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5 Sonho Molhado


Notas iniciais
Sonho Molhado: Gilberto Gil

Sonho molhado

Faz muito tempo que eu não tomo chuva

Faz muito tempo que eu não sei o que é me deixar molhar

Acordou afoito e molhado de suor.

Respirando com dificuldade, sentou-se na cama e limpou a testa com o antebraço. Nem precisava se olhar no espelho para saber o quanto devia estar corado; as bochechas estavam terrivelmente quentes. E ficaram ainda mais quando seus olhos dourados pousaram no baixo ventre.

O edredom, antes liso e seco, agora estava armado e úmido.

— Merda! — exclamou irritado.

Ergueu-se com rapidez, e, sem nem ao menos acender a luz, despiu-se do pijama manchado com seu crime e enrolou-o no edredom. Tateou até uma das gavetas da cômoda, puxou uma calça de moletom e vestiu-a sem importar se era nova ou velha, se estava do lado certo ou não.

Com a muda de roupa suja debaixo do braço, abriu a porta do quarto e desceu pé ante pé até a lavanderia. Ainda era muito cedo para o tio estar acordado, mas preferia prevenir qualquer situação embaraçosa. Como se estivesse em uma zona de guerra, olhou desconfiado para ambos os lados do cômodo antes de entrar. Depressa, enfiou a roupa dentro da máquina e se permitiu um suspiro de alívio.

Voltava tranquilamente para o quarto quando escutou:

— Lavando roupa de novo, Zuko?

O garoto estremeceu. Voltou um passo e espiou a sala. Iroh estava lá, deitado no sofá, com a roupa do dia anterior.

— Tio, o que está fazendo?

— A partida de Pai Sho demorou mais do que o esperado. Cheguei agora. — Iroh respondeu e pela sua voz Zuko adivinhou que a partida se prolongou graças ao nível de saquê no sangue dos participantes.

— Há quanto tempo, mais ou menos, você está deitado aí?

O velho ergueu uma sobrancelha.

— Eu vi você descendo com o edredom.

Nunca em sua vida Zuko quis tanto ser uma toupeira, ser capaz de cavar um buraco e sumir dali.

— Escute, sobrinho, isso é normal na sua idade. Eu lembro que quando era jovem…

— Não! — disse com força e correu de volta para o quarto.

Eu vou dormir (enxutinho)

E acordo molhadinho de chuva

Mais tarde, sentado diante da escrivaninha e tentando terminar o trabalho de Ciências, Zuko permitiu que a mente voltasse para a manhã daquele domingo nublado.

Não era nada normal. Ele tinha dezoito anos, porra; esse tipo de coisa já não era mais para acontecer.

Mas estava acontecendo e com frequência.

Durante o inferno que vivera com o pai, não ocorreu nunca e mesmo muito depois, geralmente suas noites eram repletas de pesadelos com a mãe e muito fogo. Entretanto, desde que ele e Katara tinham engatado uma relação de amizade e depois física, seus sonhos tornaram-se azuis, castanhos e, bem, eróticos.

Se fechasse os olhos agora mesmo, conseguiria se lembrar com nitidez do sonho daquela noite: os lábios carnudos chupando sua língua enquanto ela se esfregava em seu colo. As mãos pequenas deslizando por seus fios negros e sua voz rouca dizendo-lhe que fora um mau menino e que ela iria discipliná-lo.

Oh, e isso era o mais estranho porque Zuko amaria ser disciplinado por Katara. Só de pensar…

Seu celular vibrou despertando sua atenção e quase fazendo-o infartar ao ler de quem era:

“Katara: Oie! Tudo bem? Fazendo o que neste domingo?”

Limpou as mãos suadas na calça antes de desbloquear o aparelho para responder.

“Olá. Tudo bem e você? Tentando terminar o trabalho de ciências...”

“Katara: Zuko, o trabalho é para amanhã. Você precisa de ajuda?”

“Só se você quiser me mandar o seu para eu copiar.”

“Não!”

Zuko riu e pensou mil vezes antes de mandar a mensagem seguinte.

“Sonhei com você…”

A reação que ansiava ocorreu. Katara mandou vários corações vermelhos antes de perguntar:

“Mesmo? O que você sonhou?”

“Nada”

“Katara: Ou você me conta ou acabam os beijos.”

"Chantagista! Ok, eu conto...”

Se a conversa continuasse indo por aquele rumo, Zuko sabia que acordaria molhado novamente.

Ah, quem liga?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.