My Arab Husband
11 Capítulo 11: pov Bella
Notas iniciais
Eu simplesmente não conseguia acreditar no que meus ouvidos haviam escutado. Parecia um enredo medonho de novela, mas não era uma novela, era a realidade da minha vida e da vida de todas as pessoas envolvidas nessa grande confusão.
—Espera aí um minuto. Você está me dizendo que Carlisle e Charlie são os grandes causadores dessa novela toda?!.-eu perguntei ainda sem acreditar no que Edward havia me dito.
—Sim, infelizmente sim.-ele respondeu.
De repente minha imaginação começou a voar longe, para o dia em que foram acordar o “suposto” casamento de Tanya. Eu tenho quase certeza de que as coisas aconteceram exatamente como eu estou imaginando. Papai sentado em seu escritório, atrás de sua mesa de mármore branco, e Carlisle sentado a sua frente;
—Então Charlie, como eu estava dizendo, meu filho Edward está em busca de uma noiva, e chegou aos ouvidos de minha família que o senhor tem duas moças solteiras na família...-Carlisle iniciou a conversa.
—Sim, é verdade. Uma é minha filha e a outra a minha sobrinha...-disse papai mostrando e apontando, enquanto falava o grau de parentesco, uma foto em que havia Tanya e eu sentadas lado a lado, ambas usando véu, e com somente os rostos descobertos.
Nesse momento então, o celular de Carlisle tocou, era um problema em uma das inúmeras empresas da família Cullen...
—O QUE? NÃO PODE SER, FOI MANDADO UM CARREGAMENTO PARA LÁ....O NAVIO PASSARIA PELA SOMÁLIA EM DIREÇÃO AO QUÊNIA....VOU VER O QUE FOI FEITO DO NAVIO E JÁ LIGO DE VOLTA...-desligou Carlisle, virando-se para meu pai.
—Desculpe Charlie, tive um imprevisto que preciso resolver...
—Eu entendo, não precisa se desculpar.
—Com relação ao que estávamos conversando, você pode falar com um de meus seguranças, ele me passará as informações em outro momento...
—Sim, farei isso.-respondeu papai.
Os chefes das duas famílias se despediram, e Carlisle saiu pela porta. Papai então se sentou novamente, para instruir o segurança que Carlisle havia subordinado para a tarefa de saber tudo sobre eu e Tanya.
—Bom, sobre minhas meninas, minha filha, mora na França e estuda economia. Já minha sobrinha, foi criada de acordo com os costumes. Ambas as meninas foram muito bem orientadas com relação a religião, tenho certeza de que vão ser ótimas esposas.
Papai terminou de passar as nossas “fichas” ao segurança de Carlisle, que prestou bastante atenção. Ele entregou a foto que mostrou a Carlisle para o segurança, porém não achou necessário ou realmente esqueceu, de apontar novamente na fotografia quem era a filha e quem era a sobrinha. Tenho pra mim que papai pode ter pensado que como já havia mostrado para Carlisle quem era quem, fazer isso novamente era desnecessário.
—Então você recebeu a foto alguns dias depois do encontro de nossos pais?.-perguntei ao Edward, parando de imaginar sobre como foi que tudo isso aconteceu.
—Sim, meu pai me chamou para conversar exatamente quinze dias depois de seu encontro com Charlie. Ele me disse que a filha, se chamava Tanya e estudava economia em Paris. E na foto me apontou você como sendo Tanya. Eu me interessei por Tanya, que no caso é você, pela inteligência e ,pelo pouco que eu conseguia ver pelo véu na foto, um rosto bonito.-Edward explicou.
—Por Allah isso não está acontecendo. O segurança passou a informação errada para o seu pai?.-eu quis saber.
—Eu acho que não, o segurança deve ter dado a descrição correta, porém meu pai estava muito nervoso e preocupado naquelas duas semanas, nem estava dormindo direito. Uma de nossas embarcações foi sequestrada no oceano índico por piratas da Somália, a carga foi saqueada e os funcionários sequestrados. Ele deve ter se confundido por conta de toda a tensão, e acabou me passando as informações de forma completamente erradas.-Edward explicou.
—Bom, se foi isso mesmo o que aconteceu. Eu entendo seu pai ter confundido, eu no lugar dele também teria ficado muito nervosa. Mas, uma coisa ainda está me intrigando, como ninguém da sua família nunca percebeu que Tanya não é formada em porcaria nenhuma a não ser ter doutorado em chatice?!.-eu o questionei.
—É simples, meu pai conversou só comigo. Ninguém da minha família sabe o que me encantou em Tanya, no caso você, logo o assunto “formação” e “Paris” nunca foi mencionado quando eu conversava com meus familiares que já haviam tido contato com a minha noiva.
—Não entra na minha cabeça que essa confusão toda foi causada por um disse-me-disse, ou melhor a falta de um, e por uma sucessão de faltas de atenção. É simplesmente inacreditável, se eu contasse essa história pra qualquer um, achariam que eu estava ficando louca.-falei.
Edward riu, e nossa comida chegou. Mais da metade de nossa refeição foi feita em silêncio, até que Edward o quebrou;
—E foi assim que eu acabei me casando e divorciando de Tanya no mesmo dia...
—Coitada de Tanya, vai rasgar o véu a hora que souber de toda a verdade, de que ela na nunca foi escolhida para ser esposa de um príncipe.-eu lamentei.
—Ela nunca foi a escolhida por mim, ela não me encanta.-ele disse sério.
—Você comentou sobre isso, mas o que realmente te encanta em mim?.-de repente eu quis saber.
—Tirando o fato de você ser inteligente e bonita, que são coisas que eu já disse, tem o fato de você ter essa visão de mundo diferente da maioria das mulheres de nossa cultura e costumes. Quer dizer, você estudou e morou na França, você tem um pensamento mais aberto do a que grande parte das mulheres do “nosso mundo”. Isso me encanta, essa visão diferente. Mas ao mesmo tempo que você tem esse pensamento amplo, você tem também a parte muçulmana evidente em você, com traços e jeitos moldados pela nossa cultura...-Edward devaneou e me deixou envergonhada.
Eu só consegui acenar a cabeça.
Edward logo pagou a conta e saímos do prédio em que o restaurante ficava. Eu quis pagar um táxi mas ele insistiu em me levar até o hotel em que eu estava. Entrei novamente em seu carro, e seguimos até o Burj Al Arab.
—Bom, então obrigada pelo almoço e por me esclarecer essa história toda, por mais que ela pareça coisa de louco.-eu agradeci já colocando a mão na maçaneta da porta do carro.
—Eu que agradeço pela adorável companhia. E Bella, se um dia quiser conversar novamente ou coisa assim, é só me ligar ou mandar mensagem.-ele disse colocando um cartão em minha mão.
Quando nossas mãos se tocaram pelo milésimo de segundo que ele levou para colocar o cartão diretamente na minha mão, eu senti como se tivesse levado um choque. Não era uma sensação ruim, só era diferente...que estranho.
—Ah, obrigada.-agradeci e já ia sair do carro quando ele soprou no ar;
—Amo esse seu jeito oriental mas com uma pitada de ocidental...-e escutei sua risada rouca e baixa ao dizer a frase.
Fiquei desconcertada, mais do que já estava, e tratei logo de sair do carro antes que não quisesse nunca mais sair.
Do lado de fora tomei fôlego, até ter certeza de que não desmaiaria se tentasse chegar até a recepção do hotel, e fui dando passos cautelosos até chegar a entrada do hotel. Não olhei para trás e nem sei dizer que horas o carro de Edward saiu do estacionamento do Burj Al Arab, a única coisa que eu sentia era meus dedos formigando em volta do cartão de Edward que eu ainda segurava.
Resolvi permanecer mais alguns minutos na recepção do hotel, para me acalmar para enfrentar o que viria pela frente, assim que o elevador chegasse no andar de minha suite com Tanya. Guardei o cartão que Edward me deu no bolso de minha calça, e já estava me preparando para a choradeira de minha prima, que com certeza já sabia de tudo, assim como eu.
Fale com o autor