Murtagh - Cavaleiro de Dragões
5 Vitor e Suzanne
Notas iniciais
No dia seguinte acordei com alguém me chamando. Eu acordei tão rápido que caí da árvore em que eu estava. Quando levantei, vi Vitor, o meio irmão de Sage, um amigo meu, também filho de um renegado. Ao seu lado havia uma garota muito parecida com Ruth.
-Murtagh, essa é Suzanne, prima da Ruth. Nós ficamos sabendo do desaparecimento dela.
Vitor era louro e tinha olhos cinzentos como os meus. E Suzanne era bem parecida com Ruth. Cabelos castanhos e lisos, porém, Ruth tinha olhos verdes e Suzanne tinha olhos castanhos.
Então ficamos em silêncio, até que Suzanne deu um passo a frente e disse:
–Ruth me falou de suas habilidades com espada. Eu também gosto de esgrima. Aposto que não ganha de mim.- ela me desafio com um sorriso
Ela sacou uma espada com uma lamina de um bronze rosado provavelmente forjada pelo Sr. Jeod, pai de Ruth.
–Vamos ver.- eu disse retribuindo o sorriso
Protegemos nossas espadas. Fiquei surpreso quando ela proferiu palavras na língua antiga. Poucos a conheciam.
Ela investiu pela direita e sua espada quase tocou meu ombro, porém eu fui mais rápido e o desviei. Ela se assustou com a força do choque, mas logo se recuperou. Suzanne atacou novamente, mas eu desviei de novo.
– você não vai me atacar? Não tenha medo de me machucar!!
Assim eu a ataquei, mas ela foi rápida e eu perdi o equilíbrio. Ela me acertou no ombro. Eu me encolhi masageando o ombro.
–Me desculpe! Eu não quis te machucar!
Eu peguei minha espada e ataquei seu tornozelo com toda a força que restava em mim. Ela gritou e caiu no chão. Quando vi seus olhos marejados de lágrimas, me arrependi imediatamente.
Tentei ajudá-la, mas ela recusou me empurrando.
–Me desculpe, eu...
–Ai, isso dói muito!
–Eu posso te ajudar!
–Então faça algo!
Vitor que esteve observando toda a luta, foi ajudar Suzanne a se levantar e se sentar em uma pedra.
Eu entrei sorrateiramente pelos fundos do palácio de Morzan, meu pai. Subi até meu quarto e peguei um kit de primeiros socorros. Desci o mais rápido que pude e me agachei ao lado de Suzanne.
Ela estava mesmo bem machucada. A região do machucado estava avermelhada, e ela gritava quando encostava em algo. Meu ombro doía bastante, mas ainda sim me sentia muito mal. Eles me disseram que passariam a noite naquele bosque, para não me deixar sozinho.
Mais tarde, Suzanne me procurou e disse:
–Me desculpe, não quis machuca-lo.
–Eu que devo pedir desculpas por reagir daquela forma.
–Tudo bem. Eu entendo. Você só queria mostrar que também poderia me machucar. Mas você cuidou do meu tornozelo. Tire a camisa, vou cuidar de seu ombro.
Meu ombro estava tão mal quanto o tornozelo da Suzanne, talvez até pior. Havia uma marca roxa onde sua espada me tocara. Ela passou algo gelado, e depois enfaixou.
Ela se sentou ao meu lado e disse:
–Onde aprendeu a lutar?
–Sozinho, observando meu pai.
–Quem é seu pai?
Eu hesitei.
–Vamos, quem é seu pai?
–É um renegado. Morzan é meu pai.- ela se afastou um pouco de mim -Fique tranquila, não sou como ele. Eu também não gosto dele.
Ela bocejou.
–Estou cansada.Vou dormir. Boa noite!
–Boa noite!
Quando eu me deitei percebi uma coisa que me assustava. Eu tinha mais amigos, ou quase isso. E isso os colocava em perigo.
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