitado, na verdade toda vez que essas “coisas” acontecem eu tenho a fama de “dar no pé” o que é verídico (Eu pareço um juiz falando: “Eu considero o réu verídico” se é que essa frase existe), ele suava tanto, pelo menos uma vez em meus séculos e séculos de vida, eu senti dó de um mortal, é um sentimento horrível. Ele não conseguiria formar uma frase, eu sentia sua fraqueza, mas mesmo assim ele continuou.

–Por você, e-eu deveria ter cumprido a promessa que fiz a sua mãe , eu s-sou um péssimo pai. –Disse Jorge derrubando algumas lágrimas, Annabeth sorriu e limpou as lágrimas do pai.

–O senhor foi o melhor pai que eu poderia ter. –Disse alisando a face do pai. –Cuidou de mim durante muitos anos, eu não poderia deixar de retribuir.

–Eu te amo minha filha. –Jorge Tolledo infelizmente começou a perder os sentidos, e isso não era bom, não era nada bom. O coração de Annabeth se apertou, nada mais importava, nem mesmo Dona Rosa gritando desesperada no telefone, nem mesmo os carros passando em frente a sua rua sem nem desconfiar no que acontecia dentro daquela pequena casa amarela, e entre esses carros, não se era ouvido o som estridente da ambulância.

– Não papai, não feche os olhos, fique comigo, fique comigo...

E repetiu por intermináveis minutos “Fique comigo, fique comigo...” enquanto Jorge Tolledo perdia os sentidos e a vida.