Must Be The One

59 This life is beautiful around the world?


Mandy's POV

Hoje é mais uma sexta-feira da minha vida que eu não vou sair de casa e eu não vou mudar essa situação, não estou com a mínima vontade. Não tenho vontade nem mais de viver minha vida, ela está um saco. A única coisa que me mantém viva é o baixo que parece ser a única molécula que me compreende desse átomo que é o mundo.

Josh disse para mim que poderíamos ser amigos mas confessamos: Quem fica amigo de um ex? Ainda mais depois desse término de namoro que foi um cú. Uma porra. “Mimimi não temos tempo mimimi” Podíamos até não ter tempo mas iríamos dar um jeito, certo? É isso que casais normais fazem. Sentia que Josh estava escondendo alguma coisa de mim e que não falou por vergonha, o que fez ele terminar comigo daquele jeito que me fez sentir humilhada, logo estou agora com vergonha de olhar para ele. Viu? Efeito dominó.

Eu não sei o que é mais irreparável: a minha relação com o Josh ou a minha relação com o John. Com o John eu não sei se ele é meu amante, meu amigo, meu conhecido, meu affair... Nada está esclarecido nessa parte de definição do que somos mas quando converso com ele, eu me sinto tão natural que converso com ele como se ele fosse da minha família. E o que ele é me completa. É como se fosse uma chave e uma tranca. A chave serve para alguma coisa mas sem a tranca ela não irá servir para nada. Assim como a tranca, que ficará bloqueando o outro lado da porta sem a chave. Pena que eu estraguei tudo. Não expliquei direito por que terminei com o John e só pode ter sido Deus para me castigar e ter feito o Josh terminar comigo da mesma maneira. Praga de vida. Acho que não devia me envolver com nenhum. Senti isso logo no dia seguinte em que Josh terminou comigo. Falei com o John e contei tudo, não menti nem omiti um detalhe. Sabe o que ele falou? “Você mereceu”. E foi embora. Curto e grosso. Me sinto um lixo depois disso. Me sinto uma sem caráter e não consigo conversar mais com o John. Insegura sobre tudo.

Voltando para o dia de hoje: Depois que um banho bem demorado com direito a cantorias depressivas e desafinadas, vi uma ligação perdida do John. Eu não queria falar com ele de jeito nenhum, não era nem mais por vergonha é porque eu queria me concentrar no trabalho. Chega de vida amorosa. Sou uma freira agora. Meu celular tocou bem na hora que eu estava pensando em me mudar para Portugal já que lá é um país bem religioso. Era o John. Melhor atender logo e acabar com esse trim trim de telefone.

- Alô?

- Alô? Mandy? Você não vem, não? — perguntou John.

- Mas é claro que eu vou – falei num tom óbvio, só faltava um durt – Por que eu não iria?

- Porque já são onze horas e nenhum sinal seu aqui.

Olhei para o meu relógio de pulso e vi que eram 11:17. ONZE E DEZESSETE!!!!!! MEU TRABALHO COMEÇA ÀS 7:30!!!!! Dei um pulo e gritei. John riu do outro lado da linha mas eu não achei nada engraçado. Dei um tchau e desliguei na cara dele. Sinceramente? Acho que não ligo se estou sendo grossa ou não. Tinha neblina por isso nem desconfiei que eram 11 horas. O trânsito também não estava com cara de 11 horas.

Já estava vestida quando John me ligou então só faltava comer, maquiagem e pegar os papeis do trabalho. Acho que comi passando maquiagem, só sei que fiz isso tudo em 2 minutos e meio. Fui correndo e percebo que me enganei: ruas todas congestionadas. Como é que eu não ouvi as buzinas? Peguei o primeiro mototáxi que vi, porque de carro iria demorar muito. Chego no estúdio com o cabelo voando, já não estava nem mais preso de tão avoada que eu tava. Expliquei para David que meu despertador atrasou, ele aceitou sem problemas. Muito gente fina.

Depois de ter acalmado meu coração, fui trabalhar na minha mesa. Me concentrei em alguns contratos que tinha que revisar até que John entra na sala.

- Eita, quem é vivo sempre aparece! Pensava que você nem vinha mais – e ele abriu os braços.

Se ele estava esperando um abraço eu não sei, só sei que nem da cadeira eu me movi. Na verdade, nem movi meu olho, só soube que era o John por causa do cheiro. Ele tem um cheiro muito bom, único. Foquei nos contratos novamente.

- Acordou com o pé esquerdo foi? — disse John.

Não gosto quando as pessoas ficam fazendo essas brincadeirinhas. Na verdade até gosto, mas estava brigada com o John então ele não tinha direito de fazer essas brincadeirinhas. Ele ficou em silêncio – acho que Deus ouviu minhas preces – e ficou me encarando por um tempo. Ok. Isso já está ficando chato. O que ele queria? Olhei para ele de um jeito que dizia “fala logo o que tu veio fazer aqui, caralho” e ele entendeu. Finalmente.

- Precisamos conversar – disse John enquanto sentava na cadeira que tinha na frente da minha mesa.

Ele respirou fundo, estendeu as mãos deles na mesa, como se fosse para eu colocar as minhas mãos lá mas não fiz isso. Quando ele percebeu, ele recolheu as mãos e ficou passando pela gola da camisa. Parecia que ele estava nervoso, aguniado com aquela conversa. John se levantou, trancou a porta e voltou a cadeira, só que a aproximou mais da mesa e apoiou seu cotovelo nela e disse olhando nos meus olhos:

- Por favor, vamos parar de brigar. Não sei o motivo ao certo pelo qual estamos brigado mas isso me deixa um peso na consciência. Não é porque eu gosto de ti que isso está acontecendo mas é porque eu realmente não consigo ficar brigado com ninguém por tanto tempo por peso na consciência. Quer dizer, eu não consigo se eu ficar sóbrio. — disse John com uma voz amarga.

Olhei no fundo dos olhos deles para ver se ele estava falando a verdade. Os olhos dele se combinavam com a sobrancelha e formavam uma cara de súplica mas eu não conseguia engolir uma coisa que ele disse. Ele não gosta de mim. Tenho certeza. Ele gosta é daquela garota da adolescência dele que lembra eu.

- Não diga que você gosta de mim porque isso não é verdade. Antes de qualquer coisa aqui vamos falar a verdade – interrompi-o antes de ele negar o que eu falava – Você gosta é daquela mulher, aquela que você gostava quando era adolescente. Você gosta dela. Sou apenas uma mulher que se parece com ela, mas eu não sou ela, John.

John fez uma cara de “what the fuck?” e passou a mão no queixo.

- Caralho, Mandy, tu queres que eu escreva um cartaz enorme dizendo eu te amo, pendurado lá no Empire States para todo mundo ver? Já disse que você não tem nada a ver com aquela mulher! Se você tivesse alguma coisa parecida, você seria estúpida, superficial e vazia. Mas você não é. Você nem se parece mais com ela, você se parecia quando era criança. Só.

Bufei. Odiava de todo meu coração falar com o John daquele jeito e falar sobre aquela mulher.

- Uhum. Sei.

- Mandy, eu não vim aqui para te pedir em namoro. Vim aqui para voltarmos a ser amigos, a dar risadas pelos corredores, a tirar fotos malucas com caretas engraçadas.... Você a única que ri das minhas piadas, sinto falta disso. Eu sei que você não quer me namorar e eu respeito essa sua decisão. Tudo bem, a vida segue. Só não precisa nunca mais falar comigo por causa disso.

Olhei bem no fundo dos olhos dele e senti que ele estava falando a verdade. Hesitei. Ah, porra, por que eu estou hesitando? John é uma das pessoas mais legais que eu já conheci na minha vida inteira!

- Só volto a falar contigo se você pagar meu almoço – falei escondendo um riso.

- Então é pra já! Vamos que já é uma hora da tarde e eu estou faminto!

Eu ri e o acompanhei até a área de alimentação do estúdio. Como é que pode eu voltar a falar naturalmente com o John? Estava até rindo das piadas sem graça dele. Isso tudo depois de 2 minutos em que voltamos a nos falar. Como é bom....