Must Be The One
65 It's getting harder and harder
Mandy's POV
Nossa, esse beijo é bom. Muito bom. A cada segundo, ele melhorava e eu me envolvia mais nele. De repente, sinto um cheiro conhecido. Era o cheiro do John. Ok. Podem me chamar de louca mas eu tenho quase certeza que era o cheiro dele. Interrompi o beijo e olhei ao redor. John não estava e havia muitas pessoas ali, qualquer um poderia estar usando um perfume igual o dele não é? Mas mesmo assim.... Aquele cheiro me fez perceber que aquele beijo, apesar de bom, era diferente. Não era igual como eu o beijava antigamente.
– Está tudo bem? — perguntou Josh quando me viu afundando em pensamentos confusos.
– Ahn... Na verdade, não. É... Não sei bem como dizer isso.... Como você se sentiu?
– O quê? Como assim? O que que você está falando?
– Como você se sentiu quando nos beijamos?
– Ah, bem eu acho.
Fitei-o com um olhar "ah qual é, fala a verdade" até (meio segundo depois), ele completar com:
– Mas não foi igual como nos beijávamos antes. Foi meio estranho. Não que você não beije bem. Ao contrário, você beija muito bem.
Impossível não corar.
– Imaginei que não fosse a única a sentir isso. Não é a mesma coisa de antes. Sentia uma vontade louca de te beijar toda vez que o via, especialmente com esse casaco preto mas agora... — Josh encarou o casaco — Não que você não beije bem. Você beija muito bem.
Josh também corou e riu. Sentamos na cadeira de novo e encaramos o balcão.
– Então, não existe nada mais entre nós? — perguntou Josh.
– Não, definitivamente não. Quer dizer, em relação a algum tipo de namoro ou alguma coisa assim não é? Porque eu ainda quero ser sua amiga.
– Não, não, foi isso que eu quis dizer mesmo. Ufa. Ainda bem que você se sente assim também. Eu já pensava que eu era gay. — falou Josh num tom de alívio.
– Sério? Hahahhahahha. E eu já estava me achando a pessoa mais sem coração do mundo — e dei aquele abraço de urso nele.
– Ahh, que saudades desse abraço. Amigos então?
– Com certeza.
Essa foi a primeira (e única) vez que respondi a um "amigos?" com tanta certeza. Não precisa nem me conhecer. É só olhar para a minha aparência de mendiga ou bruxa do Halloween e minha cara de defunto de 50 anos para perceber que eu realmente precisava de um amigo para alegrar minha vida. Do meu melhor amigo.
Não sei como, mas de repente surgiu mil e um assuntos para conversar com o Josh. Se eu tivesse parado para pensar, iria perceber que tinha muita muita muita mas muita coisa para atualizar com ele. O relógio parecia estar acima da velocidade permitida porque quando olhei, aquele encontro no café "rapidinho" já tinha entrado na madrugada.
– Nossa, já é uma hora da manhã! Não sabia que eles ficavam abertos até a essa hora — falei.
– Acho que eles não ficam. Olha a cara da garçonete — disse Josh.
Olhei para a mesma garçonete que tinha paquerado com o Josh quando chegamos aqui e vi que além de ela estar mais feia com essa careta horrível de velha chata resmungona (talvez tenha exagerado), percebi que não havia mais ninguém na Starbucks. Foda-se. Tenho o meu melhor amigo e o melhor café da cidade. Ela que fique esperando até eu cansar.
Flea's POV
Tinha acabado de deitar na minha cama depois de um longo dia. Clara dormindo, ruas tranquilas... Poderia dormir calmamente. Não completou nem 5 segundos da minha pulada na cama quando o celular toca. Pensei em não atender mas também pensei que poderia ser alguma emergência.
– Alô?
– Oi. Eu sou o George, e estou falando de um celular de um homem que está caído no chão. Seu número era o último chamado aqui. Você conhece esse número?
Olhei para o identificador de chamadas. Não reconheci de primeira e só conseguia pensar em "um homem está caído no chão". Olhei de novo e nada. Lembrei que o John tinha ligado mais cedo, do celular de um taxista, avisando que iria ficar o fim de semana em um hotel na beira de uma praia, não muito distante de Los Angeles, para esfriar a cabeça e relaxar um pouco. Perguntei se o acidente envolvia algum táxi e George confirmou.
– Meu deus! Está tudo bem? O que aconteceu com o John?? — perguntei desesperado.
– Não sei. Há um ferimento muito grande na perna dele e é só isso que eu consgio ver.
– Como assim??? Ele perdeu a perna dele, é isso??? Onde você está?? Vou chamar uma ambulância — me desesperava mais e mais a cada milésimo de segundo.
– Calma, senhor. Ele está meio deslocado para fora do carro, por isso consigo ver suas pernas. Mas aqui está muito escuro e o como o carro está capotado, não consigo ver o resto, mas ele não está decapitado ou sem perna. Estou na Lincoln Boulevard e já chamei uma ambulância.
– Ok. Muito obrigado George, estou a caminho e por favor, fique aí até eu chegar e não deixe o filho da puta que fez isso escapar.
Desliguei rapidamente e fui até o quarto de Clara. Não tinha ninguém mais em casa para cuidar dela então ela tinha que ir comigo. Coloquei ela no meu colo, peguei as chaves do carro e o meu celular.
Estava longe da Lincoln Boulevard. Na verdade, estava muito longe dela. Estava no extremo oposto e parecia mais longe com os pensamentos que vinham na minha mente. Liguei para o Anthony enquanto dirigia o mais rápido possível.
– Hey Flea, what's up?
– Anthony, aconteceu algo muito ruim com o John. Não sei ao certo mas ele sofreu um acidente de carro.
– Meu Deus, onde você está? — perguntou Anthony aflito.
– Estou a caminho ainda, o acidente foi na Lincoln Boulevard.
– Lincoln Boulevard??? O que ele estava fazendo pra lá?
– Ele foi passar o fim de semana fora, te explico melhor quando chegar lá. Avise ao Chad.
– Ok, ok.
Desliguei rapidamente de novo. Clara me perguntava o que estava acontecendo. Não conseguia responder. Não queria acreditar que tinha acontecido algo ruim com John. Não queria.
Depois de uma eternidade, chegamos a rua do acidente e logo vi um carro amarelo. Saí correndo do carro com Clara no colo e a ambulância chega e estaciona bem na frente do táxi. Avistei um homem falando com os paramédicos.
– Você é o George? — perguntei.
– Sim. Você que é o amigo do John? Pera aí, eu conheço você de algum lugar...
– É, sou eu o amigo do John. Está tudo bem?? — dessa vez a pergunta foi mais direcionada ao paramédico.
Este simplesmente me ignorou o que quase me fez pular pra cima dele em busaca de alguma resposta mas George logo me interrompeu.
– Calma aí, você é o Flea? Cara...
– É, sou eu. Meu Deus, tirem o John daqui! Tirem! — gritei.
– Calma aí — isso já estava realmente me irritantando — esse John, é o John? O John, o guitarrista do Red Hot? — perguntou George.
– É, é ele sim.
– Wow. Me desculpe conhecê-lo nessas circunstâncias mas sou um grande fã de vocês. Temos que levá-lo o mais rápido possível para um hospital. John não pode morrer, ouvi dizer que ele está fazendo um álbum solo, é verdade?
John estava ali no chão, inconsciente e esse cara só conseguia pensar em boatos de um álbum? Foda-se o álbum, tenho que tirar o meu melhor amigo dali.
Corri ao lado dos paramédicos e ouvi eles dizerem que seria preciso um guincho ou alguma coisa parecida para poder tirar alguém dali. Gritei logo para George pedingo que ele chamasse os bombeiros. Estava muito agradecido por George ter me ligado e ter ajudado John de alguma maneira mas tinha muito mais coisa para se preocupar do que com um álbum solo. Vi Clara ao lado da ambulância, confusa e sonolenta. Fui até ela e abracei-a.
– Papai, esta tudo bem?
Não consegui falar. Fiz um não com a cabeça e chorei.
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