My Big Great Perhaps
1 My Big Great Perhaps
Notas iniciais
Pov Ally
Hoje, faz exatamente nove anos. Nove longos e tristes anos sem ele. Sabe quando você sente que depois disso nada da sua vida vai fazer sentido? Pois bem, assim estou eu há exatos nove anos, os mais dolorosos da minha vida, se intensificam nessa época. Na época do aniversario de sua morte. Austin Moon... Uma pessoa que deixou saudades em poucos, mas nesses poucos, grande marcas, em mim, talvez a cicatriz de culpa. Nesses dias eu penso. Por que ele, e não eu? Mas sei que isso nunca irá ter respostas. Cara, como eu o amava, ou melhor, ainda o amo. Austin era uma pessoa excepcional em tudo que fazia. Um garoto que tinha tudo para ser aquele que faria diferença no mundo. E esse era seu objetivo. Eu me lembro que ele tinha um projeto para fazer isso, e ele ficava horas e horas em seu quarto pensando nisso. Bom, nunca soube o que foi. Ele não mostrava a ninguém, e com certeza nunca mostrará. Ele o chamava de “Austin Muda O Mundo”... Sempre achei esse nome meio bobo na época, mas agora, faria de tudo para ele botar-la em ação.
Austin Monica Moon, um garoto quieto, considerado nerd por alguns, mas por mim, um gênio. Pode parecer loucura, mas eu me inspirava completamente nele. Por vários motivos, ele sempre via o lado positivo, uma pessoa honesta, carismática, com opinião própria, mas sempre ouvia a dos outros. Um garoto, cujo dedicou seu pouco tempo de vida, a ajudar os outros, melhorar o mundo. Ele fazia a diferença por onde passava, mudava, mas mudava o lugar para melhor. Alguns pensam que eu estou santificando ele, por que morreu, mas não. Ele sempre foi assim, unia as pessoas, mostrava sempre o “lado bom da vida”, mesmo que algumas vezes nem existisse, sempre dava esperança para aqueles que já tinham a perdido. Ele deu a mim, a garota mais problemática, mas deu. Mudou a minha vida e depois... PUF. Se foi. Pelo jeito que eu falo, parece que estou falando de deus, mas não, estou falando de, Austin Moon, o garoto cujo fez e ainda faria diferença.
O conheci,quando mudei de escola,sempre o via sozinho, com um livro, então não me aproximava.Por que sei que é irritante,quando a pessoa esta lendo e vem um “ser” atazanar a leitura.Mas foi no dia 23/07/2002 que eu fui falar com ele.
Flash back (Pov Autora)
O garotinho loirinho, com oito anos de idade, chorava desesperadamente. Estava no pátio, escorado numa arvore. Seu choro, não era aquele silencioso, mas sim, aquele de que ao ouvir, seu coração se corta. A garotinha morena ouviu seu choro, então se aproximou.
– Tudo bem? – ela perguntou. Era uma pergunta retórica.
O garotinho, em resposta, só aumentou seu choro. Ela começou a se desesperar, com certeza, seu ponto forte não era ouvir alguém chorando. Então num ato de acalmá-lo o abraçou. E, diga-se de passagem, ela adorou esse contato. Ele botou seu rosto, na curva do pescoço dela, e passou os braços por sua cintura. Seus soluços se intensificaram. Por três motivos: (a)ele estava passando por uma perda, (b)ele nunca tinha dado um abraço,tirando as pessoas de sua família,(c)Ninguém nunca veio falar com ele na escola.
A garotinha afagava suas costas, tentando fazer ele se acalmar. Bom, de certa forma, funcionou. O loirinho começou a se acalmar, então seu choro cessou. Ela tentou se separar do abraço, mas o garotinho parecia que não queria que ela o soltasse, então ela desistiu.
– Você esta bem? – ela perguntou ainda abraçada com ele
Ele resmungou em concordância
– Bom, sem querer ser grosseira, mas você poderia me soltar? – ela falou, e ele todo envergonhado e quase roxo de vergonha a soltou.
– Des-des-culpa – falou baixinho.
– Que isso, foi nada. Mas não querendo ser intrometida, por que você estava chorando? – ela achou que estava sendo um pouco... Qual a palavra mesmo? Ah já sei. Um pouco grosseira.
Os olhos dele marejaram e então recomeçou a chorar, e se jogou nos braços dela. Ela sussurrava para ele “calma, calma, vai ficar tudo bem”, mas ela não sabia nem o que tinha acontecido quem dirá se iria ficar tudo bem. Ele se acalmou outra vez e disse:
– Minha mãe, ela, bem, ”partiu” – disse tão baixo, que a Ally, quase não ouviu. Ela entendeu tudo.
– Ah, sinto muito. — falou sinceramente. – qual seu nome?
– Aus-austin- gaguejou... De novo. (para matar a curiosidade: ele não estava gaguejando por estar falando com alguém, e sim por estar falando com ela)
– Bom, Austin, acho melhor parar de chorar, por que se não eu entro em desespero em ver meu amigo chorar! – brincou Ally. Ele, em tanto, ficou perplexo.
– Sou seu amigo? – perguntou pulando de felicidade internamente.
– o quê que você acha? Que depois disso, vou deixar você sozinho? Pois bem, claro que não! – ela falou sorrindo e ele sorriu também.
– okay... Amiga. — falou um mini Austin.
– Okay... Amigo – reafirmou Ally
– okay... — disseram em uníssono
Flash back off (de volta ao Pov Ally)
Depois disso, descobri que ele era meu vizinho. Na verdade, ela havia se mudado dois dias depois. Éramos vizinhos de janela, as sacadas separadas, apenas por uma seringueira enorme. Foram três anos depois que ele começou o seu projeto “Austin Muda O Mundo”, na época, achei que era uma brincadeira de garoto, mas vi que ela iria até o fim. Aos nosso 17 anos, começamos a namorar, ah, ele era tão fofo comigo, amoroso, cuidadoso. Nosso primeiro beijo aconteceu de baixo da arvore onde nos conhecemos. Austin me ensinou a tocar vários instrumentos, como, piano, violão, harpa, bateria, teclado entre outros. Ah, esqueci de dizer quando tínhamos dez anos, nossos pais se casaram. O pai de Austin, Mike pediu minha mãe, Penny em casamento, eles eram tão fofos juntos, bem, ainda são. Ainda me lembro como se fosse hoje, Austin, fazendo o pedido de namoro.
Nós tínhamos ido ao Oranjee,um restaurante Frances,a beira do mar,em uma viajem a Veneza,com nossos pais.
Flash back On (ainda pov Ally)
Tínhamos chegado a nossa mesa.
– Chegamos senhor e senhora Moon. – falou a recepcionista, que nos levou a mesa.
– Obrigada, — falamos eu e Austin juntos.
Passou-se a hora,comemos e começamos a conversar.
– Ah, que noite linda. E claro, minha acompanhe esta encantadora. – falou sorrindo. Diga-se de passagem, fiquei vermelha. Mas Austin me superou nesse quesito.
– Você também não esta nada mal. – sou péssima em elogios. Senti ele ficar tenso e começar a suar frio.
– Ally, eu te trouxe aqui... Por que preciso lhe falar algo. – aonde ele quer chegar. – Levante-se, por favor – obedeci.
– Ally, minha querida e antiga melhor amiga. Estou aqui para lhe fazer um pedido – ele se ajoelhou – bom, aqui você pode ter uma idéia do quero fazer ajoelhando. — sorriu- mas antes, eu queria te dizer algumas coisas. No dia que nos conhecemos, eu não sabia o que dizer, bem, eu te observava muito, você sempre me encantou. Quando você virou minha melhor amiga, senti que havia algo de especial. E bom, de minha parte tem. Agora... Você me daria à honra de ser minha namorada? – perguntou. Comecei a chorar. E meu sorriso morreu, o seu também. Eu não estava sorrindo, pois, eu tinha ficado extremamente perplexa, mas com toda certeza, seria um “sim” que ele receberia essa noite.
– Ah, meu pequeno Austin, só diria “sim” se fosse louca – ele ficou branco como papel. Tadinho! – Mas como todos dizem que eu sou louca. Sim, eu aceito Austin — ele sorriu se levantou e me beijou delicadamente. Ele botou o anel em meu dedo e beijo o anel em seguida. Fiz o mesmo procedimento. Nossos sorrisos,eram enormes aquela noite.
Flash back off
Lembranças e mais lembranças... É nisso que minha vida se baseia ultimamente.
.....
Aqui estou eu, em frente ao seu tumulo. Nele tem as legendas em cinza escuras:
Austin Moon
29/12/1993 – 02/05/2014
Nove anos se passaram. Nove anos, sem ver seu sorriso, se ver seu olhos castanhos, sem ouvir sua voz, sem poder abraçá-lo.... Agora eu sei o que ele quis dizer sobre o labirinto. O tal labirinto, é o sofrimento, dor, lembranças, no qual eu estou perdida eternamente. A sua morte foi algo que eu simplesmente tenho total culpa. Nós estávamos voltando para casa, tínhamos ido, almoçar fora. Estava chovendo. E eu tinha ficado irritada, por que tinha uma garota de olho nele lá,então o caminho de volta,foi uma briga, tipo, sem sentido algum. Eu tinha começado a chorar, e a gritar, como se tivesse num surto. Então ele se virou para mim, assustado, então, ele veio... O “caminhão da morte” como eu o chamava. Bateu com tudo, mas só pegou no banco do motorista. Morte instantânea para Austin Moon. Oh maneira heróica de morrer não? Vendo sua namorada num surto, batida de caminhão... Foi ali que o Austin que pensava que a mudar o mundo, deixou para sempre a vida. E voltei para casa.
...
Cheguei ao nosso piano. Usávamos sempre juntos. Bom, Austin amava musica, então escrevi uma musica para ele. Eu a cantei no seu funeral. A musica, fala da dor e saudade que ele me deixou. Na verdade, eu achei essa musica, no meio das coisas do Austin, mas se encaixa perfeitamente para mim. Mas, por que ele escreveu essa musica? Essa pergunta, eu me faço todos os dias.
Goodbye, goodbye
Goodbye, my love
I can't hide, can't hide
Can't hide, what has come
I have to go, I have to go
I have to go, and leave you alone
But always know, always know
Always know, that I love you so
I love you so
I love you so.
(Adeus, adeus
Adeus, meu amor
Eu não posso esconder, não posso esconder
Não posso esconder, o que veio
Tenho que ir, tenho que ir
Tenho que ir e deixá-lo sozinho
Mas sempre saiba, sempre saiba
Sempre saiba que eu te amo tanto
Eu te amo tanto
Eu te amo tanto.)
Minha voz começou a embargar.Labrimas,grossas e incontroláveis,começaram a sair.Labrimas de saudade.”Amor!Como foi sua aula?”ele me perguntava sempre.
Goodbye, brown eyes
Goodbye, for now
Goodbye, sunshine
Take care of yourself
I have to go, I have to go
I have to go, and leave you alone
But always know, always know
Always know, that I love you so
I love you so
I love you so.
(Adeus, olhos castanhos
Adeus, por ora
Adeus, raio de sol
Cuide de si mesmo
Tenho que ir, tenho que ir
Tenho que ir e deixá-lo sozinho.)
Mas sempre saiba, sempre saiba
Sempre saiba que eu te amo tanto
Eu te amo tanto
Eu te amo tanto.)
E eu respondia “se você tivesse lá, ficaria melhor” e nos beijávamos depois.Lagrimas ensopavam minha camiseta preta.As lágrimas as qual eu nunca tinha deixado cair em tanta intensidade.
Lu-lullaby, distract me with you rhymes
Lu-lullaby
Lu-lullaby, help me sleep tonight
Lu-lullaby (lu-lullaby).
(Canção de ninar, distraia-me com suas rimas
Canção de ninar
Canção de ninar, ajude-me a dormir hoje à noite
Canção de ninar (canção de ninar).)
Tantas saudade,mas sem nem uma escapatoria do labirinto.Nada para me fazer feliz,pois o unico que poderia fazer isso é voce.
I have to go (goodbye)
I have to go (goodbye)
I have to go (goodbye)
And leave you alone
But always know (goodbye)
Always know
Always know (goodbye)
That I love you so
I love you so (goodbye, lullaby)
I love you so (goodbye)
I love you so (goodbye, brown eyes)
I love you so (goodbye).
(Eu tenho que ir (adeus)
Eu tenho que ir (adeus)
Eu tenho que ir (adeus)
E deixá-lo sozinho
Mas sempre saiba (adeus)
Sempre saiba
Sempre saiba (adeus)
Que eu te amo tanto
Eu te amo tanto (adeus, canção de ninar)
Eu te amo tanto (adeus).)
(Eu te amo tanto (adeus, olhos castanhos)
Eu te amo tanto (adeus)
Eu te amo tanto.
Eu te amo tanto.).
Seus olhos,mortos,sem vida,sem brilho,sua boca rouxa,sua pele fria e palida.Assim que voce estava,deitado naquele caixao.Peguei sua mao gélida e a beijei,esse foi o “nosso”ultimo toque.Lá só tinha um corpo sem vida e uma pessoa com vida,mas morta por dentro.
Goodbye, brown eyes
Goodbye, my love.
(Adeus, olhos castanhos
Adeus, meu amor.).
Aqui, minha garganta estava fechada, meus olhos inchados, doloridos de tanto chorar. As lagrimas, estavam empossadas nas teclas pretas e brancas do piano, o nosso piano. Um erro, uma vida perdida. Lembranças e nada mais, e que um dia, poderei esquecer...
...
Voltei da nossa sala de musica. Sim, nós morávamos juntos, na sua morte, estávamos noivos, então decidimos ir morar juntos. Austin tinha um escritório, nunca entrei lá. Mas para tudo tem uma primeira vez.
Abri a porta e vi tipo uma biblioteca. Olhei em volta, passei a mão na mesa, sentei na cadeira, mas em cima da mesa... Não, não podia ser... Em cima da mesa, havia um álbum, o projeto “Austin Muda O Mundo”, o abri. E com isso meu choro voltou. Era um álbum de lembranças, nossa ida ao parque Wild Heart, no seu aniversario de 10 anos. Meu aniversário, num acampamento, o casamento dos nossos pais, ele lendo... E muitas outras fotos. O seu projeto, não era um projeto, era o seu projeto de vida, a nossa vida. Mas teve uma foto, que eu senti meu coração parar. Nós dois, nos beijando ao pôr-do-sol. E outra, eu Austin, dez e Trish juntos na sonic boom (a loja dos meus pais), estávamos abraçados, e tinha uma legenda: Para todo o sempre,a amizade permanecerá.
Eu e Austin no pôr-do-sol: O nosso amor é como o sol, todos vemos todos os dias.
Mas na ultima pagina havia um bilhete.
Querida, ao ler isso, eu com certeza, não estarei ai com você, mas acho que devo explicações. Bom, no dia 03/04/2014, eu fui ao medico. Descobri que estou com câncer, tenho no mínimo mais seis meses de vida. Pensei em varias formas de contar, mas eu não queria que você perdesse esse seu sorriso, que ficasse 24 horas preocupada comigo. Eu espero que você me perdoe, por não lhe contar pessoalmente, para não poder lhe dar um abraço e dizer que tudo vai ficar bem. Acho que devo algumas explicações: Esse projeto começou quando eu prometi a mim mesmo, que nos casaríamos, e que quando você tivesse 25 anos, lhe daria de presente, mas isso não foi possível. Quando pequeno, eu pensei na saída do labirinto. Mas o labirinto é o que aprendemos com nossos erros, se você errou o caminho volte e tente outro diferente. NUNCA, se afunde no caminho errado. Pois a sua vida é o seu labirinto. Eu espero que você não fique presa no labirinto depois da minha morte. Sei que eu tinha defeitos, mas a única coisa da qual eu me orgulho é poder ter te amado. Essa foi minha dádiva da vida. Isso pode parecer prega, mas eu só quero que você saiba que eu te amo para a toda eternidade. Okay Allycia? Não discorde disso nunca, okay? Sinto, por ter te feito chorar, mas eu sempre tentei dar o meu melhor para você, mas eu sei que isso deixa certas duvidas. Bom te amo e te espero no outro lado. Bom, o nosso infinito ficou gravado em meu coração, mas esse pequeno infinito que temos, eu te agradeço, muito mesmo. Por ter me dado esse infinito tão grande em nossos anos numerados. Lembre-se: Alguns infinitos são maiores do que outros.
De: Austin Moon
Para: Allycia Dawson
Meu deus, eu ainda me surpreendo com Austin Moon. Mas desculpe dizer, mas já estou presa eternamente no labirinto. Eu aguardo para te encontrar. Também te agradeço pelo nosso pequeno infinito. Lembro-me que você me perguntou:
Austin: "Alls, qual é o seu grande talvez?”
Eu: ”Não sei, mas quando souber te digo.”
Pois bem, agora eu sei qual é o meu grande talvez. Austin, você é e sempre será o meu grande talvez.
Te amo para eternidade, Austin.
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