No meio da noite, Anna acordou. A respiração suave e constante do homem ao seu lado lhe dizia que ele estava dormindo. Apesar de eles terem dormido separados, agora Erik abraçava Anna com carinho, como se tentasse portegê-la de qualquer coisa que pudesse estar em seus sonhos. Anna repousou sua cabeça sobre o peito dele, sentindo o aperto do Fantasma se fortalecer e se estreitar, fazendo com que seu corpo se moldasse perfeitamente ao dele. Seus olhos se fecharam novamente em uma questão de segundos.


Um pouco depois disso, Erik acordou. Ele conseguia enxergar Anna mesmo na escuridão, ele tivera anos para se acostumar. Mas ele estava bravo consigo mesmo. Não tinha conseguido se controlar, e agora seus braços apertavam o corpo pequeno de Anna com tanta força que cada centímetro de seus corpos estavam colados. A cabeça de Anna repousava em seu peito e isso dava ao Fantasma uma paz tão doce, lhe proporcionava um prazer tão estranho.
–Eu amo você, Anna. — Erik sussurrou para a noite as palavras que nunca tivera coragem de revelar para o dia.

Os olhos de Anna se abriram lentamente, enquanto ela sentia os braços de Erik ainda em volta de si. Ela levantou a cabeça de seu peito por um instante, mas foi o suficiente para acordar Erik. Os olhos lindos dele se abriram muito rápido e a sombra de um sorriso passou por seus lábios.
-Bom dia, anjo. — ele sussurrou.
-Bom dia, Erik. — Anna sussurrou de volta.
Então os olhos do Fantasma se voltaram para os seus braços, que apertavam firmemente o corpo de Anna e ele ficou sério, se afastando.
-Me desculpe, Anna. Sei que você não gosta nem que as pessoas te toquem, e-eu... Me desculpe.

-Não, Erik, tudo bem. — ela disse, rápida, e então suas bochechas coraram. -Você é uma exceção.


Aquilo fez com que o rosto de Erik se iluminasse. Os olhos — que naquele dia estavam verdes — brilharam como esmeraldas.
-Sério?
Anna se limitou a encará-lo e assentir, como se não acreditasse que ele duvidasse de si mesmo.

-Isso é uma coisa totalmente nova para mim. — ele sussurrou. E então uma lágrima escapou de seus olhos, deslizando pela parte exposta de seu rosto.
Anna o olhou, triste. Então ela ergueu a mão para secar a lágrima de sua bochecha.
-Erik, não chore. Me desculpe, não era a minha intenção te deixar assim e...Anna foi interrompida pelos lábios de Erik em seus próprios. Ela sentiu Erik sorrir contra seu beijo, e sentiu o gosto das lágrimas dele.-Não são lágrimas de tristeza, Anna. Muito pelo contrário. — o Fantasma sussurrou em seu ouvido.
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POV Erik

-Não são lágrimas de tristeza, Anna. Muito pelo contrário. — eu sussurrei em seu ouvido. Como ela podia se sentir culpada por aquilo?
Será que Anna tem a menor ideia do poder que ela tem sobre mim? Eu tenho certeza que não. Ela age de uma forma tão pura, tão inocente apesar de tudo pelo o que já passou, mas ainda assim consegue ser tão sensual e...Meu Deus, meu anjo era com certeza a versão feminina do Dom Juan. Eu ficava sem fôlego só de vê-la, imagine ao beijá-la... Não, melhor — imagine o que eu sentia quando podia a segurar em meus braços, sentir suas mãos pequenas secando minhas lágrimas. Aquela garotinha ainda me deixaria louco. E esse era um dos problemas — eu não podia me esquecer de que ela era só uma garotinha, uma criança. Mesmo que seu corpo e mente me dissessem o contrário.
Mas... eu não podia fingir que eu era alguém normal. Eu era um monstro, o filho do Diabo, e não podia obrigar um anjo a viver na escuridão comigo. Não podia obrigá-la a ficar com um assassino. Afinal, quem era eu para pensar que tivesse o direito de amá-la ou de pensar que pudesse ser amado de volta? Isso nunca aconteceria.

-Erik? Você está bem? — meu pequeno anjo perguntou preocupada, pegando uma de minhas mãos nas suas.
-Estou ótimo. — respondi depois de ter tempo o suficiente para sair de meu transe de pensamentos, apertando suas mãozinhas de leve e tentando sorrir.
-Tem certeza? Sabe que pode me dizer o que está te chateando se quiser, não sabe? Eu confio em você, quero que você possa confiar em mim também. — Anna murmurou, a tristeza costumeira em seus olhos.

-Eu sei, e-eu só...

-Erik, por favor.

- Eu não sei se é a coisa certa a fazer, você sabe. Quer dizer, não posso te deixar aqui pelo resto da minha vida, no escuro e solitária, e de qualquer jeito... Você parece tão inocente, Anna, tão frágil; e eu sou um monstro. Sinto o impulso de te proteger, mas talvez eu devesse te proteger de mim mesmo.

-Eu não acho que...-

-Eu já matei, Anna! Sem pensar duas vezes antes e sem me arrepender depois!...-

-Erik! — Anna interrompeu, a voz se levantando um pouco. — Eu também já matei, embora não me sinta orgulhosa, e acho que você sabe perfeitamente bem disso. — ela pausou, procurando palavras. — Tem uma coisa que eu preciso te falar, Erik. Eu nunca senti nada assim por ninguém antes, e não tenho segurança quanto a isso, mas eu acho que... eu te amo.

Notas finais
TAN TAN TAN TAAAAAAAAAAAN! Suspense...
Espero q vcs tenham gostado - e que nao se esqueçam de deixar um review.
Bjos, Luna :*