Notas iniciais
Agora o Mutt entra em cena, na típica corrida de motos.

Ruas de Bedford, Connecticut, Estados Unidos

Um novo dia surge. Os primeiros raios solares iluminam avenidas, ruas, becos, alguns prédios e estabelecimentos de comércio. A aurora prometia muito para os cidadãos americanos.

Já na Marshall College, mais um dia de aula... Com um pouco de traquinagem por parte de um aluno.

Mesmo sendo filho do novo reitor da faculdade, Mutt Williams mantém alguns velhos hábitos, como suas habilidades de mecânico, lutador de esgrima e um pouco de rebeldia. Esse lado selvagem é muito bem visto no educandário. Sempre que podia, zombava dos atletas e incomodava as meninas. Um passatempo divertido, mas terrivelmente maçante.

Na aula daquela manhã é sobre arqueologia. Todos prestavam a atenção dos relatos de Harold Oxley, o novo professor de História. De todos os professores, Oxley é o que ganhava mais destaque. Durante a aula, Edward "Ed" Rockbell tenta puxar um papo com Mutt.

- Hei , o campeonato ainda está em pé?

- Está sim. Minha moto está no estacionamento. Espere a aula terminar.

E esperaram exatos trinta minutos até o sinal tocar. Na saída, Oxley encerrou:

- E para próxima aula, tragam o ensaio de vinte folhas sobre as ruínas do templo de Atena e suas descobertas.

Todos saem da Marshall College. Uma pequena parte de alunos resolve ir à lanchonete mais próxima. Outros preferem a própria faculdade como "moradia" para os estudos. Poucos não concordam. E esses eram Mutt e seus amigos motoqueiros.

Seguindo em direção ao estacionamento, Mutt verificou se estava tudo em ordem no veículo e olhando para os lados, deu a partida e seguiu em direção ao ponto de encontro.

- Droga! Mil vezes droga!—reclamava Lucrecia caminhando nas ruas de Bedford.

Depois de uma longa e cansativa viagem, a menina seguiu a procura do professor Henry Jones Jr. Com a ajuda de algumas pessoas, ela traçou caminho, mas ainda dando curtos tempos de descanso, afinal era a primeira vez que pisava em solo americano e nunca vira nada igual.

Mutt conseguiu chegar ao ponto de encontro dos amigos. Era um lugar meio isolado da cidade, assemelhando um beco sem saída, porém com uma parede cheia de panfletos políticos.

- E ai, aceita o desafio? – perguntou Dickie, o líder da gangue e responsável do desafio.

Mutt analisou o lugar e num sorriso transbordando sarcasmo, respondeu:

- É brincadeira de criança. Desafio aceito!

Todos ovacionam a dupla. Uma corrida em alta velocidade e parar bem frente do muro e depois retornar a linha de chegada com a mesma velocidade eram de fato uma dificuldade para todo especialista em motos e carros.

Mutt sabia bem dos riscos e ainda sim resolveu aceitar. Não por popularidade. Era por amor de uma garota. Jane Priestley é aluna de Filosofia da faculdade. Loira, olhos azuis claros e rosto delicado conquistaram o rebelde Mutt.

Na preparação, todos ficaram de lado para representar a linha da vitória. No meio os motoqueiros ainda diziam.

- Coma poeira, Williams!

- Quando ganhar lembre-se do pagamento, babaca!

Aceleração e motores aquecidos. Todos ali estavam na mais alta expectativa. As garotas suspiravam por Dickie e Mutt.

Jane trocou breves olhares ao filho de Henry Jones Jr. e desejou boa sorte.

A primeira bandeirada é dada e os motoqueiros seguem na maior aceleração. O vento era a companhia de ambos e mesmo correndo os motoqueiros não paravam de trocar palavras de ofensas.

Aproximando da parede, as motos diminuem a velocidade e se preparam para a o retorno a linha. Excitado em ganhar, Dickie continuava a provocar o adversário.

- Te prepara, Williams!

Mutt não ligou para a frase e continuou sua concentração. Precisava ganhar por Jane. Não iria desistir. Não agora.

Mais uma vez os veículos seguem em alta velocidade. Era tudo ou nada. As motos quase se encostando e o conflito dos rebeldes era tenso.

Um minuto para um de eles chegarem...

A moto cruzou e segundos depois a bandeirada. Mutt Williams é o vencedor. Parando aos poucos, os amigos o abraçaram, dizendo uns parabéns pela vitória e grande virada.

- Pessoal comemoração na lanchonete por minha conta!—exclamou o jovem no seu maior orgulho de ter vencido uma corrida.

A caminhada ainda maçante continuava para Lucrecia. Sentiu-se mais perdida que um passarinho viajante. Agora sabia para onde ir. Com as informações obtidas dos amáveis cidadãos, a menina prosseguiu a passos largos rumo à faculdade Marshall.

No entanto, percebeu em meio ao burburinho da pequena multidão uma conversa. Ainda mais num idioma que não se encaixava nos Estados Unidos.

Caminhou rápido até uma lanchonete bem movimentada e mesclada entre os clientes, na maioria jovens estudantes, olhou na janela quem a seguia. Viu dois homens de terno, meio espadaúdos e ostentando um chapéu, resmungavam muito no seu idioma. Apreensiva, decidiu sair dali disfarçadamente sem demonstrar nervosismo. Driblando as pessoas ali no local e mais os empregos, sem querer acaba se esbarra num rapaz de jaqueta preta, calça azul e sapatos pretos e um penteado que mais lembrava o artista Elvis Presley.

O rapaz, com medo de ter machucado aquela garota, ajudou compreensivo.

- Você está bem?—perguntou e tentando ajudá-la a se levantar.

Ela por sua vez, raciocinava com a situação em que se encontrava. Olhou para os lados e depois respondeu:

- Estão por aqui... – ainda mais nervosa, continuou falando e implorando. —procuro pelo professor Henry Jones. Precisa me ajudar, por favor...

Mutt não sabia o que pensar. Aquela jovem estava fugindo de alguém e ainda por cima procurava por ele, o professor...

"Problemas.", pensou Williams. Uma coisa ele sabia também: é mais uma provável busca!

Continua...