“I just wanna believe in me.”

(Eu só quero acreditar em mim)

— Believe In Me

Demetria Lovato Point Of View — Outubro de 2008

Acordei com o maldito despertador. Mais um dia naquele inferno! Não aguento mais aquela escola. Ainda bem que é meu último ano nela. Eu sofro bullying, e quando pergunto o porquê, dizem que é porque estou gorda. Eles não fazem ideia de quanto isso machuca por dentro. Passei a parar de comer, apenas água e olhe lá... Mas ficar sem comer não é o bastante, comecei a vomitar, faço isso quase 5 vezes por dia. Eu corto meus pulsos intencionalmente, é uma forma de expressar a vergonha de mim mesma. É a única forma de obter gratificação instantânea. Sempre escondo meus cortes com pulseiras e maquiagem. Mas o que mais me irrita é que eles só fazem isso quando estou sozinha. Quando estou com o Niall eles nunca fazem isso. Niall é meu melhor e único amigo. Tem o Zayn, que é amigo do Niall, e acabou se tornando meu colega, mas não somos tão íntimos. O conheci no jardim de infância, e não nos separamos mais. Atualmente o Niall está faltando aulas demais, o que significa que estou sendo zoada quase sempre. Quando estou com o Niall, eu me sinto boa comigo mesmo. Sinto que posso ser eu mesma. Ele é uma das poucas pessoas que me sinto confortável.
Levantei, tomei um banho e fui me arrumar. Desci e não encontrei minha mãe, ela já deve ter ido para a empresa. Menos mau, assim não preciso comer. Saí em rumo ao inferno que alguns chamam de escola. Mal cheguei e Louis Tomlinson e Harry Styles vieram me encher a paciência.
— Olha só, se não é a gordinha. Trouxe o quê de lanche, garota? — Louis disse, num tom debochado.
— Nada. — respondi secamente.
— Me dá o dinheiro então. — ele disse, rolando os olhos.
— O quê? Não mesmo! — disse, indignada.
— Olhe só, Harry, a garota não quer dar o dinheiro dela. — Louis disse, rindo.
— Anda, gorda. Não temos a manhã toda! — disse Harry, impaciente. Abri minha bolsa, peguei algumas moedas e dei a eles.
— Além de gorda, é mão de vaca? Ou está comendo até o dinheiro? — Louis disse, rindo.
Eles pegaram e saíram de lá, gargalhando. Sempre acontece isso quando estou sozinha. Tem dia que é pior. Se pelo menos o Niall tivesse vindo... Fui para a sala e as horas passaram rápido. Saí daquele inferno, em direção à minha casa. Cheguei e fui direto para o banheiro. Coloquei todo o lanche para fora. Abri a gaveta e achei lá minha fiel amiga, a lâmina. Cortei novamente meus pulsos. O sangue escorrendo me dava uma sensação de alívio. Ouvi um barulho e me assustei, afinal, estava sozinha em casa. Fechei a porta do banheiro e liguei o chuveiro. Tirei minha roupa e entrei no box. Logo alguém bate a porta.
— Demi? — era a voz da minha mãe.
— Oi, mãe. Já estou saindo. — disse, vendo meus pulsos pararem de sangrar.
— Era só para saber se está bem. Já estou saindo de novo, vim apenas pegar um documento. Vou viajar para a França, e só voltarei no final de semana.
— Ah, tudo bem. — disse, fechando o registro. — Boa viagem, mãe. — falei, me enrolando na toalha.
— Bom, até sábado. — ouvi seus passos descendo as escadas e a porta se fechando.
Respirei fundo e parei em frente ao espelho. Olhei dentro dos meus olhos no reflexo e analisei como minha vida é. Pessoas me odeiam, simplesmente por eu estar acima do peso, só tenho um amigo e o Zayn, minha mãe não se importa muito comigo, meu pai está morto, e eu não gosto do que vejo no espelho. São tantas coisas, que quando dei por mim, já estava chorando de soluçar. Eu só queria poder ser eu mesma, acreditar em mim, deixar de esconder tudo atrás de um sorriso, me sentir bonita.
Foi aí que eu parei e refleti, eu não preciso chorar por isso. Eu sou mais que isso, eu sou uma guerreira! Eu não posso continuar assim, eu preciso de ajuda.
Enxuguei as lágrimas e saí dali. Vesti um short jeans, uma blusa soltinha e peguei meu notebook. Coloquei na caixa de pesquisa: clínicas de reabilitação e apareceram vários endereços. Achei um aqui no centro de Londres, e decidi ligar para eles. Depois de dar todos os dados, os motivos pelo qual quero me internar, e outras coisas, finalmente marcaram o dia. Mais cedo do que imaginava: depois de amanhã mesmo eu iria para lá.
Juntei minhas economias, e decidi arrumar minha mochila. Peguei algumas peças de roupa e sapatos confortáveis. Peguei alguns livros, coisas de higiene pessoal, e pronto. Tudo certo para amanhã. Peguei meu caderno e resolvi escrever algo para mamãe e Niall, para explicar meu sumiço.
Depois de escrever uma carta para cada um, fui até a cozinha. Peguei um pão integral, uma fatia de queijo, e fiz um sanduíche. Fui até a geladeira, peguei um suco de laranja e voltei para a mesa. Depois de comer e lavar a louça, fui até meu quarto. Peguei meu pijama, calcinha e fui para o banheiro tomar banho. Depois de um longo banho, com direito a lavar o cabelo e tudo, me sequei, pus minha roupa e voltei para o quarto. Me deitei e verifiquei minhas redes sociais, já que ficarei por um tempo sem entrar nelas. Havia algumas mensagens do Niall.
“Você foi para a escola hoje?”
“Eu perdi a hora”
“Já está em casa?”
“Está tudo bem?”
Respondi que estava bem e com problemas femininos, sempre funciona. Bloqueei a tela do celular, coloquei na cabeceira e me ajeitei na cama, senti meus olhos pesarem e logo adormeci.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.