Music In My Heart

7 Capitulo 7 - A Bunch of Deadly Fangirls


Notas iniciais
Não me abandonem pessoal :( aqui estou eu a postar um novo capitulo com a maior rapidez com que já postei qualquer um, quando somente a Merida comentou. Poh desanimei. Então o capitulo é dedicado à Merida que nunca me abandonou desde o ínicio (ly *-*) e à Sra Valdez Jackson Di Ângelo que favoritou. Thanks às meninas! ps. Alguém vê The Vampire Diaries? O meu coração foi quebrado e dado de comer aos cães depois do final da 5ª temporada...

— Percy, por favor, esclarece-me novamente como viemos aqui parar — pedi, fechando os olhos e esfregando as têmporas de modo a aliviar a enxaqueca. Quando voltei-os a abrir, ele olhava-me com um sorriso despreocupado no rosto, as covinhas proeminentes tornando-o infantil e incrivelmente atraente. Notei pela primeira vez num único dente torto na sua boca, quase imperceptível na verdade, mas que ao contrário do esperado, fascinou-me, se tal era possível, ainda mais pelo seu sorriso.

Aquela era a prova que ele era… real e não um projeto livre de imperfeições criado num laboratório científico. Percy era real.

— Queres que comece pelo café que entornei em cima de ti na primeira vez que nos conhecemos ou os últimos cinco minutos basta? — inquiriu com os lábios repuxados enquanto tentava esconder o sorriso. Mandei-lhe um olhar de advertência e a sua luta contra um intensificou-se. — Calma princesa, estava só a brincar.

Assim que as palavras saíram da sua boca, senti as bochechas queimarem e, infelizmente, nada tinha a ver com o tempo escaldante na qual Nova Iorque estava banhada.

— Princesa? — balbuciei, encarando os pés. Percebi que Percy não compreendeu o que havia dito quando não respondeu de imediato, mas após segundos de meditação silenciosa ele finalmente falou. Não tive coragem de olhar para o seu rosto, mas quase que podia sentir o maldito sorriso lá presente.

— Achei que o termo assentava bem em ti.

— Não interessa, simplesmente continua a tua explicação.

Percy levantou uma sobrancelha negra na minha direção, como se para confirmar que estava a falar a sério. Continuei com a minha expressão impassível, mexendo nervosamente os dedos contra as coxas. Na verdade, eu não queria realmente saber como havíamos aqui parado uma vez que não sofri de nenhum caso remotamente ligeiro ou grave de amnésia nas últimas horas, contudo desejava algo, qualquer coisa, que desviasse a atenção das minhas bochechas avermelhadas. Por fim, ele deu um suspiro derrotado.

— Nós viemos almoçar todos juntos, como sugerimos ontem enquanto tu e Annabeth visitavam o nosso apartamento e, devo acrescentar, que tu aceitas-te de forma nada petulante e nada resistente — frisou, com a voz livre de sarcasmo. — Mas nós meio que fomos perseguidos por algumas meninas e tivemos de interromper a saída por breves instantes…

— Define breve.

Percy suspirou pesadamente.

— Certo Thalia, o que andaste a beber?

Olhei-o irritada antes de passear o olhar pela loja de roupas em que estávamos refugiados. Annie encarava-me fixamente do outro lado da All Saints¹ mas logo os seus olhos encontraram os meus ela deu um pequeno sorriso e virou a cabeça, voltando a falar o que fosse com Silena.

Abri a boca para revidar a provocação de Percy todavia ele cortou-me no ato.

— Se estás a tentar arranjar assunto para desviar a atenção do facto de as tuas faces terem adotado um tom terrível de vermelho quando te chamei de princesa, é minha obrigação informar-te que não estás a fazer um bom trabalho.

Corei uma vez mais e estava prestes a dizer algo, embora para ser sincera não sabia bem o quê, quando Percy interrompeu-me pela segunda vez consecutiva no dia. Esperava ansiosamente que isto não se tornasse um hábito.

— Vais perceber que por vezes, e por mais que me custe admitir, posso ser lerdo, mas não tão lerdo assim, princesa. — comentou, com uma piscadela.

— Só para de me chamar assim.

— Como preferires bebé. — disse, dando de ombros, os olhos claros malandros como se tratasse de um menino pequeno apanhado a mexer no pacote dos biscoitos quando só deveria comê-los depois do jantar mas, ainda assim, não se sentia nem um pouco arrependido.

— Percy!

— O quê? — exclamou com falsa inocência, batendo os cílios escuros exageradamente.

— Vamos limitar-nos a acabar com os apelidos amorosos, sim?

Ele olhou-me com se o tivesse ofendido de alguma maneira e, em vez de me responder, puxou um chapéu Fedora preto e enfiou-o na cabeça lenta e sensualmente, seguido de um rodopio. Depois tirou-o e pousou-o sobre o lugar onde estaria o coração, elevando as sobrancelhas na minha direção múltiplas vezes de forma sugestiva.

Deixei escapar um pequeno riso e peguei um daqueles cachecóis repletos de plumas, enrolando-o à volta do pescoço e mandando um beijo para Percy. Ele fingiu que o apanhou e escondeu no bolso das calças. Gargalhámos quase sincronizadamente.

A restante hora passou-se de jeito praticamente idêntico. Reparei que a loja seria bem recompensada pela banda, uma vez que estava fechada à pouco mais de uma hora e o gerente não fazia reclamações. De facto, apanhei-o a observar-nos com um meio sorriso nos lábios enquanto revirávamos a sua loja e experimentávamos acessórios ridículos.

Percy agarrou um par de óculos de sol excessivamente redondos e feitos de massa, com uma textura de leopardo. Entregou-me uns, que rapidamente coloquei, no entanto, enquanto colocava os seus, a haste dos óculos tocou acidentalmente a sua orbe.

Percy gemeu e cobriu o olho com a mão como se a sua vida dependesse disso.

— Estás magoado? — perguntei, tentando controlar o riso.

Ele balançou a cabeça negativamente, ainda a cobrir o olho.

— Acredita quando te digo que a única coisa que feri foi o meu orgulho.

Comecei a rir descontroladamente. Na verdade, nem tinha tanta piada assim (bem, talvez só um pouquinho), porém fazia-me bem e, acima de tudo, apetecia-me. E eu nunca me neguei algo que quisesse.

Aproximei-me de Percy. Quando toquei-lhe o rosto estávamos tão próximos que conseguia sentir o hálito de menta dele misturar-se com o meu.

— Podemos arranjar-te uma pala de pirata. Depois só vai faltar a perna de pau e o gancho — comentei. Era suposto ser uma piada mas subitamente não senti vontade de rir.

Percy encarava-me com os seus grandes olhos e tornou-se impossível impedir-me de me afogar naquele oceano esverdeado quando o próprio colocou as mãos de ambos os lados do meu rosto, obrigando-me a fitá-lo.

Ele aproximou-se mais e mais perto, tão próximo que os nossos narizes tocavam-se e eu senti-me obrigada a fechar os olhos…

— Boas notícias pessoal! — gritou Beckendorf — As traseiras estão livres, podemos partir antes que apareçam mais fãs. A van está à nossa espera. Agora quero os rapazes à minha frente, imediatamente.

Percy deixou escapar o ar com força pela boca frustrado e largou as mãos ao lado do corpo.

Fixei os olhos no chão, sentindo-me completamente envergonhada pela cena de segundos atrás. No que estava a pensar? Em nada. Ora aí está: eu não estava a pensar sequer.

Aproximei-me de Annie e enganchei o braço no seu enquanto andámos juntas em direção à saída. Nem tentei procurar o Percy por entre as três cabeças que seguiam em frente a Beckendorf. Três, porque, uma vez mais, Nico não estava presente. O meu estômago apertou-se com curiosidade e um mau pressentimento. Não que eles fossem muito fiáveis de qualquer modo.

— O que se passou? — sussurrou Annabeth, analisando-me cuidadosamente.

Hesitei antes de abanar a cabeça. Annabeth calou-se, mas sabia que mais tarde não teria escapatória a não ser contar-lhe. Suei com o pensamento.

— Afinal o que se passa com esse Nico? — sussurrei de volta, poucos segundos depois.

— Mais tarde — prometeu, desaparecendo dentro do veículo de nove lugares. Sentei-me a seu lado e fiz beicinho, cutucando-lhe incessantemente até ela me responder de volta.

— Thals! — repreendeu-me num pequeno resmungo — Mais tarde.

— Eu vou procurar na internet! — ameacei, roubando-lhe o telemóvel do bolso, visto que o meu era, no mínimo, arcaico e a ligação à Internet demoraria demasiado.

Annabeth pegou o telemóvel de volta, com os olhos fulminantes e fumo a sair das orelhas.

— Mais tarde. É complicado… Eu pensava que ele estava bem! Não tão bem como se pode estar, mas razoavelmente bem, bem o suficiente para parecer bem! Mas pareces que é fachada para o mundo e eu sei lá…!

— Mais tarde! — concordei, esperando que isso a calasse. Ela acenou com a cabeça e começou a morder o lábio nervosa.

Acabámos por decidir que seria mais seguro parar num drive-thru e pedir comida. Senti certa pena ao pensar que muitas das saídas deles acabavam deste modo, mas assim que os hambúrgueres, as batatas e todos aqueles alimentos gordurosos começaram a entrar para dentro do carro, decidi que não era assim tão mau. Eles tinham um vínculo quase inquebrável e não eram falsos todos aqueles risos que tocavam como música pelo automóvel. Eles amavam-se todos de jeitos diferentes, mas do modo mais sincero e puro que pode haver. Eu só tinha Annie.

— Banheiro… — pediu Annabeth ansiosamente, com cara de desespero.

— Agora? — lamentei, quando estava prestes a dar mais uma dentada no meu Cheeseburguer.

— Agora!

— Precisámos de utilizar o banheiro do McDonald’s, voltámos num instante — avisei suspirando e colocando o hambúrguer num pequeno espaço do assento.

— Sozinhas? — perguntou Silena, com o semblante preocupado — Talvez fosse melhor o Charlie vos acompanhar.

— Ninguém nos conhece. Além do mais, os rapazes iriam ficar desprotegidos. Já voltámos.

Do banco do condutor, Beckendorf acenou. Ele dava umas três Thalias de largura e não por ser gordo mas sim devido à quantidade de músculo em todo o lugar visível e cerca de dois metros de altura. Tinha a pele da cor do chocolate e era suficientemente ameaçador para me manter à distância, isto é, caso não soubesse o quão agradável ele era realmente. Em contrapartida, as fãs dos The Necklace acreditam que valia a pena correr o risco de chegar perto dele desde que isso as proporcione uma visão avantajada ou um mero toque nos casacos caros dos elementos da sua banda preferida. Quão extenuante.

Eis a verdade: se eu soubesse o que aconteceria assim que saímos do banheiro porcalhão do McDonald’s, teria obrigado a Annabeth a ficar dentro da van, nem que isso significasse a enrolar em correntes de aço e a amordaçar.

Um grupinho de raparigas pela minha idade, algumas um pouco mais novas, vestidas com calções que mal cobriam-lhes as nádegas e camisetas que deixam-lhes as barrigas à mostra e decotes tão grandes que me fez sentir acanhada por elas, prostraram-se à nossa frente.

— Com licença? — demandei, de forma incerta.

Elas riram. Um riso maldoso e sardónico que despertou a minha aclamada fúria num despertar de olhos.

— Olha, eu não sei quem vocês são e sinceramente, não me interessa desde que se desviem e me deixem continuar a minha vida como sempre a fiz. Então é isso, afastassem-se se fazem o favor enquanto estou a tentar ser educada.

A aspirante a prostituta da ponta puxou Annabeth com tanta força que por pouco a mesma não caiu no chão. E simples assim o inferno foi libertado.

— Não lhe toques, caralho! Não lhe toques! — gritei partindo para cima dela. A aspirante a prostituta nº2 olhou-me desdenhosa e puxou os meus amados cabelos negros nas suas mãos.

— Tu não tocas nem olhas para o Percy, ok? E aqui a tua amiga é melhor se manter o mais longe possível do Connor. Entendidas? — instruiu calmamente. Não tive tempo suficiente para processar o facto de elas serem melhores que o FBI a descobrir coisas, nem o que elas realmente pensavam que se passava entre nós os quatro, pois ela me deu mais uma puxadela forte no cabelo e cai de joelhos no chão.

— Puta.

Mais uma puxadela forte. E crianças, é assim que eu praticamente fiquei sem cabelos.

— Eu vos entendo, eu própria sou uma fã! Tivemos sorte em conhecê-los e é um sonho tornado realizado como seria para qualquer uma de vós — tentou Annie choramingando.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa braços fortes me envolveram. A aspirante a prostituta nº 2 largou-me os cabelos com a surpresa e as suas mãos foram repostas pelas de Percy que me afagava a cabeça ternamente. Pelo menos eu achava que era o Percy. Cheirava a ele e parecia ser ele.

— Que diabos?

E esta voz definitivamente pertencia a Percy. Agora é que as coisas iam ficar definitivamente feias. O que lhe dera para cá vir sem o Beckendorf? O que lhe dera para vir cá simplesmente?

— Como raio vocês se intitulam de fãs quando fazem isso com pessoas que nos são importantes? Oh Jesus, espero nunca mais vos ver em nenhum concerto nosso porque a sério, se vos vir não terei misericórdia e irão direitas para a rua, pagando ou não o bilhete. — Continuou furioso. Gostava de ter visto a reação delas, mas a única coisa que conseguia distinguir era as cores da camiseta do Percy.

Onde estava Annabeth? Porque Percy não a puxou também? Debati-me nos seus braços todavia o seu aperto sobre mim intensificou-se. Fomos levados em direção à porta de saída por Charles (que afinal sempre estava lá!), com o restaurante de fast food na mesma agitação de que quando entrámos. Eu não sabia se eles estavam acostumados com cenas desta mas eu definitivamente não estava.

— Oh meu! Vocês estão bem?! Aí, como é que isto aconteceu? Thalia? Annabeth? Vocês entraram em estado de choque? O que se passou?

— Estou bem — assegurei, embora não me sentisse assim. Aquilo fora completamente insano.

Deixei Annie narrar os factos enquanto Percy olhava-me muito atentamente como se eu fosse sair dali a correr ou começar a chorar a qualquer momento.

Ele mexeu numa sacola ao seu lado, pousada exatamente a seguir do meu Cheeseburguer (que não parecia tão atraente quanto antes) e pousou um objeto na minha mão.

— Era suposto ter-tos entregado mais cedo — falou Percy dando de ombros. — Eu uso os meus se usares o teus.

Na palma da minha mão direita estava os horrendos óculos de massa da All Saints. Dei um sorriso fraco contudo só um pensamento me assombrava: no que diabos estava eu a me meter?


Notas finais
¹ - loja de roupas e acessórios para homens e mulheres. Então eu postei uma história original que amo do fundo do meu coração e que, se por acaso estiverem interessados, este é o link: http://fanfiction.com.br/historia/518474/Folie_Douce/ MIMH vai ser atualizada daqui para a frente aproxidamente de duas em duas semanas, pois em uma semana atualizarei Folie Douce e na seguinte MIMH. Não se esqueçam de comentar se não em vez de atualizar esta fanfic atualizarei Folie Douce u.u e bem é isso: comentem, favoritem e recomendem e sejam felizes :D