Muse

3 Capítulo III - O Vulgo Indomável e A Dissimulada Angelical


Notas iniciais
Hi! Capítulo tirado no forno -q Espero que essa Sakura que eu criei não esteja sendo insuportavelmente chata para o gosto de vocês. Mas isso vai mudando conforme o decorrer da história; como também as coisas vão ficar mais agitada. É que tá apenas no começo e quando as coisas começarem a esquentar que vai ser top... Beijos!

Muse

“Não quero que as pessoas sejam muito gentis; pois tal poupa-me o trabalho de gostar muito delas”

Jane Austen

Capítulo III:

O Vulgo Indomável e A Dissimulada Angelical

Turno: Sakura Haruno

A forte persistência do sol exatamente em meus olhos e o despertador, causam em mim uma clara irritação. Contudo, deixo os solos apaixonantes de Steve Vai continuarem a tocar; enquanto eu olhava para o teto com o peito da mão descansado suavemente sobre minha testa. Remexo um pouco as pernas, as subindo, deixando-me descoberta. A claridade adentrava o quarto, espalhando-se como tinta aquarela pelas paredes. Naruto ainda dormia, obviamente.

– Preguiçoso.- Sussurro num timbre quase inaudível pela dor de garganta matutina. Abro a porta do quarto, saindo pelos corredores da casa Senju. A casa estava quieta; como se eu fosse a única alma atordoada e quase gritante por alí. Meus curtos passos tornavam o lugar mais irracional; como eu.

– Pensei que teria de te acordar. Sabe, você era muito dorminhoca antigamente...- Pus os pés descalços nos ladrilhos frios da cozinha e me surpreendi pela presença de Tsunade alí.

– Muitos pensamentos.- Respondi num desleixo. Não gostava de conversa pelas manhãs.

– Me desculpe pela poeira no quarto. Eu o reformei para quaisquer eventualidades ano retrasado; desde então não limpei o mesmo.- Tsunade rondou a mesa redonda que tinha como acompanhante o banco almofadado em arco. Lembrava a moda dos restaurantes antigos, com aqueles jukebox, hambúrgueres com fritas e um milk shake bem calórico mas que o faz feliz.

– Não tem problema.- Após a longa analise da cozinha estilosa, conforto Tsunade com minhas palavras. Mas ela via que eu realmente não queria papo com ninguém; no entanto, apenas peguei uma garrafinha d’água e girei os calcanhares de volta ao quarto.

Naruto, como o esperado, continuava a dormir tranqüilamente. Assim, aproveitei para tomar um banho revigorante; o banheiro embaçava-se com o forte vapor da água quente que caía sobre mim. Ao sair de lá enrolada em uma toalha, encontro Naruto começando a aprontar-se e me assustei um pouco por estar indecente frente ao mesmo. No entanto, ele não pareceu ligar e virou de costas para poder continuar com sua troca de roupa. Eu, fiz o mesmo; ficando fora de sua vista e me trocando como uma bala.

Não havia uniforme; o que era péssimo, pois não era sempre que eu teria disposição para me trocar decentemente. Minhas roupas ainda estavam na mala; vesti minha meia calça preta bem grossa por causa do frio. Um shorts da mesma tonalidade que a meia porém mais desbotado, e peguei a primeira camisa que achei; uma branca do Radiohead que ficava um pouco grande em mim, porém eu não estava um perfeito desleixo. Permaneci calada esse tempo todo; Naruto sabia mais do que ninguém sobre a minha falta de vocabulário de manhã. Então descemos as escadas em silêncio, após eu ajeitar meus cabelos curtos que batiam nos ombros e pincelar os olhos com um rímel. Eu não me entupo de maquiagem como as meninas da minha idade, mas como meus olhos são muito claros um pouco de contraste envolta dos mesmos faz um bem e tanto.

– Querem uma carona?- Saindo pela porta principal, Tsunade adentra a nossa frente com seu carro, digamos, um pouco “excêntrico”.

– Uau!- Exclamou Naruto de boca aberta; Tsunade logo esboçou um sorriso de lado e estreitou os olhos convencida.- Uma Ferrari Alfasud Sprint 6C. Isso é uma relíquia!- O loiro todo animado, alisava o carro como um bebê.

– Pois é. Comprei essa belezinha com um amigo meu...- Tsunade revirou os olhos, exibindo os dentes.- Vocês vão aceitar a carona?

– Sim!- Naruto respondeu de prontidão, ansiosa para apreciar aquela relíquia por dentro. Mas eu logo o censurei com o olhar e respondi mais do que certa.

– Não, obrigada. Nos vemos na escola.- Um curto e fino sorriso foi a deixa para pisarmos no asfalto novamente. Tsunade passou a nossa frente indo para o mesmo destino que eu e Naruto. Andávamos cabisbaixos, diminuindo a velocidade a cada passo pela falta de energia.

A escola era razoavelmente perto; após concluirmos as ruas cortadas, conseguíamos achar a estrada para seguir em frente. Assim, aproximadamente uns dez minutos depois já víamos uma grande quantidade de alunos pelas redondezas. Andávamos pelo estacionamento do instituto, tentando manter o mínimo contato visual com aquele povo. Até parecia um colégio normal, a única diferença é que todos neste recinto já mataram, roubaram ou fizeram qualquer outra merda errada. Naruto é provavelmente o único anjo por aqui; na verdade, o loiro nem deveria freqüentar esta escola. Ele não fez nada de errado, apenas quis me acompanhar já que é órfão. Eu também não deveria estar aqui.

– Eu realmente não deveria estar aqui.- Apertei alça da mochila de ombro, arranhando minhas unhas pelo tecido já desgastado.

– Fica calma. Pense bem, se você portar-se adequadamente, é possível que saia daqui antes do fim do ano.- Naruto tinha razão; estava certíssimo. Passamos pelo vão entre dois carros e neste curto instante, observo pelo canto dos olhos meu reflexo no vidro do carro. Decido parar uns segundos para arrumar o cabelo, no entanto, quem me confirmaria de que sairia alguém do mesmo. Era alto; alto mesmo, além de musculoso e possuir uma das peles mais perfeitas que eu já vi. Seus olhos caídos não pareciam demonstrar sentimento nenhum; com certeza um cara de poucas palavras. Os cabelos, cor de ébano cintilantes, reluziam com a luz do sol. Percebi ele estreitar seus ônix em minha direção, movendo os mesmos rapidamente a Naruto. Não entendo o porquê, mas eu ficara deveras curiosa para saber o que lhe ocorria nos pensamentos. E então, num baque de ombro, tombei para trás.

– Como é rude!- Naruto murmurou ajudando-me, depois daquele cara ter passado por mim como se não me enxergasse.

– Primeiro dia, Naruto.- Mordo a parte interna de minha bochecha, botando a língua pra fora e a mordendo.- Primeiro dia.- Levanto-me com um impulso, ainda mastigando minha bochecha com certa tirania.

Finalmente, demos o primeiro passo para dentro do verdadeiro inferno. Alunos conversavam pelos cantos, vezes olhando para nós e vezes caindo os olhares disfarçando. Caminhamos quietos, pedindo suporte á secretária em relação aos horários das aulas. Eu e Naruto ficaríamos em turmas separadas; já que o mesmo era dois anos mais novo que eu, mesmo não parecendo. Mesmo sabendo que isso iria acontecer, me senti estranha após cruzarmos caminhos diferentes.

Segui pela direção que me foi mandada; minha sala ficava nos quintos dos infernos e eu ainda não sabia disso. Subi as escadas de dois em dois degraus; os corredores estavam calmos e silenciosos. A luz que vinha da porta no fim do corredor, tornou-se mais confortante para mim; não havia ninguém na mesma. Suspirei aliviada, caindo sobre uma carteira encostada na parede bem no fundão. No entanto, esse alívio reverteu-se de uma forma bem desconfortante.

– Oi.- Nem preciso dizer o susto que eu tomei ao ver aquela garota sentada no chão do meu lado. Ela, quase mais que o cara de mais cedo, tinha sua pele bem alva. Longas madeixas azuladas que lhe deva uma impressão angelical e aqueles olhos perolados... eram certamente muito admiráveis e impressionantes.

– Ah, oi. Nossa, nem te vi aí.- Comentei mas queria muito poder voltar em minhas palavras. Ela deve estar sentindo-se inferior.

– Tudo bem.- Seu braços envolviam harmoniosamente suas pernas num abraço. Seu suéter cinza com algumas largas listras horizontais em azul e branco combinavam com a mesma, dando a garota um ar de que só quer prestar o devido serviço que veio aqui. Quando se levantou passou as mãos nas roupas para tirar a sujeira do chão. A leggin preta com o all star branco simples combinaram perfeitamente com a roupa. Pergunto-me insistentemente o motivo dela estar neste hell.

– Qual o seu nome?- Tento ser gentil.

– Hinata.- Virou o rosto, arrumando seu material sob a carteira.

De qualquer forma, não vim aqui para fazer amizades; muito menos inimizades. Apenas vim até aqui para cumprir com a justiça, mesmo eu estando aqui injustamente.

* * *

Once the flame begins to catch

The wind will blow it higher

Peter Gabriel – Trecho de Biko