Notas iniciais
Espero que gostem.

(Editado em 14/10/2016)

Compreensivelmente animada após descobrir que seu rosto era perfeitamente simétrico, a menina estava ansiosa por descobrir se o mesmo se sucedera com seu amigo, Lui. Perguntou à Madame Giry como poderia encontrá-lo, e a senhora atenciosamente mostrou-lhe o caminho, conduzindo-a pelos longos e ricos corredores do Ópera Populaire. O teatro era realmente imenso, e todo aquele tamanho assustava um pouco a garota que, até poucas horas, conhecia apenas as dimensões de uma minúscula jaula.

—Esse é o quarto de Christine Daaè, noiva de Raoul. Como o visconde não mora aqui, esse é o único lugar em que deve estar agora. – disse a senhora grisalha, batendo em uma alta porta de ébano.

A garota observou enquanto a porta escura lentamente se abria, deixando aparecer um rostinho feminino. Era uma jovem pequena e magra, de cabelos longos, cacheados e castanho-claros, como os olhos; a pele era bela e bastante clara, embora fosse possível perceber que seria ainda mais branca se não estivesse um pouco queimada de sol.

—Essa é Christine Daaè. – Giry introduziu, se perguntando como apresentar a garota e, por fim, desistindo. –Christine, por acaso Raoul está aí?

—Sim, com aquele garoto da máscara... – Christine parecia um pouco incomodada com a situação.

—Lui. – a garota corrigiu baixinho.

—Sim. Lui. Querem entrar? – a soprano perguntou, escancarando a porta.

Madame Giry entrou e a garota apenas seguiu, como uma sombra, esboçando um sorrisinho tímido para a Srta. Daaè. Estava admirada com a beleza de Christine. Raoul estava tentando achar alguma roupa da qual Lui não reclamasse. Mas os dois pararam de discutir quando viram a pequena sem nome entrar no cômodo. Ficaram mudos, até Lui conseguir romper o silêncio.

—O que aconteceu? – perguntou, estupefato.

—Como assim? –disse a pequena, por um momento esquecendo-se de que estava sem a máscara, e sem deformação.

—Seu rosto! -Lui se levantou e andou até a garota, tocando as bochechas lisas, querendo ter certeza de que era real. Mesmo sabendo que Lui não iria machucá-la, a garota se encolheu e recuou um pouco, por puro instinto. Ela não conseguia deixar que os outros a tocassem. Tinha medo — era como uma fobia.

—Penso que os ciganos eram exímios maquiadores, meus caros. Ela é absolutamente normal. – Mme. Giry intrometeu-se.

Christine observava a cena sem entender nada, enquanto a seu lado, Raoul de Chagny pasmava boquiaberto.

Então a pequena percebeu que mesmo depois de ter se banhado, Lui continuava ostentando a máscara. Ele não tivera a mesma sorte, e parecia fascinado por descobrir a verdade sobre o rosto da amiga. Ele estava completamente fascinado. Ela, por outro lado, estava bastante nervosa e incomodada com a proximidade e o aparente fascínio do amigo. Queria afastar-se.

Madame Giry percebeu a tensão que se formava, resolvendo interrompê-la. Chamou a menina:

—Querida, gostaria de conhecer o resto da Ópera?

—Claro! – a pequena suspirou, aliviada. Lui não compreendeu porque não fora convidado a conhecer melhor a Ópera também, visto que tudo era novidade para ele, assim como para a amiga. Conformou-se a virar-se para Raoul e recomeçar a discussão sobre que roupa usar.

Enquanto Mme. Giry e sua nova pupila andavam pelos corredores extensos, a mais velha disse:

—Precisamos de um nome para você, menina! Não é possível viver sem ter um nome. De quais você gosta?

—Não sei. – a menina, como de costume, tinha os olhos voltados para o chão. Tentou pensar em nomes que lhe parecessem agradáveis aos ouvidos, mas pouco conhecia. -Acho que não tem nenhum nome específico.

—Certo, deixe-me pensar. – a senhora tomou um ar pensativo. — O que você acha de Adrien?

A menina balançou a cabeça negativamente. Não.

—Frances?

Não.

–Mafalda?

Não.

— Que tal Belle?

Não. A garota achava tudo aquilo muito estranho, não conseguia se imaginar com nenhum daqueles nomes. Como seria uma Frances? Como deveria se comportar uma Belle? Ela não sabia. Talvez um nome não fosse algo tão importante, mas ela nunca tivera nome algum e gostaria que o seu fosse perfeito, e que combinasse com ela.

Antoinete Giry já demonstrava ar de leve irritação. Olhou para a menina ao seu lado e observando-a, imaginou qual nome lhe cairia melhor. Pensou, hesitou e, por fim, sugeriu.

— E Anna?

Os olhos sempre-tristonhos da menina brilharam. Anna. Ela poderia ser uma Anna.

—Gosto de Anna. – ela murmurou, assentindo com a cabeça.

Anna era simples, bonito.

—Finalmente! Então está bem, a partir de agora, você será Anna.

A garota estava feliz por poder ser identificada agora. Depois de tantos anos sendo apenas um vulto dentro de uma jaula... Pensando nisso, a menina se lembrou que estava curiosa quanto a uma coisa. Mme. Giry e Raoul pareciam boas pessoas. Não pareciam do tipo que iriam até o espetáculo dos ciganos para rir da infelicidade alheia.

—O que você e Raoul estavam fazendo lá? – ela perguntou, quieta, sabendo que Antoinette entenderia a que ela se referia.

—Bem, é complicado. – a senhora suspirou — Eu tenho um amigo... Um conhecido, na verdade, que já passou pelo mesmo que você e Lui, há muitos, muitos anos. Os ciganos torturavam-no terrivelmente. A mesma linhagem de ciganos. Nós estávamos indo comprar algumas coisas para o casamento de Raoul quando vi todos aqueles contorcionistas e aquelas bandeiras coloridas. Tinha que conferir se eram os ciganos, se continuavam com o mesmo costume estúpido de torturar pessoas indefesas.

Anna enrugou as sobrancelhas, estranhando o brilho nos olhos de Madame Giry enquanto falava de seu conhecido. A menina tinha certeza que a senhora não estava lhe contando a história toda, mas preferiu não comentar.

—Quem é esse conhecido? – ela perguntou, curiosa.

—O nome dele é... — Giry se interrompeu antes que pudesse completar a frase. Ninguém o chamava pelo nome. – Ele é conhecido apenas por Fantasma da Ópera.

Notas finais
Se tiver alguém lendo, deixa review... Bjos, Luna :*