Murmúrio
31 Pedidos e Soluções
A tristeza imediatamente tomou conta do meu ser. Não havia muitas formas piores de castigar meu coração do que ver o sofrimento de Patch estampado naqueles olhos incrivelmente negros.
- Patch… eu. — Comecei, mas não sabia o que dizer.- Não precisa dizer nada, anjo. — Ele deu um sorriso preguiçoso. - Eu não sabia que era assim. — Falei, um nó se formava em minha garganta. Eu fui tão rude com ele por tão pouco, ele não merecia isso. Jamais. — Me perdoa?- Você não fez nada. — Ele beijou minha testa suavemente. — Além disso não é uma coisa que eu vá me orgulhar… — Ele começou, enquanto eu aninhava minha cabeça em seu peito.- Suas escolhas? — perguntei.- Não, anjo. — Suas palavras saíram como jatos. — Jamais me arrependeria das minhas escolhas. Caso sua memória falhe, elas me levaram até você.Não pude deixar de sorri, mesmo eu sendo ignorante e extremamente exigente, Patch conseguia ser a pessoa mais doce do mundo comigo.- Do que não se orgulha, então? — Voltei a perguntar.- De mim. — Ele falou quase de forma inaudível. — Não sou bom, anjo. Não pertenço a este lugar.- O que? — Minha voz soou mais estridente do que o necessário. — Você é ótimo… quero dizer. O que? Você pertence a este lugar sim, você pertence a mim.Meu coração estava a mil. Patch estava pensando em voltar?- Olha… se está pensando em ir embora, apenas porque eu toquei no assunto ” filhos” — Comecei, ressaltando a última palavra. — Esqueça tudo o que eu disse, não quero que você se vá.Eu estava quase ciente de que estava fazendo um beicinho.- Ai, anjo… — Ele soltou uma gargalhada. — Eu nunca falei que iria embora. Eu estava irritada, cruzei os braços e comecei a sacudir meu pé de forma exagerada.- Não precisa ficar irritada. — Ele sussurrou em meu ouvido, seu hálito quente fazia cócegas em meu pescoço.- Hm… — murmurei, fechando os olhos.- Trégua? — Eu podia ouvir o sorriso em sua voz.- Não vejo motivos para se preocupar, Jev. — Ele ficou tenso.E eu me virei para encará-lo, suas mãos estava rígidas apoiadas no encosto do sofá.- É brincadeira, Patch. — Eu disse, rindo. Ele relaxou imediatamente.- Anjo…- Ele começou- Diga. — Eu encorajei com a boca cheia de pipoca.- Gostaria de ser casar comigo? — Ele sorriu de forma maliciosaE a pipoca quase subiu para o meu nariz. O que? Comecei a tossir de forma descontrolada.- O que acabou de dizer? — Eu disse, abanando meu rosto para tentar espantar a vermelhidão.- Isso mesmo que ouviu, Nora Grey. — Eu amo como meu nome soa em seus lábios, quase pedir para ele repetir as palavras mas estava muito distraída.- O que isso, Patch? Está me pedindo em casamento? — Perguntei e não pude deixar de sorri com a ideia.- Como sempre apressada, anjo. — Ele sorriu como se contasse uma piada particular. — Eu só perguntei, não sabia qual seria a sua reação nem a sua resposta.Olhei de cara feia. Como assim não sabia qual seria a minha resposta? Eu não pensaria duas vezes antes de aceitar o pedido, mas como ele não refez a pergunta preferi deixar pra lá.- O que acha que eu devo fazer com Vee? — perguntei-lhe.Ele apenas estendeu um celular e assentiu com a cabeça. - Ela precisa de você, anjo. — Ele disse calmamente, nem parecia se referir a Vee. — Mais do que nunca.Olhei mais uma vez dentro daqueles olhos de escuridão e aceitei o celular. Andei até o quarto, para que Patch não me ouvisse.- Alô? Oi, Vee… — Comecei. — Aqui é Nora, eu queria saber se podemos conversar.Eu não sabia qual seria a resposta dela, mas eu sabia que tinha que arrumar as coisas.De qualquer forma.
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