My Angelus
16 Como nos velhos tempos
Notas iniciais
─ Ela não quer olhar na minha cara. Não quer. ─ falei desesperada.
─ Isso vai passar Liza... Ela acabou de descobrir que anjos e demônios, vampiros e lobisomens, fantasmas e caçadores existem. É complicado. ─ disse ele me lançando um olhar encorajador.
Parei alguns segundos para reparar na frase de Sam, e observei que tudo havia um oposto. Parecia que anjos eram o oposto dos demônios e era como sentimentos. Felicidade oposto da tristeza. E amor do ódio.
─ Eu sei. ─ resmunguei. ─ Mas eu não fiquei furiosa quando descobri essas coisas. ─ falei e me joguei de bruços em minha cama.
Ele suspirou audivelmente passou as mãos em meus ombros e se retirou do quarto.
Eu ainda não acreditava que isso estava acontecendo. Havia acabado de meter minha amiga na maior enrascada da vida dela. E como resposta ela pediu para que saíssemos de perto dela. Esperta...
Dean havia cedido o seu quarto para que ela passasse a noite, mas e amanhã? Ela iria embora? Ou eu teria que mandar Zoe para um hospício, depois de tudo que ela descobriu? ... eu não sei.
Eu ainda pretendia pergunta-la como ela me achou aqui, mas isso não era prioridade no momento. Eu pedi para que Dean ficasse de olho nela já que eu não poderia. E agora tinha Crowley, eu tinha que contar para os meninos antes que Zoe comentasse o que havia visto.
O rei do inferno se dispôs a ajudar, mas não disse como iria fazer isso, talvez ele pense que se dissesse como, iria perder a utilidade e não poderia ter uma ‘’ aliada’’ , ele estava certo .
Eu me sentia sonolenta e minhas pálpebras pesavam cada vez mais, quando estava prestes a me render a inconsciência senti estar sendo observada. Alguns segundos depois despertei completamente e virei meu rosto em direção a porta. Havia uma pessoa se escondendo nas sombras próximas a parede. Talvez por estar sonolenta eu também estava calma. Escutava apenas minha respiração tranquila e meus batimentos ritmados.
Fiquei observando as sombras por algum tempo e acabei perguntando que estava ali.
─ Eu tenho que falar rápido, não tenho forças o suficiente para isso. Preste atenção, você precisa se manter próxima a mim... a nós. Eu posso precisar de ajuda, sinto que pode acontecer a qualquer momento...
Está chegando a hora amor.
Meu coração acelerou com essas palavras e eu percebi que estava de olhos fechados, quando os abri não havia ninguém dentro do quarto. Tentei controlar a respiração que agora estava falha. Eu havia pegado no sono e tendo um pesadelo totalmente sem sentido.
Senti um movimento em minha cama e me virei rapidamente, Zoe estava sentada ao meu lado com as mãos sobre o rosto, ela sentiu meu movimento e me olhou assustada. Olhei para o relógio no criado mudo, marcavam uma e quarenta da madrugada.
─ An, me desculpa, não queria te assustar, eu só estava querendo conversar e esperei que os caras fossem dormir. ─ ela falou olhando para as mãos que agora estavam sobre seu colo.
─ Ah, oi. ─ falei brincando com a ponta do travesseiro.
─ Eu... sei lá. ─ falou Zoe levantando as mãos e jogando as no colo logo em seguida. Li seus movimentos corporais, ela estava confusa.
─ Hum, espero que você tenha conseguido digerir as informações e ... ─ fiz uma pausa até que nossos olhares se cruzassem outra vez. ─ que entenda o porquê de eu ter omitido os fatos. Ela deu uma risada sem humor mas ficou seria logo em seguida.
─ Eu acho que você deveria ter me contado que havia largado a faculdade e saído da casa onde moramos por tanto tempo, e que sua vida tomou rumos tão drásticos...
─ Eu sei Zoe mas, tem o seu pai, e ... como me achou aqui?
─ Está tudo bem com meu pai, foi apenas um susto. E eu achei você porque logo depois de ter te ligado eu recebi uma ligação da Luiza ─ Luiza era a dona da casa onde alugávamos. ─ perguntando coisas estranhas, e ela não parava de repetir quando buscaríamos nossas coisas. Ai decidi rastrear seu celular ─ eu sorri e neguei com o rosto neste momento. Zoe havia aprendido a fazer isto a alguns meses atrás e sempre que podia colocava seu ‘’ conhecimento’’ em pratica, achei engraçado. ─ E acabei chegando aqui. Liza... Quero que faça uma coisa. Agora. ─ terminou de falar e entrelaçou os dedos nos meus.
─ Fazer o que? ─ perguntei desconfiada.
─ Me conte tudo o que aconteceu com você desde a última vez que nos vimos. Quero detalhes. ─ falou ela sorrindo e me contagiando.
─ Será um longa noite Zoe ... Você não faz ideia ─ falei sorrindo sarcástica e puxando-a para se deitar ao meu lado.
Era trágico que nos voltássemos a ter contato por motivos como esse ─ o mundo sobrenatural. ─ Mas era bom ter minha amiga comigo.
Conversamos a noite toda e colocamos os assuntos em dia. Eu também havia tirado várias dúvidas de Zoe sobre criaturas e acontecimentos. Ela havia rido muito quando disse que aquele baixinho de terno preto que vira mais cedo era o rei do inferno, ela não acreditava naquilo de maneira alguma, na verdade até eu duvidava disso.
Havia algum tempo que eu não me sentia tão segura e completa, porque estar sem minha irmã de guerra era como estar incompleta.
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