My Best Friend, My Best Lover
3 Take Care...
Chantelle pdv
Eram 2 e 30 da manhã, e eu estava acordada, depois de ter mais um sonho com meu pai. Desde sua morte, toda noite eu tinha pesadelos, sempre voltando ao dia em que ele morreu em meus braços. Mas naquela noite foi diferente, estávamos num campo florido, sentados um de frente para o outro.
" - Parece que está em boas mãos agora... — Dizia meu pai, enquanto segurava em minhas mãos.
- Como assim, pai?
- Acredite, essa garota vai cuidar muito bem de você.
- A Robyn? — Ele assentiu — Como sabe?
- Ela carrega muita tristeza em seu coração, assim como você também carrega... Consequentemente, uma vai cuidar da outra. E você pode confiar nela...
- Mas por quê essa certeza toda sobre ela?
- Porque eu acabei de ouvir a voz de seu coração...
- E o que ela dizia?
- Ela dizia que cuidaria de você até que encontre o seu rumo, e que estaria sempre ao seu lado... Sabe Chantelle, parece um pouco cedo, mas ela gosta muito de você...
- Sério?
- Sim, você chegou num momento bem crítico na vida dela, e juntas vocês irão viver muita coisa...
- Que bom, pai... Mas e você?
- Eu continuarei cuidando de você, minha filha. Mesmo estando longe fisicamente, sempre estarei aqui no seu coração... Agora você tem que ir, minha princesinha... Robyn precisa de você neste momento...
- Mas pai...
- Até algum dia, minha querida...
E então ele sumiu, como num passe de mágica, e eu estava sozinha novamente. "
Após abrir meus olhos e me sentar na cama, ainda pensativa com tudo o que ouvi, escutei um barulho estranho. Me levantei, e quando estava no corredor, pude ouvir o choro de Robyn. Me lembrei do que meu pai tinha me dito, e mesmo sem ela ter chamado, entrei em seu quarto.
Robyn estava sentada na cama, bem encolhida. As lágrimas rolavam descontroladamente em seu rosto, e ela agarrava o travesseiro com força. Ao perceber minha presença, ela corou um pouco.
- Te acordei?
- Não, eu tive um sonho com o meu pai... — Me aproximei e me sentei na cama — Aí eu ouvi o seu choro... Aconteceu alguma coisa?
- Me abraça? — A voz dela se misturava com os soluços, e saía cada vez mais fraca — Por favor...
Sem hesitar, a abracei com todas as minhas forças, e numa tentativa falha de acalmá-la, comecei a afagar seus cabelos. Aos poucos ela foi se acalmando, e segurou minhas mãos.
- Desculpa por isso, Chantelle...
- Não precisa se desculpar... Ninguém fica assim a toa...
Ela puxou uma foto, e colocou sobre minhas coxas.
- Essa garota se chama Brittany. É por causa dela que estou assim...
Brittany era linda. Tinha os cabelos lisos e loiros, olhos azuis da cor do mar, e tinha um rosto bem delicado. Além disso ela era aparentemente mais velha que a Robyn.
- O que aconteceu? Ela te fez algo?
- Há exatamente 1 ano e 2 meses... — Mais lágrimas rolaram em seu rosto. — Eu estava no hospital, fechando os olhos dela...
Eu não sabia o que dizer, mas tinha noção do quanto aquilo era doloroso para ela, porque eu também tive de encarar a dor da perda.
- Sinto muito... O que ela tinha?
- Leucemia... Como ela era muito cuidadosa com sua saúde, demoramos muito para ir ao médico, e só fomos descobrir o que estava acontecendo três semanas antes de ela morrer. — Robyn respirou fundo, e agarrou o travesseiro — Eu simplesmente não consigo aceitar isso, Chantelle... Todas as pessoas que eu amei se foram, e agora eu tenho medo de isso acontecer de novo... Me sinto perdida, sabe?
- Sei... Também me senti assim quando perdi o meu pai, e até hoje não aceito isso...E pelo jeito que você fala dela... Ela é muito especial, né? — Não gostava de falar as coisas no passado, porque mesmo quando a pessoa parte, ainda está viva em nossos corações, e com Brittany não seria diferente... Ela sorriu.
- Muito... Principalmente porque ela cuidou de mim, quando perdi os meus pais num acidente. Ela foi a irmã mais velha que eu nunca tive... Eu sinto muito a falta dela, sinto falta de sentir alguém cuidando de mim...
Segurei suas mãos, fazendo com que ela olhasse em meus olhos.
- Olha... Sei que não é a mesma coisa, mas pode contar comigo para o que precisar... Eu vou cuidar de você. — Corei levemente ao dizer essas palavras, pois ainda tinha receio sobre sua reação. Ela novamente sorriu.
- Eu também vou cuidar de você, Chantelle... Vamos celebrar a dor juntas... — Disse num tom irônico, que me fez rir. — Vem cá...
Me aproximei, e nos abraçamos, como duas irmãs. Nunca pensei que fosse gostar tão rápido de uma pessoa, mas ela me conquistou de um jeito inexplicável. Ela era tão meiga, tão carinhosa... Meu coração doía só de pensar que, além de mim, ela também sofria muito por perder alguém que ama.
E passamos a madrugada juntas, contando histórias sobre nossas vidas, dando risada e chorando também. Ficamos assim até as 5 da manhã, quando o sono nos venceu, e eu acabei adormecendo em seus braços.
/Chantelle
Robyn pdv
Me senti feliz ao ouvir ela dizer aquelas palavras, tão sinceras e tão cheias de carinho. Depois de algumas horas conversando, Chantelle acabou adormecendo em meus braços, e em questão de minutos, acabei dormindo também.
Quando finalmente acordei, já passava do meio-dia. Ela não estava mais no quarto, então deduzi que ela estivesse comendo algo, ou sei lá. Não tinha a mínima vontade de sair do quarto, então escovei meus dentes e voltei pra cama. Alguns minutos depois, Chantelle apareceu no quarto, com uma bandeja de café-da-manhã.
- Boa tarde, maninha... — Dizia com um enorme sorriso no rosto. — Dormiu bem?
- Sim, muito bem... — Por algum motivo eu corei. — Faz muito tempo que acordou?
- Não... Acordei a meia hora atrás...
- Que bom que não tive que esperar um namorado pra receber café na cama... — Brinquei, e ela deu uma leve risada.
- Ah, nenhum namorado fez esse mimo pra você? Que triste... — Fez bico.
- Na verdade, eu nunca tive um namorado...
O sorriso dela sumiu, e no lugar dele veio uma expressão de surpresa, de choque.
- Como assim? Tá brincando, né?
Não pude deixar de rir. Ela não era a única a não acreditar nisso, afinal é bem raro uma garota de 23 anos nunca ter namorado na vida.
- Parece brincadeira, mas não é... — Corei um pouco — Acho que tenho algum problema...
- Então somos duas... — Ela sorriu — Acho que é porque somos muito decentes...
Sorrimos, e ficamos em silêncio por uns cinco minutos.
- Isso aqui tá um tédio — Disse fazendo bico.
- Também acho... Alguma idéia?
Fiz cara de pensativa, e depois fui para o meu quarto. Segundos depois, voltei com patinhos de borracha e barquinhos de plástico.
- Quer tomar banho?
Acredito que ela tenha achado esse convite um pouco estranho, mas não haveria nada de errado em voltar à infância, junto com sua nova melhor amiga, não é mesmo?
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