My Best Friend... Pansy?
3 Argh, I hate you!
Notas iniciais
E, omg, esqueci de dizer, essa ideia toda eu tive enquanto falava com a linda e perfeita Adrenaline Motivation ♥
Encarei a garota na minha frente. Ela parecia ter a mesma idade que eu e tinha uma expressão assustada.
-E q-qual o seu n-nome? – perguntou ela, gaguejando.
-F-Frank Iero.
Ela franziu a testa.
-Esse nome não me é estranho...
Eu podia jurar que parecia que ela falava... cantando. E sua voz era delicada e linda. O tipo de voz perfeita para uma vocalista.
Puta que pariu, eu fiz minha guitarra virar uma menina.
Mexi nos meus cabelos, totalmente sem saber o que fazer.
-E como você veio parar aqui? – perguntei.
Ela deu de ombros.
-Não sei. Uma hora eu estava ali, pendurada na parede e... Espera aí, como é que eu vim parar aqui? E por que eu virei uma... Pessoa? – ela parecia tão confusa quanto eu.
Pansy começou a examinar as próprias mãos e as próprias pernas.
-Provavelmente... Foi... Culpa minha. – sorri envergonhadamente – Eu pedi para que você pudesse falar comigo por... Por um dia.
Ela parou de olhar seus membros e me lançou um olhar enraivecido.
-Então foi você que me tirou dali e me pôs nessa droga de corpo humano?
Mais uma vez, sorri tímidamente.
Ela partiu para cima de mim.
-IDIOTA! IDIOTA! IDIOTA! VOCÊ ACHOU O QUE? QUE EU QUERIA VIRAR UMA PESSOA?! SEU IMBECIL! – Pansy pulou em cima de mim, fazendo nós dois cairmos no chão de madeira que era, diga-se de passagem, duro pra cacete, fazendo com que a minha perna ficasse dolorida. A menina começou a me bater.
-AI! NÃO! EU NÃO... AI! EU NÃO PEDI PRA VOCÊ VIRAR UMA PESSOA! AI! EU PEDI PARA VOCÊ PODER FALAR! EU NÃO... AI! QUERIA QUE VOCÊ... AI! VIRASSE UMA HUMANA! AI, AI! PARA DE ME BATER, SUA MALUCA!
Ela parou de me bater, mas não saiu de cima de mim.
-VOCÊ É UM COMPLETO IMBECIL, SABIA?!
-E você é uma completa violenta. Estamos quites. – resmunguei.
Ela me lançou um olhar enviesado.
De repente, ouvi o barulho da porta.
-O que foi isso? – ela franziu a testa.
-Isso foi o barulho da porta... Minha mãe chegou! Eu tenho que dar um jeito de esconder você, ela vai surtar se te vir aqui e... E sai de cima de mim, sua louca!
Ela obedeceu e eu me levantei. Olhei em volta, tentando pensar rapidamente e a empurrei para dentro da suíte do meu quarto.
-Ei! O que está fazendo?!
-Shh, para o seu bem (e para o meu), fique quietinha aí dentro e só saia quando eu disser que pode.
Fechei a porta atrás de mim, peguei meu iPod e fingi que ouvia música.
Bem nessa hora, minha mãe abriu a porta.
-Frankie, eu... Frank? O que está fazendo aí, encostado na porta?
-O que? – tirei um fone – Ah, nada, ué. Só ouvindo música.
Minha mãe me olhou, desconfiada, mas nada disse.
-Ok... Enfim, eu já deixei o Gerard na casa dele.
Assenti.
-Bom, vou dormir. Boa noite, querido. – ela me deu um beijo na bochecha e se virou para ir embora, fechando a porta.
Suspirei aliviado e sussurrei:
-Já pode sair.
Abri a porta para Pansy e ela saiu, meio confusa.
Abri o armário e me olhei no espelho que havia na porta: Eu tinha ganhado uma mancha arroxeada na perna direita por causa da queda e Pansy havia feito vários hematomas nos meus braços e na minha barriga.
Eu preferia quando ela machucava só os meus dedos com as cordas de aço.
-Tá... Você... Você fica aí... Enquanto eu vou para o banheiro, passar alguma coisa nesses hematomas... Não saia daí.
Ela assentiu e se sentou na minha cama.
Me dirigi ao banheiro e fechei a porta. Procurei por alguma espécie de remédio para contusões ou algo do gênero. Quando finalmente achei um, espalhei pelos machucados. Depois, abri o pequeno armário que havia debaixo da pia, peguei minha maquiagem e comecei a disfarçar os hematomas que estavam muito visíveis.
Após terminar esse processo, abri a porta do banheiro e me deparei com uma visão nada legal:
Pansy havia sumido.
Ah, merda. Que ótimo! Como se já não bastasse ter uma guitarra-humana, eu tenho uma guitarra-humana teimosa!
Saí do meu quarto, procurando pela... Menina... Guitarra... Ah, que seja!
Procurei em todos os cômodos da casa: Cozinha, sala, banheiros, corredores... Tudo! E nada de achar a Pansy.
Já estava a ponto de desistir quando, de repente, trombei com a própria.
-PUTA QUE PARIU, PANSY, ONDE VOCÊ SE METEU, INFELIZ?!
-Eu? Lugar nenhum!
-Pansy, você é uma guitarra, você não sabe mentir.
-Até onde eu sei, guitarras também não sabem falar e andar.
Fiquei em silêncio por alguns segundos enquanto ela me encarava com aquela cara de “Win”.
-... Tá, dessa vez você venceu. Mas eu sei que você estava em algum lugar. Então, aonde. Você. Estava?!
-Aah, tá legal, eu fui lá para fora! – disse ela com um ar de vencida.
-Fazer o que exatamente?
-Ver como era lá fora! Como não tinha nada interessante e estava muito escuro, eu voltei para cá!
-Eu não mandei você ficar lá dentro?!
-E desde quando você manda em mim?
-Desde que você é a minha guitarra!
-Ah, desculpe dizer mas eu não sou mais uma guitarra pelas próximas 24 horas! Portanto, eu não sou mais propriedade sua!
-Claro que é! Você continua sendo uma guitarra!
-Eu não sou mais um objeto!
-No fundo, você é!
-Não sou!
-Argh, eu odeio você!
Os olhos metálicos de Pansy ficaram cheios d’água.
-Ah não... D-desculpe, eu não queria...
-Esquece. Deixa pra lá. – disse ela, me empurrando e indo na direção da porta novamente.
-O que foi que eu fiz... – mordi o lábio e fui atrás dela.
Encontrei Pansy sentada lá fora, nas escadinhas da porta, chorando. Sentei-me ao seu lado e ela virou a cara.
-Desculpe, Pansy... Eu não devia ter dito aquilo.
-S-se você me odeia tanto... P-por que continuava tocando músicas em m-mim?
-Eu não te odeio, Pansy... Eu gosto muito de você... É só que... Eu não estou acostumado a ver você assim... Com pensamentos próprios, entende? Eu vou demorar um pouquinho para me acostumar, entende?
Ela fungou, mas assentiu, ainda com a cabeça virada para lá.
Confissão: Eu nunca fui bom com meninas (uma das razões pelo qual eu sou gay né?), mas quando eu falava com Pansy, parecia que as palavras vinham naturalmente.
-Vamos lá, Pansy, olha para mim.
Ela virou o rosto relutantemente em minha direção e me olhou.
Abri um leve sorriso.
-Foi tão difícil?
Ela fungou e fez que não com a cabeça.
-Eu sei que você está chateada comigo porque fiz você ficar assim, mas você tem que entender que não foi culpa minha. Além do mais, não é nada permanente. Se você cooperar, nós dois podemos tirar proveito dessa situação da melhor maneira possível.
Ela assentiu para mostrar que ainda estava ouvindo.
-Então, será que você podia esquecer essa sua raiva e me ajudar?
-A-acho que sim. – soluçou ela – Me desculpe... Por isso. – ela fez um gesto indicando os hematomas – Eu est-tava só com raiva... E desc-culpa por ter te desobedecido...
-Não tem problemas... – sorri novamente. De repente, ela me abraçou.
-Er... – retribuí o abraço desajeitadamente – Vem, vamos lá para dentro antes que alguém veja você aqui.
Ajudei-a a se levantar e fomos para o meu quarto.
-Você se importa de ficar aqui até minha mãe ir trabalhar, amanhã de manhã?
Ela fez que não.
-Ótimo. Vamos ver... – olhei em volta e peguei uma blusa do Oasis que ficava pequena em mim e entreguei para a menina.
-Ahn... Pega isso aqui... E... – peguei uma calça que já ficava pequena em mim – Isso aqui. E... Vai pro banheiro e toma um banho, ok?
Ela pegou as roupas, assentiu e fechou a porta do banheiro. Suspirei e sentei na cama. De repente, senti meu celular vibrar. Olhei no visor e era Gerard.
-Gee? O que deu em você para ligar às... – olhei o relógio – duas da manhã?!
-Desculpa... É que... Eu não consigo dormir e... Senti sua falta.
-Ah... Tudo bem.
-Frankie? Você está no banho?
-Não. Por que? – RESPOSTA ERRADA, RESPOSTA ERRADA!
-É que eu estou ouvindo o barulho do chuveiro... Se não é a sua mãe e nem você, então... Quem é?
Puta que pariu.
Ferrou.
-Aah... Não! É que tipo... Eu estou... Enchendo a banheira! É, enchendo a banheira!
-Meu amor, você nunca gostou de banho de banheira...
-É, mas isso faz tempo! Vai que eu gosto agora? – é uma mentira deslavada, mas tudo bem.
-Então tá... Frankie, você está meio estranho hoje. Sei lá... Você parece... Nervoso. – ele ficou em silêncio por alguns segundos – Frank, você não está... Me traindo, está?
-O que?! Claro que não! – exclamei, indignado.
-Então tá... – ele não parecia muito convencido – Olha, eu te ligo de tarde... Tchau.
Antes que eu pudesse responder, ele desligou.
-Ah merda.
Primeiro eu perco minha guitarra. Agora o meu namorado?! Aí já é demais!
Dei um berro de frustração. Sem querer, ele saiu um pouquinho alto demais e Pansy ouviu.
-Frank? Está tudo bem? – gritou ela de dentro do banheiro.
Dei graças a deus que minha mãe tinha sono pesado.
-Sim, sim.
Ela saiu do banheiro com os cabelos ainda molhados pouco depois.
-O que houve?
-Ah, nada... É só que uma pessoa que... Que eu amo muito me ligou e acha que eu estou... Trocando ela por outra pessoa.
-Foi por culpa minha, não foi?
-Que?
-Foi por causa do barulho do chuveiro.
-Imagina... É só que ele não confia muito em mim, a culpa não é sua.
-É sim... Me desculpe, Frank. Amanhã, eu prometo falar com essa pessoa e explicar tudo.
-Sério, Pansy, não precisa.
-Eu insisto. Eu causei essa briga e quero consertá-la.
Suspirei fundo. Ela era mesmo teimosa.
-Façamos o seguinte, nós dois contamos.
Ela deu de ombros.
-Pode ser.
Ela abriu um sorriso. Pequeno, mas era um sorriso.
Já era um avanço!
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