My Best Friend- Cobrina
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Nunca a academia do Gael esteve tão enfeitada, todas as coisas relacionadas à luta haviam sumido, só sobrando o ringue, que não havia como ser tirado dali, mas até mesmo ele estava diferente.
Havia mesas espalhadas pelo espaço, todas com tecidos brancos e algumas flores, sobre o ringue havia uma “mesa” e espalhadas pelas paredes várias fotos de Karina e Cobra, juntos, separados, com os trigêmeos, com a família e amigos.
Demorou para os lutadores marrentos aceitarem uma festa de casamento, por eles só assinar o papel no cartório estaria ótimo, mas obviamente Jade e Bianca falaram tanto na cabeça dos dois, que eles acabaram por aceitar, com apenas uma condição, que tudo fosse realizado na academia do Gael.
Demorou para que a Bailarina e a Atriz conseguissem decorar tudo e dar uma cara romântica sem perder a personalidade deles no ambiente, mas quando tudo ficou pronto não tinha como dizer que não havia ficado perfeito.
Agora Cobra, junto com Gael, João, Thawick, Wallace, Jeff, Zé e Marcão se encontravam no apartamento do mestre junto com Dandara para que o noivo se arrumasse, Benjamin e Pedro Henrique também estavam com o pai, dando mais trabalho do que tudo, principalmente o “mais velho” que odiava ficar muito tempo longe da mãe.
Já na Ribalta, Bianca, Jade, Fabi e Mari se revezavam entre arrumarem Karina, Nina e a elas mesmas. A pequena de apenas um ano e meio estava um pouco irritada, principalmente por não estar com os irmãos.
–Filha fica quietinha por favor- a lutadora pediu, tentando conter a irritação, obviamente não era a filha que a irritava, mas sim toda a situação, havia um vestido curto e rendado pendurado em um cabide bem no seu campo de visão, assim como uma sandália de salto alto e fino, que lhe dava calafrios só de imaginar, sem contar às horas que aquelas malucas não paravam de torturá-la com cabelo, maquiagem e unha.
–Eu vou trocar a Nina- Bianca afirmou sorrindo para a afilhada e a pegando do chão- né princesa, vamos ficar bem bonitas para o casamento da mamãe e do papai.
–Papai?- a pequena questionou, começando a procurar o mais velho, Karina apenas bufou irritada.
–Ela só pergunta do pai- a loira resmungou- não ta nem ai pra mim, fica nove meses na minha barriga, me deixa com uma cicatriz horrível na barriga, não me deixa dormir de noite, pra perguntar do pai.
–E eu aposto que o Benjamin e o Pedrinho estão doidos atrás de você- Jade afirmou puxando propositalmente o cabelo da amiga que apenas rosnou para ela- está pronta, vai se vestir.
A loira levantou-se da cadeira, pegou o vestido e o sapato e saiu marchando rumo ao banheiro. Vestiu-se sem nenhuma dificuldade e colocou os sapatos, respirando profundamente antes de sair do local, andando a passos lentos.
–Mas olha só- a bailarina falou, também já devidamente vestida, com um sorriso imenso no rosto- nem parece a machinho.
–Cala a Boca maluca- a loira rosnou, mas em seguida sorriu para a amiga e a abraçou- quem diria que a gente ia se dar bem?
–Quem diria- a bailarina fez eco ao questionamento da amiga- vamos parar com essa sessão diabetes, porque isso já vai ter de monte lá embaixo.
–Vamos?- Fabi questionou, todas já estavam prontas, ela e Mari vieram abraçadas sorrindo para a lutadora- nunca te imaginei vestida assim.
–Nem fala muito, porque eu já to começando a sentir saudades dos meus shorts e das minhas regatas- Bianca apareceu já vestida e com a afilhada no colo, usando um vestidinho fofo e toda sorridente- ai, mas ta muito linda a minha princesa.
–Mamãe- a pequena disse rindo quando a mais velha a pegou no colo, deu um beijo babado no rosto da loira sorrindo em seguida.
–A gente vai descendo na frente- Jade afirmou- você fica aqui com a Bianca e a Nina até a gente dar o sinal, ai elas vão descer e você desce quando seu pai vier te buscar.
–Eu já entendi bailarina, vocês me falaram isso milhões de vezes- a loira reclamou enquanto beijava o rosto da filha- agora vai logo.
As três desceram correndo e então as duas irmãs ficaram ali observando a pequena brincar com a renda no vestido da mãe, Karina sorria para a filha, não queria admitir, mas estava nervosa, e ansiosa, ela sabia que Cobra não amarelaria na hora, mas era estranho imaginar que depois de trigêmeos e tudo o que eles já haviam passado juntos e toda a vida que eles já tinham, eles ainda tinham que fazer isso.
–A gente vai descer, as meninas acabaram de dar o sinal- Bianca sorriu para a irmã- não acredito que você vai casar- as duas sorriram cúmplices e em seguida se abraçaram- te amo Ka.- e então pegou a afilhada e a deixou junto com Pedrinho e Ben, que estavam sob os cuidados de Pedro e Vick.
Sim Pedro e Karina haviam consolidado uma amizade, o guitarrista agora estava noivo de Vick, e estava presente na vida dos lutadores e seus trigêmeos, e ele havia se voluntariado para ficar com os pequenos, que por algum motivo adoravam o descabelado.
Cobra usava uma calça social, uma camisa, sem gravata ou blazer, estava dentro do ringue de frente para a mesa onde estava um juiz, ele tentava não demonstrar o quanto estava nervoso, mas era difícil manter a aparência.
João e Bianca estavam do lado oposto do lutador no ringue, ao lado dele estavam Jade e Thawick, a bailarina encarava Henrique e sorria para o namorado. Logo Gael subia as escadas da Ribalta para buscar a filha caçula.
Os dois desceram de braços dados, ela tentava não tremer, mas a cada foto que ela via pendurada pelo lugar ela sentia mais lagrimas se acumularem, foi levada diretamente para o ringue, passando cuidadosamente por entre as cordas, e finalmente encarou o namorado que sorria nervoso para ela.
Eles deram as mãos e então se viraram para chamar os filhos, o trio praticamente corria em direção aos pais, Bianca e Jade os ajudaram a entrar e eles ficaram ali brincando nos pés dos pais.
Não tiveram discursos, apenas os votos e uma troca de alianças, não podia ser nada muito demorado, porque obviamente Karina e Cobra não tinham paciência para coisas longas, e com três bebês de um ano não se pode abusar da sorte.
O juiz foi embora e então uma festa começou, o casal foi obrigado a tirar fotos, com e sem os filhos, isso obviamente até Benjamin começar a fazer um pequeno escândalo porque queria sua mãe.
–A gente podia pegar as crianças e fugir- Cobra falou no ouvido da agora esposa, fazendo a mesma gargalhar alto.
–Deixa de ser amarelão- ela debochou o beijando- vamos aproveitar que tem bastante gente pra ficar com eles no colo e vamos aproveitar um tempo nosso- ela o abraçou e ele a envolveu em seus braços a apertando contra si.
–Eu tive uma idéia- ele falou sorrindo travesso, discretamente puxou a namorada para os fundos, onde o material da academia havia sido guardado, ele sorriu para ela pegando dois pares de luva- pelos velhos tempos?
–Você gosta de perder né?- ela comentou tirando o sapato de salto que torturava seus pés e pegando as luvas as vestindo, começou a pular para se aquecer, não se importando com o vestido, era seu marido ali, qualquer coisa que pudesse aparecer ele já tinha visto afinal.
Os dois começaram a lutar, rindo e se provocando como sempre, os corpos começando a ficarem suados, e a alegria se estampava no rosto de ambos.
Bianca e Jade traziam os trigêmeos no colo, os pequenos já sentiam falta dos pais, as duas até pensaram em voltar para o salão com os pequenos, mas Cobra e Karina as notaram ali e pararam de lutar.
Sem dizer nada as duas artistas colocaram os pequenos no chão deixando que eles corressem rumo aos pais e em seguida saíram dali.
–Vem filho vamos vencer eles- a lutadora disse pegando Pedro Henrique, o mais marrentinho dos três e começando a pular, Cobra estava com Nina em um braço e Ben no outro.
–Vocês são dois nós somos três- Cobra falou rindo- temos mais força aqui.
–Ou menos braços- a loira afirmou dando um murro leve na cabeça do marido e rindo dele, os pequenos riam da alegria dos pais, sem entender exatamente o que acontecia- vai levar outra surra Cobreloa?
–Está falando com qual Cobreloa?- ele questionou- somos cinco aqui- ele colocou os pequenos no chão e pegou Pedro beijando sua testa e o colocando junto com os irmãos- mas já que esta falando tanto em surra.
Eles começaram a se bater desviando sempre dos filhos que riam deles e pulavam no meio, brincando entre eles e tentando correr atrás dos pais.
Cobra conseguiu derrubar Karina de costas no chão, e a loira não tinha forças para levantar, já que gargalhava sem parar, Benjamin foi o primeiro a se jogar sobre a mãe a abraçando e rindo.
–Montinho na mamãe- o lutador gritou, colocando os outros filhos sobre a barriga da mulher e deitando-se sobre eles sem soltar o peso de verdade.
Sem que ninguém visse Jade fotografava os momentos e sorria, nunca imaginaria que ali estaria ela festejando a felicidade do vagabundo e da machinho, riu de si mesma e em seguida saiu voltando para onde a festa acontecia, dando desculpas sobre o sumiço dos noivos e de seus filhos.
Aquele momento, de alegria em meio a chutes, socos e as risadas dos cinco mostrava o quanto à nova família Duarte Cobreloa estava em sintonia.
Karina nunca imaginaria aquilo quando conheceu Ricardo, imaginava que ele seria apenas seu melhor amigo, quem diria que ele lhe daria as três criaturas mais lindas de sua vida, e uma família de verdade, que ela nunca se imaginou digna de ter.
Ricardo Cobrelo observava a esposa e os filhos, eram a sua família, mas mais do que isso eram sua vida, ele que sempre se imaginou um cara incapaz de amar e ser amado descobria com aquelas quatro pessoas o que era o tal amor que sua mãe sempre falara pra ele quando ele era criança.
Talvez nenhum dos convidados daquela festa imaginasse aquele casal, que por muito tempo afirmaram serem apenas melhores amigos, casados e com três filhos, mas agora que aquela realidade havia se concretizado eles não conseguiam imaginar um futuro diferente para eles.
Cobra e Karina haviam sido feitos um para o outro, se amavam muito, mas mais do que marido e mulher eles eram melhores amigos e cúmplices, e de uma junção de tantos sentimentos positivos só podia nascer três crianças extremamente amadas e que sabiam dar e receber amor.
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