My Amazing Spider-Man

1 Prefácio - Início


Notas iniciais
Eu sou o tipo de pessoa que shipa casais improváveis, sabem? Me sinto doida às vezes. Mas como o Spirit é uma plataforma que traz certas liberdades para doidos que nem eu, então simbora e sejam muito bem-vindos aqui!

A fic se baseia em um dos últimos minutos de "Homem-Aranha: Sem Volta para Casa", quando MJ, nossa maravilhosa Zendaya, está prestes a morrer. Você que ainda não assistiu o filme e odeia spoilers, nem role mais essa página e vai correndo fazer o favor de assistir o filme! Tá esperando o quê? *-*

Vocês que assistiram, vão se localizar rapidinho. E também vão saber que, cara, a MJ sempre teve razão: tudo é meio que culpa do doutor Estranho também.

Boa leitura, minha gente! ♡

POV. Zendaya

Eu vou morrer.

Não consegui pensar em outra coisa. Meu cérebro se tornou geleia enquanto sentia a gravidade me puxar para baixo, e o vento chicoteava minhas costas a cada segundo que caía e enxergava o olhar desesperado de Ned cada vez mais distante e minha vida passar diante dos meus olhos.

Meu Deus, eu vou morrer! Essa era minha hora! É tarde demais!

Supliquei numa fração de segundos para que minha morte fosse indolor. Bom, tinha que ser, não é? Estava caindo do alto da Estátua da Liberdade, meu Deus do céu! As águas receberiam meu corpo feito concreto, o que poderia sobrar disso? Ao menos minha morte não seria em vão, estava lutando juntamente com o Peter para que a segunda chance daqueles malfeitores fosse garantida, mas nunca cheguei a cogitar que minha hora seria agora.

Com o coração titubeando enlouquecido dentro do peito, enxerguei Peter saltar. Desesperada, me forcei a ir contra a gravidade e tentei tocar seus dedos, esticando meu braço a ponto da dor, mas foi em vão: meu Peter havia sido levado. Levado pela manopla do duende para longe de mim. Arregalei os olhos e estremeci, me dando conta que não tinha mais o que fazer e esperei pelo pior. Estava conformada e senti minhas pálpebras pinicarem para se fecharem.

Que seja rápido, supliquei. Que seja rápido!

Porém, antes que eu fechasse os olhos e sofrer o impacto, uma sombra saltou num outro andar da construção e atravessou os concretos que caíam comigo. Estreitei o olhar e senti meu músculo entre minhas costelas falhar quando o Peter — o mais alto, que tinha os cabelos lisos e os músculos mais destacados, mesmo não sendo tão forte e brutamonte quantos os outros — pairou diante de mim, me alcançando. O escutei soltar um urro gutural, tão alto quanto seu salto em minha direção. Seu corpo colidiu contra o meu com força, a pancada causando um rodopio no ar, e eu agarrei seus ombros no mesmo instante que sua mão livre se esticou e lançou a teia, sustentando nós dois.

O Peter de outra dimensão me segurou em seus braços, aterrissando. Em pé, ele soltou a respiração em haustos, o corpo tremendo, os olhos embaçando para o vazio. Eu tremia tanto que podia ser comparada com uma vara verde.

Eu estou viva. Eu não morri!

Mirei o chão, o meu corpo ainda inteiro em seus braços e o seu rosto, agora virado para mim, os olhos tão profundos carregados por uma dor infindável. Sua tristeza era tanta, que acabei ficando sentida, perguntando-me se me deixar morrer era uma opção para ele.

Não precisou muitas palavras para eu compreender que não. Era muito pelo contrário.

Me manter viva era sua redenção.

— Você está bem? — Ele inquiriu, os olhos repletos de lágrimas acumuladas.

Eu balancei o rosto repentinas vezes, minhas pálpebras ainda muito abertas.

— Sim, sim... — Consegui dizer, ainda tremendo. — Estou.

Ele assentiu, seus olhos agora distantes, a cabeça pendendo para baixo devagar, os lábios trêmulos. Algumas das suas lágrimas escaparam. Meu coração se comprimiu tanto que minha preocupação expiralou em cada canto remoto de mim. Não pude resistir.

— E você está bem? — Sussurrei, querendo desesperadamente que ele me olhasse. Que visse minha gratidão de não me tornar uma pasta refletida em meus olhos. Concretos caíam ao nosso redor, porém, se não fosse por ele, eu estaria exatamente assim: em pedaços.

Peter tornou a me olhar outra vez, sua boca se apertando em uma linha fina no mesmo instante que assentiu. Eu sorri de leve e fiz aquilo que precisava fazer:

— Obrigada. — Senti minha voz ficar arranhada. Estava louca para chorar também, mesmo não sabendo exatamente o porquê. — Obrigada, você salvou minha vida.

Com o coração aos pulos, no meio de toda aquela dor, tive um vislumbre de um sorriso seu. Graças a mim.

E eu nunca havia me sentido tão aliviada e satisfeita na minha vida antes disso.

— Foi um prazer.

*

Havíamos conseguido.

Peter conteve o Duende e libertou Norman Osborn, o último do quinteto que restava. O Peter mais velho conseguiu extrair todo excesso de raiva que o mais novo carregava devido a morte da tia May, e graças a Deus, estava vivo, apesar de ter sido golpeado pelo cara possuído. Senti alívio, o coração mais leve, mesmo vendo os céus se abrirem e o feiticeiro de roupa de cosplay lutando para conter a multidão de pessoas que estão surgindo. Por mais que eu fosse uma ignorante e não soubesse nada de magia, imaginava que aquilo não era nada bom.

O terror percorreu minhas veias, mas o som de uma teia sendo lançada captou minha atenção, fazendo com que eu e Ned ao meu lado virássemos em direção à ela.

Peter, o meu Peter, aterrissou diante dos nossos olhos. Não perdemos tempo e corremos ao seu encontro, envolvendo-o em nossos braços, sentindo sua respiração em minha bochecha. Quase engasguei ao vê-lo todo ferido.

— Vocês estão bem? — Peter nos perguntou, apertando seus braços ao nosso redor.

— Sim, estamos — Ned fez que sim e eu também. Me afastei primeiro e conferi seu rosto. Peter teve a mesma ideia que eu e seus olhos se arregalaram, preocupados, mediante um pequeno machucado em minha sobrancelha.

— Meu Deus, MJ... Está doendo? Está doendo muito?

— Não, eu tô bem...

— Tem certeza?

— Sim, eu tô bem — garanti, acariciando seu rosto. Peter segurou o meu com as duas mãos, secando minhas bochechas úmidas. — Eu juro para você.

— Tá bom — assentiu, mirando meus lábios, soltando-me de repente e contemplando a Ned. Seu olhar estava perdido, como se estivesse vendo através de nós. Franzi o cenho sem entender.

— É... — Engoli em seco. — É melhor a gente ir...

Meu namorado voltou a me encarar. As pálpebras levemente cerradas e as lágrimas sobre as linhas me lembraram inevitavelmente o outro Peter. O mesmo semblante, a mesma dor, a agonia ao se lembrar da mulher que amava e que partiu estava ali, bem refletido no olhar do meu Peter. Senti meu peito oscilar, a compreensão sendo dolorosa demais para suportar. Não. Eu só podia estar vendo coisas...

— Vocês vão esquecer quem eu sou — setenciou, fazendo com que eu perdesse o ar.

Lutei por controle.

— O quê? — Ouço Ned perguntar.

— Esquecer você? Como assim? — Tive a impressão de ouvir minha voz, mas cheguei a pensar que ela havia soado inaudível. Meu coração pulsava forte, titubeando meus tímpanos.

O olhar de Peter esclarecia tudo. Não era brincadeira, tão pouco coisas da minha cabeça. Era real. Eu esqueceria dele. Esqueceria o homem que eu amava.

— Tá tudo bem — o timbre sempre macio e alegre soou quebrado, embargado. — Eu vou achar vocês, e eu vou explicar tudo. Eu vou fazer vocês lembrarem. Vai ser como se nada tivesse acontecido, tá?

— E s-se não funcionar? E se a gente não lembrar de você, e se não f-funcionar? Eu não quero isso. Eu não quero, não quero...

— MJ...

— Não tem nada que você possa fazer, não há outro plano que não seja esse? Sempre há outro jeito, sempre dá para fazer alguma coisa...

Ele meneou o rosto devagar, desviando de mim.

— Não dá para fazer nada.

Uma lágrima solitária lhe escapou, e bastou para que as minhas desabassem. Ao tornar a me encarar, ele garantiu, com confiança:

— Mas vai dar tudo certo.

— Você promete? — Ned disse, engolindo em seco.

Peter assentiu, antes de o envolver em um último abraço. Antes de se despedir de mim e ver e ouvir exatamente o quanto eu o amava, e o quanto o esperaria. Seria capaz de esperar até o fim dos meus dias, porque eu descobreria a verdade de um jeito ou de outro. Eu não saberia viver sem ele, sem ter as lembranças de tudo que passamos para sempre. Seria insuportável, e meu coração não estava preparado para tamanha dor.

Entretanto, antes que eu pudesse sentir seus lábios uma última vez, um grito escapou da sua garganta e eu arregalei os olhos, sentindo meu corpo ser puxado para longe em uma batida de coração, não me dando tempo de gritar também. Toda cidade pairou diante de mim como em câmera lenta e eu arregalei os olhos, sentindo a rendoma de magia envolver cada canto remoto de mim. Fiquei sem ar, tudo ao redor perdendo a forma, uma outra visão me atingindo enquanto minha cabeça girava e uma pontada atingiu o ponto central da minha cabeça. Só tive tempo de enxergar o olhar desesperado de Peter, Ned, e as pálpebras arregaladas do Doutor Steve até me perder na imensidão arroxada de uma das frestas do céu.

Então, veio a escuridão.

Notas finais
Impossível não chorar com essa cena, mesmo estando alterada, né?

Agora a mágica acontece!

A você que leu: eu agradeço por ter rolado essa página até o final. Você tem o meu coração inteirinho. Se quiser me presentear com colocações e incentivos, pode ter certeza que ficarei muito, mais muito feliz!

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