My Anchor

1 Capítulo 1 - My Anchor


Notas iniciais
Eaeeee, mais uma short pra vocês, espero que gostem. Boa leitura!

Andava a passos largos e agitados em meio a rua deserta e totalmente escura, apenas iluminada pela luz da lua e alguns postes que a iluminavam. Sentia algumas gotas finas da chuva que começava a cair, mas não me importei. Minha cabeça doía e tudo a minha volta parecia girar, respirava com dificuldades. Meu peito doía pela força que eu fazia para o ar invadi-los.

“-Deixe-me entrar Stiles...”

As lembranças do sonho inundavam meus pensamentos. Aquele provavelmente foi o pior pesadelo que tive em semanas, lembranças cruéis de tudo o que fiz, cada pessoa que assisti ser morta pelas minhas mãos, cada plano bolado, cada gosta de sangue que derramei, cada palavra. Ele estava preso e não mais dentro de mim no sentido literal, mas eu ainda tinha sonhos, pesadelos, lembranças. Vozes em minha cabeça, alucinações que fizeram com que os ataques de pânico aumentassem, tinha pelo menos dois por semana, ás vezes três. Não aguentava mais aquilo, aquela culpa me corroendo.

“-A culpa é um sentimento muito maduro...”

Lembrei-me da fala de Morell de quando eu estava na Echo House, não me sentia nada maduro. Sentia-me fraco, vulnerável. As vozes das pessoas gritando antes de morrer soando em meus ouvidos como se tivessem acontecendo agora, a voz fria e sombria do Nogitsune impregnada em minha mente, a fazendo latejar.

Eu só precisava de um pouco de ar fresco, mas não estava ajudando muito. As lembranças eram perturbadoras demais. Talvez fosse muita loucura sair assim no meio da noite, mas eu precisava, não aguentava ficar em casa, sentia como se as paredes estivessem se fechando a minha volta, prestes a me esmagar.

Dava uma certa cambaleada enquanto andava no meio da rua, sentia as pernas bambas e o ar ainda passando com dificuldade.

“-O que todos tem, mas ninguém pode perder...”

-A sombra. –Murmurei no automático, sem ter muito controle do que dizia, minha mente estava em um certo torpor.

Olhei a minha frente vendo no fim da rua a criatura completamente enfaixada me olhando, esperando eu ir até ele. Outro exatamente igual um pouco a dele. Olhei para o lado e havia mais um, atrás de mim. E outro e outro. Ouvi um zumbido penetrar meus ouvidos e cambaleei mais ainda levando as mãos às orelhas.

“-Stiles...”

Ouvi a voz de Morell, puxando a lembrança de minha mente.

“-Quando isso o perturbar ao estremo você precisa pensar em sua âncora, precisa achar uma âncora Stiles...”

Eu não precisava achar uma âncora, eu já tinha uma, sempre tive uma e acho que ela nunca mudaria. A imagem de Lydia veio em minha mente, eu nunca poderia ser minha própria âncora, porque Lydia era a melhor parte de mim, quem despertava sentimentos em mim que eu jamais senti por outra garota na vida, quem me trazia de volta dos pesadelos, de volta a sanidade e me tirava do poço fundo e escuro em que eu me enfiava para tentar fugir da dor. Mesmo não a tendo, eu a tinha.

A única coisa que eu ouvia no momento era meu coração batendo forte, ritmicamente. Com se fosse ampliado em algum aparelho, o som batia forte em meus ouvidos enquanto eu mantinha os olhos fechados com força, sentindo meus pés se enroscarem levemente um nos outros, quase me fazendo cair.

“Tutu, tutu, tutu.” Era como um batuque alto que me impedia de ouvir claramente meus pensamentos, fossem eles sobre Nogitsune ou Lydia. Não me deixava raciocinar, não deixava que eu puxasse o ar para dentro. “Tutu, tutu, tutu.”

Minha mente puxou imagens antigas de minha vida. “Tutu, tutu, tutu.”

“-Lydia, corra!” Gritava para Lydia que estava no meio do campo, eu observava Peter se aproximar dela, pronto para ataca-la. Forçava minhas pernas a correrem mais do que elas podiam, tentando chegar até ela, mas sendo tarde demais. Logo eu implorava para Peter não a matar.

“-Pode me matar, eu não me importo mais!”

“Tutu, tutu, tutu.”

“ -Vou matar todos eles Stiles! Todos que significam algo para você. Amigos... Família... Todos eles! Um por um.

-Por quê?

-Todos tem, mas ninguém pode perder...”

-A sombra. –Sussurrei novamente em meio ao torpor. O som do meu coração batendo forte. Senti meus pés se enroscarem de tal forma, me fazendo cair no chão frio e molhado. Sentia as gotas fortes de chuva cair e molhar cada parte de mim, mas não me importei nem por um segundo. Apenas me sentei, abraçando os joelhos, enterrando a cabeça no meio deles, sem ter coragem de abrir os olhos.

“-Deixe-me entrar Stiles...”

“Tutu, tutu, tutu.”

“-Stiles xi... Olhe para mim... Stiles... Xi...” Era como se a cena estivesse acontecendo novamente, senti as mãos quentes de Lydia em minhas bochechas, como naquele dia “Hey... Olhe para mim.” Logo seus lábios macios e reconfortantes envolver os meus de forma exigente e surpreendente.

“Tutu, tutu, tutu.”

-Lydia... –Sussurrei. Balbuciando coisas, me enrolando nas palavras.

“-...Estou nos braços do meu primeiro amor... Scott, Scott McCall”

“-Doi em você, tanto quanto doi em mim?

-Claro”

As lembranças perfuraram minha mente novamente, tentando me tirar dos pensamentos que me levariam novamente a sanidade, como se Nogitsune estivesse ali, me obrigando a apenas ter as más lembranças.

“Tutu, tutu, tutu.”

Foi quando senti algo em meu ombro, como uma mão. Me assustei de imediato, Nogitsune tinha chegado a mim. Levantei a cabeça me afastando às pressas do toque inesperado, me arrastando no chão, impulsionando meus pés a me levarem o mais longe possível daquela pessoa. A visão turva, no começo não me deixou ver com clareza quem era, mas logo ela foi entrando em foco e pude observar a silhueta de uma mulher parada a minha frente... Cabelos ruivos e uma expressão completamente preocupada. Lydia?

O som a minha volta pareceu voltar de imediato, causando um breve entupimento dos meus ouvido que pararam de ouvir os sons ritmados das batidas do meu coração.

Percebi as lagrimas que jorravam fortes, grossas e quentes pelos meus olhos, molhando meu rosto. Se misturando com a água da chuva forte que caia.

-Stiles... O que houve? –Ouvi a voz doce de Lydia me perguntar.

Eu respirava com força, meu perto subia e descia de forma exagerada, como se eu não respirasse ha tempos. Olhei em volta não encontrando nenhuma imagem assustadora do Nogitsune, apenas a rua escura e vazia, com Lydia ajoelhada a minha frente que também não parecia se importar com a chuva.

-Stiles... Vamos, vem, vamos sair daqui dessa chuva toda. –Ela pegou meu braço me ajudando a levantar, me apoiei nela ainda envolto no torpor obscuro da minha mente.

Ela me levou até o carro parado ali e ao contrario do que pensei, ela abiu a porta de trás do carro, me ajudando a entrar e entrando logo em seguida, fechando a porta, abafando o som da chuva que só aumentava do lado de fora.

Percebi meu corpo ter espasmos e ser impulsionado pelos soluços que eu emitia por causa do choro inconsciente. Não tinha controle dele, era como uma reação que meu organismo me obrigava a ter para liberar toda angustia de dentro de mim.

-Stiles... Stiles, xii, calma. Respira comigo ta, xi... –Lydia tentava me acalmar, as mãos em meu rosto me fazendo olhar em seus olhos. Ela respirava de forma calma e evidente para que eu acompanhasse, obriguei meus pulmões a trabalharem como deviam a imitando e respirando cada vez mais devagar, sentindo o choro diminuir e respirar com mais facilidade. Ficamos assim por alguns minutos, até eu parar de chorar quase que completamente e respirar já normalmente. –Tudo bem? –Lydia perguntou.

Não consegui responder, a voz não saiu de minha garganta e não fui capaz de formular palavras. Lydia se aproximou de mim e me abraçou. Senti seus braços me envolverem e o cheiro do seu perfume doce e único invadir minhas narinas. Trazendo-me uma paz, como se eu tivesse sentindo algo extremamente familiar em um mundo completamente entranho. A abracei com força e necessidade, com desespero sentindo as lagrimas, agora silenciosas, escorrem por meus olhos. Não queria deixar de abraça-la, precisava daquilo. Era como desejar a chuva enquanto estava em um deserto enorme e quente. Um completo alivio, um sentimento de segurança tomou conta de mim. Sentindo o torpor deixar minha mente aos poucos.

Minutos se passaram e eu já me sentia bem melhor, mas ainda sentindo minha mente fragilizada e como se fosse desabar a qualquer momento novamente. Me afastei um pouco do abraço apenas o suficiente para olhar nos olhos dela, mesmo com uma expressão preocupada Lydia não me fez perguntas, apenas sorriu, como se dissesse que esperaria eu estar confortável para contar o que houve.

Senti meus olhos pesados de sono, meu corpo doía cansado. Lydia levou as mãos aos meus cabelos os bagunçando um pouco mais e deitou levemente minha cabeça em seu colo, agradeci imensamente por isso.

-Tudo bem se não quiser falar agora... Só descansa um pouco. –Ela sussurrou.

Mas estranhamente eu me sentia bem o suficiente para falar agora. Me virei de barriga para cima para poder olha-la.

-Como você me achou? –Perguntei em um sussurro, com os olhos entreabertos. Sentindo seus dedos se enfiarem entre os fios revoltos do meu cabelo.

-Hm... Não sei direito, eu... Tive um tipo de pesadelo, acho. Então me levantei sem conseguir dormir de novo, sentia algo estranho... Como se algo estivesse muito errado. Inexplicavelmente pensei em você e te liguei, mas você não atendia. Peguei o carro e pretendia dirigir até sua casa, mas... Dirigi até aqui sem perceber e te achei... Acho que meio que senti. –Ela disse com um meio sorriso.

Sorri levemente, logo fazendo uma expressão séria. Respirei fundo e humedeci os lábios.

-Eu... Tive um pesadelo, mas... Foi diferente dos outros, mais... Real. Todas as pessoas que eu... Que eu machuquei, eu as vi, ouvi, senti tudo aquilo de novo e... Nogitsune falava comigo, eu o ouvi repetir as mesmas coisas várias e várias vezes, eu revi tudo o que o vi fazer dentro de mim. Fica pedindo para entrar e eu... Não aguentava mais, só queria sumir, esquecer tudo, faze-lo parar de falar na minha cabeça, então eu... Eu saí por ai, para tomar um ar e ver se adiantava, mas parece que só piorou e eu... Não sabia mais separar o que era sonho o que não era, não sei. Foi como se... Eu viajasse para outro lugar, em um universo diferente onde tudo ali só estivesse acumulado as coisas ruins que aconteceram conosco e... Foi horrível. –Estremeci com as lembranças.

-É... Você estava bem... Distante quando te encontrei.

-Você acha que é possível? –Perguntei.

-O que?

-Ele conseguir... Possuir-me novamente, mesmo tendo o prendido na caixa?

Lydia não respondeu de imediato, pensou um pouco e isso me preocupou.

-Não Stiles, ele está preso e bem preso. E se por acaso acontecer, nós daremos um jeito novamente, vamos salva-lo de novo.

-Não salvem, salvem as pessoas. Se isso algum dia acontecer novamente não se preocupem em me salvar. Vocês tem que salvar as pessoas, então precisam me matar.

-Stiles, nós nunca faríamos isso. Me entendeu? Nunca!

-Lydia, mesmo que conseguissem o expulsar de mim novamente e fazer algo com ele, sei lá. Eu não conseguiria viver comigo mesmo, já não me suporto agora, se acontecesse novamente...

-Stiles! Isso não vai acontecer entendeu? Nunca mais vai se repetir, não se preocupe com isso.

Ficamos em silencio por alguns minutos.

-Sabe... Você precisa pensar em algo para fazer quando tudo isso começar a domina-lo, sabe, as lembranças e tudo o mais. Como uma âncora.

-Eu tenho uma âncora. Mas é que dessa vez foi diferente... Eu tentava pensar nela, mas... algo me bloqueava, como se Nogitsune estivesse lutando em minha mente contra minha âncora, tentando me impedir de pensar nela, eu estava tentando. Ficou mais fácil quando você apareceu. Mais fácil me segurar na âncora e voltar á realidade...

Lydia desviou o olhar por um momento.

-Sua âncora... É uma pessoa? –Perguntou em um tom estranho. Franzi o cenho confuso, não entendendo o porque da pergunta.

-Sim... É um pessoa. –Respondi hesitante.

-Uma garota?

-Hm... Si-sim...

Lydia franziu o cenho, mas mais em uma expressão de irritação do que de confusão. Cruzou os braços fazendo um bico que só a fez ficar mais linda. Lydia impulsionou as pernas me fazendo levantar a cabeça de seu colo e me sentar no banco do carro. A olhei sem entender sua reação.

-Quem é? –Perguntou.

-O-O que? –Okay, eu não tinha intensão de contar a ela que ela era minha âncora. Quer dizer... Eu precisava contar?

-Quem é ela Stiles?

-Eu... ham...

-O que? Não vai me contar? Por quê?

-Eu...

-Está apaixonado por ela?

-Sim, mas...

Okay, eu estava, mas ela sabia disso não? Quer dizer... Lydia sabia que eu estava apaixonado por ela, sempre fui e nunca escondi isso. Então porque diabos ela se endireitou no banco de uma maneira parecendo completamente irritada agora. Okay, aquilo estava muito estranho.

-Lydia...

-Qual o nome dela?

Eu não queria dizer, quer dizer... Se ela sabia que eu era apaixonado por ela, porque parecia realmente acreditar que eu me referia a outra pessoa? Ela queria o que? Que eu dissesse com todas as letras que ela era minha âncora e tudo o mais? Pra que? Para me dar outro fora? Não.

-Porque você quer tanto que eu diga Lydia? Você... Deveria saber melhor que ninguém...

Ela desviou o olhar por alguns segundos, depois me olhou novamente, parecendo chateada.

-É a Malia não é? Vocês... Estão próximos ultimamente e...

-O que? Não. Do que você esta falando? Eu não... Quer dizer... Eu gosto de Malia, mas...

-Tudo bem, entendi. –Disse, colocando a mão na porta para abri-la.

-Hey. –Disse, segurando seu braço e a virando para mim, a impedindo de sair do carro. –Você... Realmente não tem ideia de quem estou falando?

Ela tinha se esquecido dos meus sentimentos por ela? Era isso? Não permitiria de jeito nenhum, ela tinha que sempre se lembrar do quanto eu era louco por ela.

-Sei Stiles! Sei muito bem! Você e Malia se agarrando por ai o tempo todo fica meio difícil de não ter uma ideia e...

Em um surto de coragem que eu não soube de onde veio, talvez para que ela parasse de falar tanta coisa sem sentido. Impulsionei meu corpo para frente, levando uma mão até sua nuca e a puxando para mim, selando nossos lábios. Pelo jeito, Lydia não me escutaria se eu dissesse alguma coisa, e eu mal podia acreditar que ela realmente tinha se esquecido do quanto eu amava, então tentei transpassar o máximo dos meus sentimentos naquele beijo. Inicialmente não movi meus lábios, apenas apreciei o momento e o sabor dela, incrédulo com a loucura que havia feito. Eu estava a beijando!

Precisava de mais, precisava sentir mais seu gosto, a textura de seus lábios macios comprimidos contra os meus. Precisava senti-la. Não permitiria que aquele beijo terminasse rápido como o primeiro, afinal eu queria faze-la sentir o quanto eu amava, sentir pelo menos um pouco já que era impossível medir o tamanho do meu amor por ela. Movimentei os lábios lentamente, ainda com a mão em sua nuca com medo de que ela se afastasse. Inicialmente Lydia pareceu assustada e completamente surpresa. Mas para a minha surpresa também, ela começou a movimentar os lábios como eu, ela estava... Correspondendo! Eu só podia estar dormindo ainda, como era possível um pesadelo horrível passar a ser um sonho tão bom e prazeroso? Se eu estava sonhando, então não queria acordar. E aproveitaria aquele sonho.

As mãos de Lydia foram para de trás do meu pescoço, envolvendo-o e me trazendo para mais perto dela. Em mais um lampejo de coragem pedi passagem com a língua lentamente entre seus dentes e ela permitiu de imediato que eu invadisse e explorasse sua boca, um tanto desajeitado. Meu Deus, como era viciante, único, divino. Minha mente novamente havia entrado em um torpor, mas um torpor bom era como se o mundo toda a nossa volta tivesse sumido. Lydia acariciou minha língua com a dela, distribuindo choques por todo meu corpo, senti os pelos de minha nuca se arrepiar, Lydia arranhou levemente meu pescoço enquanto sua outra mão escorregava levemente sobre meu peito, indo ao abdômen e subindo novamente, em uma brincadeira que estava me enlouquecendo. Não conseguir conter o gemido abafado que saiu de minha garganta. Aquilo não era sonho, não podia ser. Espera, Não era sonho! Eu estava beijando Lydia Marin!

Separei nossos lábios imediatamente, me arrependendo no instante seguinte. Sentir o ar invadir meus pulmões de uma vez, e abri os olhos, olhando Lydia com uma expressão incrédula. Eu havia beijado Lydia e ela havia correspondido! Ela ainda tinha os olhos fechados, e foi os abrindo lentamente.

Okay, era agora ou nunca. Será que ela ainda achava que minha âncora era outra pessoa? Ela havia se lembrado o quanto eu a amo?

Lydia abriu os olhos completamente e me encarou ofegante, como se esperasse que eu dissesse algo. Claro que ela esperava que eu dissesse algo, afinal, eu a havia beijado. Respirei fundo, procurando novamente a coragem que eu tinha adquirido minutos atrás.

Sorri nervosamente, tomei folego.

-Você é minha âncora. Sempre foi e sempre será Lydia. Sempre. Eu te amo, eu... Não pensei que você tivesse se esquecido disso...

-Me... Esquecido?

Sorri incrédulo.

-Você não vê o quanto sou louco por você? Sempre fui, desde o terceiro ano e... Claro que você é minha âncora...

-Eu... Pensei que você tivesse superado seus sentimentos por mim, sabe... Faz tempo que...

-Que não digo o quanto você é importante pra mim? Que não digo o quanto te amo e tudo o mais? Bem... Eu apenas... Apenas te deixei em paz, afinal... Você nunca ira se interessar por mim mesmo.

Lydia abriu a boca para dizer algo, mas eu a interrompi.

-Tudo bem, não estou te obrigando a nada, sei que não sente o mesmo por mim e que somos só amigo, e... Não quero perder isso Okay, esta tudo bem. Já me acostumei a te amar sem ser correspondido e...

Lydia colocou a mão sobre minha boca.

-Quer me escutar? Eu... Eu amo você!

Franzi o cenho, arregalei os olhos e abri a boca que ela já tinha descoberto.

-O... O que?

-Isso que você ouviu, eu te amo e me toquei disso faz algumas semanas, mas eu pensei... Bem, você estava o tempo todo com Malia e eu achei... Achei que, bem, em meio a tudo o que aconteceu, pensei que não sentia mais nada por mim.

Okay, aquilo era inacreditável, meu sorriso foi se abrindo, mais e mais e mais. Ao extremo, até minhas bochechas doerem, não pensei que fosse possível sorrir tanto. Lydia deu um meio sorriso, provavelmente por causa da minha expressão.

-Você... Isso é sério? Você... É claro que não superei coisa alguma, não importa quanto tempo passou ou vai passar eu sempre vou ama-la. Eu... Você falou sério quando disse que...

Lydia riu, se ajoelhou no banco do carro desconfortável e se aproximou de mim, envolveu os braços em meu pescoço, por estar ajoelhada estava um pouco mais alta do que eu.

-Sim, eu te amo.

Não aguentei vê-la ali tão perto, dizendo que me amava e não fazer nada. Lydia pareceu ter a mesma ideia, pois se abaixou colando meus lábios no dela novamente. Okay, podia me acostumar com aquilo, beija-la sem me preocupar se ela teria uma reação negativa depois.

Ficamos daquela maneira por um tempo, até eu me tocar da hora que era e do lugar onde estávamos. Me afastei e Lydia soltou um muxoxo em desaprovação.

-Hmm, está quase amanhecendo e meu pai deve estar acordando, vai surtar se não me ver la.

-O que? –Lydia olhou incrédula para a janela do carro onde já se podia ver os leves raios do sol nascendo. –Droga, também preciso ir, minha mãe também esta bem mais controladora comigo, se não me ver no quarto de manhã vai me matar.

Lydia colocou a mão na porta e novamente eu a impedi de abrir. Ela me olhou confusa. Me aproximei dela, nossos lábios a milímetros de distancia.

-Vai continuar sendo minha âncora? Quero dizer... Agora oficial? –Perguntei em um sussurro.

Lydia sorriu e me beijou brevemente.

-Sempre. Eu te amo.

Ainda era inacreditável ouvir aquelas palavras saindo de sua boca para mim.

-Eu te amo. –Respondi, a beijando novamente.

Novamente nos separamos.

-Vamos, se não seremos dois mortos pelos pais. –Ela disse sorrindo e finalmente abrindo a porta do carro.

Senti o vento frio pós chuva bater contra meu rosto, estremeci com o frio. Pensei no Nogitsune e os acontecimentos de algumas horas atrás.

-Você nunca mais irá dominar minha mente... Tenho um bom motivo para mantê-la sã e sobre meu completo controle. Posso até continuar tendo pesadelos, mas vou sempre ter a melhor âncora para me trazer de volta e me dizer o que é realidade ou não. Você perdeu o jogo. –Sussurrei para o nada a minha frente, mas eu sabia, que ele lá, preso em sua caixa estava me ouvindo e sentindo o poder das palavras que eu havia dito. Eu o sentia, sentia sua fúria, mas ela não me atingiu no momento, e talvez, não atingisse nunca mais.

Notas finais
Eaeee, gostaram? Gente kkk postei bem antes do que achei que postaria, mas né. Estava assistindo uns videos deles e tals, video aqui e ali e do nada Bum, comecei a escrever e não parei kkk então estou postando ja, espero que tenham gostado bjss, comentem!

P.S.:Pra quem não me acompanha aqui o link das outras One-Shorts espero que gostem.

- http://fanfiction.com.br/historia/547759/Mirrors/
- http://fanfiction.com.br/historia/542406/Panic_Attack/
- http://fanfiction.com.br/historia/544153/Apenas_diga_que_me_ama/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!